Missões: compartilhando o que recebemos

Missões - compartilhando o que recebemosA partir do momento que entregamos nossa vida a Jesus, a mesma passa a ser dEle. Paulo estava consciente disso quando disse: “Já estou crucificado com Cristo e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo, na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim (Gálatas 2.20). Nossa vida, que antes servia ao mundo, ao pecado e ao nosso ego, agora passa a ser instrumento de proveito no Reino de Deus e de Cristo.

Uma vez purificado, liberto e transformado numa nova criatura, sentimo-nos devedores de comunicar as boas novas a todos os que permanecem fora dessa maravilhosa graça de Deus.

Quando o profeta Isaías recebeu a revelação da glória de Deus, sentiu o peso do pecado na sua língua e receou perder a sua vida. Mas Deus mandou um querubim queimar e purificar os seus lábios com uma brasa do altar. Depois desse feito, o Senhor perguntou quem iria às nações falar contra os pecados dos homens e mostrar a Sua salvação. E Isaías tendo recebido os benefícios de Deus, logo se prontificou: “Eis-me aqui, envia-me a mim”. O profeta sabia que ia enfrentar um povo rebelde contumaz e violento (segundo a tradição judaica Isaías morreu sendo serrado pelo meio). Mas o benefício de perdão divino foi por ele considerado a maior dádiva, de modo que não teve por preciosa a sua vida e seu futuro aqui no mundo. Quando será que os crentes beneficiados pelo perdão vão se apresentar voluntariamente a Deus e à Sua obra para servi-lO de coração por toda a sua vida?

O autor da carta aos Hebreus deixou registrado que “pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó, escolhendo, antes, ser maltratado, com o povo de Deus, do que, por um pouco de tempo, ter o gozo do pecado. Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo, do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa. Pela fé, deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível” (Hebreus 11.24-27).

Que testemunho extraordinário para os que estão sendo envenenados na sua alma com a teologia da prosperidade; onde a verdadeira conquista é uma vida cheia de benefícios materiais, estabilidade financeira, onde a ocupação na adoração a Deus em espírito e em verdade é trocada por uma busca desenfreada por dinheiro. Moisés teve por maiores riquezas a entrega de sua vida à obra de Deus para a qual foi vocacionado desde o ventre de sua mãe. Deixou toda a sua estabilidade, herança e riqueza para cumprir sua missão.

Missões e a responsabilidade de anunciar as bênçãos que temos recebido

Em 2 Reis 7, os quatro leprosos, depois de serem surpreendidos com a oportunidade livre no arraial do exercito dos sírios, encontrando nas suas tendas toda sorte de alimento e suprimentos, depois de estarem fartos, se deram conta que a multidão dentro dos muros da cidade de Samaria estava morrendo de fome. Eles não podiam se calar porque seu silencio resultava em angustia, sofrimento e morte (2 Reis 7).

Anteriormente aqueles leprosos estavam em estado deplorável. Adiante estava o exército inimigo que representava a morte. Eles definhavam na porta da cidade do lado e dentro da cidade as pessoas comiam tudo o que restava; uma cabeça de jumento custava uma fortuna. Um cabo sujo de excremento de pombo, ninguém podia comprar porque já não tinha. Então aqueles quatro leprosos decidiram partir para onde encontrariam fartura, mesmo que custasse a própria vida deles. Dessa forma, o Senhor Deus confirmou a coragem, ousadia e determinação daqueles homens e efetuou um milagre ao transformar aquelas fracas e dolorosas caminhadas em tropel de cavalos fazendo os soldados inimigos suporem que se aproximavam muitos exércitos das nações atacando-os. Os sírios abandonaram seus pertences no acampamento, tal a agonia para salvar a vida da morte iminente. Foi quando os fracos leprosos chegaram e se surpreenderam com a fartura nas mesas dos militares sírios.

Assim foi a vida de muitos crentes. Eles estavam em estado deplorável, ameaçados pelo inimigo das suas almas, rechaçados pela sociedade e em estado de solidão interior, mas tiveram forças e partiram para “Casa do Pão”, que é a igreja, e se encontraram com o “Pão da Vida”, que é nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, e se fartaram da presença de Deus, da comunhão com os irmãos, do ambiente seleto do conhecimento da Palavra de Deus e da grandiosa esperança de habitar na gloriosa Casa do Pai Celestial. A atitude dos leprosos deve ser também a nossa atitude, já que fomos conduzidos milagrosamente pelo Espírito Santo (João 16.8,13).

Quando o ser humano tem a devida consciência da aceitação da parte de Deus (João 15.16) e o perdão dos pecados que recebeu, o que gerou uma nova vida, dessa forma também deve existir uma sincera e fiel entrega à obra missionária, com uma vida totalmente entregue para Deus. “O vento assopra onde quer, e ouve a sua voz; não sabe de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito” (João 3.8). Então surge o compromisso espiritual e o dever de cumprir a vontade de Deus. Certa feita, o apóstolo Paulo disse: “mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do Evangelho da graça de Deus” (Atos 20.24).

A Missão não pode ser encarada como uma aventura, nem para gerar status para uma igreja, pelo fato de ela ser reconhecida como igreja missionária, mas é o dever de todo cristão cumprir a grande responsabilidade para com os de nossa geração. Temos o dever para com a nossa geração de alcançá-la com a mensagem do Evangelho (Lucas 11.31). Esta é nossa geração e também a oportunidade de semear a Palavra. O Senhor Deus vai nos pedir conta dessa responsabilidade. Paulo se sentiu livre desse julgamento, na sua geração quando ele disse: “como nada, que útil seja, deixei de vos anunciar, e ensinar publicamente e pelas casas, testificando, tanto aos judeus como aos gregos, a conversão a Deus e a fé em nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, no dia de hoje, eu vos protesto que estou limpo do sangue de todos. Porque nunca deixei de vos anunciar todo o conselho de Deus” (Atos 20,20, 26, 27; 1 Coríntios 9.22-25).

Família motivada à Missão

Poucos são os pais que oram e desejam que seus filhos sejam missionários; que demonstram interesse pelas almas e dão exemplo de entrega e dedicação ao Evangelho de Cristo. Antes, metem seus filhos em exaustivos cursinhos, até aos domingos, privando-os de servir a Deus e ter tempo para estarem “enturmados” com os jovens na igreja, e se dedicar à oração e aos estudos e meditação na Palavra da verdade. Estes pais não se dão conta que todo investimento com as coisas do mundo não são de maior importância, são palhas que brevemente o vento espalhará (Lucas 12.20), mas servir a Deus é entesourar para a vida eterna (Marcos 10.28-30).

Meus filhos, desde criança recebiam incentivos sobre Missão, sempre tínhamos algum exemplo da obra missionária para ensiná-los. Quando partimos para Missão em Córdoba, na Argentina, embora o “pueblito” (apenas 4,5 mil pessoas) que fomos morar, as dificuldades de água e o frio cortante que enfrentamos, revelaram meus filhos André, Filipe e Túlio como grandes ajudadores. Hoje, dois são pastores e o outro cooperador. Também quero destacar que fomos bem assistidos enquanto trabalhamos na Argentina. O amado pastor Túlio Barros (in memoriam), não só nos enviou ao campo missionário como também assumiu toda a responsabilidade.

A força do testemunho

O pastor da igreja tem grande responsabilidade na grandeza da obra missionária. Ele deve ter visão da obra e saber o lugar da carência. O pastor deve destacar o obreiro que reúna as seguintes capacidades: voluntarioso, conhecedor da Palavra de Deus, fiel à doutrina e aos bons costumes (modo de viver) (2 Timóteo 3.10). Não que o missionário vá ensinar os costumes sociais do povo brasileiro, mas orientar as pessoas quanto à conduta pautada na moral para que o convertido se torne justo e santo.

O missionário deve estar preparado para realizar toda boa obra. Eu escutei de um missionário que pensava em pregar… A frente da casa dele estava tomada de mato, e quando foi arguido sobre o cuidado com a sua casa ele disse que não foi enviado para cuidar de quintal, mas antes ganhar as almas. Sendo que as almas não se ganha somente com palavra, mas com bom testemunho. Na obra missionária, a graça e o testemunho devem chegar primeiro, e depois a Palavra. Uma vida totalmente entregue nas mãos do Senhor resulta em um proveitoso trabalho.

Por, José Edson de Souza.

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