Misticismo não é espiritualidade

Hoje em dia observamos a disseminação de vários modismos estranhos às Sagradas Escrituras nas igrejas, e que tem preocupado as lideranças evangélicas no Brasil. Dia a após dia surgem grupos e pessoas propondo práticas extrabíblicas que ameaçam o equilíbrio doutrinário da igreja. Um misticismo que nada tem de bíblico tem tomado proporções nas igrejas e seu significado nada mais é que uma mistura de figuras, objetos e símbolos pinçados do Antigo Testamento, devidamente espiritualizados, e transformados em “proteções” semelhantes às usadas pelas magias pagãs. As magias pagãs estabelecem como pontos de contatos objetos tais como amuletos, talismãs, patuás, cristais, pedras e coisas para “proteção”. Este tipo de misticismo manifesta-se no meio evangélico e especialmente pentecostal da seguinte maneira:

a) Experiências antibíblicas: as mais diversas: sapateado, gesticulações simbólicas, imitações de animais, “cair no poder de Deus”, etc.

b) Gírias “pentecostais” – “Tá amarrado”, “varão de fogo”, “varoa de guerra”, “canela de fogo”, “mistério de papai”, “desenrola o rolo”, etc. Isto serve para demonstrar um certo ar de superioridade, de espiritualidade, de certos mistérios divinos que somente alguns conhecem.

c) Doutrinas estranhas as doutrinas bíblicas – Exagero na batalha espiritual e obsessão por demônios; maldição hereditária (quebra de maldição de nomes, de palavras, etc.); demarcação de territórios e triunfalismo; cristianismo judaizante; cobertura espiritual por apóstolos, etc.

d) Uso de “amuletos cristãos” – Oração em montes com mais valor que em outros lugares, uso adorativo de objetos vindo de Israel, objetos ungidos (roupas, documentos, água).

Sem contar que na igreja de hoje existem muitos enganos sobre como a adoração que deve ser oferecida a Deus, há exemplos de pastores ou líderes de louvor chegam a vestir-se de super-herói, e jovens são estimulados a pularem e dançarem como se estivessem em um show. Grupos de louvor que prezam mais o estilo que o conteúdo se multiplicam nas igrejas.

Estas coisas são do agrado de Deus? Temos adorado ao Senhor da maneira correta?

Diante de tantas inovações e modismos litúrgicos que invadem as nossas igrejas a pergunta que os crentes mais novos fazem é “o que é o pentecostalismo genuíno?” Ainda que muitas congregações estejam eivadas de modismos, muitos deles antibíblicos, a Assembleias de Deus é uma igreja evangélica e pentecostal. E uma legítima igreja pentecostal não negocia sua fé bíblica, entendendo que aquilo que não puder ser provado pela Escritura, ou deduzido de uma forma legítima da Escritura, deve ser rejeitado e colocado fora da nossa vida, da nossa Igreja e da nossa prática de ministério.

O mesmo se percebe quanto boa parte das pregações de viés psicológico e de auto-ajuda. Onde está a Cruz em nosso meio? Os grandes temas e mensagens de hoje são: “Você pode!”; “Você tem poder!”; “Você faz e acontece!” O homem, mediante fé na fé, que obriga Deus a agir. O sangue de Jesus virou uma confissão positiva-mágica, para ser usada antes de um tá amarrado! Assim, o sangue de Cristo não purifica mais todo o pecado, mas virou palavra de ordem para amarrar o pecador. Como dizia o pregador C. H. Spurgeon, há muitos anos atrás: “A apatia está por toda à parte. Ninguém se preocupa em verificar se o que está sendo pregado é verdadeiro ou falso. Um sermão é um sermão, não importa o assunto”. Esta ainda é infelizmente a realidade de muitas igrejas em nosso século.

Quando uma igreja desconhece o que as Escrituras ensinam sobre a obra do Espírito Santo e especialmente o uso dos dons espirituais o surgimento de coisas estranhas é muito grande. Não é pecado saltar de alegria, mas com certeza não é correto transformar essa prática em uma regra. Decência, ordem, equilíbrio e sobriedade não destoam do Movimento Pentecostal. Lembre-se do que Paulo alista como elementos do culto: “um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo com decência e ordem” (1 Coríntios 14.26).

Muitos irmãos confundem emocionalismo com avivamento. Nós como cristãos pentecostais cremos na ação direta do Espírito Santo, que com certeza afeta as emoções, sem, contudo, descambar no emocionalismo. O Espirito Santo cuida das coisas espirituais (1 Coríntios 2.13), e o que é espiritual embora seja emocionante não se limita a mera emoção. Paulo ensinou que o culto é racional (do grego λογικοςlogikosou seja, lógico, racional e sensato, nada tem a ver com racionalismo, mas antes com um culto que responde de maneira adequada e coerente a misericórdia de Deus em Cristo), além disso diz o apóstolo Paulo que é um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Romanos 12.1).

Um culto legitimamente pentecostal

Um culto legitimamente pentecostal preconiza que “o que não for diretamente ensinado na Sagrada Escritura, ou necessariamente inferido (ou seja, induzido) do seu ensino deve ser evitado no culto”. Deus não tem prazer em um culto onde imperam as inovações humanas, por mais contemporâneas e razoáveis que possam parecer (Mateus 15.9). As Escrituras definem o culto pentecostal realmente aceitável a Deus:

a) O culto pentecostal é racional (Romanos 12.2).

b) O culto pentecostal tem ordem (1 Coríntios 14.40).

c) O principal propósito do culto pentecostal é glorificar a Deus e edificar a igreja (1 Coríntios 14.26).

d) O culto pentecostal é aquele em que os dons espirituais, quando exercidos segundo as regras estabelecidas pela Palavra de Deus, não causam desordem ou bagunça (1 Coríntios 14.29-33);

e) o culto pentecostal é dinâmico e caracterizado pela liberdade, mas existe uma liturgia (1 Coríntios 14.26). O culto é oferecido ao Senhor por homens guiados pelo Espírito de Deus, porém oferecemos seguindo assim uma ordem (liturgia).

f) O culto pentecostal é oferecido segundo a vontade revelada na Bíblia Sagrada (Deuteronômio 12.32; Mateus 4.9-10; João 4.23-24);

Como reconhecer o trabalho do Espírito Santo de Deus

Alguns critérios nos auxiliarão:

O fim principal do trabalho do Espírito é a Glória de Deus. Cristo, cheio e liderado pelo próprio Espírito, assim especificou – João 4.34; 5.19; 5.30; 5.43; 6.38; 17.4. No que dizem respeito aos demônios, estes procuram a auto adoração e a própria glorificação. Não é esse o desejo de muitos pregadores de hoje?

A suprema autoridade do Espírito é a Palavra de Deus: Deuteronômio 29.29. Demonstrar mais estima e procura por “revelações ocultas” do que pela revelação bíblica, é um insulto ao Deus todo-poderoso, que nos criou em amor para que o adorássemos e o servíssemos. (Salmos 19.7; 119.130; Provérbios 1.1,4; Efésios 3.1-2,4; Deuteronômio 4.2; Deuteronômio 12.32; Provérbios 30.5-6; Apocalipse 22.18-19; Mateus 15.3-6; Marcos 7.5-7; 1 Timóteo 4.1-2). A mensagem principal do Espírito é o Evangelho de Deus (Atos 1.2.8).

Por, Paulo André Barbosa.

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