O legado a preservar de Oswaldo Aranha

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O legado a preservar de Oswaldo Aranha“Estou decidido a não permitir que ninguém interfira em nossa decisão.” As palavras disciplinadoras foram ouvidas em Nova York, no ano de 1947, ditas pelo brasileiro Oswaldo Aranha, então, chefe da delegação brasileira na ONU. Aquela sessão especial da Assembleia Geral inaugurou a tradição de ser um brasileiro o primeiro orador por ocasião dos foros internacionais. Nosso representante foi o responsável, segundo concluem estudiosos das relações diplomáticas, por inaugurar para o Brasil um postura de imparcialidade que “pôs a diplomacia brasileira no caminho da análise política internacional”. A trajetória dos laços mantidos pela pátria com outras nações irmãs recebeu uma herança que não pode e, sobretudo, não deve ser manchada.

“Estou decidido a não permitir que ninguém interfira em nossa decisão.” Essa foi a assertiva proferida quando votava-se a formação do Estado de Israel, por ocasião da partilha das terras até então sob o Mandato Britânico. Após o parecer favorável da França, quando a assistência manifestou-se explodindo em aplausos, Osvaldo Aranha chamou a atenção de todos, o que permitiu o curso pacífico e ponderado da decisão. O representante de nosso país ergueu com suas palavras e sua firmeza o bastião necessário a qualquer ponderação que afete o futuro dos povos. Defendeu um ambiente propício às manifestações pacíficas no pleito que determinou a fundação do moderno Estado Judeu. Embora costume-se valorizar mais o voto final que garantiu os dois terços necessários para o estabelecimento, cumpre ressaltar a postura que viabilizou o prosseguimento daquela Assembleia nos termos de sua seriedade.

“Estou decidido a não permitir que ninguém interfira em nossa decisão.” E diante de tal exortação restabeleceu-se a disciplina. O silêncio foi reintroduzido. A ponderação retomou. No clima esperado para uma reunião de tal porte, somente obtido pela coragem daquele brasileiro, a  profecia cumpriu-se.

“Estou decidido a não permitir que ninguém interfira em nossa decisão.” A partir daí, nessas palavras e atitudes nos alegraremos todas as vezes que relembrarmos a participação objetiva e oportuna do Brasil naquele que foi, sem dúvida, o maior evento diplomático internacional dos últimos anos, com implicações que vão muito além da politica, alcançando os corações confiantes nas promessas feitas por Deus através de Seus profetas. Ali estava, igualmente, inaugurada a esperança de que nossa caminhada diplomática permanecesse firme em sua imparcialidade e transparência.

“Estou decidido a não permitir que ninguém interfira em nossa decisão.” Precisa ser essa a postura dos servos de Deus em tudo que diz respeito a Israel para não sermos iludidos, se mal informados por uma mídia tendenciosa. Precisamos filtrar nas agitações dos noticiários e procurar, sob orientação da Verdade e na Sua luz, entender os fatos, sem de maneira alguma erguermos nossas vozes na direção contrária ao agir do Senhor, de quem é a Terra, e que dispõe dela como quer. Lembremos que há homens fortemente armados atrás das crianças fotografadas e filmadas. Lembremos que há esconderijos subterrâneos mal disfarçados em casas de civis. Saibamos que, embora a crítica ao governo de Israel não constitua, por si só, antissemitismo, dificilmente encontramos uma análise profunda e bem embasada das circunstâncias. Lembremos que Israel é o único país do Oriente Médio em que parlamentares árabes têm a liberdade de criticar o governo. Lembremos que Israel é alvo constante de ataques nas Nações Unidas, tema regular de suas sessões, e previamente condenado e caluniado por suas atitudes como nação. Lembremos que quando Israel não se defende é criticado e, quando se defende, é duramente condenado, além de arriscar-se a sofrer maiores danos, ainda que não a sua aniquilação, pois isso feriria determinações celestiais. Lembremo-nos da irrevogável aliança de Deus com Abraão.

“Estou decidido a não permitir que ninguém interfira em nossa decisão.” – é a ponderação equilibrada daqueles que apontam com o silêncio da diplomacia brasileira diante das vítimas do avião abatido pela Rússia; é a conclusão daqueles daqueles que têm acompanhado e anotado a omissão das nações que se querem engajadas na comunidade dos povos diante do massacre da guerra civil na Síria; é a certeza dos que leem nos números a disparidade daqueles algarismos que descrevem a guerra diante da enormidade daqueles outros, os que apontam o total dos mortos em nossos hospitais, ou na batalha no trânsito em nossas ruas. Ainda que todo e qualquer algarismo envergonhe-se de representar os dados do sangue humano, alguns, por terrível ironia, ainda são pequenos se comparados aos que resultam não de ideologias ou sentimentos de direitos ou de justiça, mas que apenas derivam de descaso e corrupção.

Por, Sara Alice Cavalcante (CPAD).

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