Sobre a obediência as autoridades

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Sobre a obediência as autoridadesNa carta de Paulo aos Romanos, capítulo 13, versículos de 1 a 5, o apóstolo apresenta a necessidade dos crentes em Roma de estarem sujeitos às autoridades romanas. De fato, Paulo vê a autoridade como instituição divina. Cabe a ela promover o bem e a ordem, castigar o que é mal e, deste modo, preservar a vida. A anarquia não é recomendável em nenhuma sociedade, daí toda organização humana ter suas leis e autoridades civis, religiosas etc. Não há sociedade que sobreviva sem autoridades que atentam para a manutenção da justiça e ordem.

No entanto, é necessário que tenhamos alguns cuidados ao lidar com o texto paulino mencionado acima, pois é possível que ocorra alguns desvios na sua compreensão. Por exemplo, alguns podem assumir uma postura de submissão e obediência às autoridades de modo acrítico, cego. E ainda, muitos se apropriam desse texto para fazer valer sua autoridade. Entretanto, há perigos ao assumirmos essa postura, haja vista que as autoridades podem assumir determinada conduta explicitamente contrária aos princípios morais contidos na Bíblia. Sendo assim, qual deve ser a postura do cristão? Obedecerá a autoridade e se posicionará contrariamente à Palavra de Deus? Devemos obedecer cegamente às autoridades humanas, porque foram instituídas pelo Senhor? O que fazer?

É recomendável atentarmos para as palavras de Pedro, proferidas diante das autoridades judaicas: “Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus?” (Atos 4.19). Há ocasiões em que prevalecerá a orientação divina.

Devemos ter em mente que uma vez que a autoridade é instituída por Deus, a mesma não é funcional em si mesma. Ou seja, ela é funcional e útil à medida que promove o bem, a ordem e censura o mal. No entanto, quando a autoridade se opõe aos princípios do Deus que a instituiu, ela perde seu sentido e eficácia. Bonhoffer afirma: “O ser da autoridade está vinculada a uma incumbência divina. Só no cumprimento desta seu ser se realiza. Uma total apostasia de sua incumbência tornaria questionável o seu ser”.

Sendo assim, a autoridade não é fenômeno autônomo, independente, de modo algum! É “ministro de Deus” e possui sua razão de ser a partir dessa relação. Quando há clara oposição a Deus, evidentemente que essa autoridade deve ser questionada e criticada pelos crentes.

Lembremos dos reis de Israel citados no Antigo Testamento. Eles eram autoridades dadas por Deus e toda a nação israelita devia obediência ao monarca instituído por Deus (Deuteronômio 17.15; 1 Samuel 8.11-17). O mesmo era considerado “ungido do Senhor (1 Samuel 10.1; 2 Samuel 5.3). No entanto, não poucas vezes, vemos profetas com dedo em riste na “cara” do “ungido”, apontando-lhe os pecados e demonstrando nenhuma submissão para com o rei desviado (1 Reis 13; 16.1-7; 18.1-19; Jeremias 22.1-9). Por que isso? Esses homens não estariam insurgindo-se contra a autoridade? Não! A questão é simples: Esses reis, por terem se afastado dos princípios éticos e morais contidos na Lei de Yaweh, passaram a ter a autoridade que possuíam passível de questionamento e confrontação por parte dos profetas.

Romanos 13.4 nos auxilia ainda mais na compreensão dessa questão, concedendo-nos critérios adequados para sabermos quando a autoridade de fato está funcionando adequadamente. Perceba que a autoridade é “ministro de Deus para teu bem […] para castigar o mal”. Toda autoridade genuína deve passar por esse crivo: promoção do bem e castigo do mal. Diante disso, podemos perguntar: É autoridade de Deus aquela que promove a opressão de seu povo e acoberta a corrupção? É autoridade que vem de Deus aquela que promove a guerra e a fome? É autoridade que vem de Deus aquela que privilegia os poderosos em detrimento dos manos favorecidos? É autoridade que vem de Deus aquela que aprova o aborto, o “casamento” homossexual e a eutanásia? Evidentemente que não, pois contraria o amor e a santidade do caráter de Deus. Logo, um cristão genuíno precisa ter em mente que a sua obediência às autoridades tem de estar pautada no que diz as Escrituras.

Por, Fernando Albano.

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