Quando somos gratos a Deus

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Quando somos gratos a DeusGratidão é uma espécie de alegria ou satisfação que surge em nosso coração em resposta à boa vontade de alguém que nos faz (ou tenta nos fazer) um favor. Nós não respondemos com gratidão a uma pessoa se ela acidentalmente nos faz um favor. Nem ainda se ela nos faz um favor com motivos interesseiros. Por outro lado, nós respondemos com gratidão a uma pessoa que tenta nos fazer um favor mas é impedida por circunstâncias além do seu controle. Portanto, a gratidão não é meramente a resposta de alegria a um benefício recebido. Ela têm especial referência à boa vontade de outra pessoa. Uma pessoa cuja alegria é centrada apenas em uma dádiva recebida, sem sentimento de alegria na boa vontade do doador, nós a classificamos como ingrata.

Essa alegria nos motiva a expressar a nossa gratidão. Isto é fortemente influenciado por três fatores:

1) A importância de darmos à dádiva recebida – quanto maior for a importância ou a nossa necessidade disto, mais gratos seremos;

2) O sacrifício que custa a alguém dar-nos essa dádiva – se alguém nos dá algo grande e necessário, mas que não lhe custou nada, somos menos gratos do que a alguém que nos deu algo que lhe custou muito, mesmo que valha menos para nós;

3) O reconhecimento de que não merecemos a dádiva recebida – Se ganhamos algo que merecemos – somos menos gratos do que se é algo que temos certeza de que não somos merecedores.

Devemos ser gratos a Deus

Na epístola aos Colossenses, o apóstolo Paulo refere-se muitas vezes ao privilégio e o dever de ser agradecido (Colossenses 1.3, 12; 2.7; 3.15-17; 4.2). No grego, a palavra “agradecidos” é “eucharistos”, que significa: “grato”, cheio de gratidão”. Nós, os crentes, devemos ser as pessoas mais agradecidas do mundo, pois recebemos uma dádiva enorme de Deus – a salvação. Isto custou um preço muito alto – a morte de Cristo, e não merecíamos nada disto – éramos inimigos e pecadores (Romanos 5.8, 10).

Gratidão é uma evidência do crescimento mental, moral e espiritual. Não podemos esperá-la das criancinhas ou dos bebês, mas dos adultos. Ela é uma fonte de alegria para quem a possui. Não importa se alguém é rico. Se não for grato é um mendigo espiritual. Mas alguém que, embora seja desprovido e sofra grandes privações, se possui um espírito de gratidão é indescritivelmente rico, pois a gratidão é uma fonte de alegria que dinheiro algum pode comprar!

A gratidão contribui para a paz, pois alguém dominado pelo sentimento de terna apreciação pelos benefícios recebidos de Deus ou de outra pessoa dificilmente se ressentirá desta por sua riqueza ou talentos superiores.

A gratidão deve substituir a ansiedade no nosso coração. Devemos agradecer a Deus até mesmo por aquilo que Ele ainda não deu, mas que estamos pedindo em oração (Filipenses 4.6).

Motivos para agradecer

Temos motivos de sobra para agradecer a Deus, seja por bênçãos materiais, espirituais ou de relacionamentos que Ele nos tem dado. Dentre tantos motivos, podemos destacar alguns:

– A bondade de Deus para conosco (Deuteronômio 8.12-14; 2 Crônicas 32.25).

– O cuidado de Deus sobre nós (Mateus 6.11, 30-34; João 6.11; 1 Timóteo 4.3-4).

– A proteção divina e as vitórias nesta vida (Êxodo 15.1-2; Esdras 8.31).

– A salvação pela graça em Jesus (Romanos 7.25; 1 Coríntios 1.4; Colossenses 1.2).

– A fé e fidelidade de irmãos espirituais (Romanos 1.8; 6.17; 1 Tessalonicenses 2.13; 3.9; 2 Tessalonicenses 1.13; 2 Timóteo  1.3; Filemom 4).

– A vitória que temos em Cristo sobre tudo (Romanos 8.37; 1 Coríntios 15.57).

Deus é a fonte de todas as coisas boas que recebemos (Tiago 1.17; 1 Coríntios 4.7). Ele nos ama e mostra o Seu amor em tudo que faz conosco. Todo homem nasce devedor, pois Deus é quem dá a vida a todos e tudo o mais (Atos 17.25).

Devemos viver constantemente agradecidos ao Senhor e devemos expressar esta gratidão. Há uma diferença entre sentir-se grato e expressar gratidão. Encontramos no capítulo 17 do Evangelho de Lucas a história de 10 leprosos que foram curados, mas apenas um dentre eles voltou para agradecer. Onde estavam os outros nove? Não foram igualmente abençoados? Porém, não voltaram para agradecer. Talvez até se sentissem agradecidos, mas não expressaram a sua gratidão. E Jesus não aprovou essa atitude, mas requereu o agradecimento daqueles. Se Deus manda que sejamos gratos, obviamente Ele não aprova a ingratidão ou mesmo a falta de expressão de um coração agradecido.

O salmista pergunta no salmo 116, versículo 12: “Que darei eu ao SENHOR por todos os benefícios que me tem feito?”, sentindo a necessidade ou obrigação de expressar a sua gratidão a Deus, que tem feito grandes coisas por ele.

Como mostrar a gratidão a Deus?

a) Expresse a sua gratidão a Deus em palavras, em oração (1 Timóteo 2.1; Colossenses 2.7; 4.2).

b) Louve a Deus com salmos, hinos e cânticos espirituais, com gratidão em seu coração (Colossenses 3.16; Efésios 5.19-20).

c) Mostre a gratidão com sua oferta (2 Coríntios 9.11-12).

d) Mostre sua gratidão fazendo coisas para agradar a Deus (Colossenses 3.17; João 14.15).

e) Fale a outras pessoas sobre a bondade de Deus (Salmo 107.22; 1 Coríntios 9.16).

f) Comece o dia com uma atitude de gratidão (Salmo 92.1-2).

g) Dê graças a Deus em todas as situações (1 Tessalonicenses 5.18).

h) Não se esqueça das grandes bênçãos recebidas de Deus (Salmo 103.2).

i) Cultive o hábito de olhar para aquilo que tem em vez de olhar para aquilo que perdeu (Filipenses 4.6).

j) Dê valor àquilo que possui. Algumas pessoas não podem nem mesmo ver as vitrines coloridas de um shopping sem voltar para casa sentindo-se miseráveis. Ficam transtornadas pela cor da grama do vizinho.

Expresse sua gratidão. Mesmo aqueles que conhecem sua gratidão gostam de ouvi-la. E o próprio Deus não é exceção (Hebreus 3.15). A gratidão deve ser espontânea. Dizemos que alguém é ingrato quando palavras de gratidão são ditas por obrigação em vez de saírem espontaneamente do coração.

A gratidão glorifica a Deus (Salmo 50.23). Quando agradecemos, reconhecemos a bondade, a misericórdia e a graça de Deus, que Ele nos dá imerecidamente. Isto glorifica o Deus gracioso a quem servimos.

A ingratidão

Um dos defeitos que a sociedade mais recrimina é a ingratidão. Não só porque os homens gostam de receber o agradecimento, mas porque uma atitude ingrata fere e magoa profundamente.

A gratidão deve estar no coração do cristão, mesmo quando esse passa por provações, tristezas, perdas, desenganos e aborrecimentos. Não que o cristão seja uma pessoa masoquista, que gosta de sofrer, mas é por que o cristão deve crer que em tudo Deus tem seus propósitos (Romanos 8.28; 1 Tessalonicenses 5.18).

A ingratidão é própria dos ímpios (2 Timóteo 3.1, 2). “…ingratos…” no grego é “acharistos”, “sem gratidão”, forma privativa de “charidzomai”, “ser grato”, “ser agradecido”. Esse pecado é também atribuído aos pagãos (Romanos 1.21). Homens ingratos murmuram contra Deus, responsabilizando-O por suas perdas em vez de agradecer pelas bênçãos recebidas e ainda a receber, como fizeram os israelitas no deserto (Números 21.4, 5). Eram escravos que saíram do Egito em direção a uma terra “que mana leite e mel”, mas estavam se queixando da comida que deixaram para trás.

As pessoas se queixam sobre seus trabalho e seu chefe, quando deveriam ser agradecidas por terem um trabalho regular e apreciar o fato de não estarem vivendo em um abrigo para desempregados sem qualquer lugar ou em pé na fila da sopa.

Conclusão

Devemos ser gratos a Deus e a todos aqueles que nos beneficiam de alguma forma. Deus valoriza a gratidão e a ordena como um dever de todo homem. O filósofo Kierkegaard disse: “Sou um pobre coitado de quem Deus cuidou e favor de quem Ele tem feito indescritivelmente mais do que jamais esperei… e agora somente anseio pela paz da eternidade, a fim de mais nada fazer, senão agradecer a Ele”.

Se em algum momento nos considerarmos menos gratos, devemos fazer um inventário das coisas maravilhosas que Deus nos tem dado, a fim de sermos gratos eternamente a Ele. Poderemos fazer como diz o hino: “Conta as bênçãos, dize-as quantas são, recebidas da divina mão. Vem dizê-las todas de uma vez e verás surpreso o quanto Deus já fez” (Harpa Cristã 564).

Por, Carlos Kleber Maia.

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