O João bíblico e o São João junino

O João bíblico e o São João juninoUm homem enigmático, vaticinado nas escrituras do Antigo Testamento, onde o profeta Isaías fala assim a seu respeito: “Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do SENHOR; endireitai no ermo vereda a nosso Deus” (Isaías 40.3); e o profeta Malaquias diz: “Eis que vos envio o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR; e converterá o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos aos pais; para que eu não venha e fira a terra com maldição” (Mlaquias 4.6).

Seu nascimento se deu de maneira misteriosa. Seu pai, o sacerdote Zacarias, era esposo de Isabel, prima de Maria, a mãe de Jesus. A respeito deles, diz a Bíblia: “E não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e ambos eram avançados em idade” (Lucas 1.7). Mesmo a Bíblia não dizendo que o casal orava por um filho, infere-se que sim. Pois, todos os casais de Israel, almejavam ter filhos, também na esperança de serem pais do Salvador da humanidade. No momento que o anjo aparece ao sacerdote e anuncia o nascimento de João, lhe diz: “não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João” (Lucas 1. 13). A profecia se cumpriu, e Deus concede o favor ao casal, dando-lhe um filho, do qual, seu pai escreve em uma tabuinha, o seu nome, pois estava sem falar desde que duvidou da promessa de Deus. Sua fala volta, e o sacerdote começou a louvar a Deus (Lucas 1.62-64).

Pela maneira misteriosa do seu nascimento, todos os que ouviam começaram a dizer: “Quem será, pois, este menino?” (Lucas 1.66). No princípio, apenas João (“favor de Deus”). Ao crescer, em vez de ir para o sacerdócio, seguindo o exemplo de seu pai, ele toma o caminho inverso, sai da cidade e vai para os desertos. Vai para a beira do Jordão. O povo precisava ser lavado pelo batismo, e o caminho do Messias seria pavimentado. No lugar de roupas brancas de linho, como usavam os sacerdotes, ele usava pelos de camelo, de cor marrom, talvez denunciando a hipocrisia dos sacerdotes da época, que vestiam linho branco por fora, mas por dentro eram corruptos e enganadores. Por causa de sua missão de batizador, passou a ser chamado de João, o Batista. As multidões vinham a ele às margens do Jordão. Sua mensagem era dura e incisiva: “Dizia, pois, João à multidão que saía para ser batizada por ele: Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abraão por pai; porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão. E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo” (Lucas 3.7-9). Compungindo assim os corações de seus ouvintes que diziam: “Que faremos, pois?” (Lucas 3.10).

Durante o seu curto ministério terreno, batizou milhares nas águas do Jordão, chamando-os ao arrependimento (Marcos 1.5). Teve a revelação de Deus, de quem seria o Messias, e O apontou dizendo: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1.29). Foi humilde o suficiente para não se deixar enganar, nem se orgulhar com os aplausos das multidões e disse: “Eu batizo com água, mas, no meio de vós, está um que não conheceis. Este é aquele que vem após mim, que foi antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar as correias das sandálias” (João 1. 26,27). O João Batista da Bíblia foi preso porque denunciou o pecado de Herodes, pois este tinha tomado Herodias, mulher de seu irmão Filipe, como sua mulher (Marcos 6.17), e a pedido dessa mesma mulher foi decapitado (Marcos 6.21-29).

O João Batista da Bíblia é diferente do São João das festas juninas, do folclore idolátrico e pervertido no Brasil, principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Onde não há denuncia da iniquidade, há os mais infames pecados, a começar pela idolatria, também prostituição, embriaguez, pornografia, roubos, assaltos; a embriaguez, o uso de outras drogas, seguido de acidentes, de toda sorte de malefícios à sociedade e por fim mortes. O dinheiro do povo que é gasto de maneira pródiga poderia ser usado para o bem da sociedade, mas é usado para seu próprio mal. Tudo isso com o discurso de alavancar a economia, onde hotéis ficam superlotados (e os hospitais e os presídios também!). A polícia tem que aumentar o contingente, gastar milhares de litros de combustíveis; milhões a mais de megawatts de energia são gastos também. Sem falar nas sequelas familiares, onde casais se separam por causa das traições, filhos ficam sem seus pais, e o número de divórcio aumenta assustadoramente. O número de adolescentes grávidas sobe. Famílias desestruturadas e uma sociedade avariada em todos os sentidos: moral, espiritual, financeiro e ético vai sendo formada.

O João Batista da Bíblia denunciava o pecado, enquanto o São João do mundo abraça de maneira gulosa e prazenteira toda sorte de mal. Pior ainda é que muitos que se dizem crentes, se misturam nesse tempo às festas ditas “folclóricas”. Uns, dizendo que vão ganhar o pão. Outros porque o mundo de pecado os arrasta, e as igrejas passam a ter sérios problemas com seus membros, que amigos do pecado e dos deleites carnais, se tornam inimigos de Deus: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus” (Tiago 4.4).

Só há uma maneira de a igreja fazer a diferença: manter-se separada daquilo que parece normal nessa sociedade cega espiritual. O apóstolo Paulo nos exorta dizendo: “Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. Pelo que saí do meio deles, e apartar-vos diz o Senhor; e não toqueis nada imundo, e eu vos receberei; e eu serei para vós Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-poderoso” (2 Coríntios 6. 14-18).

As festas juninas não são festas comuns. São festas de coisas sacrificadas aos ídolos. Há um envolvimento espiritual maligno em tudo isso, assim como havia no templo da chamada “grande deusa Diana” dos efésios (Atos 19.28). Muitos cristãos estão dormindo nesse sentido. Paulo nos adverte dizendo: “Portanto, meus amados irmãos, fugi da idolatria. Falo como a sábios; julgai vós mesmos o que digo. Porventura, o cálice de benção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é, porventura, a comunhão do corpo de Cristo? (1 Coríntios 10.14-16); e prossegue: “Mas, que digo? Que o ídolo é alguma coisa? Ou que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Antes, digo que as coisas que os gentios sacrificam, as sacrificam aos demônios e não a Deus. E não quero que sejais participantes com os demônios. Não podeis beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podeis ser participantes da mesa do Senhor e da mesa dos demônios” (1 Coríntios 10.19-21).

Portanto, o são João das festas juninas, não é o São João da Bíblia!

Por, Daniel Nunes da Silva.

image_printImprimir

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Google Translate »