O preço de ser cristão na Nigéria

Família é queimada viva e cristã pede socorro através de áudio

O pastor nigeriano Adamu Gyang Wurim, a esposa e os três filhos foram vítimas da brutalidade de extremistas islâmicos que puseram fogo em sua residência no dia 28 de agosto. A família não teve chances de escapar com vida. A tragédia aconteceu em uma vila no estado de Plateau, na Nigéria. De acordo com depoimentos dos habitantes do local ao Daily Post Nigeria, os fanáticos também destruíram 95 casas durante o ataque e a igreja do pastor assassinado ardeu em chamas.

O pastor nigeriano conduzia a Igreja de Cristo nas Nações e pastoreou uma congregação na aldeia de Abonong no distrito de Foron. A agência de notícias indica que o líder religioso e sua família foram assassinados enquanto se refugiavam em casa, depois que o local foi incendiado pelos atiradores.

O parlamentar e representante da área na legislatura estadual, Peter Gyendeng, confirma a informação da agência de notícias sobre a atrocidade cometida em nome da intolerância. “Houve ataques no meu círculo eleitoral por Fulanis, com oito vítimas fatais, incluindo um pastor, sua esposa e três crianças, além de uma pessoa morta em Dorowa. Duas outras estão desaparecidas”.

A testemunha ocular Isaac Choji, disse ao jornal nigeriano “The Nation” que a casa do pastor foi cercada por um grande número de homens armados que atearam fogo, os incendiários também puseram fogo em outros prédios do local. Mas o que chamou atenção de Choji foi o desejo dos criminosos em aguardar a total destruição do lar do pastor a fim de garantir que seus ocupantes estavam mortos.

O desejo de matar estendeu-se, inclusive, a uma vizinha que acabou sendo alvejada pelos extremistas islâmicos. A mulher foi ferida e levada para um hospital próximo. O “The Nation” divulgou que o pastor e sua família foram sepultados no mesmo túmulo por membros da igreja e parentes.

O presidente de Movimento Juvenil Berom, Thomas Tsok revelou ao “The Guardian” que os guerrilheiros portavam facões e fuzis AK47. Tsok disse que os assassinos invadiram a aldeia por volta das 20h e acionaram as armas. “Primeiro, eles atiraram em dois jovens que saíam da aldeia onde foram para carregar seus telefones na casa do pastor, matando um e ferindo o outro”, disse Tsok.

Jovem pede socorro por áudio

Os familiares de Leah Sharibu, uma adolescente cristã nigeriana de 15 anos sequestrada por guerrilheiros do grupo extremista Boko Haram em 19 de fevereiro, divulgaram ser verdadeira uma nova mensagem em áudio da sequestrada em busca de socorro. A gravação tem 35 segundos de duração e foi compartilhada pela primeira vez pelo jornalista nigeriano Ahmad Salk ida e anunciada no dia 27 de agosto.

A estudante foi sequestrada em fevereiro durante uma invasão dos fanáticos vinculados ao Boko Haram em uma escola de meninas em Dapchi, estado de Yobe. No áudio a menina implora: “Eu sou Leah Sharibu, a garota que foi sequestrada. Eu estou pedindo ao governo e às pessoas de boa vontade que intervenham para me tirar da minha situação atual”.

A jovem acrescenta: “Eu também peço para ajudar minha mãe, meu pai, meu irmão mais novo e parentes. Por favor, ajude-me a sair da minha situação. Estou implorando por compaixão. Estou pedindo ao governo, particularmente ao presidente, que tenha pena de mim e me tire desta grave situação. Obrigada”.

A dolorosa situação da adolescente correu o mundo quando ela permaneceu cativa e não foi liberada, junto com as outras 110 meninas. O motivo: Leah Sharibu recusou-se a renunciar a sua fé em Jesus Cristo. A International Christian Concern, organização cristã localizada em Washington DC tem sido um dos grupos que tem se destacado na luta para a libertação da jovem nigeriana. Seus representantes disseram que a família confirmou que é sua voz na gravação.

A esperança de ter a filha de volta ao lar tem servido como combustível para mobilizar a família da adolescente. A mãe da sequestrada, Rebecca Shiburi, viajou para Jos, capital do estado de Plateau onde permaneceu nos dias 29 e 30 de setembro para participar de uma coletiva de imprensa. A nigeriana reiterou a informação de que os guerrilheiros pretendem matar a jovem cristã. “Ao entrarmos no mês de outubro, eu apelo ao governo federal e ao presidente para que ouçam meu clamor e o clamor do pai de Leah, para que assegurem a libertação da nossa filha. Meu filho Donald, de 13 anos, que costumava brincar e fazer tudo com ela, têm sido muito afetado por sua ausência e fica perguntando: ‘Quando a Leah vai voltar para casa?’ Como pai, eu o encorajo dizendo: ‘Pela graça de Deus, ela vai voltar a qualquer momento”, disse a mãe de Leah.

Por sua vez, o presidente Muhammadu Buhari conversou pela primeira vez com a mãe da adolescente sequestrada. O governante escreveu no Tweeter: “Hoje eu falei com a sra. Rebecca Sharibu, para reiterar nossa determinação de trazer sua filha Leah de volta em segurança. Os pensamentos e orações de todos os nigerianos estão com a família Sharibu e com as famílias de todos que ainda estão em cativeiro. Vamos fazer tudo o que pudermos para trazê-los de volta”. Este foi o primeiro contato de uma autoridade do governo com a família. O Boko Haram ganhou notoriedade por ter sequestrado 276 alunas da cidade de Chibok em 2014. Apesar de várias delas tenham sido liberadas pelos militantes, estima-se que pelo menos 100 dessas moças ainda estejam em cativeiro e talvez casadas com combatentes muçulmanos.

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