Funções e desenvolvimento da profecia no Antigo e Novo Testamentos

Funções e desenvolvimento da profecia no Antigo e Novo Testamentos“Importa que profetizes outra vez…” (Apocalipse 10.11). Essa parte da visão de João lembra Ezequiel 2.9-3; 3.3. Como no caso de Ezequiel, o comer o livro causou tanto doçura como amargura, um fenômeno devido ao misto de bênção e ais a serem pronunciados, à doçura de proclamar obedientemente o que é amargo.

No Antigo Testamento, um oráculo profético ou mensagem transmitida ao povo era entendida como um “peso” sobre a alma do profeta até que ele pudesse pronunciá-lo (Isaías 13.1; Habacuque 1.1; Zacarias 9.1 etc). O termo do Novo Testamento é a palavra grega “propheteia”, que pode referir-se a uma atividade profética ou a profetizar (Apocalipse 11.6a), ao dom de profecia (Romanos 12.6; 1 Coríntios 12.10) e a declarações proféticas (Mateus 13.14; 1 Tessalonicenses 5.20; 1 Timóteo 1.18).

Funções da profecia

A profecia tem uma abrangência muito grande em várias áreas. Por isso, preferimos destacar duas funções dela, que são:

1) Prenunciar – Os profetas foram os primeiros de todos os prenunciadores e porta-vozes de Deus. Daí destacamos Abraão. Quando anunciou a aliança que Deus havia feito com ele a respeito da sua semente, ele foi um profeta (Gênesis 12.1-3). Moisés, que foi o maior de todos os profetas, que recebia diretamente a Palavra de Deus e a transmitia para Arão, que era o seu porta-voz (Êxodo 7.1, 2), é outro exemplo. Todos aqueles que agem na função de proclamar a Palavra de Deus são seus porta-vozes. Nesse sentido, o crente do Novo Testamento pode profetizar quando está diretamente habilitado pelo Espírito Santo.

2) Profetizar – Embora nem todos o fizessem, muitos profetas previam o futuro. Abraão, por exemplo, transmitiu a Isaque e seus descendentes a profecia sobre Israel, que revelava a promessa da Primeira Vinda de Cristo como sua semente (Gálatas 3.8, 16). A Davi também foi revelada a aliança pela qual a sua “casa” ou dinastia duraria para sempre (2 Samuel 7.16), profecia proferida pelo profeta Natã.

Desenvolvimento

Na Bíblia Sagrada, a profecia inicia-se através da declaração feita em Gênesis 3.15, pertencente à primeira linha profética que anuncia a Primeira Vinda de Cristo como Messias sofredor e sacrificial. “Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3.15) – Aqui há uma sugestividade natural nessa figura empregada. A serpente mata ferindo o calcanhar do homem, mas o homem destrói a serpente ferindo-lhe a cabeça. A sentença divina ultrapassa o animal (serpente) e atinge o próprio Diabo. Essas palavras proclamam que a vitória está do lado do homem. Visto que foi o homem que foi vencido, assim será o homem que efetuará o triunfo. Somente em Cristo, “a semente da mulher”, é que essa vitória pode ser realizada (1 João 3.8).

Esse texto de Gênesis 3.15 contém ainda a primeira promessa implícita do plano de Deus para a redenção do mundo. Prediz a vitória final da raça humana contra Satanás e o mal. É uma profecia de conflito espiritual entre a “semente” da mulher (o Senhor Jesus Cristo) e a “semente” da serpente (Satanás e seus seguidores). Deus promete aqui que Cristo seria ferido ao ser crucificado porém ressuscitaria dentre os mortos para destruir completamente Satanás, o pecado e a morte para salvar a humanidade (Isaías 53.5; Mateus 1.20-23 etc.).

No Novo Testamento, Cristo representa a concretização da profecia como o Messias sofredor que se sacrifica, e também como profeta em seu plano direto (Lucas 24.19). O Senhor Jesus anuncia que o Reino de Deus está às portas, e fala de sua dinâmica existência durante a Era da Igreja nos corações daqueles que o aceitam como Seu salvador.

“Eis que sedo venho. Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro” (Mateus 22.7).

Por, José Antônio dos Santos.

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