O Salmo 137.9 incentiva o infanticídio?

O Salmo 137.9 incentiva o infanticídioComo entender o texto “Feliz aquele que pegar em teus filhos e der com eles nas pedras”?

O Salmo 137 contêm uma mensagem imprecatória, ou seja, contêm apelos a Deus para que derrame Sua ira sobre os inimigos do salmista. O termo “imprecação”, do latim imprecatione, expressa o desejo de infortúnios a alguém. Outros salmos demonstram essa mesma ideia. Por exemplo: 7, 12, 35, 55, 59, 69, 79, 109 e 139. Além dos Salmos, outros textos expressam esse sentimento (Gênesis 9.25, Êxodo 9.16, Juízes 5.24-31, 1 Samuel  13.13; 14; 15.28; 1 Reis 21.17-24; 22.19-23; Amós 9.9, 10 e Jeremias 11). No Novo Testamento, por exemplo, verifica-se imprecação em 1 Timóteo 1.20; 2 Timóteo 4.14 e Apocalipse 6.9-11, onde os santos que estão no Céu clamam por vingança a Deus.

A dificuldade na interpretação de textos imprecatórios encontra-se quando os comparamos com as passagens bíblicas de Mateus 5.43-48 e Romanos 12.17, onde o espírito de vingança humano deve ser rejeitado. As imprecações descritas na Bíblia são entendidas como clamores dos justos contra a manifestação do mal, isto é, um pedido de um justo para execução de justiça.

O contexto dessa passagem nos remete à Babilônia e seu terrível rei Nabucodonosor. Babilônia é tratada, em especial no Apocalipse, em contraposição a Sião. Babilônia é a representação do mal e simboliza a idolatria, a prostituição, o sistema pecaminoso e o próprio mundo.

Assim, de certa forma, Nabucodonosor é símbolo de Satanás, o opositor de Deus, que aprisiona o homem no pecado. É neste contexto que o desejo do salmista se expressa, na vontade de que a justiça seja executada. A observância dos princípios estabelecidos na Lei, descritos em Deuteronômio 27 e 28, mostra que o julgamento divino abençoava os que observavam e amaldiçoava os que os desprezavam.

A Bíblia relata que Edom teve sua origem em Esaú e que Israel foi originado em Jacó. Por causa dos confrontos em relação à primogenitura (Gênesis 25.31-34), constantes batalhas foram travadas pelos povos originados por Esaú e Jacó. Quando Nabucodonosor invadiu Jerusalém e o povo de Israel foi levado cativo, os edomitas se regozijaram com o sofrimento dos judeus, esquecendo-se de que o próprio Deus havia ordenado ao Seu povo que os amassem (Deuteronômio 23.7).

Abram de Graaf, na análise desta passagem, observa que “este salmo é baseado numa profecia. O autor não usa as suas próprias palavras, mas ele usa uma profecia. Esta profecia encontra-se em Isaías 13.9-20. O autor pede que Deus seja fiel. Ele deve cumprir as Suas promessas. Babilônia faz parte da maldição. Esta cidade sempre se rebelou contra Deus. Esta cidade simboliza a sociedade sem Deus. A sociedade que vive sem Deus. Deus vai cumprir Sua promessa, começando com a Babilônia antiga, e terminado com a Babilônia moderna, que nós encontramos no Apocalipse”.

Outro ponto importante, e que muitas vezes esquecemos, é que quando foi proferido esse desejo de vingança, seu autor falou por si, e não em nome do próprio Deus. E o conceito exacerbado neste texto é o desejo de que a justiça de Deus seja implementada à risca.

Por, Eliel dos Santos Gaby

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2 Responses to O Salmo 137.9 incentiva o infanticídio?

  1. Edson Pereira disse:

    O autor falou por si, e não em nome do próprio Deus??? Como assim? A Bíblia não foi inspirada por Deus? Não é a palavra de Deus?

    • Francisco Wlademir Galvan disse:

      Olá Edson. O texto diz que o autor falou por ele e não por Deus, em nenhum momento o texto fala que a Escritura não foi inspirada por Deus.

      “Outro ponto importante, e que muitas vezes esquecemos, é que quando foi proferido esse desejo de vingança, seu autor falou por si, e não em nome do próprio Deus. E o conceito exacerbado neste texto é o desejo de que a justiça de Deus seja implementada à risca.”

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