Um militante a serviço de Jesus

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A Portas Abertas mantém-se fiel à trajetória de seu fundador: Irmão André, o contrabandista de Deus

Um militante a serviço de JesusEle costuma dizer que é um holandês bobo, filho de um ferreiro e que trabalha para um carpinteiro judeu. Jamais cursou o segundo grau ou a faculdade. Veio de uma família pobre. Durante anos, sofreu de dores crônicas nas costas e mancava. Teve muita dificuldade para aprender o inglês. Não foi aceito em seminários. Não foi aceito sequer, no curso preparatório de missões com apenas dois anos de duração e que não exigia o ensino fundamental completo.

Mesmo assim bateu à porta dos diretores da instituição, na Inglaterra. Sabia que precisava de treinamento antes de abraçar a atividade missionária e cumprir o “ide” de Jesus. Sem desistir de seu propósito, trabalhou de graça e insistiu até ser aceito no Colégio de Treinamento Missionário da CEM, em Glasgow, na Escócia. Ao final da graduação, ouviu de um professor: “Esse rapaz não tem vocação”. Os primeiros anos da vida desse homem, conhecido como irmão André, foram marcados por inúmeros “nãos”, mas ele nunca de deixou desanimar pelas recusas. “Nossa fé em Cristo precisa tornar-se um modo de vida, onde quer que estejamos e é assim que podemos começar a mudar o mundo”, diz ele.

O que sonhou ao longo de sua vida tem se transformado em ação prática, a exemplo da execução do Projeto Pérola (envio de um carregamento com um milhão de Bíblias à China, em 1981, em uma única noite) e do ministério que fundou, a Portas Abertas, que hoje está presente em dezenas de países.

O chamado

Ao terminar o curso, em 1961, no qual tanto insistiu para ser aceito, o jovem André viu numa revista o anúncio do Festival da Juventude Comunista, na Polônia. Ele sabia que Karl Marx dissera: “Deem-me 23 soldados de chumbo e eu conquistarei o mundo”, fazendo menção as letras do alfabeto e ao poder das palavras. Por isso, ele pensou,: “Esse jogo pode ser jogado dos dois lados. Vou para a Polônia”.

Decidiu escrever para o endereço mencionado no anúncio, dizendo abertamente que estava estudando para ser missionário e que gostaria de participar para trocar ideias a respeito de Cristo enquanto se falasse sobre o socialismo. A resposta veio rápido: alguém o aceitou. Ele levou consigo edições do livreto O caminho da salvação em todas as línguas europeias e teve contato com igrejas cristãs polonesas. Em uma delas, ouviu de um pastor: “Agradecemos por você estar aqui. Mesmo que você não tivesse falando uma palavra, só o fato de vê-lo já teria significado muito. Algumas vezes sentimos como se estivéssemos sozinhos em nossa luta”.

A partir dessa experiência e da constatação de que nos países da Cortina de Ferro havia uma igreja presente, porém oprimida por diversas formas, é que ele identificou uma necessidade latente e se lançou em uma aventura arriscada para estar ao lado daqueles irmãos, pois 1 Coríntios 12.26 diz: “Se um membro do Corpo sofre, todos sofrem com ele”.

Seu lema foi e ainda é: “Vá, depois veja como Deus age”. Dessa forma, aquele rapaz sem estudos ou dinheiro acabou tornando-se um canal de sustento físico e espiritual para alimentar nossos irmãos com Bíblias e com sua visita entre cristãos oprimidos, dando origem à Open Doors ou Portas Abertas.

O contrabandista de Deus

O contrabandista de Deus é o título do seu primeiro livro, que narra os primeiros anos do ministério do Irmão André – e que se tornou leitura obrigatória em seminários cristãos e até entre os guerrilheiros da Autoridade Palestina, à época sob a liderança de Yasser Arafat. Isso porque a força de vontade que o levou da Holanda a países tão longínquos é admirada por homens que carregam consigo um ideal de vida ou revolução, ainda que não conheçam a verdadeira revolução interior que só o Cristo pode nos trazer.

O irmão André explica: “A questão mais importante para mim não é se contrabandeamos, mas se vamos. Muitos de meus críticos não veem problemas em transmitir programas de rádio em países fechados, embora isso seja igualmente ilegal e arriscado, pois as pessoas na ponta receptora podem ser presas por ouvir sobre Jesus ou aceitar Bíblias. Nós precisamos tomar a iniciativa. Queremos invadir não só países fechados, mas qualquer barreira inspirada pelo Diabo e feita pelo homem para afastar as pessoas da mensagem de Cristo, incluindo barreiras radicais, sociais, políticas, culturais, denominacionais, linguísticas e outras que enfrentamos em nossas escolas e negócios. Os métodos que usamos para invadir podem ser legais ou ilegais, segundo as leis do país alvo. Uma primeira opção é sempre encontrar meios legais de levar a mensagem cristã, mas se não houver, ou forem limitados ao ponto de a Igreja não poder atuar plenamente, então precisamos obedecer a lei superior de Deus e invadir por quaisquer meios disponíveis, incluindo o contrabando. Única advertência: não podemos comprometer o restante das Escrituras em nome de ‘obedecer a Deus e não ao homem’”.

Atualmente, na casa dos 80 anos de idade, ele reduziu o número de viagens, mas não os riscos. Trabalha principalmente em países islâmicos que proclamaram a jihad (guerra santa) contra o Ocidente.

Ele afirma: “Quando falo de presença, quero dizer conscientemente conduzir nossas vidas para regiões perigosas. Ir lá pessoalmente. Não para fundar uma igreja, curar os doentes ou patrocinar uma grande campanha. Mas simplesmente para levar a presença de Cristo à situação. Jesus disse: ‘Bem-aventurados os pacificadores’. Os pacificadores só podem trazer paz onde há guerra. Se Jesus vive em mim, eu vou a uma região conflituosa do mundo, então Jesus se faz presente ali. E uma vez ali, vemos oportunidades das quais jamais tomaríamos conhecimento se ficássemos para trás, pois essas oportunidades não existiriam. Elas só aparecem no momento em que chegamos lá”.

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