Ela superou passado de abuso e rejeição

Após tratamento com Deus, jovem tem vida restaurada e perdoa agressor

Ela superou passado de abuso e rejeiçãoCínthia Pereira de Oliveira, 38 anos é filha caçula em uma família com dois irmãos do sexo masculino, nascida em uma família sui generis: todos os herdeiros são provenientes de pais distintos. A jovem nascida em São Paulo (SP) sofreu muito por causa dos resquícios do relacionamento de seus pais. O sentimento de rejeição dos genitores à menina foi algo que conturbou a sua infância e transformou-se em profunda amargura em seu coração, de modo que foi necessária a intervenção divina a fim de libertar Cínthia e conceder-lhe uma novidade de vida.

O ambiente contaminado pela desilusão da matriarca atingiu os integrantes da família de modo que o filho do meio ouviu palavras destrutivas e que passaram a incitar a animosidade dentro de casa. “O meu irmão passou a dizer-me que eu havia roubado o seu lugar na família! Mas com o tempo as palavras deram lugar à agressão física. Sempre que ficávamos sozinhos ele me batia e me agredia verbalmente. O meu irmão chegou ao ponto de queimar as minhas mãos com um ferro de passar roupa, lembro-me de correr desesperada e colocar minhas mãozinhas em uma bacia de água, e observar as bolhas aparecerem na mesma hora. Nesta época eu era uma criança de quatro anos de idade”, disse.

Por sua vez, a atitude da genitora era de total simpatia pelo menino, uma vez que ao sentir-se culpada pela situação de total descontrole doméstico, a proteção ao filho agressivo era garantida, mesmo sob os protestos de Cínthia. “Todas as vezes que eu denunciava os abusos de meu irmão, ele chorava e a minha mãe acreditava nele. O menino foi muito doente na infância quase chegando ao óbito em uma das ocasiões. Um tempo depois do episódio do ferro, fiquei doente, e precisei ser internada, por causa disso eu perdi o ano no pré-escolar. Eu precisava de cuidados médicos de modo que a minha mãe levou-me para o trabalho dela. Eu era a única criança na casa, e aquela decisão mudaria para sempre a minha história”.

A jovem lembra que nessa época, a carência da figura paterna começou a incomodá-la o que a fez sofrer. “A minha mãe era uma pessoa muito exigente e difícil de ser satisfeita, e por isso até hoje tenho uma séria dificuldade em receber um elogio, ou acreditar que algo está suficientemente bom”.

Mas nesse período Cínthia passou a observar o cuidado divino em seu favor, e ela acabou sendo adotada por um padre ortodoxo grego, Iakovus Klimis, patrão de sua mãe, de modo que todo o referencial de amor que não havia recebido em sua infância veio de seu novo pai. O seu bem feitor a admirava e acreditava em seu potencial, manifestou seus projetos para a sua vida, demonstrou afeto e cuidou dela até os seus últimos dias. “Emociono-me todas as vezes que falo dele, e sei que ele foi uma providência do Pai para mim. Como o Senhor me amou através daquela vida!”.

Mas também nessa fase, algum tempo depois, começaram os abusos de ordem sexual. O agressor demonstrava carinho para se aproximar da menina e depois da violência, as ameaças. O tormento durou quatro anos. Quando completou nove anos, os abusos cessaram mas o silêncio entre agressor e vítima consolidou-se por anos a fio.

“Alimentei um ódio imenso por meu agressor, cheguei a dormir com uma faca embaixo do travesseiro por um tempo. Não me sentia digna de ser amada, por sentir-me impura. Pensava em como faria pra contar para o meu futuro esposo que eu não era mais virgem. Era uma tortura”, lembra.

Apesar dos problemas enfrentados, a mãe de Cínthia era afastada dos apriscos do Senhor e voltou quando amenina nasceu. “A minha mãe desejava criar a sua filha na Casa de Deus. Aos 11 anos desci as águas batismais e aos 12 o Senhor batizou-me no Espírito Santo”. A jovem lembra das diversas experiências proporcionadas pelo Mestre, se a sua infância foi afetada pelo desamparo e dor, a adolescência foi caracterizada pelo altar. O Senhor passou a revelar a sua vontade através de sonhos. “Mas nunca me senti livre daquelas lembranças dos abusos e de toda violência que sofri”.

Mas Deus havia reservado o bálsamo que a curaria de suas feridas emocionais. Após a ministração da Palavra de Deus, a jovem de 21 anos decidiu perdoar o seu pai pelo abandono e rejeição. “Coincidentemente, depois de perder uma pessoa querida decidi conhecê-lo. Depois de uma jornada, procurando-o sozinha, finalmente o conheci. E o melhor de tudo é que não havia ressentimento algum, posso dizer que senti amor pela vida dele no mesmo instante em que nos vimos”.

Após um período curto fora dos caminhos do Senhor, e alguns erros cometidos ao longo do percurso, Cínthia teve uma experiência sobrenatural: ela lutou contra um demônio. A jovem convertida afirma ter ficado paralisada enquanto o ser do mal repetia as mesmas palavras que ouvia enquanto era violentada em sua infância. “Entendi que o Maligno tentou marcar a minha história e paralisar-me através da dor e do trauma. Mas ainda sim, meus sentimentos não mudavam. Participei de cultos e ministrações outras vezes, e embora sempre perdoasse a pessoa que machucou-me, não conseguia olhar para ele. Havia um abismo enorme entre nós”.

Mas Deus conduziu a sua filha a um processo que mais pareceu a Casa do Oleiro conforme Jeremias 18 e, de acordo com a própria Cínthia, o Eterno desejava levá-la “um pouco mais fundo, esse chamado veio de encontro a uma sede imensurável por mais de Deus”. A jovem sentia que o Espírito Santo tratou de suas chagas emocionais profundamente, de modo que o perdão tornou-se uma realidade, não uma simples retórica. “Foi um divisor de águas na minha história. E como sou grata ao Pai, porque Ele não desiste de nós! Verdadeiramente, o amor do Pai nos constrange!”.

Cínthia afirma que enquanto o Senhor a conduzia ao lugar do perdão, a paz de Cristo passou a reinar nos corações. Ela é casada há 13 anos como evangelista Joel Isaías de Oliveira.“No último Natal eu confraternizei-me com a pessoa que agrediu-me no passado, mas naquele momento meu coração estava alegre, e agradecido pelo que o Pai fez na minha vida”.

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