Teoria da Brecha ou da Lacuna

image_printImprimir

Gostaria de ter esclarecimento sobre a “Teoria da Brecha ou da Lacuna” que diz que houve eventos entre os versículos 1 e 2 de Gênesis 1.

Teoria da Brecha ou da LacunaQuando me pus a comentar a lição deste trimestre, deparei-me com alguns desafios bastante singulares. Sei perfeitamente que a Bíblia, do Gênesis ao Apocalipse, é a inspirada, inerrante e completa Palavra de Deus. E que, nela, não há contradição alguma, pois as suas belezas e perfeições não conhecem limites. Mas como explicar suas ilimitadas e infinitas fronteiras?

Ante os desafios dos onze primeiros capítulos de Gênesis, dispus-me a pensar racionalmente, e cheguei a estas conclusões:

Estamos diante de uma narrativa histórica, e não ante uma parábola que busca explicar o inexplicável. Portanto, a descrição que Moisés faz da criação dos Céus e da Terra é um fato verídico. Portanto, não colocaremos o autor sagrado, na mesma galeria de Homero, Hesíodo, Virgílio e Camões. Moisés, além de poeta, era historiador. Os outros não passavam de meros narradores de mitos.

Quanto aos dois primeiros versículos de Gênesis, que os aceitamos com a mesma simplicidade com que o profeta os redigiu. Por conseguinte, descartamos, desde já, a chamada Teoria da Lacuna, que alguns estudiosos preferem alcunhar de Teoria do Caos, e que outros resolveram alcunhar de Teoria da Brecha.

Portanto, não temos nenhuma base escriturística, para acreditar num pré-mundo habitado por anjos ou por hominídeos.

Se o autor sagrado descreve a Terra, antes do primeiro dia da criação, como informe a vazia, não significa que o planeta estivesse em estado caótico. Mas que, naquele momento, tomava forma, sob a ação do Espírito Santo, que pairava sobre as águas. Tratava-se, pois, da etapa inicial da obra divina que, embora efetivada em apenas seis dias literais, em tudo mostrou-se metódica e, por incrível que pareça, científica.

Deus trabalhou, com muita arte e ciência, o nosso planeta. Primeiro deu-lhe forma. Depois chamou a existência os dois reinos de vida irracional: o vegetal e o animal. E, só então, despertou o homem, do pó da terra, a ser e a estar do seu lado. Por isso, escreve Isaías: “Porque assim diz o Senhor, que criou os céus, o Deus que formou a terra, que a fez e a estabeleceu; que não a criou para ser um caos, mas para ser habitada: Eu sou o Senhor, e não há outro” (Isaías 45.18).

Se a Terra, no início, estava sem forma e vazia, não era em razão da apostasia do querubim ungido, que, em minha opinião, só ocorreria após a criação do ser humano. Como já disse, o vazio e a informidade do planeta faziam parte da etapa introdutória da obra criadora de Deus. Como bom oleiro, primeiro o Senhor preparou a massa para, só então, dar forma ao grande vaso que é a Terra.

Por que acredito que a rebelião de Satanás deu-se após a criação do homem? Em primeiro lugar, porque Deus, quando criava a Terra, os anjos todos cantavam e rejubilavam-se (Jó 38.1-7). Esta passagem é muito reveladora.

Finalmente, não podemos usar os dois primeiros versículos da Bíblia Sagrada, para acomodar o pré-mundo, a raça pré-adâmica, os dinossauros, etc. Alguns teólogos tratam do assunto, apresentado-o não como doutrina, mas como possibilidade. E, como sabemos, não se deve dogmatizar em cima de teorias e especulações.

Aceitemos a Bíblia Sagrada como a Palavra de Deus. Quanto à criação, levemos em conta que se trata de uma ato sobrenatural de Deus para dar forma e vida ao mundo natural. Nesse sentido, a criação é um milagre. E milagre, como todos nós sabemos, está acima da ciência, mas não é contraditado pela ciência verdadeira. Tomemos cuidado com as teorias teológicas, pois tendem a transformar-se em mitos. Aliás, foi assim que nasceram as mitologias dos egípcios, babilônios, gregos, romanos e de alguns evangélicos dados às modernices.

Por, Claudionor de Andrade.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Google Translate »