Obediência ao Senhor

“E Israel disse a José: ‘Como você sabe, seus irmãos estão apascentando os rebanhos perto de Siquém. Quero que você vá até lá’. ‘Sim, senhor’, respondeu ele” (Gênesis 37.13). Os irmãos de José alimentavam raiva e inveja dele (Gênesis 37.4-8). Por esse motivo, o jovem tinha motivos sobejos para questionar e até repudiar essa ordem de seu pai Jacó, mas obedeceu, saindo de Hebrom em direção a Siquém, cerca de 100 quilômetros de distância, a fim de encontrar-se com seus irmãos.

Comparemos como comportamento de outro personagem bíblico: o profeta Jonas. Quando o Senhor ordenou que se deslocasse até Nínive, ele decidiu viajar na direção contrária àquela que Deus havia determinado. José deixou seu pai, aos 17 anos, para cumprir uma ordem recebida, mesmo sabendo que não gozava da simpatia dos outros filhos de Jacó. E estes dois exemplos levaram-me a meditar sobre qual tem sido o critério que temos usado no que diz respeito ao fazer ou não fazer o bem ao próximo. Quanto a isso, muitos afirmam: “Eu gosto de quem gosta de mim”; ou: “Eu respeito quem me respeita”; “intercedo por quem é gente boa”. Qual tem sido o critério usado para se obedecer a Deus?

A obediência de José ensina a não condicionarmos a obediência àquilo que nos agrada ou beneficia. Desse modo, uma pergunta se faz necessária: você, meu caro leitor, tem obedecido a Deus conforme Ele ordenou ou você tem condicionado a sua obediência? José não disse “Se meus irmãos me tratassem melhor, eu até iria a Siquém ver como estão”; ou: “Se Siquém fosse mais perto, eu iria, mas é muito longe!”. Ele simplesmente obedeceu. É verdade que a obediência dói, pois representa renúncia, talvez humilhação (do ponto de vista humano). Cumprir as etapas da obediência pode levar-nos ao choro.

Jacó enviou José quando estava no vale de Hebrom. Mas José se perdeu quando se aproximava de Siquém (Gênesis 37.14). Destaquei este período, para que você saiba que mesmo aquele que obedece pode se perder ou ficar desorientado. Exemplo disso são os relatos nos quais ouvimos “Foi só eu começar a dar o dízimo que a situação lá em casa parece ter ficado pior”; “Foi só eu decidir me batizar em águas que meu cônjuge se tornou muito agressivo comigo” e outros relatos mais. Mas não se deixe conduzir pelo desespero e o desânimo. Suporte e continue a obedecer, porque a honra se aproxima.

“Um homem o encontrou vagueando pelos campos e lhe perguntou: ‘Que é que você está procurando?’” (Gênesis 37.15). Vale ressaltar que José era um adolescente de 17 anos. A narrativa continua: “Respondeu o homem: Eles já partiram daqui. Eu os ouvi dizer: Vamos para Dotã. Assim José foi em busca dos seus irmãos e os encontrou perto de Dotã” (v. 17). Dotã ficava a 30 quilômetros de Siquém, ou seja, José ainda teria um longo caminho pela frente. Ele poderia ter voltado, pois a ordem de seu pai era para que chegasse a Siquém. Porém, veja o que ele fez, apesar de não ter encontrado os irmãos ali. A esposa de Nabal, Abigail, deixou-nos a lição de que o dever da esposa é cuidar do marido, mesmo que ele seja um endemoninhado. A atitude dela em interceder pela vida de Nabal só reforça que não devemos condicionar nossa obediência a Deus. Sim, Abigail poderia ter dado graças a Deus quando Davi decidiu pela chacina que certamente alcançaria Nabal, mas ela percorreu outro caminho (1 Samuel 25.18-35). José poderia ter voltado para casa e dito a seu pai que ao chegar a Siquém não encontrou os irmãos. Afinal, eles o odiavam. Porém, decidiu andar mais 30 quilômetros até Dotã, onde foi severamente agredido no físico e na alma.

Nossos pastores nos ensinaram que obedecer é melhor que sacrificar (1 Samuel 15.22). Assim crendo, considere: “Ao se assentarem para comer, viram ao longe uma caravana de ismaelitas que vinha de Gileade. Seus camelos estavam carregados de especiarias, bálsamo e mirra, que eles levavam para o Egito” (Gênesis 37.25). A caravana passava por Dotã e não em Siquém. Quando obedecemos a Deus, passamos pelas etapas da provação, da dor e das prisões, todavia estas etapas nos aproximam do lugar da honra. O Senhor deseja mudar histórias, mas existe a necessidade de uma conscientização da verdade expressa nesta narrativa a respeito da vida de José. Caso ele não tivesse obedecido, o jovem não teria sido levado ao Egito. Portanto, não teria experimentado a honra de ser elevado ao cargo de primeiro-ministro do faraó. Da mesma forma que a humildade precede a honra (Provérbios 15.33), a obediência segue o mesmo princípio.

Os irmãos do jovem acreditavam que ele fazia parte do passado da vida deles, mas tratava-se apenas do começo de uma mudança radical não só na vida do rapaz vendido como escravo, mas de toda a família. Dotã era o lugar da obediência, e é para este lugar que devemos sempre nos dirigir. Para os demais filhos de Jacó, que desconheciam os planos de Deus, José seria esquecido. Contudo, “nesse meio tempo, no Egito, os midianitas venderam José a Potifar, oficial do faraó e capitão da guarda” (Gênesis 37.36). O tempo de José ainda não havia se completado. Se você atravessa momentos difíceis, simplesmente obedeça, porque a sua honra vai chegar!

“O plano pareceu bom ao faraó e a todos os seus conselheiros. Por isso o faraó lhes perguntou: ‘Será que vamos achar alguém como este homem, em quem está o espírito divino?’” (Gênesis 41.37, 38). Essa afirmação saiu da boca do próprio soberano do Egito, e faraó representa o mundo e sua influência maligna, pois o mundo jaz no maligno; logo, até pessoas sem Deus sabem que o Espírito divino está no coração de quem obedece.

“Disse, pois, o faraó a José: ‘Uma vez que Deus lhe revelou todas essas coisas, não há ninguém tão criterioso e sábio como você. Você terá o comando de meu palácio, e todo o meu povo se sujeitará às suas ordens. Somente em relação ao trono serei maior que você’. E o faraó prosseguiu: ‘Entrego a você agora o comando de toda a terra do Egito’. Em seguida o faraó tirou do dedo o seu anel de selar e o colocou no dedo de José. Mandou-o vestir linho fino e colocou uma corrente de ouro em seu pescoço. Também o fez subir em sua segunda carruagem real, e à frente os arautos iam gritando: ‘Abram caminho!’. Assim José foi colocado no comando de toda a terra do Egito. Disse ainda o faraó a José: ‘Eu sou o faraó, mas sem a tua palavra ninguém poderá levantar a mão nem o pé em todo o Egito’” (Gênesis 41.39-44). A túnica colorida que José usava quando foi agredido pelos irmãos foi substituída por linho fino. As correntes escravizadoras foram substituídas por uma corrente de ouro, e a caravana de mercadores ismaelitas foi substituída por carruagem real. Não condicione sua obediência a Deus.

Por, Jaime Soares.

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