Não intimidados com o edito do rei

Desde que chegou à Babilônia, o profeta Daniel passou a ser alvo de seus inimigos, mas aos 85 anos de idade, o veterano estadista ficou mais próximo da morte como nunca antes. O império babilônio já havia sido conquistado pelos medos e persas. Um antigo relato daqueles tempos afirma que o general persa Ugbaru ordenou aos seus soldados que cavassem uma trincheira com o objetivo de desviar o curso do rio e assim baixar as águas do Rio Eufrates, uma vez que o rio corria pelo meio da capital. As águas rasas permitiram que as tropas ao redor invadissem a cidade por meio do canal sob as altas e fortes muralhas que a protegiam. O rei Belsazar, sua guarda e outros integrantes de seu séquito foram mortos em 16 de outubro de 539 a.C.

Um novo império nascia e o novo soberano escolheu Daniel para exercer o eminente cargo de “governador” (Daniel 6.2) e assistir o rei como seu vice-regente, neste caso o governante era Dario. A honra conferida a um estrangeiro com a sua conduta irrepreensível logo despertou a inveja de inimigos que logo tramaram esquemas macabros para eliminá-lo.

Aqueles homens investiram tempo em suas reuniões para descobrir uma maneira de comprometer Daniel diante do rei Dario, até que chegaram a um consenso: a resposta seria em forma de um edito, sacramentado com o sinete de Dario. O documento seria a arma ideal para dar cabo daquele representante de Deus na Babilônia.

Mas assim que Daniel soube do edito e as suas inevitáveis consequências, o veterano profeta não se intimidou, ele foi para casa e seguindo um costume inspirado na oração proferida pelo rei Salomão quando da inauguração do templo em Jerusalém (1 Reis 8.46-50; 2 Crônicas 6.36-39), ele abriu as janelas para a direção da cidade santa, a seguir dobrou os joelhos, orava e dava graças a Deus. Os desdobramentos da “transgressão” do profeta o conduziram à presença de Dario e, de lá, ao castigo: a cova dos leões para ser devorado. O que restou ao monarca dizer ao amigo sentenciado foi o comovente lamento: “o teu Deus a quem continuamente serves, que Ele te livre” (Daniel 6.16b).

Inserido em um ambiente idólatra e corrupto, cercado de inimigos a sem ter a quem recorrer, o idoso estadista nada mais podia fazer se não manter a sua fé no Criador e obter a ajuda necessária. Este episódio faz lembrar os dias de cativeiro do pastor iraniano-americano Saeed Abedini. Ele visitava o país natal em 2012 e acabou no cárcere acusado de apostasia. Segundo o pastor, foram momentos terríveis. O ex-prisioneiro afirma que era constantemente pressionado física e psicologicamente para negar a fé, mas ele disse que “a cada dia, por horas e horas, às vezes mais de 20 horas, só orava. A melhor coisa que eu podia fazer ali era orar”, confessou em uma entrevista após a sua soltura em janeiro. O “edito do rei” havia baixado sobre a sua cabeça, mas o pastor conservou a sua maior riqueza: a fé.

Hoje a situação não é diferente, ainda existem situações que preocupam e acabam por comprometer a confiança do crente em seu Deus. Apesar das circunstâncias, você ainda consegue “abrir as suas janelas” para orar? A sua frequência aos cultos continua a mesma? A sua devoção ao Senhor continua inalterada? Algo mudou em sua vida? Daniel conhecia bem as implicações de sua “desobediência”, mas permaneceu firme em seus propósitos.

Preste atenção! O “edito do rei” não pode alterar a sua comunhão com Deus. A Bíblia revela que o profeta cultivava o hábito de orar em sua residência (Daniel 6.10b). Embora ameaçado, ele continuou a acreditar no poder de Deus. Atualmente, com a rápida degeneração moral do ser humano, manter uma postura impoluta é um desafio, mas este desafio é lançado e cabe a cada cristão assumir a sua responsabilidade em não ceder a tentação.

Em sua juventude, Daniel praticamente foi obrigado a se alimentar das mesmas iguarias consumidas pelo rei Nabudonozor, e do vinho que ele bebia. O rapaz via diante de si uma mesa posta. A lógica do Maligno é “proibido proibir”. O homem pode utilizar o seu livre arbítrio para escolher, mas o crente pode abdicar do banquete servido pelos demônios. O próprio Senhor Jesus Cristo foi tentado a “sentar-se à mesa”, mas a resposta do Filho de Deus ainda hoje ecoa pelos séculos: “nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus” (Mateus 4.4).

O “manjar do rei” não somente contamina, a iguaria “vicia” de modo a manter o homem prisioneiro de seus desejos mais íntimos. Evite a “mesa de Nabucodonozor”. O jovem optou por se alimentar de legumes e água (Daniel 1.12). Iguaria simples, praticamente sem sabor, mas que o manteve longe do pecado. O despenseiro do rei objetou diante do desafio lançado por Daniel, mas ao final do processo a Bíblia afirma que o jovem e seus três amigos apresentavam aparência melhor do que a dos outros rapazes que haviam provado das iguarias do banquete do rei. Evite o pecado, porque uma vez “ingerido”, fica mais difícil abandoná-lo.

O jovem Sansão havia nascido para cumprir a missão de libertar seu povo da opressão dos filisteus. Ele foi educado para temer ao Senhor e honrar o seu nome com as suas façanhas, no entanto a sua disposição em ser “politicamente correto” com os inimigos o levou diversas vezes a “cruzar a fronteira” entre os dois países. Mas teve um dia que Sansão não mais voltou, isto porque ele havia caído prisioneiro dos inimigos que vazaram seus olhos e o transformaram em divertimento, além de motivarem os filisteus renderem graças a Dagom, seu deus nacional. Quão terrível a conduta do crente servir de motivo para que o pecado seja “glorificado”.

O que tem dificultado a sua fidelidade ao Senhor? A enfermidade, o desemprego, o pecado oculto, a corrupção ou a desesperança? Siga em frente e confie no Senhor porque Ele conhece as necessidades e fraquezas do homem e sabe como ajudá-lo (Salmos 37.5,6).

Por, Eduardo Araújo.

image_printImprimir

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Google Translate »