Doutrinação no ambiente escolar

A aquisição do conhecimento e o desenvolvimento da capacidade e habilidades do aluno dependem de um ambiente que favoreça a aprendizagem e do desempenho do professor, que pode tanto contribuir para uma boa educação como para uma educação não saudável.

A prática educativa ocorre por meio da ação pedagógica do professor com os alunos. O ambiente escolar deve ser um lugar por excelência, onde ocorra uma mediação do conhecimento sistemático, científico elaborado ao longo dos tempos pelo conjunto de sujeitos sociais.

Infelizmente, nem sempre a escola cumpre o seu papel. O jovem, e o adolescente principalmente, vivem ainda um processo de maturação moral e ético, o que os torna vulneráveis ao influxo constante de ideias. A escola, ao invés de se preocupar com o processo educativo faz do aluno um depositário de teses materialistas vulgarizadas pela mídia, respaldadas de conceitos e valores antibíblicos.

O professor se julga instância máxima de saber e poder ao impor suas ideias, ratificando-as como verdades absolutas. De forma coercitiva incute na cabeça do jovem e adolescente uma aventura ideológica e social ligadas a vertentes políticas que inseminam a promoção de uma visão de mundo anticristã e negativista.

A decadência da escola

A educação sempre foi vista sob a perspectiva de uma formação moral e ética abrangente, que une o interesse educativo formador com os princípios norteadores da sociedade. No entanto, vivemos uma realidade drástica que mostra o retrato de uma escola decadente que, não só perdeu o seu papel como agente educador no processo educativo formador, como se divorciou dos princípios morais e éticos que norteiam a sociedade.

A escola não tem cumprido o seu papel. Pesquisas apontam que cerca de 95% dos alunos que saem do ensino médio não tem conhecimentos básicos em matemática, quase 40% dos universitários são analfabetos funcionais e 78,5% dos estudantes brasileiros finalizam o ensino médio sem conhecimentos adequados em língua portuguesa. O Núcleo Brasileiro de Estágio (Nube) aponta que quatro em cada dez universitários são barrados em seleções para estágio por causa de erros de ortografia – os estudantes de Pedagogia lideram entre os piores índices. Por outro lado, dados apresentados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que 55% dos professores brasileiros possuem pouco contato com a leitura. A realidade mostra que a escola ensina muito pouco.

A influência das ideologias

O ambiente social onde nos desenvolvemos e os fatores relacionados aos processos psicológicos como: os valores culturais, os valores morais e espirituais, atitudes, necessidades, estereótipos, tendências cognitivas etc., são preponderantes para um desenvolvimento saudável. A escola tem um papel importante nesse processo, a medida que contribui na formação do caráter, valores e princípios morais, e conduz o aluno a utilizar os conhecimentos aprendidos em favor da sociedade. O sistema educacional brasileiro, no entanto, vem se tornando, cada vez mais, falho, obtuso, centralizador, ideológico e doutrinário, além de revolucionário e transgressor.

O ensino nas escolas brasileiras, públicas e privadas, tem recebido uma forte influência de ideologias políticas partidárias de esquerda. No Brasil, hoje, os conteúdos ensinados em sala de aula estão contaminados por esses conceitos. A rede pública de ensino, na sua maioria, vive sob o controle de docentes sindicalistas, militantes partidários que com frequência usam vocabulários relacionados à ideologia esquerdista.

O aluno sofre uma doutrinação constante desses conceitos, impostos por seus mestres mal formados de Ciências Humanas, chegando a universidade com uma mente impregnada de conceitos e ideias que mudam os padrões e valores socioculturais envolvidos na organização da vida social e anulam os bons princípios estabelecidos pela família.

Educação X Doutrinação

O problema da doutrinação escolar vai além das questões políticas partidárias. Há embutidos nas pautas escolares temas totalmente desprovidos de significado ético. Essas ideologias não valorizamos princípios morais e éticos tradicionais ou aqueles respaldados nos preceitos bíblicos; mas, de forma coercitiva, impõe uma nova filosofia de vida, desprovida de responsabilidade e pudor, promovendo uma inversão de valores.

O método usado pelos doutrinadores tem sido a relativização das coisas. O relativismo que nega os valores absolutos tornando todas as coisas relativas. Estas filosofias têm impactado a sociedade e, consequentemente, a família cristã.

O secularismo e indiferentismo religioso promovidos por essas ideologias promovem a formação de alunos contaminados por uma sociedade de consumo, dominada pelo hedonismo e a ambição de poder gerando uma conduta social baseada no relativismo ético.

Essa onda de influências filosóficas que invadiu a escola como um tsunami é agrande tendência da atualidade. Não é algo novo, documentos como o CDC – Convenção sobre os Direitos da Criança – documento adotado por unanimidade pela ONU em 20 de novembro de 1989, já enunciava um amplo conjunto de direitos fundamentais – os direitos civis e políticos, e também os direitos econômicos, sociais e culturais – de todas as crianças, bem como as respectivas disposições para que sejam aplicados.

Cerca de 192 países ratificaram a Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança. O Brasil criou em 1990 o ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente espelhado nos interesses e imposições desse documento.

É fato que todos os sistemas totalitários dedicam especial atenção à formação da juventude, começando com a criança. Sob pretexto de ensinar, impõem uma “verdade” coerente com o poder vigente ou a ser implantado.

Vemos isto claramente com a difusão da ideologia de gênero, o absurdo que ameaça as crianças na escola. Segundo essa teoria ideológica, os dois sexos – masculino e feminino – são considerados construções culturais e sociais, de modo que, embora existindo um sexo biológico, cada pessoa tem o direito de escolher o seu sexo social (gênero). Seus adeptos querem ensinar às crianças que elas, socialmente falando, não são homens ou mulheres, mas podem escolher qualquer opção sexual que quiserem. Para os seus defensores, quando a criança nasce ela não deve ser considerada do sexo masculino ou feminino, mas somente uma pessoa do gênero humano, que depois fará a escolha do seu próprio sexo.

A ideologia de gênero deixa as crianças confusas, enfraquecidas. É uma afronta esvaziar a denominação macho e fêmea das crianças. Se colocar essa confusão em suas cabeças, elas tendem a: não entenderem se vão se relacionar com menino ou menina; serem estimuladas a terem experiências amorosas ou homossexuais cada vez mais cedo; perderem o referencial de família.

O ensino intelectualmente honesto se preocupa em formar nos alunos a aptidão para o pensamento independente dos vícios e das ideologias, ao passo que a chamada “doutrinação” consiste na imposição, pelo professor, de uma doutrina na qual ele acredita e para a qual deseja ganhar a adesão dos alunos.

A Igreja e a doutrinação no ambiente escolar

Diante dessa trágica realidade, constatamos que grande é a nossa responsabilidade de mantermos as estacas e os mourões bem fincados, de ter sólido o alicerce sobre o qual se mantém firme a família.

Existe hoje uma mobilização nacional tentando coibir essa prática nas escolas, a exemplo do Projeto de Lei que cria o Programa Escola Livre, o Escola Sem Partido. De acordo com este Projeto “é vedada a prática de doutrinação política e ideológica em sala de aula, bem como a veiculação, em disciplina obrigatória, de conteúdos que possam induzir aos alunos a um único pensamento religioso, político ou ideológico”. Defende-se a ideia de uma escola livre, sem partido, doutrinação e a necessidade de uma nova educação.

Independentemente desta mobilização, a Igreja precisa fazer a sua parte, cumprindo o seu papel no ensino da Palavra, ensinando crianças, adolescentes e jovens os preceitos bíblicos. Jesus nos comissionou: “Ide e Ensinai” (Mateus 28.20).

A tarefa da Igreja não é impedir a profusão dessas ideologias, mas preparar crianças, adolescentes e jovens para enfrentá-las. A Bíblia nos orienta: “Instrui o menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele” (Provérbios 22.6).

Não podemos incorrer o erro de pensar que apenas uma lei aprovada proibindo a doutrinação nas escolas seja suficiente para garantir que os nossos filhos estejam seguros. O que realmente fará a diferença será o ensino permanentemente da Bíblia no lar e na igreja, além da experiência e vivência com Deus.

Por, Jamiel de Oliveira Lopes.

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