Família: um sistema em constante ebulição

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Família -  um sistema em constante ebuliçãoO sistema família envolve as relações recíprocas entre os seres humanos e seu meio moral, social e econômico. Inclui o espeço físico em que a família vive e se movimenta, fazendo ligações com outros sistemas e subsistemas. É possível que dois elementos façam ligações com sistemas diferentes ao mesmo tempo. Um casal pode estar conversando, enquanto cada cônjuge está fazendo conexão emocional com seu próprio sistema de origem. Um casal pode ter o aval da igreja e um contrato civil que os autorize a fazer sexo e determine que cumpram outras obrigações como compartilhar a criação dos filhos e prestar assistência um ao outro. Existem casais assim. Mas, na verdade, eles não têm um casamento.

Casamento é aquele que respeita os critérios definidos na Bíblia: deixar seus respectivos sistemas, criar um novo sistema com fronteiras próprias, fronteiras essas nem tão rígidas que impeçam os contatos necessários, nem tão frouxos que invadam outros sistemas e sejam por estes invadidos. Entre os sistemas com os quais a família faz ligações podemos citar as famílias de origem e também igreja, escola, locais de trabalho, ambientes de lazer, rua, vizinhos, amigos etc.

O sistema vivencia suas influências mesmo quando algum desses não está presente. “Você está agindo igual a sua mãe”; “você pensa que eu sou sua mãe?” Nesses casos, em momentos diferentes, o casal está sendo emocionalmente afetado pelo sistema parental dos respectivos cônjuges, embora esses não estejam necessariamente presentes.

Casamento auto-sustentável – todo aquele composto por pessoas que conseguem fazer o movimento de ligar e desligar e realizar investimentos mútuos com a frequência necessária à subsistência saudável de todos os elementos do sistema, garantindo inclusive o suprimento das necessidades da geração seguinte. O relacionamento sustentável é capaz de manter-se em crescimento e estável por longo período. Para uma pessoa crescer e se manter saudável, ela necessita de, no mínimo, quatro abraços por dia. E não se trata de qualquer abraço. Precisa ser abraço acolhedor, daqueles que levam a pessoa que o recebe a sentir-se amorosamente acolhida. Outras formas de investimentos emocionais são elogios, críticas respeitosas, orientação, alimentação etc.

Peter Senge, autor de “A quinta disciplina”, elaborou em cinco princípios, as características práticas das pessoas em organizações que se mantêm no mercado em crescimento sistemático. Senge observou que as pessoas que trabalhavam nessas organizações revelavam em seu comportamento cinco principais pontos em comum – domínio pessoal, modelos mentais saudáveis, pensamento sistêmico, crescimento em equipe e visão compartilhada. Doravante vamos analisar cada um desses pontos tendo como foco cada membro da família na relação consigo próprio, com os demais membros da família e os outros sistemas ou subsistemas.

Domínio pessoal – Trata da supremacia em dirigir e governar seus próprios sentimentos, planos, projetos, ações e reações no seu dia-a-dia, inclusive na relação com outrem. No domínio pessoal o indivíduo passa a ser seu próprio maestro e o item de maior importância é o que se refere a seus próprios sentimentos, pois estes estão implícitos nas ações e reações do ser humano. Normalmente, tendemos a atribuir nossos sentimentos às pessoas que nos  rodeiam. São elas que nos fazem ficar com raiva por nos terem ferido. É comum dizermos: “Você me fez ficar com raiva”; “Ah, pobrezinho! Machucou, foi?”. Não precisamos ser comandados pelo outro, tanto quanto aos nossos sentimentos quanto em relação as ações – ou será reações? No seu dia-a-dia, você atua mais agindo ou reagindo?

Não precisa responder. A resposta certa é: se você é uma pessoa bem sucedida, está fazendo o que você gosta de fazer, se relaciona bem com as pessoas em geral, você atua mais agindo do que reagindo. “Quando eu era criança, pensava como menino, sentia e falava como menino” (1 Coríntios 13.11 BKJ – cf. também Lucas 7.32; 1 Coríntios 14.20). Jesus e Paulo sabiam o que estavam falando. Ambos demonstraram ser senhores de suas próprias emoções, não importa o que lhes faziam os homens. As únicas vezes em que reagiram de forma contundente foram para defender o nome de Deus e a Igreja.

Parece que nos esquecemos de crescer em algumas áreas. Alguns de nós temos dificuldade até para expressar nossas emoções. Em compensação, quando temos raiva… Sai de perto! Domínio pessoal ou domínio próprio, como a Bíblia fala, é ensinar a si mesmo a manter no controle as próprias emoções e ações, não importa o que digam, o que pensem ou façam. Mas, não é só isso. É também fazer planos e projetos viáveis, consistentes com as condições pessoais e manter o foco para controlar os fatores intervenientes; e é agir rápido para solucionar eventuais dificuldades e, se necessário, fazer os ajustes sem se desviar do principal. De modo geral, questões financeiras são as que mais frequentemente atrapalham nossos projetos. Manter controle sobre finanças pessoais é fundamental.

A Psicologia utiliza a expressão crença pessoal, enquanto a Administração prefere a expressão modelo mental saudável, desvinculado de crença com aspecto religioso. Optamos por essa denominação pelo mesmo motivo. Nossos modelos mentais podem ser saudáveis ou doentios (positivos ou negativos). Podemos considerá-los como sendo forma de pensar que nos condiciona quanto a acreditar “ou não” em nossa capacidade de construir e mesmo reconstruir nossa própria história de vida. Os seres humanos foram criados por Deus com um grande poder criativo, criatividade essa compartilhada com Ele ao decidir: “façamos o homem à nossa imagem e semelhança” (Gênesis 1.26).

A forma de pensar pode ser observada nos provérbios populares que gravamos em nossa mente e citamos vez por outra. Algumas expressões podem parecer inocentes, mas revelam um negativismo se citados em situações difíceis ou desconfortáveis. É o caso de: “Tinha que ser comigo”; “Logo eu?”. Provérbios como “Quem nasceu tatu, morre cavando” e “Deus ajuda a quem cedo madruga” representam modelos mentais que podem esconder formas de pensar impeditivas ou impulsionadoras. Alguém mais afeito à primeira forma tende a se acomodar em situações de fracasso, enquanto à outra iria à luta, estudando, buscando emprego melhor ou tornando-se empreendedor(a).

Nesse tema ainda há constatações que repetimos sem nos dar conta de que elas têm o poder de reforçar nossos sentimentos e nossas percepções acerca de nós mesmos. Por exemplo: “Não adianta, eu não consigo aprender isso”; “Hoje amanheci triste”; “Hoje levantei com o pé esquerdo. É melhor nem sair de casa”. Expressões como estas refletem uma auto-imagem negativa ou baixa-estima. Elas condicionam nossa maneira de pensar e nossos sentimentos. Todos fomos feitos por Deus. Pode-se dizer que somos diferentes, porém nunca inferiores. Se administrarmos nosso modo de falar e reagir, procurando substituir as expressões negativas por frases mais positivas, podemos mudar esses padrões e mudar nosso pensar. “Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4.13).

Por, Arézia Lessa Cabral.

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