Traficante é resgatado por Deus

Livramento de morte chancelou nova vida para jovem envolvido na criminalidade

Traficante é resgatado por DeusA grande maioria dos criminosos iniciou a sua carreira no submundo ainda na infância, e Felipe Macedo Brasileiro, 39 anos, casado com Rossele Bezerra dos Anjos Brasileiro, entrou na estatística. Morador do Complexo da Maré, na Vila do Pinheiro, comunidade localizada na Zona Norte do Rio de Janeiro (RJ), o jovem ficou fascinado com a “vida fácil” proporcionada pelo crime. “Meus pais eram separados e eu fiz amizade com jovens que praticavam furtos, aos 12 anos eu dei início a minha trajetória na vida do crime. Eu fui detido pela primeira vez aos 13, por furto”, lembra.

A Vila do Pinheiro foi a sua área de atuação. Para quem não sabe, a escalada de um indivíduo na vida do crime obedece a uma hierarquia e Felipe começou a sua trajetória neste perigoso universo quando estava no início de sua adolescência. “Os meus amigos que praticavam furtos ingressaram no tráfico de drogas, eu fui junto com eles. Iniciei como ‘vapor’, isto é, a pessoa responsável pela venda das drogas no varejo e tem acesso direto aos consumidores, mas trabalha desarmado e por esse motivo, é o componente mais vulnerável à ação policial”.

O tempo passou e Felipe subiu o íngreme escalão do “poder” entre os bandidos. Ele conseguiu mostrar fidelidade e trabalho para seus lideres e estes logo viram um jovem determinado a tudo para ascender criminalmente. As lideranças o destacaram para a endolação (a pessoa que embala a droga), segurança (bandido responsável em proteger os arredores da boca de fumo das ações policiais e de quadrilhas rivais)e mais tarde, responsável pela comunidade (chefe abaixo do “patrão”, o mandante de toda a quadrilha local).

Enquanto militou na vida do crime, Felipe tinha certeza que poderia ser preso a qualquer momento ou morto em tiroteio com a polícia ou por traficantes rivais. Dessa forma, entregou-se a uma vida sexual desenfreada. “Então eu procriei, isso mesmo, se eu fosse morto, pelo menos a minha descendência ficaria neste mundo. Eu sou pai de 15 filhos. O meu envolvimento amoroso acontecia durante as baladas e festas funk organizadas na comunidade”, revela. Nas comunidades controladas pelo tráfico, a “vida social” de um traficante de drogas é intensa. Na verdade, as jovens e mulheres da região ficam à espreita, aguardando uma oportunidade de serem apresentadas ao chefe da boca de fumo e se tornar a “primeira dama” da favela dominada pelo crime organizado.

Mas a preocupação de Felipe não era apenas em deixar filhos neste mundo, mas com a própria vida. Ele mesmo recorda ter sido alvo da compaixão divina. “Eu estou vivo pela misericórdia de Deus, uma vez que escapei diversas vezes da morte. Dou todo o crédito ao Senhor, que livrou-me de ir para o inferno. Eu já fui detido oito vezes e ainda na infância fui encaminhado para o Instituto Padre Severino, que não existe mais”.

Mas a sua conversão aconteceu através de uma revelação divina. Enquanto participava de um evento na Vila do Pinheiro, Felipe foi abordado por Sônia, uma fiel da Assembleia de Deus Caetés, que serviu como instrumento divino para alertar-lhe que o Senhor tinha uma obra a ser realizada em sua vida e que seria alvejado, mas o Senhor o livraria da morte. De acordo com o seu relato, os crentes locais o evangelizavam, mas a sua resposta era sempre a mesma: “eu vou me converter, pastor”. Por sua vez, o pastor Roberto Costa Copquel, líder da Assembleia de Deus Vinde à Ceifa, foi um desses evangelizadores que apregoou a mensagem de fé, mas o traficante hesitava diante do convite para uma nova vida.

“O incidente previsto pela cristã aconteceu, e desenrolou-se da seguinte maneira: eu devia atender a um compromisso com o meu ‘superior’ no tráfico, embarquei no carro e a profecia cumpriu-se cabalmente. Isto ocorreu 17 dias depois da revelação. Mesmo tendo saído incólume do episódio, o tiroteio deixou-me impressionado devido a exatidão dos fatos que haviam acabado de acontecer. Eu entrei em contato com o pastor Roberto Copquel, contei que Deus livrara-me da morte certa e manifestei o meu desejo de abandonar o crime”.

A vontade de tornar-se crente esbarrava em um detalhe: Felipe ainda devia obediência aos seus superiores na vida do crime, por este motivo teve que pedir ao “dono” da comunidade que o liberasse pois decidira seguir Jesus Cristo. O bandido estava detido em Bangu 1, dentro do complexo penitenciário que leva o mesmo nome. “A vida pregressa tinha que ficar para trás, agora um horizonte abria-se para mim”, jubila Felipe. A sua transformação incluiu um período internado em uma casa de recuperação para viciados no município de Itaguaí (RJ), mas depois, ele procurou administrar suas escolhas de acordo com a Palavra de Deus. Hoje, Felipe é um chefe de família, pai de dois filhos com a atual esposa, procurou sustentar a casa através da venda de açaí. A esposa trabalha como gerente de vendas em uma grande rede de lojas de calçados femininos. “Eu ainda moro na comunidade e posso dizer que sou um exemplo de superação para as pessoas que me conheceram no passado”, comenta Felipe.

O pastor Roberto Copquel concorda com as palavras de Felipe e reitera que somente Jesus consegue proporcionar uma nova vida ao pecador. “O Senhor mostrou a sua compaixão e resgatou o nosso irmão do submundo das drogas e do crime, e continua a salvar quem deseja sair desse caminho de trevas. O Senhor continua o mesmo, cabe ao ser humano confiar nEle”.

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