Paternidade na pós-modernidade

É inegável que estamos diante de um quadro de grandes e profundas mudanças no comportamento psicossocial e cultural na sociedade em que vivemos. Esta sociedade é chamada de pós-moderna, mas os estudiosos do comportamento psicossocial dizem que avançamos para uma sociedade hipermoderna, supramoderna, sociedade de rede ou era digital.

Esta sociedade tem uma nova maneira de pensar sobre as funções paternas. Nesta perspectiva, o pai se coloca em uma nova realidade, ou seja, deixa de ser provedor da família e passa a fazer parte do processo, isto é, ele é apenas um participante. Percebemos que o ambiente familiar está muito modificado, desestruturado nesta cultura hipermoderna. Nessa direção, o pai deixa de lado a lei paterna e foca em concessões e concepções dialéticas “filosóficas” e psicológicas. Na prática, ele terceiriza suas atribuições. Atualmente, estamos vendo a desvalorização das funções paternas no âmbito das famílias e isso tem sido muito prejudicial aos filhos (cf. Deuteronômio 6. 1-7).

Os tempos da pós-modernidade, hipermodernidade ou supramodernidade trouxeram consigo ideias e pensamentos contrários aos princípios bíblicos e cristãos, principalmente em relação à função e as atribuições paternais (cf. Provérbios 22.6); o pai já não é visto mais como importante na criação dos filhos. Diante dessa crucial mudança social, como podemos agir e reagir como pai? A priori o pai tem a mãe como parceira neste processo, ele não deve agir isoladamente, mas de comum acordo para exercer sua função paternal no âmbito de sua família, tendo boas relações no contexto geral da família, sendo exemplo para os filhos e sociedade. A mãe deve apresentar o pai aos filhos como ser construtor de amor, paz e alegria; assim a lei a autoridade e a bênção paternal serão aceitas e internalizadas pelos filhos progressivamente. É exatamente a mãe que cria um ambiente que facilita as relações entre a família. A mãe tem o papel de adjutora, ou seja, a mediadora (cf. Gênesis 2.18). O pai é a peça excepcional no desenvolvimento emocional, psíquico e espiritual dos filhos, principalmente na formação de identidade (cf. Efésios 6. 1-5). A psicologia freudiana já dizia de sua importância e relevância no desenvolvimento e na formação da personalidade infantil.

Ausência paterna

Os estudiosos da psicologia realizaram pesquisas nos últimos anos em relação ao vínculo familiar e pôde constatar que a presença paternal é muito importante para formação dos filhos. Quanto à ausência do pai, pode ser considerada uma das principais causa dos altos índices de criminalidade, conflitos, drogas, sexo desvirtuado, gravidez precoce, fraco desempenho escolar, depressão, ansiedade espiritualidade distorcida e conflituosa, e vários transtornos de personalidade, entre eles se destacam:

a) Transtorno de Conduta: a negligência paternal, abusos, disciplina sem amor e afeto, a falta de supervisão paterna, abuso por babá ou cuidadores, criminalidade parental, exposição a fatos traumáticos, e, sobretudo, a falta de gerenciamento paterna do lar são fatores que estão relacionados ao transtorno de conduta. Crianças com transtorno de conduta são egoístas, insensíveis, danifica propriedade, mente, furta, não respeita as regras e normas, não apresenta sentimento de culpa. O transtorno de conduta surge no início da infância e a puberdade; se não for tratado poderá evoluir para uma personalidade psicopática.

b) Transtorno Desafiador Opositor: pesquisas feitas por psicólogos especialistas em comportamento infanto-juvenil têm demonstrado que a negligencia paternal, pai ausente, comportamento agressivo do pai, instabilidade familiar, violência psicológica, relacionamento agressivo e desestrutura do sistema familiar tem sido causas de muitos comportamentos desafiadores em adolescentes e crianças.

c) Deformidade de Caráter: caráter e conduta não são herdados, são construídos socialmente. É no ambiente familiar que se constrói caráter. Tenho atendido muitas crianças com deformidade de caráter na clínica de psicologia. Haja vista serem oriundas de lares onde o pai não exerce a função paternal, essas crianças são agressivas, mal criadas, xingam e falam palavrões, não têm limite e não respeitam as regras. Os pais devem corrigir as fraquezas de seus filhos e ter presença marcante no seio familiar, pois sua ausência gera falência moral e espiritual para seus filhos (cf. Provérbios 13.24; 29.15).

As funções paternas nos tempos atuais

A Bíblia é o manual que orienta o comportamento cristão, por ela entendemos que as funções paternais não mudaram. O pai continua sendo o cabeça da família, o líder, o protetor. Entre as muitas funções destaco três a seguir (cf. Efésios 5.23; 1 Coríntios 11.3,9).

a) Provedor: o pai é a peça principal da família. O mundo pós-moderno não tira as responsabilidades e atribuições bíblicas do pai. O pai deve prover os meios para transformar seus filhos em pastores, médicos, engenheiros, advogados, professores, etc.. Além do mais, devem prover o sustento, o afeto, e criar um ambiente familiar agradável.

b) Modelo, guia: a presença paterna apresenta modelos estruturantes na cultura familiar cristã que normalmente são internalizados nas relações primárias do bebê com a família. O pai é o guia a ser seguido, o modelo a ser copiado. Do ponto de vista bíblico é ele quem representa toda a estrutura familiar.

c) Sacerdote: a qualidade de vida espiritual e emocional dos filhos depende muito do desenvolvimento da função sacerdotal do pai (cf. Efésios 5.23; 1 Coríntios 11.9). O pai é a autoridade constituída por Deus para exercer a função de sacerdote do lar. Essa função, Deus não deu à esposa, filhos, sogra, vizinho, sogro etc. A função é única e exclusiva do pai.

Por, Mauricio Brito.

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