Tecnologia de Israel para o Brasil

Conheça a tecnologia que o governo quer trazer ao Nordeste

Israel sempre sofreu com a escassez de água em sua história. Ele se encontra em uma região desértica, com clima entre tropical e semiárido e com poucas fontes naturais de água doce por perto. Nos tempos bíblicos, a cidade de Jerusalém dispunha praticamente de apenas uma única fonte de água, que era a Fonte de Giom, localizada no Vale de Cedrom, ao leste da cidade. Sua capacidade de abastecer Jerusalém, porém, era bastante limitada: as águas do Giom conseguem abastecer bem, diariamente, uma população de apenas 2,5 mil pessoas.

O primeiro aqueduto que trazia as águas do Giom para Jerusalém foi construído ainda na época dos jebuseus, antigos moradores da cidade. Sob a orientação de Davi, ele foi usado estrategicamente pelo Exército de Israel como passagem de acesso para tomar Jerusalém (2 Samuel 5.8) e provavelmente foi aproveitado e aperfeiçoado pelo monarca após a conquista. O segundo aqueduto foi construído pelo rei Acaz e o último, pelo rei Ezequias (2 Reis 20.20; 2 Crônicas 32.30), o chamado “Túnel de Ezequias” ou “Túnel de Siloé”, que existe até hoje. O Túnel de Ezequias é considerado um dos maiores feitos de engenharia da Antiguidade. Ele foi construído rapidamente a mando de Ezequias para fazer com que Jerusalém suportasse o cerco dos assírios pelo rei Senaqueribe.

Como se vê, não é de hoje que os judeus usam o melhor da tecnologia de seu tempo para sobreviver na região desértica do Oriente Médio. Nos dias de hoje, uma das principais estratégias do Estado israelense – hoje com uma população de 8,7 milhões – para suprir essa necessidade tem sido investir na construção de usinas de dessalinização. Israel é um dos pioneiros no uso dessa tecnologia segundo as normas internacionais. Atualmente, cerca de 80% da água potável consumida pela população israelense vêm do mar.

O exemplo da Usina Soreq

Em 2011, com o objetivo de garantir ainda mais a segurança hídrica, o governo de Israel investiu 500 milhões de dólares – algo em torno de 2 bilhões de reais hoje – para erguer a Usina Soreq, aumentando a quantidade de água doce para abastecimento do país, captando água do Mar Mediterrâneo. A Usina Soreq está localizada a 15 quilômetros ao sul de Tel Aviv e produz 624.000 m³ de água doce por dia, o suficiente para abastecer diariamente mais de 2 milhões de pessoas.

Soreq foi construída pela companhia israelense IDE Technologies, que utiliza a tecnologia de osmose reversa para dessalinizar a água. Em linhas gerais, osmose reversa é um processo de separação do sal e outros elementos da água por meio de forte pressão através de membranas com pequeníssimos poros, por onde a água é forçada a passar. As moléculas maiores retidas pelos poros são descartadas juntamente com uma quantidade muito pequena de água que também não passa.

O embaixador israelense no Brasil, Yossi Avraham Shelley, afirmou recentemente que os empresários israelenses já estão negociando com o nosso país a tecnologia. “Os empresários israelenses estão em posição de vantagem porque conseguem processar um litro de água dessalinizada por um preço menor do que o valor regular disponível nos mercados”, afirmou o diplomata de Israel meses atrás, segundo informações da Agência Brasil.

Atacando a seca no Nordeste

Com o objetivo de atacar a seca no Nordeste, o presidente Jair Bolsonaro tem conversado com o governo israelense, mesmo antes da sua eleição, para trazer essa tecnologia para o nosso país.

Como fruto dessas negociações, o embaixador israelense Yossi Avraham anunciou, inclusive, a intenção do governo do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de bancar a instalação de uma usina piloto de dessalinização de água do mar na região Nordeste. Curiosamente, a média anual de chuva em Israel é praticamente a mesma do sertão nordestino.

Outro método utilizado em Israel para completar o abastecimento de água para a população é a reutilização do esgoto. Em Israel, 85% do esgoto é reutilizado, mas essa água reutilizada é usada apenas para atender à agricultura do país. No total, metade da água do país é usada somente para atender às necessidades das centenas de empresas agrícolas em Israel.

Em entrevista cedida à TV CPAD em dezembro logo após a sua diplomação como novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro falou sobre essa parceria com Israel. “Eu tenho estado em contato direto com o embaixador de Israel e ele, inclusive, está doando duas máquinas de fazer água que são do tamanho de uma geladeira. Cada máquina faz 5 mil litros de água por dia. E a energia elétrica? Ele falou que o consumo é pequeno. Então, você pode usar essa tecnologia com energia solar e começar a colocar lá no Nordeste. E digo mais: o brasileiro é criativo; ele vai olhar esse trem aí e vai falar: ‘Vou fazer um melhor e mais barato para fazer mais água’. Tenho certeza disso. Ninguém vai roubar a tecnologia israelense, vamos aperfeiçoar. Eu conheci um pouco da agricultura e da piscicultura israelenses, e eles querem realmente ser nossos parceiros aqui no Brasil, e acredito que nós temos também muito a oferecer a eles. Queremos tirar o nordestino da escravidão, daquele coronelismo lá do sertão, onde ele depende do carro-pipa, depende de uma cisterna, depende de alguém algumas vezes mal-intencionado que está ao seu lado. Nós queremos dar essa liberdade ao povo nordestino”, afirmou o presidente.