Israel, nação preciosa aos olhos de Deus

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Israel, nação preciosa aos olhos de DeusUma leguminosa espessa e larga deita sobre o chão suas sementes. A Ceratonia Siluqua, mais conhecida como alfarroba, tem vagens com cerca de 10 a 25 centímetros cada uma, de interior carnudo e adocicado, o que faz delas um petisco agradável aos cães famintos e aos porcos. A indústria alimentícia também já descobriu, na escuridão da massa interna da desprezada planta uma iguaria que hoje é vendida em forma de pó, barras e bombons a preços nada acessíveis. Seu sabor, semelhante ao do cacau, atrai principalmente pessoas que buscam opões para lanches infantis ou para alimentação de pessoas sensíveis ao chocolate ou ao leite, costumeiramente adicionado. De comida de porcos a item de lojas especializadas, a alfarroba teve, por fim, seu valor nutricional e sabor reconhecidos.

A família legumisae, à qual, tecnicamente, a alfarroba pertence, guarda segredos em forma de sementes. A vagem, semelhante a uma comprida caixa de joias, esconde “pérolas” enfileiradas – no caso da alfarrobeira, 10 a 16 sementinhas de cor parda – os Kilates. Duras, difíceis de serem mastigadas, provavelmente eram desprezadas pelos animais, embora eventualmente engolidas na urgência da fome.

Numa escala de valores, estamos tratando de um nível bastante baixo de consideração, para aquém do alimento do rei, do nobre, do militar, do trabalhador comum, para aquém da refeição digna de ser servida a um ser humano, para aquém da alimentação dos animais mais caros a uma família do Antigo Oriente, chegando ao estrato inferior, aos cães andarilhos e aos porcos imundos. Mesmo o pródigo em sua extrema situação de necessidade, inda que tenha desejado comer do interior das vagens, dificilmente teria ingerido suas sementes.

A diferença no valor dado às coisas e às pessoas varia não somente no tocante ao seu valor intrínseco, mas ao valor atribuído por quem as avalia. Passasse um joalheiro por uma alfarrobeira carregada e, certamente, olharia para o chão. Nele, com ajuda de Deus, quem sabe poderia encontrar algumas sementes, que recolheria e carregaria com ele. Cada uma daquelas esferas tornar-se-ia, então, ferramenta de trabalho. No bolso do joalheiro, a partir daquele momento, jaziam preciosas auxiliadoras.

No decorrer da Antiguidade Oriental e Europeia e até a Idade Média as sementes de alfarroba eram as preferidas por seu pouco peso e pela sua uniformidade (até que se descobrisse, com o uso de modernos aparelhos, a variação que há entre elas, pensava-se que todas pesassem igualmente) para medição. Uma semente de alfarroba tem 0,205 gramas e seu peso é o que, até hoje, denominamos kilate, em inglês carat. Com elas eram pesadas as pedras e metais preciosos. O termo cunhou a unidade de medida da pureza do ouro. A variação de pureza deve-se à presença de ligas metálicas, a saber, cobre, prata, zinco, níquel e cadmio no caso do ouro amarelado, e das ligas que utilizam o paládio, com o uso do ródio para acabamento, no caso do ouro branco. Considerando a quantidade de ouro e das ligas na composição final é que chegamos às variações comumente chamadas de ouro 16, 18, 19.2, 22 quilates (o termo, quando escrito com a letra “k” justifica a notação da unidade de medida). Quanto ao ouro 9999 ou 24k, o ouro puro, sem presença de outros metais, por sua maleabilidade torna-se impróprio para o fabrico das joias – não há referência, portanto, que possamos fazer entre a estrutura do ouro terrestre e o celestial, aquele puro e resistente a ponto de ser o material com que são calçadas as ruas da Cidade Santa, da gloriosa Jerusalém.

De um lado, na balança do joalheiro, uma peça de metal nobilíssimo. Do outro lado, sementinhas encontradas no chão, talvez, algumas, nossa imaginação considera, desprezadas por algum animal… Quem vale mais, no ato de medir, aquilo que é medido ou aquilo que mensura? Para o comprador da joia, certamente o metal se sobressai em valor. Mas a joia nada seria se não fosse avaliada. O outro seria destituído de seus valiosos quilates não fosse certificado por quem e por aquilo que fez sua medição.

Aquele que, por bondade ou curiosidade acompanhou estas linhas até aqui já entendeu de que tratam as palavras que tentam, através do uso de metáforas, suavizar a dureza dos acontecimentos. Inflexivelmente desprezada pelo Brasil, a pessoa indicada por Israel como seu representante entre nós foi, após uma espera incomum nos meios diplomáticos, enviada para os Estados Unidos, onde atuará na cidade de Nova York. A recusa deveu-se a posições ideológicas, fator normalmente irrelevante quando uma nação apresenta um nome de embaixador. Dayan é defensor dos assentamentos de colonos em Israel, segundo o entendimento que tem de que a Terra pertence aos filhos de Sião, sendo, ele próprio, morador em uma das colônias, equivocamente chamada por alguns de “território ocupado”.

No desejo de assumir posição dita “politicamente correta”, muitos aplaudiram o caso como ato de isenção política, quando, na verdade, repercute e reforça diante da comunidade das nações a postura contrária a Israel assumida pelo governo do Brasil nos últimos anos. Sem pretender qualquer análise política ou econômica sobre o atual estado em que se encontra nossa nação, seria ao menos conveniente lembrar que o valor que atribuamos ou não a Israel não anulará o valor a ele atribuído por Deus, Aquele que tem o poder e detém a autoridade para medir e atribuir, cujos olhos derretem o ouro e descobrem as ligas mais agarradas, desfazendo a aliança entre os metais em suas formas ainda moleculares, para purificar, pelo fogo, resgatando a pureza e o brilho. Quanto ao desprezado, torna-se unidade de medida, não pelo valor que tenha em si mesmo, mas pelo que lhe outorgou o Joalheiro. O Brasil cometeu um erro de avaliação. Todos, eventualmente, cometemos, mas é tempo de medir melhor, portar melhores e mais idôneas ferramentas, observar, escolher, decidir. Que o façamos mais acuradamente do que aqueles que apenas guardam o interesse no ventre e na satisfação imediata da fome. Olhemos como quem pesará joias. Olhemos com os olhos de Deus.

Por, Sara Alice Cavalcanti.

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