O amor de Deus é a inspiração e a psicogênese da união entre os homens

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O amor de Deus é a inspiração e a psicogênese da união entre os homensInspiração é a palavra-chave para a união entre os homens, e essa inspiração tem sua fonte no amor de Deus. Qualquer pessoa que instintivamente se sentiu seguro nos braços dos progenitores sabe o sentido dessa inspiração. O que alguns podem indagar apenas é: “Mas, a inspiração depende do querer dos homens. Logo, o que nos garante que possamos mesmo desejar nos despir do egoísmo e da necessidade que temos de garantir nosso espaço?”

O que vemos hoje é a busca insaciável pela realização de interesses próprios. Cada um procura seu lugar ao sol, um assento cativo ou mesmo uma vaga na melhor e mais visível posição, seja qual for, uma vez que cada ser humano em seu mundo recria as suas prioridades, e isso faz com que o que seja de meu interesse não necessariamente é do interesse do outro. A única coisa partilhável aí é o egoísmo.

Bem, a solução para esse problema passa pela percepção de que determinar a lógica de uma relação chamada união não é possível ao homem a não ser que entenda antes o significado de ser um indivíduo. Aliás, esse é o homem, em alguma instância da vida, conhece o significado do termo “união” no seu sentido mais lato sem entender o que é ser um indivíduo?

O significado do indivíduo é bem mais plausível: afinal, é necessário que primeiramente nos vejamos como evidências de nós mesmos, do nosso “eu”, para que, então, sejamos o que somos e possamos nos relacionar com os outros.

Devemos contrariar a hipótese de que a individualização é possível em contra-resposta ao individualismo. Como assim? Individuação? Individualismo?

A individuação é o que nos permite sermos únicos e ao mesmo tempo parte do todo, diferente do entendimento individualista que defende a unidade do ser como apropriação indevida da realidade como um todo que não lhe pertence uma vez que este ser é parte dela e não totalidade.

Novamente pergunto: “Unidos? É possível?” Se nossa resposta é “sim”, uma outra pergunta emerge: “Qual é a via, o caminho e a trajetória que devemos seguir para atingí-la?” Tenho convicção de que muito já foi proposto, mas pouco se caminhou neste sentido. Penso que somente quem realmente presencia a experiência plena de união poderia nos dar uma luz sobre esse assunto.

Já sabemos que, no mundo, não encontramos um exemplo de união absolutamente perfeita, mas segundo a nossa fé e confirmação do espírito que em nós habita, há sim quem vive nesta condição: Deus – Aquele que é comunhão – Pai, Filho Espírito Santo –, perfeito no melhor sentido do termo, todo feito, sem faltar parte! Poderíamos até aceitar como sendo esse o significado de união: não faltar parte alguma, não faltar eu, não faltar você, não faltar ninguém.

O que me alegra e me enche de esperança é o desejo que parte dAquele que sabe e que vive o que é união. Disse Jesus: “Que sejam um”. Essa é a Sua vontade.

Ao que parece, a verdadeira união traz consigo a força de fazer cessar na vida das pessoas, ou pelo menos amenizar, o ameaçador espírito de disputa e ganância mundano. É um desarme natural e age de maneira eficaz, fazendo sucumbir o que é mal, que caracterizo como tudo o que nasce no egoísmo.

Navegando na História, podemos encontrar casos que demonstram a ideia de que a prioridade individual é sempre inimiga do bem comum. Viver em comunidade nos remete ao dever de partilhar, além de nossas virtudes, também as nossa fraquezas, e isso é algo que somente os “fortes” fazem. Afinal, é mais fácil escondê-las que lançá-las a mostra.

Novamente proponho que devemos nos apegar à inspiração, e digo que, se o que vem de Deus é posto e chamado de inspiração, talvez seja exatamente o que nos falte. É preciso brotar de dentro de cada um a inconformidade com a atual situação de divisão entre os homens. É hora de nos despirmos da ideia que nos assola de acharmos que somos senhores de nós mesmos e que um dia não dependeremos de ninguém, pois alcançamos o suficiente para nossas vidas. Sugiro que paremos, olhemos à nossa volta e, depois de um breve silêncio, gritemos bem alto para que todos escutem: “Eu preciso de você, você me faz falta, eu perco cada vez que o passo é dado na direção contrária ao trilho”.

Alguém pode achar isso muito difícil de dizer, uma utopia, uma esperança ingênua, não sei. Acho que pode ser uma simples inspiração. Inspiração que tem sua fonte no amor de Deus.

Que Jesus seja exemplo, que Deus seja a base e que nós sejamos as experiências bem sucedidas, confirmadoras da eficácia que tem a prática do amor que vem de Deus, nosso Senhor.

Por, Israel Boniek Gonçalves.

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