O adultério na Antiga Aliança

Por que os polígamos não eram considerados adúlteros na Antiga Aliança?

O adultério na Antiga AliançaO tema poligamia é complexo e de escassa literatura teológica versando sobre a violação da monogamia, contrariando a originalidade da sagrada união de um homem e uma mulher, como se lê em Gênesis 2.24. O primeiro registro bíblico tratando dessa violação está em Gênesis 4.19, citando Lameque, que tomou para si duas mulheres, prova que a natureza pecaminosa, desde a queda, se opõe aos princípios idealizados por Deus para o casamento. A civilização formada pelos descentes de Caim e Abel foi destruída pelo dilúvio, resultado da desordem moral como consequência da multiplicação da maldade sobre a terra, incluindo a banalização do matrimônio,conforme foi citado por Jesus em Mateus 24.37,38.

Concomitante como crescimento da raça humana pós diluviana, e na proporção que se formavam as nações, proliferaram os mesmos sintomas de desordem social, surgindo novamente a poligamia na conformação das clãs, conjunto considerado familiar, vinculado a um anterior consanguíneo, que se organizavam em núcleos acomodados no habitual do respectivo ambiente, deduzindo-se, portanto, que os povos antigos absorviam, empíricamente, esse costume, posteriormente regulado no Código de Hammurabi e em outros tratados. Por ausência de normas divinas punitivas, nas dispensações anteriores, alguns polígamos são mencionados no Velho Testamento, visto que, culturalmente, não era considerado adultério o homem ter mais de uma mulher, senão quando mantinha relacionamento sexual com a esposa de outro, a exemplo de Davi, casado com oito mulheres, e reprovado como adúltero no seu relacionamento com a então esposa de Urias.

Provavelmente o patriarca Abraão, natural de Ur dos caldeus, tenha herdado o costume de seus antepassados em relação ao casamento, pois além de Sara, esposa e mãe de Isaque, teve um filho com a serva Hagar, outros filhos com as concubinas, e no casamento com Quetura, após a morte de Sara, seis filhos (Gênesis 16.1 e 25.1-6), o mesmo acontecendo com Jacó, que por amor a Raquel, aceitou se casar primeiro com Lia, além de coabitar com as servas de ambas as esposas, de cujas mulheres nasceram os doze patriarcas (Gênesis 29.26-28 e 36.22-26). A poligamia foi prescrita de forma obscura por Moisés (Deuteronômio 21.15-17), e praticada em Israel da época dos juízes amonarquia (Jz 8.30 e 2Cr 24), não constando reprovação divina para o fato durante o período, por mais estranho que isso nos pareça. A premissa divina para o casamento monogâmico foi reestabelecida na nova aliança, conforme declarou Jesus: “no princípio, o Criador fez macho e fêmea e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne”, se constituindo doutrina para a igreja, conforme escreveu o apóstolo Paulo: “por causas da prostituição, cada um tenha sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido” (Mateus 19.4,5 e 1 Coríntios 7.2). A instituição do casamento é tão sublime no ideal de Deus, a ponto de ser comparada com Cristo e a Igreja; portanto, nessa dispensação da graça a poligamia é adultério, imoral e pecaminoso.

Por, Kemuel Sotero Pinheiro.

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