Sofrimento, graça e poder

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Sofrimento, graça e poderOh! Que grande paz teríamos se fossemos poupados de todas as aflições terrenas. Que coração humano não deseja isso? Há dias em que nos deparamos como o salmista Davi, com o coração pulsando ardentemente, ansiando refrigério, perguntando à própria alma até quando terá de suportar o pão da aflição (Salmo 13.2).

Talvez soe como um paradoxo ao seu coração, mas devemos nos alegrar pelos sofrimentos (Tiago 1.2) e nos gloriarmos de nossas próprias tribulações (Romanos 5.3). Todos os anos vejo pregadores “profetizando” que o ano seguinte será o ano da vitória dobrada, o ano da colheita, o ano que você vai colocar Deus na parede e “determinar” que a sua benção vai chegar. Ora, chega a causar enfado tal distância dos preceitos escriturísticos. Deus é poderoso o suficiente para nos abençoar. Contudo, não somos nós, reles homens, quem designamos o que Ele, infinitamente soberano, realizará.

Se Deus não poupou ao Seu próprio filho, em quem jamais se achou pecado, certamente também não nos privará de padecermos. Mas em nosso coração deve habitar a certeza de que todo pesar nos mostra, em última análise, as mansões celestiais. O sofrimento terreno é como uma mão que aponta para o céu. Penso que neste corpo mortal, não fossem as diversas tribulações, não lembraríamos que existe um lugar em que não há pranto, nem clamor, nem dor. Todas as inquietações que passamos aqui são como uma voz que diz: há um lugar em que nada disso existe.

Há propósitos nos muitos sofrimentos permitidos por Deus. É pela tribulação que experimentamos a graça do Senhor nos capacitando a viver triunfantes a despeito de qualquer dilema (2 Coríntios 12.9) e temos o valor da nossa fé confirmado (1 Pedro 1.6,7). Através disso, possuímos a certeza da bem- aventurança eterna, de uma recompensa futura que nos aguarda. O céu não é aqui, mas por intermédio do que suportamos nesta vida peregrina, entraremos no Reino de Deus (Atos 14.22).

Paulo considera o padecer por Cristo como um privilégio concedido pelo próprio Deus (Filipenses 1.29), achando prazer em ser digno de preciosa tribulação (2 Coríntios 12.10). Em meio aos vales de dor, somente a graça de Deus pode nos consolar e fazer habitar em nós a paz que excede todo entendimento. Foi assim que o povo de Filipos foi animado para que, unidos com o Senhor, permanecessem sempre alegres, levando todas as suas ansiedades ao Pai celeste.

Não é, portanto, a tribulação um mal para a vida cristã, mas uma alavanca que produz a paciência, e essa paciência nos aperfeiçoa, fazendo com que Deus nos aprove e, sendo aprovados, temos o coração preenchido pela esperança. É justamente essa esperança que não nos deixa decepcionados, nos traz experiência e firma-nos numa vida piedosa constante (Romanos 5.3-5).

Todavia, há muitos que fracassam nesta caminhada, se frustram com as circunstâncias e desfalecem na fé. Para que se permaneça inabalável em meio aos entre montes, urge que se conheça o Deus que nos prova. Dessa forma, permaneceremos satisfeitos nEle. O remédio para frustração é o contentamento em Cristo. Só se consegue enfrentar o vale das lágrimas quando se tem uma fé firme, assim, não serão as circunstâncias que nos arrastarão de um lado para o outro, mas Deus nos conduzirá vitoriosos sobre qualquer situação, sabendo que muitas vezes Ele não nos livra do sofrimento, mas no sofrimento. Com a força que Cristo nos dá podemos enfrentar qualquer situação.

Os tormentos também são como o bradar de Deus para purificar-nos. Assim como a prata é purificada na fornalha, o Senhor nos corrige amorosamente a fim de nos levar ao caminho correto outra vez (Isaías 48.10). Deus é maravilhosamente gracioso e conduz-nos pelo caminho de vida, ensina-nos por meio do sofrimento e converte a aflição em prol do nosso bem, para abrir- -nos os olhos.

Logo, Cristo é o nosso padrão para vencermos todas as batalhas. Como Ele sofreu, devemos também estar prontos para sofrermos e nos tornarmos obedientes como Ele na Sua morte (Filipense 3.10). Por isso, não devemos nos surpreender diante de intensas provas, como se algo incomum estivesse acontecendo (1 Pedro 4.12), mas, para tomarmos parte nos sofrimentos de Cristo, devemos ter bom ânimo. Assim como Ele venceu o mundo, também venceremos.

A certeza que temos do sofrimento na vida cristã é a mesma que crê no poder infalível do Deus que fez Seu filho vencer a morte, nos fazendo vencer também as nossas leves e momentâneas aflições (2 Coríntios 4.17). O Deus de graça irá, se assim ensejar nossa alma, conduzir-nos ao regozijo, mesmo defronte ao perigo. A nossa consolação transborda por meio de Cristo Jesus.

Crente, avante! O Deus que cuida da erva do campo, também cuidará de você. Não repouse com os braços cruzados de apreensão. Exale ao mundo o Deus que te mantém de pé em meio aos mais severos infortúnios e dissabores. Que a sua tribulação se designe para a glória de Cristo.

Os olhos do Senhor sempre estiveram fixos em você. Não se renda ao desalento; antes, derrame-se nos braços daquEle que a ti esparge cada gota de Sua singeleza. Levante o oceano da fé contra o rio de problemas. Alegre-se no Deus da tua salvação, aquEle que proveu, antes da fundação do mundo, seu escape por meio de Cristo Jesus. Que plenitude inundará teu ser quando tudo deixares perante o Senhor! Que paz eterna gozará tua alma quando todo sofrimento cessar ao alarido de sua voz dizendo: “Vinde, benditos de meu Pai”!

Por, Pármena Hanes.

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