Decidindo entre a fé e a razão

O apóstolo Paulo é uma das grandes personalidades do Novo Testamento. Sua trajetória, suas cartas e seus trabalhos missionários o credenciam como um grande vulto no cristianismo.

Sua história, ora descrita por si mesmo em suas epístolas, ora no escrito lucano de Atos dos Apóstolos, retratam um homem genuinamente de Deus. São fartos os relatos históricos sobre sua pessoa. Sua vida foi e é objeto de inúmeros historiadores. Essas obras, inclusive, têm significativos valores, mas nenhuma delas se equiparam aos registros escriturísticos do doutor Lucas em Atos dos Apóstolos.

Como é sabido de todos, o enfoque lucano muda definitivamente a partir de Atos 13. Passando do protagonismo de Pedro para o protagonismo de Paulo. E deste capítulo até o derradeiro, as páginas da narrativa estão permeadas da figura paulina.

São vários os retratos pintados por Lucas a respeito deste homem. Todavia, gostaria de convidar o querido leitor para analisarmos um episódio em específico. Este se encontra registrado em Atos 27.11. O texto diz: “Mas o centurião cria mais no piloto e no mestre do que no que diz Paulo”. O contexto desta perícope é a viagem de Paulo para Roma. Após apelar para César diante de Festo, o apóstolo fora enviado num navio juntamente com outros presos a fim de ser julgado em Roma.

Sob a jurisdição do centurião Júlio, esses presos e Paulo zarparam nesse navio singrando os mares da costa da Ásia. Porém, a viagem tornou-se perigosa, pois os ventos eram contrários. Diante desta situação adversa o apóstolo aconselhou o centurião, bem como toda a embarcação, a não continuarem a viagem naquele momento. É neste cenário que entra o versículo em apreço, onde se diz que o centurião decidiu crer mais no piloto e no mestre do que em Paulo.

Após ouvir o conselho do apóstolo, o centurião decidiu consultar o piloto e o mestre do navio. A palavra piloto no texto refere-se ao timoneiro e o termo mestre é a palavra grega kybernetes, cujo significado é comandante. Ou seja, o centurião consultou o timoneiro que era o indivíduo que traçava os planos de navegação e o comandante da embarcação.

O que se entende por inferência é que estes dois especialistas na arte de navegar emitiram opinião diferente da do apóstolo. Há, portanto, dois lados distintos aqui. De um lado está Paulo, que é um homem de Deus, agente da vontade divina, representante da fé, contudo leigo no quesito navegação; e do outro lado, o timoneiro e o comandante, que especialistas em navegação tinham a experiência de navegar. Estes representando a voz da razão, aquele representando a fé. No meio desta situação, um centurião que deve tomar uma decisão de ouvir um dos dois lados.

Sabemos o final desta narrativa. Infelizmente, o centurião ignorou o conselho de Paulo. Ele preferiu confiar mais na experiência dos especialistas em navegação do que na orientação divina por intermédio do apóstolo. O final foi trágico. Naufragaram! Duzentas e sessenta e seis almas quase morreram porque o centurião ignorou a orientação divina.

Da mesma forma que este centurião, muitos estão numa encruzilhada precisando tomar uma decisão. Outros estão no limiar entre ouvir e obedecer a orientação divina ou acatar a voz da razão. Em quem crer e confiar? Em Deus e Seus conselhos ou naquilo que parece ser mais racional?

Diante de um diagnóstico médico que decretou o fim, em quem confiar? Na voz do especialista ou na orientação divina que diz que o Senhor é a cura? Diante de uma sentença negativa proferida por um juiz ou advogado, em quem confiar? Na voz da razão ou na voz da fé que diz que o Senhor é o Deus que muda sentenças? Em quem temos crido?

O naufrágio daquele barco foi fruto de uma decisão equivocada. Não permita que seu barco se quebre por ignorar um conselho de Deus na sua vida. Muitos cristãos estão com suas vidas arruinadas por não ouvirem o conselho de um homem de Deus. Ouça e obedeça a voz do Senhor através dos Seus instrumentos. Um grande desastre poderá ser evitado!

Conta-se que um empresário americano cristão, cuja empresa era uma prestadora de serviços, foi chamado para fechar um contrato milionário com certa empresa. Antes, porém, de fechar o negócio e assinar o contrato, o empresário decidiu consultar o seu pastor, que não entendia absolutamente nada do mundo empresarial. O pastor se prontificou em orar por aquele irmão e dar-lhe um conselho no outro dia. Ao passo que o pastor estava em oração, pessoas especialistas no mundo dos negócios palpitaram sobre a melhor de decisão a ser tomada. No outro dia o pastor liga para o irmão empresário e diz: “Irmão, Deus disse que não é para o irmão fechar este negócio”. Depois de um rápido diálogo, desligaram o telefone. Bastante relutante com aquele conselho, o irmão ponderou e decidiu obedecer a voz de Deus em detrimento do conselho dos especialistas. Não fechou o contrato milionário com aquela empresa. Após poucos meses, aquela empresa que queria contratar a empresa do irmão pediu falência e deixou um rombo milionário de dívida que causou a bancarrota de empresas menores que lhe prestavam serviço. Deus livrou a empresa do irmão através de um conselho!

Talvez você esteja sendo tentando a dar ouvidos a muitas outras pessoas e a ignorar o conselho de um homem ou mulher de Deus. Saiba que quando você estiver entre a fé e a razão, decida-se pela fé! Deus não irá lhe desamparar.

Por, Weder Fernando Moreira.

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