O Brasil entoando os Cânticos dos Degraus

Subir a Jerusalém – o sonho de todos os peregrinos vai muito além dos cerca de metros de altitude que alcança o relevo da cidade santa, também chamada de Salém, Jebus, Cidade de Davi, Cidade do Grande Rei, Sião, Cidade de Deus e Cidade de Justiça. Quando subimos a Jerusalém ultrapassamos o sentido geográfico do termo e fazemos de todo e qualquer lugar da Terra um lugar mais baixo, dada à excelência do lugar escolhido por Deus para, a partir dali, instruir os povos, remir com o precioso sangue do Cordeiro e, num breve futuro, estabelecer Seu trono e reger as nações. Ainda que os atos de seus habitantes tenham despertado o lamento de Jesus sobre a cidade, sua glória não lhe foi tirada, bem como não cessou o Senhor de despertar intercessores que clamam sobre ela de dia e de noite, até que seja efetivamente estabelecida como objeto de louvor. As promessas de Deus acerca de sua Ariel (leão de Deus) permanecem firmes.

Subir a Jerusalém não é coisa que se faça desavisadamente. Importa guardar os pés e reservar certa reverência a um ato com tanto simbolismo. No passado, peregrinos caminhando em direção ao Templo, exilados judeus repatriados, adoradores nos dias festivos, em especial nas festas anuais, entoavam os cânticos de subida, ou cânticos dos degraus ou graduais. Registra-se que os ofertantes salmodiavam enquanto os animais eram levados para o sacrifício e que os levitas, posicionados sobre os degraus que separavam o Pátio das Mulheres do Pátio do povo, cantavam as belas canções contidas nos salmos 120 a 134.

Convém que todo aquele que deseja em seu coração empreender a subida medite sobre algumas expressões há tanto tempo repetidas. Quando alguém declara “na minha angústia clamei ao Senhor e Ele me ouviu” (Salmo 120) reconhece seu próprio estado e a necessidade que tem de Deus. Ao dizer “elevo os meus olhos para os montes, de onde me virá o socorro” (Salmo 121), confessa sua incapacidade para lidar com o mal e apela para quem pode livrar. Assim, sucessivamente, afirma aquele que ascende a Sião: “alegrei-me quando me disseram: vamos à Casa do Senhor” (Salmo 122); “para Ti, que habitas nos céus, levanto os meus olhos” (Salmo 123); “se não fora o Senhor, que esteve ao nosso lado, ora, diga Israel” (Salmo 124); “os que confiam no Senhor são como o Monte Sião que não se abala” (Salmo 125). Uma outra dimensão passa a ser experimentada pelo peregrino – a dimensão do sonho a esperança da restauração e a reafirmação de que a caminhada envolve desafios, mesmo o desafio da soberba no coração, mas, no final, o nome do Senhor será louvado: “quando o Senhor trouxe do cativeiro os que voltaram a Sião, estávamos como os que sonham” (Salmo 126); “se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam” (Salmo 127); “bem aventurado aquele que teme ao Senhor e anda nos Seus caminhos” (Salmo 128); “muitas vezes me angustiaram” (Salmo 129); “das profundezas a Ti clamo, ó Senhor” (Salmo 130); “Senhor, o meu coração se elevou” (Salmo 131); “lembra-te, Senhor, de Davi e de todas as suas aflições” (Salmo 132); “ó quão bom e agradável é que os irmãos vivam em comunhão” (Salmo 133) e “eis aqui, bendizei ao Senhor, todos vós, servos do Senhor, que assistis na Casa do Senhor” (Salmo 134). A declaração “eis aqui” era o brado triunfante daquele que conseguiu ascender e, juntamente com outros vitoriosos, pode então exaltar o nome do Eterno.

O Brasil iniciou, politicamente, sua ascensão a Jerusalém e a jornada prenuncia-se trabalhosa, uma vez que são muitos os opositores. Segundo o ‘site’ do Ministério das Relações Exteriores, “Brasil e Israel estabeleceram relações diplomáticas em 1949. Em 1951, foi criada a Legação do Brasil em Tel Aviv – elevada, em 1958, à categoria de Embaixada. Israel estabeleceu embaixada no Brasil em 1955”. Estamos falando, portanto, de relações bilaterais estáveis, contínuas e de resultados positivos para ambas as nações. Israel mantém, hoje, uma Embaixada em Brasília, um Consulado-Geral em São Paulo, um Consulado Honorário no Rio de Janeiro e outro Consulado Honorário em Minas Gerais. A comunidade judaica no Brasil é estimada em mais de 100 mil pessoas. O Brasil, por sua vez,mantém sua Embaixada em Israel na Rua Yehuda Ha Levi, na cidade de Tel Aviv. A comunidade brasileira em Israel soma cerca de 10 mil membros e seu relacionamento com os locais tem sido marcado por um clima de amizade e cooperação.

Para culminar a trajetória entre as nações irmãs restava, ainda, um importante passo a ser dado pelo governo brasileiro, qual seja, o reconhecimento de Jerusalém como capital do Estado de Israel. Tema de campanha e um dos principais motivos que propiciaram a vitória do novo presidente eleito do Brasil, a mudança da Embaixada Brasileira é o momento mais aguardado por aqueles que somaram forças para um dia ver seu país tirar os olhos de Meseque (filho de Jafé) ou de Quedar (filho de Ismael) (Salmo 120) e elevar seus pensamentos para Aquele que pode agir em seu favor.

O Brasil principia sua caminhada de subida para Jerusalém e isso justifica o cuidado em trazer a este texto várias expressões bíblicas, com o intuito de fazer delas, de cada um e de todos os cânticos dos degraus nossa reflexão e orações nesses dias que precedem um ato político que não deixará de ser espiritual e profético. Terrível erro seria dar como certa a vitória quando ainda estamos numa escalada. A esperança de chegarmos a declarar “eis aqui” não deve nos fazer descuidados quanto à batalha espiritual que tal decisão envolve. As ameaças já se fazem ouvir, seja no sentido dos contratos comerciais, seja pela reação de organismos internacionais. Se não for o Senhor, mesmo o coração mais determinado pode fraquejar. O tempo não é de euforia, mas de oração.

Reconhecer Jerusalém como capital de Israel é mais do que uma aceitação da vontade soberana de um estado nacional. Trata-se do reconhecimento da vontade de Deus sobre o assunto, submetendo-nos como nação e confiando em que Ele haverá de conduzir o futuro dos povos conforme está escrito em Sua Palavra.

Socorro de Deus, proteção contra os inimigos, edificação de nossas casas, esperança para voltar a sonhar, gratidão e alegria… o quanto nós, brasileiros, estamos carentes dessas coisas?! Pois aquilo que ansiamos, todo peregrino anseia e crê que haverá de alcançar – na incompletude das nossas subidas nessa terra ou na esperança verdadeiramente perene e eterna da Jerusalém Celestial.

Por, Sara Alice Cavalcanti.

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