Evangélicos no governo: conheça os ministros evangélicos de Bolsonaro

Primeiro presidente conservador após redemocratização do Brasil declara que considera o seu mandato como uma “missão de Deus” em favor do país

Neste 1º de janeiro, Jair Messias Bolsonaro, 63 anos, eleito em 28 de outubro de 2018 com 57,8 milhões dos votos (55.13% dos votos válidos), entrará para a história como o primeiro presidente conservador após a redemocratização do país e que assumirá a Presidência tendo o Congresso Nacional mais conservador de toda a sua história. Só na Câmara Federal, como divulgado na edição passada deste jornal, mais de 300 das 513 cadeiras são de parlamentares declaradamente conservadores. Pesquisa CNI/Ibope divulgada em 13 de dezembro mostra também que o novo governo assume com impressionantes 75% de apoio da população.

A onda de otimismo é grande, e isso é muito importante, porque muitos são os desafios que o novo governo enfrentará e que devem ser alvo de nossas orações. Dentre eles, podemos destacar pelo menos cinco como sendo os principais: reformas urgentes a serem feitas na área previdenciária e fiscal; o enxugamento da máquina pública; o combate à corrupção e à violência; uma reforma na educação brasileira; e a diminuição dos problemas sociais, especialmente no Nordeste brasileiro. Se o atual governo conseguir resolver pelo menos metade desses problemas, ele já terá marcado a história de nosso país para sempre.

Não é nada fácil, mas, em um primeiro momento, anima a população brasileira saber que o novo governo assume com ministérios ocupados principalmente por técnicos, especialistas na área, com grande potencial para implementar as mudanças que o país precisa. Inclusive, alguns dos nomes escolhidos para ocupar os 22 ministérios da gestão Bolsonaro são quase que unanimidade no país, como é o caso, por exemplo, do ministro da Justiça, o ex-juiz Sérgio Moro.

E por falar da equipe de governo, vamos conhecer nesta edição do jornal Mensageiro da Paz os “evangélicos do presidente”: os quatro ministros de Estado escolhidos por Bolsonaro que são evangélicos e que, juntamente com a também evangélica primeira-dama Michelle Bolsonaro – 38 anos, membro da Igreja Batista Atitude no Rio de Janeiro (RJ) e que deve desempenhar importante papel na área social do atual governo –, serão de grande importância para que essas transformações aconteçam.

Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil

O gaúcho Onyx Lorenzoni, 64 anos, é membro da Igreja Evangélica Luterana, filiado ao DEM e um dos deputados mais atuantes na Câmara Federal nos últimos anos, sendo considerado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) um dos 100 parlamentares mais influentes do Congresso Nacional.

Ele foi deputado estadual no Rio Grande do Sul de 1995 a 2003 e deputado federal de 2003 a 2018, tendo nesse período sido ferrenho crítico do PT; líder do DEM na Câmara dos Deputados (2007); presidente da Comissão de Agricultura da Câmara (2008 e 2009); membro de dez comissões parlamentares de inquérito (CPI), dentre elas algumas famosas como a CPI dos Correios e a CPI da Petrobrás; relator das Normas de Combate à Corrupção e da Comissão que analisou as medidas de combate à corrupção; foi um dos principais nomes na luta pelo impeachment de Dilma Rousseff; foi a favor da PEC do Teto dos Gastos Públicos, das “10 Medidas Contra a Corrupção” proposta pelo Ministério Público Federal e da prisão em segunda instância; foi contra a anistia ao caixa 2 e contra a continuidade do foro privilegiado; e foi defensor da Reforma Trabalhista de abril de 2017, proposta pelo então ministro do Trabalho do governo Temer, o também gaúcho, deputado federal e pastor assembleiano Ronaldo Nogueira (PTB).

Acusado de ter recebido cerca de 200 mil reais de caixa 2 da JBS em 2014, ele surpreendeu assumindo publicamente a ilegalidade em 2017, manifestando seu compromisso de pagar o que era devido e mantendo sua posição de 2016 contra o projeto de anistia de caixa 2. Seu processo nesse caso, assim como o de outros nove parlamentares, foi arquivado em junho de 2018. No final do ano passado, porém, uma nova denúncia foi aberta contra ele sobre um pagamento ilegal ocorrido em 2012, o qual Onyx nega.

Perguntado sobre o caso no início de dezembro, o presidente Bolsonaro disse confiar na palavra de seu amigo, mas que, se as investigações confirmarem a ilegalidade de 2012, Onyx será demitido. Onyx foi nomeado o ministro extraordinário que comandou o governo de transição de Bolsonaro e ocupará, a partir de 1 de janeiro, o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, sendo o responsável por coordenar a relação entre a futura gestão e o Congresso. Em nota divulgada em 17 de novembro, ele foi classificado pela Frente Parlamentar Evangélica, da qual fez parte por muitos anos, como “um interlocutor do mais alto nível junto ao novo governo da República”.

André Luiz de Almeida, ministro da Advocacia Geral da União

André Luiz de Almeida Mendonça é pastor na Igreja Presbiteriana Esperança de Brasília (DF), liderada pelo pastor Valter Moura, onde também é professor de Escola Dominical. Ele é formado em direito pela Faculdade de Direito de Bauru (SP), com mestrado na Universidade de Salamanca, na Espanha, sobre Corrupção e Estado de Direito, e doutorado na mesma universidade com o projeto “Estado de Direito e Governança Global”, além de ser pós-graduado em Direito Público pela Universidade de Brasília.

Pastor André está na Advocacia-Geral da União (AGU) desde 2000. Ele ganhou destaque na AGU ao ser vencedor da categoria especial do Prêmio Innovare de 2011, que homenageia práticas eficientes no Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e Advocacia. O Innovare reconheceu as práticas de combate à corrupção adotadas pelo Grupo Permanente de Atuação Pró-Ativa da AGU, chamado de “departamento de defesa da probidade” e liderado pelo pastor André.

A equipe liderada por ele recuperou cerca de meio bilhão de reais em três anos. O trabalho foi responsável, por exemplo, pela recuperação de R$ 55 milhões relativos ao caso de corrupção na obra da sede do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo em 1998, que custou 169 milhões. Em 2010, a Justiça determinou a restituição em decisão tomada a partir de uma ação proposta pelo pastor André e sua equipe. Entre os condenados no caso estavam o juiz Nicolau dos Santos Neto e o então senador Luiz Estevão.

A partir de 1 de janeiro, pastor André comandará a AGU, uma instituição com mais de 12 mil servidores.

Marcelo Álvaro Antônio, ministro do Turismo

O mineiro Marcelo Álvaro Antônio, 44 anos, é membro da Igreja Cristã Maranata há 16 anos. Ele foi o deputado federal mais votado em Minas Gerais no pleito passado, com 230 mil votos. Em seu Estado, ele é presidente do PSL, partido do presidente, e está há sete anos na vida política, tendo iniciado a carreira como vereador em Belo Horizonte. Suas principais bandeiras políticas são o combate à corrupção, a descentralização de recursos da União para os Estados e Municípios, a defesa dos animais e a ampliação da participação popular nas decisões das câmaras legislativas.

Marcelo estudou Engenharia Civil e foi eleito vereador de Belo Horizonte em 2012 (9º mais votado), deputado federal em 2014 (3º mais votado) e reeleito em 2018 (o mais votado). Ele integrava a Frente Parlamentar Evangélica desde 2014 e foi um dos nomes cogitados a se tornar vice na chapa de Bolsonaro à Presidência da República. Em 1 de janeiro, assume como ministro do Turismo.

Como deputado, Marcelo participou de comissões externas de acompanhamento sobre o vírus zika e da situação hídrica dos municípios mineiros. Em 2016, o futuro ministro votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Ele também coordenou a campanha de Bolsonaro à Presidência em Minas Gerais nas eleições deste ano.

Em discurso na Câmara dos Deputados em 25 de maio do ano passado, por ocasião do Jubileu de Ouro da Igreja Cristã Maranata no Brasil, irmão Marcelo falou sobre a necessidade de “professar uma fé verdadeira em Jesus Cristo” e que “os valores e princípios cristãos são um verdadeiro legado que, se colocados em prática, podem transformar a sociedade”.

Damares Alves, ministra dos Direitos Humanos, Família e Direitos da Mulher

Formada em Pedagogia e Direito, Damares Alves, 54 anos, é pastora da Igreja Batista da Lagoinha, advogada, assessora parlamentar no Senado e uma já antiga e famosa ativista evangélica a favor da família. Ela foi preletora do evento Liderar & Impactar Nordeste de 2016, promovido pela CPAD em Salvador (BA). Ao ser anunciada pelo presidente Bolsonaro, seu nome contou com o apoio de mais de 200 entidades, dentre elas ONGs, grupos pró-vida, entidades ativistas das causas indígenas e das causas ciganas, e entidades de luta pelos direitos dos portadores de necessidades especiais.

Filha de um pastor e uma dona de casa, Damares é contra o aborto, a ideologia de gênero, a pedofilia, o infanticídio indígena, a liberação das drogas, a doutrinação ideológica nas escolas e demais causas sensíveis a evangélicos e conservadores no Brasil. Ela foi abusada sexualmente aos 6 anos de idade, perdendo a possibilidade de ser mãe, mas encontrou em Jesus restauração emocional e espiritual. Hoje, ela é mãe adotiva de uma menina índia, que foi abandonada para morrer, e tem dedicado apaixonadamente a sua vida, há mais de 20 anos, na luta em favor das crianças e dos valores da família.

Grande auxiliadora da Bancada Evangélica desde a sua criação, Damares foi assessora da referida bancada e do deputado federal assembleiano João Campos (PRB-GO), que durante muito tempo presidiu a Frente Parlamentar Evangélica; assessora do deputado federal batista e hoje senador Arolde de Oliveira (DEM-RJ); e do senador batista Magno Malta (PR-ES).

Damares é coordenadora do Movimento Nacional pela Cidadania Brasil Sem Aborto; Movimento Nacional Brasil Sem Drogas; da Campanha “Brasil Um País que Adota”; do Instituto Flores de Aço com sede Brasília, que milita em defesa dos direitos da mulher; uma das fundadoras do Movimento Brasil Sem Dor, que atua na prevenção da automutilação, da autolesão e do suicídio de jovens, crianças e adolescentes; membro do Programa Mundial Infância Protegida; fundadora da instituição e “Movimento ATINI – Voz Pela Vida”, que tem uma chácara em Brasília onde são acolhidas as mães e as crianças indígenas em situação de risco; uma das idealizadoras do Projeto Tekoê, que tem sede no Gama (DF) e também acolhe mães e crianças indígenas em situação de risco; e a idealizadora do projeto de lei na Câmara dos Deputados que propõe o “combate a práticas tradicionais nocivas e à proteção dos direitos fundamentais de crianças indígenas”.

Bolsonaro chama seu mandato de “missão de Deus”

No dia 10 de dezembro, em sua diplomação como novo presidente da República, o presidente Bolsonaro fez um discurso em que destacou principalmente Deus, falou dos desafios que tem pela frente e disse considerar seu mandato uma “missão” divina para o Brasil. “Em primeiro lugar, quero agradecer a Deus por estar vivo. E também agradecer a Deus por essa missão à frente do Executivo. Tenho certeza que ao lado dEle venceremos os obstáculos”, frisou o presidente.

O presidente destacou também os valores que o levaram à vitória no pleito de outubro do ano passado e o apoio da sua família. “Não poderia estar mais honrado com a confiança demonstrada pelo povo brasileiro. Essa vitória não é só minha. O caminho que me trouxe aqui foi longo e nem sempre foi fácil. Durante a minha vida pública como militar, vereador e deputado federal, sempre me pautei pela defesa dos valores da família, pelos interesses do Brasil e pela soberania nacional. Orientei a plataforma da minha campanha à Presidência da República pela defesa desses valores. A todos aqueles que me apoiaram e que confiaram na minha capacidade de lutar em favor do Brasil, o meu muito obrigado. Agradeço, com carinho, à minha família; à minha mãe Olinda, ainda viva, com 91 anos de idade; à minha esposa Michelle e a meus filhos Flávio, Carlos, Eduardo, Renan e à minha querida filha Laura. Nada disso teria sido possível sem o amor e o apoio incondicional de vocês. Agradeço também a todos os que acreditaram e que estiveram comigo desde o início de minha trajetória, nos momentos felizes, mas, sobretudo, nos momentos difíceis. Essa vitória é de todos nós. Agradeço muito especialmente aos mais de 57 milhões de brasileiros que honraram com o seu voto”, afirmou o presidente.

O presidente asseverou também a necessidade de unir o país. “Aos que não me apoiaram, peço sua confiança para construirmos juntos um futuro melhor para o nosso país. A partir de 1º de janeiro serei o presidente dos 210 milhões de brasileiros. Governarei em benefício de todos, sem distinção de origem social, raça, sexo, cor, idade ou religião. Com humildade, coragem e perseverança, e tendo fé em Deus para iluminar as minhas decisões, me dedicarei, dia e noite, ao objetivo que nos une: a construção de um Brasil próspero, justo, seguro e que ocupe o lugar que lhe cabe entre as grandes nações do mundo. Esse é o nosso norte. Esse é o nosso compromisso. A construção de uma nação mais justa e desenvolvida requer uma ruptura com práticas que historicamente retardaram nosso progresso, não mais a corrupção, não mais a violência, não mais as mentiras, não mais manipulação ideológica, não mais submissão do nosso destino a interesses alheios, não mais mediocridade complacente em detrimento do nosso desenvolvimento”, disse o presidente.

Ele encerrou seu discurso frisando os desafios e pedindo a bênção de Deus sobre o Brasil. “Tenho plena consciência dos desafios que se colocam diante de nós. Sem subestimá-los, trabalharei com afinco para que daqui a quatro anos possamos olhar para trás com orgulho pelo caminho trilhado em benefício do nosso amado Brasil. O Brasil deve estar acima de tudo. E que Deus abençoe o nosso país e a todos nós brasileiros”, concluiu o presidente.

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