Pentecostalismo manterá o protestantismo vivo em todo o mundo

É o que atestam estimativas e especialistas; os pentecostais já são mais de 600 milhões e deverão chegar a um bilhão e a 45% dos cristãos em 2025

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Quem manterá o protestantismo vivo em todo o mundo nas próximas décadas é o pentecostalismo. É o que mostram as estimativas e asseveram especialistas em todo o mundo. Hoje, há mais de 600 milhões de pentecostais no planeta, o que representa 2/3 dos protestantes e 30% das pessoas consideradas cristãs (católicos, ortodoxos e protestantes de forma geral). No final de 2005, conforme divulgado no Mensageiro da Paz em janeiro de 2006 (edição 1.448), uma estimativa do Hartford Institute for Religion Research já havia afirmado que, em 2025, haverá um bilhão de pentecostais no mundo, os quais representarão, daqui a 12 anos, 45% dos cristãos de todo o planeta. Como os pentecostais continuam crescendo exponencialmente em toda parte, sendo, já há algumas décadas, o grupo que “carrega nas costas” o crescimento do protestantismo no planeta (inclusive, no Brasil), tal previsão se mostra mais do que plausível.

 O historiador britânico Philip Jenkins, em sua obra A Próxima Cristandade – A Chegada do Cristianismo Global, afirma não apenas que o pentecostalismo se tronará majoritário no mundo cristão como também que o avanço dos pentecostais tornará o cristianismo majoritariamente conservador, já que o pentecostalismo é muito menos suscetível ao liberalismo teológico e social do que outros ramos do cristianismo. Afirma Jenkins que “para melhor ou para pior, é possível que as Igrejas dominantes no futuro tenham muito em comum com as da Europa medieval ou do início da era moderna. Pelos dados atuais, o futuro do cristianismo meridionalizado deverá ser nitidamente conservador”.

Ora, por que o pentecostalismo tende a ser mais conservador teológica e socialmente? Porque os pentecostais creem no sobrenatural, creem em milagres, creem que a Bíblia é a Palavra de Deus, não negam a autoridade das Escrituras. Por isso é praticamente impossível acontecer uma adesão do pentecostalismo ao liberalismo teológico nos próximos anos, e, consequentemente, ao liberalismo social. Simplesmente porque é uma contradição de termos alguém ser pentecostal e, ao mesmo tempo, teologicamente liberal. Uma coisa anula totalmente a outra. E mais especificamente quanto ao liberalismo social, o que se tem constatado – inclusive no Brasil – é que somente correntes mais bizarras do neopentecostalismo (que é uma distorção absoluta do pentecostalismo clássico) aderem ao liberalismo social.

Um caso sintomático de que o pentecostalismo é o que manterá o protestantismo vivo no mundo nas próximas décadas são os Estados Unidos. Ali, o protestantismo tem perdido terreno nas últimas décadas, como vimos na matéria de capa da última edição do Mensageiro da Paz (edição 1.431, de dezembro/2012). Os protestantes eram 97,6% da população dos EUA em 1776, ano da independência da quele país. Em 1900, eram ainda 90%. Em 1990, porém, caíram para 60%. Entretanto, a queda maior se daria nos 22 anos seguintes: em 2004, 54%; em 2007, 51,3%; em 2008, 50%; e em 2012, 48%. Ou seja, uma queda de 12 pontos percentuais em apenas duas décadas. Em contrapartida, simultaneamente e essa queda, o pentecostalismo tem crescido muito entre os evangélicos norte-americanos.

Se outros ramos do protestantismo têm decaído nos EUA, o mesmo não pode ser dito do pentecostalismo, que representa hoje quase um terço dos evangélicos daquele país. Há sete anos, em 2006, já eram 28%, segundo levantamento do Pew Research Center. Não era a toa que, nesse mesmo ano, em entrevista a revista Época, edição 405 (fevereiro/2006), o crítico literário norte-americano e agnóstico Harold Bloom já afirmara, em tom de lamento, referindo-se aos evangélicos nos Estados Unidos, que “os EUA estão se tornando um país essencialmente pentecostal”.

Em seu livro Reinventing American Protestantim (“Reinventando o Protestantismo Americano”), de 1999, Donald E. Miller, professor de Religião da Universidade do Sul da Califórnia, já afirmava que o pentecostalismo estava revitalizando o protestantismo nos EUA. E bem antes, o sociólogo David Martin, professor emérito de Sociologia na London School of Economics and Policial Science, em seu livro Tongues of Fire (“Línguas de Fogo”), de 1990, já anunciava o avanço do pentecostalismo no mundo inteiro, destacando, sobretudo, o caso latino-americano. Por sua vez, em artigo intituladoEmbrace your inner pentecostal (“Abrace o pentecostal dentro de você”), publicado em setembro de 2006 nos Estados Unidos, na revista Christianity Today, Chris Armstrong, professor de História da Igreja do Seminário Bethel em Minneapolis, EUA, diagnosticou: “A ‘religião do Espírito Santo’ [o pentecostalismo] está se infiltrando silenciosamente nas igrejas, revitalizando a todos nós”.

Crescimento do pentecostalismo

O pentecostalismo tem crescido constantemente no mundo desde o seu advento como movimento no início do século 20. Sabemos que as manifestações pentecostais permeiam a história da Igreja Cristã há séculos, porém o pleno resgate das verdades pentecostais que marcaram a Igreja Primitiva e a sistematização das doutrinas bíblicas pentecostais são fenômenos mais recentes, remontando há pouco mais de cem anos.

Em 1998, havia 400 milhões de pentecostais no mundo. Em 2003, conforme levantamento do Prew Researsh publicado com destaque no jornal New York Times de 14 de outubro daquele ano, 25% dos cristãos (católicos, ortodoxos e protestantes em geral) de todo o planeta já eram evangélicos pentecostais, o que significava à época, segundo o estudo, algo em torno de meio bilhão de pessoas. Ou seja, um crescimento mundial de 25% em apenas cinco anos. A matéria afirmava ainda que, devido ao avanço do Movimento Pentecostal, o monopólio da Igreja Católica na América Latina e o Islã na África já estariam ruindo. Seis anos depois, em 2009, um levantamento do Conselho Mundial de Igrejas mostrava 588 milhões de pentecostais no mundo.

O mais recente estudo é de 2011. Segundo levantamento do conceituado Pew Researsh Center, o número de protestantes no mundo era de pelo menos 801 milhões em 2011, podendo ter chegado a 850 milhões ainda naquele ano, já que o Pew Researsh usou os dados oficiais do governo comunista chinês para determinar o número de cristãos naquele país: 58 milhões, segundo Pequim. Já alguns especialistas rebateram esses números, asseverando que havia já pelo menos 100 milhões de cristãos na China, devido ao número cada vez mais crescente de igrejas clandestinas, onde, inclusive, há muitos pentecostais. O governo chinês só reconhece as igrejas chamadas oficiais, isto é, as registradas e monitoradas há décadas pelo governo e que são impedidas de evangelizar. Elas só podem crescer por índice de natalidade, que mesmo assim também é um fator controlado no país de forma geral. Os fieis das igrejas oficiais têm seus templos para se reunir, mas eles não podem ser ampliados. Outras congregações também não podem ser abertas. Em contrapartida, as igrejas clandestinas crescem intensamente nas casas e subterrâneos do país, e seus membros evangelizam por meio de porções das Escrituras contrabandeadas, já que o governo chinês limita a quantidade de Bíblias no país. Exemplares das Escrituras só podem ser impressos pelo próprio governo e em quantidade para atender tão somente os membros registrados das igrejas oficiais.

Hoje em 2013, acredita-se que o número de protestantes no mundo seja de 900 milhões de pessoas. E desse número, mais de 600 milhões são de pentecostais. Isso representa dois terços dos protestantes de todo o mundo e 28% de toda a cristandade.

Outra amostra do avanço e da influência do pentecostalismo é uma pesquisa do Pew Researsh Center realizada em 2011 com 2.196 líderes protestantes de todas as regiões do mundo. Ela mostrou que 92%, inclusive muitos tradicionais dentre eles, viam de forma muito favorável o pentecostalismo.

O dez países mais evangélicos do mundo

De acordo com Pew researsh, os dez países mais evangélicos do mundo hoje são, em primeiro lugar, Estados Unidos, com mais de 150 milhões de evangélicos; em segundo, Nigéria, com 60 milhões; em terceiro, a China, com 58 milhões (podendo ser, na verdade, o segundo, com cerca de 100 milhões nas estimativas não oficiais); em quarto, o Brasil, com mais de 42 milhões; em quinto, a África do Sul, com 37 milhões; em sexto, o Reino Unido, que já foi o segundo durante muito tempo, e hoje está com cerca de 35 milhões; em sétimo, a República Democrática do Congo, com 32 milhões; em oitavo, a Alemanha, com cerca de 30 milhões; em nono, o Quênia, com 25 milhões; e em décimo, a Índia, com cerca de 20 milhões de cristãos.

Os dez primeiros países mais evangélicos do mundo somam juntos pelo menos meio bilhão pessoas, o que representa cerca de 60% dos evangélicos do planeta. Um fato curioso também é que, apesar dos vínculos históricos do protestantismo na Europa, lá estão apenas 13% dos protestantes do mundo. A maioria dos protestantes do planeta de encontra na África Subsaariana (37%); e depois no continente americano (Américas do Norte, Central e Sul, com 33%) e na região da Ásia e Pacífico (17%). Menos de 1% dos protestantes do mundo se encontram na região do Oriente Médio e Norte da África, regiões esmagadoramente muçulmanas.

Isso significa que, depois do Oriente Médio e Norte da África, a região do mundo mais carente do Evangelho hoje é — Quem diria! — a Europa, seguida pela região da Ásia e do Pacífico, onde, apesar das intensas adversidades, o Evangelho tem crescido tanto em países mais abertos ao cristianismo, como a Coreia do Sul, onde 34,5% da população são evangélicos, quanto na China comunista.

Nos anos 50, os protestantes na Coreia do Sul eram apenas 2% da população. Pouco mais de 50 anos depois, os evangélicos estão próximos de superar os budistas (que são 43% da população) como religião majoritária. E conforme atesta a matéria de 17 de julho de 2012 do jornal Folha de São Paulo sobre o assunto, o fenômeno evangélico sul-coreano é explicado pelos especialistas como estando ligado “a fundação da Igreja Yoido do Evangelho Pleno em 1958”, ministério ligado ao Comitê Mundial das Assembleias de Deus e fundado e liderado pelo pastor assembleiano Paul Yonggi Cho, hoje denominado David Yonggi Cho.

O futuro do protestantismo

Diante desse quadro, vê-se claramente que os maiores adversários da expansão do Evangelho no mundo são não apenas as perseguições islâmicas e comunistas (China, Coreia do Norte, Vietnã e Cuba), mas também a onda secularista, que faz estragos na Europa e ameaça fortemente o crescimento evangélico nos Estados Unidos. Por outro lado, o maior inimigo do secularismo, o que impede a vitória total e o que vai manter o cristianismo vivo no mundo, é o pentecostalismo.

Um exemplo da batalha pentecostalismo x secularismo está na própria Europa, berço do secularismo. Em 2006, conforme matéria veiculada no dia 2 julho daquele ano na BBC, o English Church Census (Censo da Igreja Inglesa), realizado pelo Economic and Social Researsh Council (Conselho de Pesquisa Econômica e Social), revelou que “os pentecostais são o grupo de cristãos que mais cresce no Reino Unido”. Em 2006, havia cerca de um milhão de pentecostais na Grã-Bretanha. Lembrando que, no Reino Unido, o protestantismo caiu mais de 20 pontos percentuais nas últimas duas décadas. Ou seja, até mesmo na Europa “pós-cristã”, onde o pentecostalismo vem caindo vertiginosamente, o pentecostalismo está subindo.

Diante de todos esses dados, não é precipitado dizer que o futuro do protestantismo é o pentecostalismo. Há quatro anos para a festa da comemoração dos 500 anos da Reforma Protestante, o pentecostalismo demonstra ser o maior fôlego de renovação que o protestantismo já experimentou em toda a sua história, superando, inclusive, o metodismo wesleyano. Claro que há problemas no Movimento Pentecostal, a começar pelas bizarrias do neopentecostalismo, que é um desvirtuamento dentro do movimento. Mas, tais desvirtuamentos não podem apagar as marcas positivas do pentecostalismo para o protestantismo. Como afirma um antigo provérbio romano, o abuso não deve tolher o correto uso. Os abusos do neopentecostalismo, com sua Teologia da Prosperidade, Confissão Positiva e ensinos afins, não deve nos levar a ignorar o reconhecimento do verdadeiro pentecostalismo como fator revigorador do evangelicalismo no mundo e dinamizador das missões mundiais.

Outro dado interessante é que, enquanto muitos protestantes tradicionais têm abandonado a ortodoxia protestante para cair no fosso do liberalismo teológico, os pentecostais têm voltado para a ortodoxia protestante, mas sem relegar as doutrinas bíblicas da contemporaneidade dos dons espirituais e do batismo no Espírito Santo como bênção subsequente à Salvação, um revestimento de poder do Alto para dinamizar a vida cristã para a obra de Deus – doutrinas estas esquecidas pelos primeiros reformadores. O resultado disso é que, no futuro, será o pentecostalismo o grande bastião dos ideais da Reforma Protestante. Será o pentecostalismo que manterá esses ideais ainda vivos no meio evangélico mundial. Em um futuro próximo, protestantismo será pentecostal.

Mais do que isso. Sabemos que, no Arrebatamento da Igreja, quando os fiéis a Cristo subirem, tanto tradicionais como pentecostais se encontrarão em Cristo nos ares, mas, ao que tudo indica, por razões estatísticas, a Igreja do Arrebatamento será majoritariamente pentecostal. Sim, quis Deus que fosse assim, que o fervor pentecostal fosse uma das marcas da Igreja do Arrebatamento.

Por, Mensageiro da Paz

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