O “poder místico” da oração no monte

Crente que ora em monte fica mais cheio de poder? A pergunta que faço se deve ao fato de que com frequência ver crentes que oram no monte se sentirem superiores aos que não têm tal prática.

O “poder místico” da oração no monteDesde longo tempo que este tema tem feito parte da vida de muitos crentes assembleianos, embora não encontramos tal prática na vida dos nossos pioneiros, nem nos primórdios de nossa igreja no Brasil. Com a ajuda de Deus, queremos fazer uma abordagem bíblica que traga luz sobre o assunto.

Em primeiro lugar, orar nos montes não é prática exclusiva do judaísmo. Muitos altares pagãos eram feitos nos montes e chamados “altos”, havia os altos de Baal (Números 22.41) e Deus ordenou desfazê-los (Números 33.52). Em toda a história de Israel a ideia de que estar no monte era estar mais perto da divindade estava arraigada na mente das pessoas, mesmo daqueles que adoravam ao Deus verdadeiro (2 Crônicas 15.17; 20.33).

Em segundo lugar, na antiga aliança os crentes também oravam nos montes, a exemplo de Abraão (Gênesis 22.2), Moisés (Êxodo 19.3), Elias (1 Reis 18.19), etc., e Deus aceitou suas orações e sacrifícios, pois Ele é sábio e aproveitou-se do contexto cultural religioso em que eles viviam. É bom observarmos que o caso de Elias foi excepcional, pois não havendo templo no reino do Norte (Israel), nem sacerdote, Deus o autorizou se fazer as vezes de sacerdote e oferecer o sacrifício no Carmelo.

Em terceiro lugar, Jesus também orava nos montes, não pelo monte em si, mas pelo recolhimento que proporcionava e intimidade com o Pai. Afinal, nem casa ele tinha para ter um lugar de oração (Meteus 8.20).

Em quarto lugar, a partir do Pentecostes, já não observamos a igreja primitiva orando nos montes, e sim no Cenáculo (Atos 1.13.14), na casa de Maria (Atos 12.12), nos eirados das casas (Atos 10.9) e no vetusto templo que ainda estava de pé (Atos 3.1), mas nunca nos montes. As epístolas, que são pura doutrina, nunca falam no assunto. Pelo contrário, o santo autor de Hebreus nos diz que nós da Nova Aliança “não chegamos ao monte palpável […] mas ao monte Sião […] a Jerusalém Celestial” (Hebreus 12.18, 22). Isto é, o que era palpável e material no Antigo Testamento, hoje são realidades espirituais. O próprio Senhor Jesus avisara que chegaria o tempo em que orar nos montes seria coisa sem importância nesta nova dispensação (João 4.21, 23) e recomendou que melhor seria entrarmos no aposento secreto de nossa casa quando fossemos buscar o Pai (Mateus 6.6).

Em quinto lugar, o que importa para o Senhor é que sejamos cristãos amadurecidos, que cheguemos à estatura de Cristo (Efésios 4.13), que tenhamos o fruto do Espírito Santo (Gálatas 5.22) e sejamos novas criaturas (G[alatas 6.16). Se você ora nos montes ou no aposento, na nave do templo ou no salão de oração, não importa para Deus. Ele quer que oremos sem cessar (1 Tessalonicenses 5.17).

Orar nos montes não é mandamento do Senhor, nem torna alguém mais espiritual que os outros. Ser espiritual é andar no Espírito (Gálatas 5.16), ser fiel ao cônjuge, bom pai ou mãe, bom filho, honesto, bom patrão ou bom funcionário; humilde e santo em toda a maneira de viver (1 Pedro 1.15).

Soli Deo Gloria!

Por, José Orisvaldo Nunes.

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One Response to O “poder místico” da oração no monte

  1. Isaías Cruz disse:

    Gostei demais desse tópico, orar nos Montes eu vou e sempre achei q.pelo sacrifício de sair do lugar costumeiro ou sair do comodismo seria um preço maior sendo assim influenciaria mais no nosso ministério.

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