Os pais, os filhos e a educação religiosa

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Os pais, os filhos e a educação religiosaNão é raro observarmos nos dias de hoje pais que dão de tudo que pedem os seus filhos, compram quase tudo o que eles querem. As crianças ficam com excesso de compromissos, fazem aulas de tudo que se pode imaginar, como línguas, pintura, natação, ballet, sapateado etc. Muitas, desde bebês, possuem babás, motoristas, etc. Estudam nas melhores escolas do bairro. Então seus pais levam seus filhos à igreja, na Escola Dominical e pensam: “Ufa! Estou fazendo de tudo por meu filho! A Educação que ele tem na escola é boa, assim como a Educação Religiosa, pois tenho levado ele à igreja. A minha parte eu faço”. Opa, não é bem assim! Não se pode transferir para a escola, para a babá, para o professor da escola ou da Escola Dominical a total responsabilidade da educação de seu filho. É importantíssimo levar os filhos à igreja, mas os pais devem se lembrar que eles são os responsáveis pela educação moral e espiritual dos filhos (Provérbios 22.6).

É fundamental que a orientação espiritual ocorra quando ainda é bebê, embora este não tenha ainda a capacidade de entender de forma plena o que é dito, os sentimentos de seus pais poderão ser passados a ela. A criança que está ouvindo os louvores na igreja, mesmo que não esteja entendendo nada, mas percebe através de seus pais o lado espiritual e a importância do louvor e da adoração a Deus. A criança pequena não aprende valores com discursos, mas com exemplos. Como diz Winnicott: “Tudo começa em casa”. A criança precisa ser levada para a igreja, mas o seu primeiro aprendizado se dá na sua casa, quando se ora para dormir e acordar e nas refeições, quando a sua família fala das bênçãos alcançadas, quando se fala do amor de Deus, quando há culto doméstico. Assim, essa criança estará assimilando por gestos, posturas, palavras e comportamentos externos de seus pais a importância do relacionamento com Deus e a Sua Palavra, o que irá desenvolver uma qualidade religiosa em seu mundo interno baseado na observação de seus pais. O que se deve ensinar aos filhos é: amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Marcos 12.30).

O papel mais importante da família se dá através do ambiente onde a criança vive, e que fornece a ela um modelo religioso para que ela desenvolva, dia-a-dia, a sua espiritualidade e se torne capaz de fazer a sua escolha e de aceitar a Jesus Cristo como seu único e suficiente Salvador. Se a criança ou adolescente tiver uma relação ruim com o seu pai, isso poderá prejudicar a sua espiritualidade na dinâmica psicológica inconsciente, que inicia da figura paterna para a representação de Deus (segundo Freud), ou seja, muitos filhos não conseguem acreditar que Deus, o Pai Eterno, seja bom e acabam negando-o, pois partem do pressuposto – muitas vezes inconsciente – de que se o seu pai terreno não é verdadeiro e bom, logo não pode acreditar em Deus, que não consegue ver com seus olhos. Na igreja, a criança ou o adolescente irá só confirmar e dar continuidade no aprendizado.

Faz-se necessário sempre falar na linguagem correta para cada fase do desenvolvimento, pois a criança ou adolescente passa por processos de maturação não só física, mas psicológica e social; como ainda precisa passar pelas fases do desenvolvimento espiritual, onde cada ser humano vai se aperfeiçoando e melhorando para alcançar a maturidade espiritual. Outro papel importantíssimo dos pais é ensinar seus filhos a tolerarem as frustrações desde pequenos, a fim de que tenham não só limites, mas que, por mais eventualidades e desapontamentos que possam vir a acontecer no âmbito social da igreja, não se abalem a ponto de perderem a fé. Desde pequenos eles precisam crer que o homem poderá falhar, mas Deus nunca falhou e não falhará. Os pais não devem falar de Deus aos filhos por serem simplesmente religiosos, mas porque amam de fato a Deus sobre todas as coisas e porque são verdadeiramente amados por Ele.

Demonstre muito afeto. Dê amor e carinho mais do que games, carrinhos e bonecas, para criar uma relação de muito amor e confiança. O respeite, não provoque a ira de vossos filhos; ensine o seu filho a respeitar e a temer a Deus e a obedecê-Lo.

Comente com seus filhos as suas experiências com Deus. As mães podem conversar com seus filhos a respeito de Deus e com estes ainda dentro da barriga, e ouvir louvores, principalmente mais calmos, hinos de adoração.

Quando a criança nascer, os pais precisam levá-la ao templo após as primeiras vacinas e apresentá-la a Deus. Em casa, é fundamental os pais orarem pelos filhos ainda no berço, para que eles ouçam e estejam aprendendo. Quando a criança crescer, poderá passar a orar junto com os pais, repetindo a oração, até que a criança se sinta tranquila para ela mesma orar para dormir, e depois receber um abraço, e um beijo gostoso dos pais.

Na fase que vai de 0 a 2 anos (recém nascido e o lactente), você pode introduzir os objetos, com personagens bíblicos, livrinhos de banhos, quebra cabeças, brinquedos que façam sons, brinquedos de encaixe, fantoches, com temas bíblicos, como a Arca de Noé, o nascimento de Jesus etc.

Na Primeira Infância (2 aos 6 anos), é importantíssima a presença da criança na Escola Dominical. Nessa fase, a criança internalizará todos os conceitos éticos, morais e religiosos que irão influenciar no desenvolvimento de sua personalidade, definida depois na adolescência, baseado em tudo que viveu desde a infância até aquele momento.

A Segunda Infância (6 aos 12 anos) é a fase onde a criança aprende e desenvolve diversas habilidades, como escrever, calcular e tocar instrumentos. É a época onde os professores deverão estimular as competências. É nesse momento que elas passam por um período de admiração por seus líderes e professores.

A fase da adolescência até a juventude (12 aos 24 anos) é um período onde o indivíduo passa a ter autonomia, e alguns, devido aos conflitos internos de suas escolhas, acabam sendo vistos como rebeldes. O que ocorre é um medo da situação nova de suas escolhas. Os pais, pastores e professores da Escola Dominical devem orientá-los através de palestras e debates sobre temas bíblicos, profissionais, comportamentais, discussão sobre os valores religiosos aprendido na infância. Dessa forma, o adolescente vai fazer as suas próprias escolhas a respeito de sua religiosidade por convicção. Mas tudo começa bem cedo, em casa, por imitação, quando criança.

“Mas, Valquíria, aceitei a Cristo com meus filhos já crescidos. E agora?” Mostre a eles como você se tornou uma pessoa melhor. Mostre a importância de conhecerem a Palavra de Deus, indo juntos à igreja. Em caso de resistência, continue amando-os e ore por eles, e mostre que vale a pena seguir a Deus, não importa com qual idade se conheceu a Cristo. Plante a semente e o Espírito Santo de Deus te ajudará.

Se eu pudesse resumir todo este assunto em apenas três premissas a serem seguidas por parte dos pais, eu diria: Dê exemplo, dê exemplo e dê exemplo.

Por, Valquíria Salinas Goulart.

2 Responses to Os pais, os filhos e a educação religiosa

  1. Leticia disse:

    Parabéns! Muito bem explicado! Muito bonito! Que Deus a abençoe!

  2. Jacqueline Rosa do Nascimento disse:

    Nossa,amei essa explicação.Entendi também que a base de tudo é uma família estruturada que viva os princípios de Cristo não só de palavras mas com atitudes e exemplos.
    Parabéns querida que DEUS continue te abençoando nesse ministério, um grande abraço.

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