Pais férteis transgridem ao não terem filhos?

Se um casal fértil evita de ter filhos, eles transgridem a indicação de Gênesis 1.28 acerca da manutenção da espécie humana?

Após criar o ser humano, em sua natureza e configuração sexual binária, homem e mulher, ou “macho” e “fêmea”, e ordenou que o casal frutificasse e se multiplicasse, e enchesse a terra (Gênesis 1.27, 28). Esse foi o plano original de Deus para que a raça humana se multiplicasse, e povoasse todo o planeta.

I – CONCEITOS

1. Controle da natalidade. É um conjunto de medidas coercitivas e autoritárias, determinadas por um governo de determinado país, visando diminuir o crescimento populacional, com vistas ao desenvolvimento sócio-econômico.

2. Planejamento familiar. Indica o exercício da paternidade responsável, por parte do casal, de forma voluntária, visando não ter muitos filhos, ou o espaçamento entre uma gestação e outra.

3. Paternidade responsável. Significa que o casal, de modo voluntário e consciente, resolve ter apenas o número de filhos que possam ser criados de forma digna, com educação e responsabilidade, diante de Deus e dos homens.

II – POSICIONAMENTO ÉTICO CRISTÃO

À luz da palavra de Deus, o casal cristão pode adotar o planejamento familiar, incluindo métodos anticoncepcionais, desde que alguns aspectos sejam considerados.

1. A vontade de Deus. “Julgamos que, para ter filhos, o casal cristão não deve esperá-los como mero resultado de uma relação sexual. Deve, sim, pensar em ter filhos de acordo com a vontade de Deus. Ou seja, que a concepção, o nascimento e o crescimento sejam da vontade do Senhor”.

2) Alimentação e saúde. Se os pais estiverem na vontade de Deus, o pão de cada dia não faltará (Salmos 23.1). Mas uma criança, ao nascer, precisa ser bem alimentada. Se um casal não está em condições de se alimentar bem, se gerar um filho, nessa situação, vai fazê-lo sofrer. E Deus, certamente, não quer isso.

3) Educação digna. Filhos mal educados, tanto na vida espiritual, quanto na vida material, tendem a se converter em pessoas prejudiciais à sociedade, em escândalo para a igreja do Senhor, e vergonha para seus pais. Isso não glorifica a Deus (1 Timóteo 5.8). Se os pais são tão pobres, que não podem dar um mínimo de educação digna aos filhos, parece-nos que não convém ter uma família numerosa.

CONCLUSÃO

Quanto à questão, entendemos que a resposta não pode ser um simples “sim” ou um simples “não”. O fator preponderante a considerar é a vontade de Deus. Se um casal tem a convicção de que é a vontade de Deus que tenha muitos filhos, é necessário que assim aconteça. Mas Deus não deu “o multiplicador” para o número de filhos. O casal pode limitar filhos, usando um método lícito e conveniente (cf. 1 Coríntios 6.12; 10.23). Se o método for abortivo não deve ser usado. O aborto é crime hediondo à luz da Bíblia (Êxodo 23.7). O método do uso do preservativo não implica em eliminar o embrião ou o feto. O método natural (Ogino Knaus) de igual modo. A Bíblia admite a abstenção sexual com alguns critérios (1 Coríntios 7.4,5).

Por, Elinaldo Renovato de Lima.