O cristão e a apologética

O cristão e a apologéticaNunca foi tão urgente para a Igreja do Senhor estar envolvida com a evangelização. Contudo, as pessoas na maioria dos casos estão preocupadas unicamente com os métodos e muito pouco com a qualidade do trabalho evangelístico. Isso é preocupante tendo em vista a sociedade pluralista e relativista que temos e a missão de evangelizar.

O Evangelho é a doutrina. É a mais alta verdade de Deus. E como tal, precisa ser proclamado, e quando o genuíno Evangelho é proclamado na unção do Espírito Santo se choca frontalmente com os conceitos do mundo.

Vivemos a era do ecumenismo que apregoa que em religião a maior virtude é a tolerância, e que o dogmatismo, o separatismo e a própria ortodoxia são atitudes reacionárias e impróprias. Entretanto, como crentes em Cristo, é impossível haver tolerância para com o erro. Assim, todo o verdadeiro crente deve ser um apologista, por essa razão o apóstolo Pedro diz: “Antes, santificai a Cristo, como Senhor em vosso coração, estando sempre preparado para responder a todo aquele que vos pedir, a razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3.15).

1. O valor da apologética na evangelização

Diante do pluralismo e do relativismo moral e religioso dos nossos dias a apologética torna-se uma ferramenta indispensável para a eficaz proclamação do Evangelho. A apologética não é apenas mera defesa da fé, sem o evangelismo a apologética é vazia. Sem a apologética o evangelismo fica estéril, pois o grande objetivo da apologética é a proclamação da verdadeira Palavra de Deus.

Uma coisa o apologista cristão nunca deve perder de vista: não são nossos argumentos que produzem conversões, mas sim, o trabalho do Espírito Santo, dEle sempre precisamos depender. É preciso uma igreja amadurecida, que fala apologética cristã ou a defesa da fé com segurança defendendo a verdade do erro, pregando e vivendo o que é o genuíno Evangelho, para que os falsos conceitos produzidos pelas falsas interpretações sejam rechaçados (1 Pedro 3.15).

2. O que é uma seita?

A palavra seita significa “partido”, “corrente de pensamento”. A palavra grega que temos na Bíblia é “hairesis” ou “heresia” que por causa da semântica foi traduzida “seita” na vulgata latina. O sentido original não era pejorativo, até mesmo o cristianismo foi chamado de seita (Atos 26.5).

Com o passar do tempo foi adquirindo uma conotação negativa, significando falsos ensinos, abordagem distorcida das Escrituras. Seita é qualquer movimento que nega doutrinas fundamentais do cristianismo, tais como: Trindade, justificação, expiação, regeneração, nascimento virginal, encarnação, morte vicária, ressurreição e divindade de Cristo, salvação pela fé, personalidade do Espírito Santo, autoridade, inspiração, inerrância e infalibilidade da Bíblia.

2.1. Critérios para identificar uma seita

  • Critério Histórico – A seita é como um galho que se corta da árvore;
  • Critério sociológico – A seita não é para todos, mas para alguns que se comprometem;
  • Critério psicológico – A seita vem remediar necessidades momentâneas e ao mesmo tempo eternas;
  • Critério missionário – As seitas não buscam os não cristãos, não evangelizam, somente praticam o proselitismo;
  • Critério bíblico – As seitas entendem que somente elas apresentam o verdadeiro significado das Escrituras Sagradas com o auxílio de seus escritos.1

2.2. Porque as seitas prosperam tanto?

1) Falha da Igreja – Quando a igreja deixa de anunciar a Palavra da salvação com unção e autoridade; quando perde sua salinidade e deixa de ser luz; Satanás aproveita-se desta falha para propagar o erro com aparência de verdade (2 Timóteo 4.1-5; Romanos 1.16).

2) Falta de maturidade de muitos crentes – O crente imaturo não sabe discernir adequadamente o bem e o mal, porque lhe falta os parâmetros doutrinários adequados (Hebreus 5.11-14; 1 Coríntios 1.14-15).

3) Falta de Conhecimento das Escrituras por parte dos crentes – (1 Timóteo 2.4) e por conseguinte tornam-se presas fáceis das seitas.

4) As seitas apresentam soluções fáceis para as crises de nossos tempos – Ensinam seus seguidores como se comportar em que pensar, bem como centraliza todas as coisas em torno de um líder para encontrar a estabilidade.

2.3 Como as seitas trabalham

  • Má interpretação da Bíblia – Distorcem os textos bíblicos, desprezando todas as regras hermenêuticas, desprezando contexto, gêneros literários. Na maioria dos casos utilizando fontes de autoridade fora das Escrituras.
  • Experimentalismo – Boa parte das seitas fundamenta suas afirmações em experiências espirituais ou novas revelações em detrimento da verdade bíblica.
  • Proselitismo – Sempre procuram atingir pessoas que já possuem vínculo religioso preferivelmente os membros das igrejas que foram membros anteriormente, ao invés de procurarem pecadores para levá-los a conversão.
  • Perfeccionismo – São mais santos que os outros, os únicos realmente puros. As Testemunhas de Jeová, por exemplo, alegam que somente eles são o verdadeiro povo de Deus. Os Mórmons afirmam que a sua igreja é a única verdadeira e que a igreja de Cristo terminou quando Joseph Smith recebeu a nova revelação.

3. Características das seitas

  • Liderança isolada

Uma das características básicas das seitas é a figura central do líder, que são consideradas figuras ímpares quase idolatrados. Como se considera a pessoa que tem acesso irrestrito a Deus, estes líderes ditam a doutrina e o comportamento dos integrantes da seita. Os líderes heréticos conduzem seus grupos isolando-os do cristianismo evangélico histórico, e o atacam ferozmente, os demais se afastaram da genuína fé e somente eles possuem a forma natural da fé.

  • Fontes de autoridade extra-bíblicas

As seitas entendem que a revelação bíblica é incompleta. E as seitas sempre surgem como produto de uma nova revelação que suplanta a própria Escritura. Joseph Smith, por exemplo, acrescentou três livros: O livro de Mórmon, A Pérola de Grande Valor e Doutrinas e Convênios, pois a Bíblia entre os Mórmons não é a única regra de fé e prática.

  • Alterações das Escrituras

A seita procura sempre modificar o que está escrito na Palavra de Deus, pois a mesma não coaduna com o erro. E as seitas fazem estas alterações de duas formas: traduzindo a Escritura de uma forma não confiável por meio de métodos inferiores, fazendo-a concordar com suas aberrações, o que invalida a tradução. Outra forma de alterar as Escrituras é redefinir seus termos com o propósito de obscurecer sua mensagem.

  • Misticismo exacerbado

Como pentecostais, cremos em um Deus sobrenatural e transcendente que opera em um mundo físico. Cremos em milagres, na atuação do Espírito de Deus através dos dons espirituais. Entretanto, alguns líderes de seitas consideram-se profetas em patamar similar aos profetas dos tempos bíblicos. O cristão atento precisa lembrar-se de Deuteronômio 13.1-3: “Quando profeta ou sonhador se levantar no meio de ti e te anunciar um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio de que te houver falado, e disser: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los, não ouvirás as palavras desse profeta ou sonhador; porquanto o SENHOR, vosso Deus, vos prova, para saber se amais o SENHOR, vosso Deus, de todo o vosso coração e de toda a vossa alma” (cf. Deuteronômio 18.22).

4. Como evangelizar os adeptos da seitas

A igreja evangélica, em primeiro lugar, deve atender as necessidades dos crentes, pois grande parte destes são fracos na fé e não possuem conhecimento da Palavra de Deus. Os pastores e obreiros precisam ocupar-se em fundamentar os fieis na sã doutrina, discipulando os novos convertidos para evitar que sejam enganados.

a) Necessidade de conversão genuína e vida de oração e estudo da Bíblia – Quando se tem comunhão diária com Deus bem como meditação e estudo constante da Bíblia a fé se robustece.

b) Necessidade de um ambiente fraterno, de amor mútuo na igreja – Comunhão é uma necessidade básica dos crentes em Cristo.

c) Necessidade de um estudo profundo da Bíblia – As pessoas que buscam uma experiência na verdade possuem fome e sede de Deus. As doutrinas da Palavra de Deus devem ser estudadas, deve haver meditação das Escrituras, para que toda a igreja esteja alicerçada nas verdades divinas.

d) Paixão pelas almas – Os crentes devem ser incentivados a compartilharem sua fé, por onde quer que andem, a tempo e fora de tempo, para ganhar o maior número possível de pessoas para Cristo.

Nota

1. Tácito da Gama Leite Filho – Seitas Proféticas, p. 12.

Por, Paulo André Barbosa.

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