Qual o números de levitas em Números 3?

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No senso da tribo de Levi (Números 3), são 22 mil ou 22.300 os cantados de um mês para cima?

Qual o números de levitas em Números 3Tendo o povo saído do Egito e Moisés estando com o Tabernáculo pronto, o Senhor instruíu-o a fazer recenseamento do povo: “No segundo ano após a saída dos filhos de Israel do Egito, no primeiro dia do segundo mês, falou o SENHOR a Moisés, no deserto do Sinai, na tenda da congregação, dizendo: Levantai o censo de toda a congregação dos filhos de Israel, segundo as suas famílias, segundo a casa de seus pais, contando todos os homens, nominalmente, cabeça por cabeça. Da idade de vinte anos para cima, todos os capazes de sair à guerra em Israel, a esses contareis segundo os seus exércitos, tu e Arão” (Números 1.1-3).

O que passamos a observar é uma série de detalhes, principalmente no recenseamento. É exatamente nas estatísticas que os críticos questionam a exatidão do texto bíblico. Um exemplo está nos números dados no censo dos levitas. A redação de Números 3.39 (“Todos os que foram contados dos levitas, contados por Moisés e Arão, por mandado do SENHOR, segundo as suas famílias, todo homem de um mês para cima, foram vinte e dois mil”) parece não se harmonizar com a soma que temos ao acompanharmos a redação dada pelos versículos 22, 28 e 34. Vejamos a redação de cada um dos versículos: “Todos os homens que deles foram contados, cada um nominalmente, de um mês para cima, foram sete mil e quinhentos” (Números 3.22); “Contados todos os homens, da idade de um mês para cima, foram oito mil e seiscentos, que tinham a seu cargo o santuário” (Números 3.28); “Todos os homens que deles foram contados, de um mês para cima, foram seis mil e duzentos” (Números 3.34). Os números dados nesses textos são, portanto, os seguintes: 7.500 (v. 22), 8.600 (v. 28) e 6.200 (v. 34), o que corresponde a um total de 22.300 pessoas.

O expositor bíblico R. N. Champlin acredita que “não há maneira certa de explicar as diferenças nos números envolvidos, e mesmo o problema não é importante, exceto para duas classes de pessoas: os fundamentalistas extremados, que pretendem obter harmonia a qualquer custo, para efeito de conforto mental; e os céticos, que estupidamente supõem que essas aparentes discrepâncias possam ser usadas para anular a fé religiosa. Mas a verdade religiosa dispensa essas harmonizações. Tais problemas nada significam para a espiritualidade” (CHAMPLIN, R. Norman. O Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo, volume 1, p. 616, CPAD).

A erudição conservadora, que acredita na inspiração verbal e plenária da Bíblia e na inerrância dos autógrafos das Escrituras, não vê contradição alguma no texto sagrado. Keil e Delitzsch, renomados hebraístas e especialistas no texto do Antigo Testamento, dizem: “O número dos levitas enumerados – 22.000 – não concorda com o número correspondente às três famílias, porquanto 7.500 + 8.600 + 6.200 = 22.300. [Mas,] Essa soma está correta, porque, de acordo com o versículo 46, o número dos primogênitos, 22.273, excedia o número total dos levitas em 273. O intento feito por alguns rabinos para conciliar os dois, ao supor que os 300 levitas restantes eram primogênitos das outras tribos, evidentemente é forçado e insatisfatório. Todo o relato é tão circunstancial que tal fato nunca haveria sido omitido. Todavia, devemos assumir que há um erro em algum dos números das famílias dos levitas; possivelmente no versículo 28, [onde] deveríamos ler shalosh em vez de shesh (8.300 em vez de 8.600)”. (KEIL & DELITZSCH, Comentario al Texto Hebreo Del Antigo Testamento – Pentateuco e historicos. Tomo 1, Editorial CLIE, Barcelona, Espanha).

Outros eruditos, a exemplo de Adam Clark e Gordon J. Wenhan, acreditam também que algum escriba, em sua missão de transcrever os originais, trocou uma letra hebraica por outra, já que existem letras hebraicas quase idênticas nas suas formas. Isto é possível, e provado pela crítica textual quando compara os diversos manuscritos existentes do Antigo Testamento. Dessa forma, o expositor bíblico Gordon J. Wenham, assim como Delitzch, entende que “o total de 22 mil levitas no versículo 39 não se iguala com os totais de clãs individuais nos versículos 22, 28 e 34, que somam 22.300. Esta questão pode ser explicada como uma corrupção textual no versículo 28. O número de coativas pode ter sido originalmente 8.300. O número três (heb. shaloh) pode ter sido facilmente corrompido, passando por seis (heb. sheh). Este fato é confirmado pela versão armênia e por alguns manuscritos da Septuaginta” (WENHAN, Gordon J. Números – Introdução e comentário, p. 76. Editora Vida Nova). O número total de levitas, como demonstra a critica textual, é, portanto, 22.000 em vez de 22.300.

Por, José Gonçalves.

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