Provas da autenticidade da Bíblia

Para darmos provas da autenticidade da Bíblia, temos hoje vários exemplos: os patriarcas eram personagens históricos, o que é comprovado pelos textos mesopotâmicos de Nuzi, do século XIV a.C., em seus muitos paralelos – de estruturas sócio-econômicas a tradições legais – com Gênesis 12-35; e a migração dos amoritas, que ocuparam a Mesopotâmia e a Palestina no final do terceiro milênio a.C., criava as condições ideais para a entrada dos patriarcas na região da Palestina e explicava seus nomes, sua língua, sua religião e principalmente a assimilação 1 ocorrida ou a difusão 2.

José era personagem historicamente possível, pois havia grande quantidade de evidências egípcias que testemunhava os costumes e o contexto 3 contados em Gênesis 37-50. Semitas poderiam ter chegado a altos postos de governo no Egito, incluindo o de grão-vizir, especialmente durante o governo dos invasores asiáticos hicsos.

A escravidão dos hebreus no Egito e o êxodo não podem ser questionados, pois textos egípcios testemunham que Ramsés II utilizou hapirus (hebreus) na construção de fortalezas no delta do Nilo em regime de trabalho forçado. A Estela 4 de Merneptah 5, placas encontradas pelos arqueólogos no Egito que indicam o faraó sucessor de Ramsés II, comprova a existência de israelitas na terra de Canaã na segunda metade do século XIII a.C., o que permite discutir a fixação da data do êxodo por volta de 1250 a.C.

A conquista da Palestina pelas 12 tribos israelitas sob o comando de Josué, como narrada no livro que leva seu nome, conta com testemunhos arqueológicos respeitáveis, como a destruição de importantes cidades cananéias na segunda metade do século XIII a.C., embora muitos autores preferissem explicar a entrada na terra de Canaã de outro modo, como pacífica e progressiva infiltração de seminômades pastores a partir da Transjordânia. Este escritor esteve pessoalmente nas escavações arqueológicas de uma muralha em Jericó e pôde constatar que o fato narrado na Bíblia foi uma realidade. As muralhas encontradas na região datam da época de Josué e foram destruídas por uma força sobre-humana. As pedras gigantescas ali encontradas foram colocadas por mãos humanas e sua destruição datada por métodos confiáveis 6. Tudo indica, embora os arqueólogos ainda não afirmem, tratar-se das muralhas de Jericó, destruídas por Deus, exatamente como narradas em Josué 6.

Andar por Israel é o mesmo que passear pela História. A História de Israel se entrelaça com a História da Bíblia e com a História do próprio Deus. É impossível falarmos do Deus da Bíblia sem falarmos de Israel. Ignorar a História de Israel é o mesmo que ignorar a própria Palavra de Deus. Infelizmente, alguns arqueólogos tentam, em vão, colocar Deus fora da história.

Randall Price, em seu livro Arqueologia Bíblica 7, diz o seguinte: “Carentes das referências que guiaram os seus antecessores, a presente geração de arqueólogos tem proposto teorias revolucionárias e interpretações revisionistas para substituir os modelos tradicionais, biblicamente embasados, da história de Israel. Esse tem sido o caso, especialmente entre a comunidade arqueológica de Israel. Hoje na ‘terra do Livro’, a Bíblia é considerada menos história real e mais história religiosa pelos mesmos arqueólogos que trouxeram à luz o seu registro em rocha… Pra muitos, a arqueologia não é mais relevante para a religião”.

Jericó pertence aos palestinos, fica nas margens do Rio Jordão e quem a visita hoje talvez não tenha a menor ideia de como ela foi importante no passado. Seu nome é citado várias vezes na Bíblia Sagrada e sua história se confunde com os grandes acontecimentos bíblicos, colocando-a como uma das cidades mais antigas do mundo. Em Deuteronômio 34.3, ela é descrita como a cidade das palmeiras (Tamareiras).

No livro de Josué, ela é descrita com muralhas gigantescas e intransponíveis e considerada uma das cidades mais difíceis de serem conquistadas. Mesmo depois de ser destruída e reconstruída várias vezes, a região continuou sendo habitada por povos de menor poder econômico.

Na época do domínio romano, Jericó continuou viva. Foi citada no Novo Testamento durante o ministério de Jesus, provando ser capaz de sobreviver a vários domínios de vários impérios que conquistaram a região, tais como: Assíria, Babilônia, Pérsia, chegando ao de Roma no início do primeiro século d.C. Com os bizantinos a cidade se expandiu e vemos suas raízes no Império Otomano até 1917 e depois esteve sob o domínio Britânico.

De 1948 a 1967, Jericó ficou sob o controle Jordaniano e foi conquistada por Israel em 1967, na guerra dos seis dias e, depois dos acordos de Oslo, em 1993, ela é entregue ao controle palestino.

A construção e a consolidação do poderoso império davídico-salomônico eram consideradas como pontos fixos e imutáveis na historiografia israelita, constituindo marco seguro para qualquer manual de História de Israel ou de Introdução à Bíblia, quanto às datas dos acontecimentos e às realizações da sociedade israelita.

Os reinos separados de Israel e Judá, após a morte de Salomão, eram bem testemunhados pelos textos assírios e babilônicos, e até pela Estela de Mesha, outro achado arqueológico, rei do país vizinho de Moab, sendo tudo, por sua vez, muito bem detalhado nos livros dos Reis. Para a maioria dos historiadores, o Livro dos Reis é considerado fonte primária.

O exílio babilônico e a volta e reconstrução de Jerusalém durante a época persa, marcando o nascimento do judaísmo baseado no Templo e na Lei que passa a ser lida sistematicamente nas sinagogas. Isso sem maiores problemas, graças à confiabilidade dos textos bíblicos que detalhavam os acontecimentos dessa época.

A Antropologia Histórica considera os dados provenientes de estudos da geografia, do clima, dos assentamentos humanos, da agricultura, da organização social e da economia de uma região e de sua população.

Muitas são as fontes primárias, desde os escritos provenientes da Palestina às evidências arqueológicas e fontes escritas fora da Palestina, todas mais ou menos contemporâneas dos eventos que relatam, tais como Tabletes de argila babilônicos; a Estela de Merneptah, a Inscrição de Tel Dan, a Estela de Mesha, os Óstraca de Samaria, os Selos lemelek de Judá, a Inscrição de Siloé, a Carta Yavneh Yam, o Calendário de Gezer, os Óstraca de Arad, as Cartas de Lakish, os Anais de Salmanasar III, o Obelisco Negro de Salma-nasar III, os testemunhos de reis assírios e babilônicos como Adad-nirari III, Tiglat-Pileser III, Sargão II, Senaquerib, Assaradon, Assurba-nipal, Nabucodonosor, e do Egito o Faraó Sheshonq 8.

Os achados de Nínive, entre os anos de 1848 e 1876, antiga capital do Império Assírio, recuperados por Ausen H. Layard, Hormuzd Rassam e George Smith, da biblioteca de Assurbanípal (668626 a.C.) 9. As placas do Dilúvio foram desenterradas por Rassam em 1853, mas só foram traduzidas em 1872, por George Smith 10. Temos achados como o Código de Hamurabi (1903); os monumentos hititas em Bogazquem (1906); o túmulo de Tutankhamum (1922); O Sarcófago de Abirão de Biblos (1923); os textos de Ras Shamra (1929-1937); as Cartas de Meri, o Óstraco de Laquis (1935-1938) e os Rolos do Mar Morto 11.

Um exemplo de fonte primária muito interessante é a Estela de Tel Dan. Na localidade de Tel Dan, norte de Israel, em julho de 1993, em escavação sob a direção do arqueólogo israelense Avraham Biran, foi descoberto um fragmento de uma estela de basalto 12 de 32 por 22 cm, com uma inscrição em aramaico, publicada por A. Biran e J. Naveh em novembro de 1993. Cerca de um ano mais tarde, dois outros fragmentos menores foram descobertos na mesma localidade, mas em um ponto diferente do primeiro. Os arqueólogos agruparam os três fragmentos, avaliando serem partes da mesma estela e produzindo um texto coerente. Datada no século IX a.C., a inscrição foi aparentemente escrita pelo rei Hazael de Damasco, na qual ele se vangloria de ter assassinado dois reis israelitas, Jorão (de Israel) e Acazias (de Judá), e de ter instalado Jeú no trono de Israel, o que teria ocorrido por volta de 841 a.C. (estes episódios, com enfoque diferente, são narrados em 2 Reis. O que causou grande rebuliço foi um termo encontrado no fragmento maior: bytdwd. A tradução mais provável seria “Casa de Davi” e isso colocaria uma menção extrabíblica da dinastia davídica e até mesmo da existência do rei Davi, do qual só tínhamos informações na Bíblia.

Notas bibliográficas

1 Assimilação: Ocorre quando o grupo culturalmente dominante integra e funde traços de outras culturas, anteriores.
2 Difusão: É a propagação de traços culturais de uma determinada cultura em outras.
3 Contexto: É a posição de um achado arqueológico e sua matriz nas dimensões de tempo e espaço, assim como o seu relacionamento com achados associados.
4 Estela: Monumento vertical em forma de uma laje de pedra (ou madeira), com inscrições, pinturas ou relevos.
5 http://www.galeriabiblica.com/2009_10_01archive.html, dia 17 de maio de 2010 as 14:30 horas.
6 Datação – Os métodos mais empregados pelos arqueólogos para datação de vestígios são a radiometria, a estratigrafia, a glaciologia estratigráfica e, no caso de árvores, a dendrocronologia. Carbono 14 – O método do radiocarbono foi desenvolvido após a segunda guerra mundial por Willard F. Libby, da Universidade de Chicago. Ele se baseia na quantidade do isótopo 14 do carbono, presente em uma determinada amostra. Isótopos são variedades de um elemento que possuem o mesmo número atômico (isto é, o mesmo número de prótons), mas números de massa diferentes (porque possuem número de nêutrons diferentes). Há três isótopos principais do elemento carbono presentes na atmosfera (o C12 e o C13, estáveis, e o C14, instável).
7 PRICE Randall, Arqueologia Bíblica, CPAD, 2012, pág 14.
8 THOMPSON. 2007. Pág. 33.
9 UNGER. 1980. Pág. 10.
10 _______. 1980. Pág. 23. 11 _______. 1980. Pág. 24.
12 Basalto: uma rocha ígnea (vulcânica) escura ou negra.

Por, Jorge Videira.