Evangélicos que presidiram o Brasil

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Dos 36 políticos que conduziram o país, dois eram protestantes

Evangélicos que presidiram o BrasilO pastor Donald Stamps, comentarista da Bíblia de Estudo Pentecostal (CPAD), ao tratar da questão do crente e o governo secular, frisa a exortação do apóstolo Paulo na Epístola aos Romanos, de que o governo é uma instituição criada por Deus a fim de manter a ordem e combater o caos gerado pelo pecado (Romanos 13.1-7). Ele lembra que, nesta sociedade caída, é necessária a implementação de leis no intuito de proteger as pessoas da desordem, que é consequência natural do pecado. Apesar de diversas vezes o abuso de autoridade prevalecer na história dos homens, no entanto, o princípio da autoridade é legítimo e não deve ser confundido com a rede de corrupção de políticos sem ética.

A Bíblia Sagrada revela ainda em suas páginas que diversos políticos foram instrumentos de Deus na condução de reinos e governos seculares. São notórias as façanhas de homens como José, que foi nomeado pelo próprio faraó como primeiro ministro do Egito e, orientado por Deus, salvou não somente os egípcios como também os povos circunvizinhos da fome que assolou a região naqueles dias. Também há o relato do próspero reinado de Davi, após o malogrado governo do antecessor Saul; e de Daniel, que ascendeu ao posto de estadista e contribuiu também como profeta e confidente de reis nos impérios babilônico e persa. Portanto, um servo de Deus pode exercer o governo secular e ser bênção para a sua nação. Aliás, há países, como Estados Unidos, que tiveram dezenas de governantes evangélicos.

Por outro lado, o fato de um presidente professar a fé cristã não significa necessariamente a certeza de um excelente governo para a nação. Afinal, há casos na história de governantes que eram cristãos apenas de fachada e que deram muito mal testemunho devido ao seu péssimo comportamento e a algumas decisões. Além disso, um cristão pode ser muito bem intencionado, um crente de verdade, mas não ser talhado para a função a que ascendeu, por não ter se preparado para ela. Ou seja, para ser um bom governante, não basta ser um servo de Deus; é preciso também preparo.

Até mesmo no nosso país, uma nação majoritariamente católica, temos o exemplo de governantes evangélicos; e não apenas governadores de estado, mas presidentes da República. Dentre os 36 governantes do país desde o final do século 19 até hoje, figuram dois homens que foram protestantes: os presidentes João Fernandes Campos Café Filho, que governou o país entre os anos de 1954 e 1955; e Ernesto Geisel, que governou entre 1974 e 1979. Eles tiveram, durante a infância e adolescência, amplo acesso à doutrina bíblica que ajudou-os na orientação de boa parte de suas vidas.

Segundo o professor de História e membro da Primeira Igreja Presbiteriana Independente, Francisco Leandro Duarte Pinheiro, o ex-presidente Café Filho era presbiteriano, tendo recebido uma acentuada herança evangélica. O Evangelho havia chegado ao Rio Grande do Norte pelas mãos dos presbiterianos em 1879. Neste mesmo ano, o reverendo John Rockwell Smith enviou à capital potiguar os colportores Francisco Filadelfo de Souza Pontes e João Mendes Pereira Guerra com o propósito de promover um trabalho de divulgação da Palavra de Deus e distribuição de folhetos evangélicos. Depois, os pregadores e missionários realizaram visitas, e foi nesse período que o protestantismo conquistou seus primeiros fieis em Natal, formando sua primeira congregação. Um dos fatores de extrema importância para aquela igreja nascente foi a conversão de grandes famílias da região, dentre elas a família Café, cujos membros constam devidamente registrados no antigo rol de membros da igreja potiguar.

Consta que o pequeno Café Filho frequentava com os pais os cultos e a Escola Dominical na Igreja Presbiteriana de Natal, na Rua da Conceição, onde ele absorveu as primeiras orientações a respeito da fé cristã. Em 1910, um fato novo precipitou mudanças na sua trajetória na denominação. Naquele ano, João Fernandes Campos Café, juntamente com toda a sua família, decidiu migrar para a Igreja Presbiteriana Independente do Brasil.

“Deste modo, verificamos que, desde a infância, João Café Filho teve uma influência muito forte da sua família no que tange à fé. Seu pai o levava regularmente aos cultos e à Escola Dominical desde quando congregavam na Igreja Presbiteriana Central. Quando passaram a integrar a Igreja Presbiteriana Independente do Natal, João Café foi ordenado presbítero e se constituiu uma das colunas fortes da igreja. Ajudou a fundar e a sustentar a igreja em seus primeiros anos, servindo de exemplo para toda a comunidade de fé, de modo particular, para os da sua casa. Em 1912, ele assumiu um ponto de pregação no Bairro do Alecrim, demonstrando compromisso com a propagação do Evangelho. Em 1913, foi designado representante da igreja no presbitério, o primeiro na história da Primeira Igreja Presbiteriana Independente (IPI) de Natal. Foi também o primeiro tesoureiro eleito da igreja, em 1914. Tais fatos revelam o grau de envolvimento da família Café na vida da igreja, o que, indubitavelmente, encontrou rebatimentos na formação cristã do então adolescente João Café Filho”, comenta Leandro.

Já o ex-presidente Ernesto Geisel, nascido na cidade gaúcha de Bento Gonçalves no dia 3 de agosto de 1908, era luterano. Ele conduziu os rumos do país e administrou o inicio do processo de redemocratização no final do regime militar. Segundo informações extraídas do acervo de Guiomar Beckamann, sobrinho do ex-presidente, o menino Ernesto Geisel era filho caçula de Augusto Geisel e Lydia Beckmann e nasceu durante o deslocamento da cidade de Teotônia para Bento Gonçalves. Como o seu avô, Henrique Beckmann, era pastor luterano na cidade de Teotônia, decidiu registrar o assentamento do neto no livro da Igreja Luterana no bairro da Frank.

“O pai do Ernesto deixou Teotônia por causa de problemas de saúde do filho Bernardo e nesse intervalo nasceu o filho mais novo”, explica o evangelista Ismael Benke, da Assembleia de Deus em Teotônia. “O Augusto Geisel veio do município de Estrela, depois ele e a família se deslocaram para Uruguaiana. O filho deles, Ernesto Geisel sempre pertenceu a Igreja Luterana”, conta o pastor Domingos Floreni Lamberty, líder da Assembleia de Deus em Bento Gonçalves.

Infelizmente, a política tornou-se, para muitos, desonrosa no Brasil por conta dos muitos casos de corrupção que grassam nesses arraiais, mas ela é necessária para a devida condução dos rumos de uma nação e o estabelecimento de leis que a norteiam. O diferencial é o modo como ela é encarada e praticada pelo político.

Se o Brasil um dia terá outro presidente evangélico? Não sabemos e nem a Igreja no Brasil deve ficar preocupada com isso. Precisamos, sim, no que diz respeito ao poder executivo, eleger bons governantes, sejam eles evangélicos ou não; governantes que inclusive, se importem de fato com valores que defendemos como cristãos.

Por, Eduardo Araújo.

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