Crise de refugiados divide países

É um problema ou oportunidade? Resposta pode estar no meio-termo

Crise de refugiados divide paísesA saga dos refugiados continua por todo o mundo, incluindo o Brasil, com a chegada dos venezuelanos ao território nacional. Mas essa absorção de homens e mulheres que procuram abrigo em países de cultura totalmente diferente daquela que trouxeram de berço tem sido motivo de confrontos com resultados trágicos para ambos os lados. Mas o que fazer? Os conflitos étnicos e políticos continuam a fazer suas vítimas e os sobreviventes buscam uma chance de recomeçar a vida em um lugar adequado; Por outro lado, lideranças internacionais observam duas vertentes: oferecer abrigo e aplicar os rigores da lei a bandidos infiltrados entre refugiados.

No dia 6 de junho, foi encontrado o corpo da jovem judia Suzanne Maria Feldman com marcas de estrangulamento e diversos estupros. O cadáver foi encontrado em uma área arborizada próxima a rodovia Wiesbaden-Frankfurt. A jovem havia saído para encontrar-se com amigas no centro de Wiesbaden e não voltou para casa. O suspeito Ali Bashar (solicitante de asilo iraquiano) fugiu do país mas acabou preso no norte do Iraque a pedido da polícia alemã. Este caso na Alemanha não é isolado, outros países como Suécia, Inglaterra e Noruega (esta última oferece um curso para ensinar aos homens refugiados boas maneiras diante do público feminino local) tiveram de enfrentar as consequências da entrada desordenada de migrantes que fugiram de seus países de origem para iniciar uma nova vida no continente europeu.

A situação na Alemanha é tão grave que o ministro-presidente da Baviera, Markus Söder, manifestou-se dramaticamente após o assassinato da adolescente Maria Ladenburger, convergindo também em outro caso de violência contra as jovens alemãs na cidade de Colônia na noite de ano novo. “Nossas mulheres e filhas estão cada vez mais com medo de ataques sexuais. A polícia está frustrada com a impunidade legal para com imigrantes que cometem crimes sexuais. Em 2015, a Alemanha perdeu o controle de suas fronteiras. Agora, a Alemanha está perdendo o controle de suas ruas”. Segundo o ministro alemão, a única alternativa cabível para solucionar a crise é a deportação em massa de imigrantes muçulmanos.

O ministro Söder navega na contramão da política adotada pela chanceler Angela Merkel que já havia deixado clara a direção de sua política migratória: “O que não pode acontecer é que alguns digam: ‘Não queremos muçulmanos em nosso país’”. Ela fez referência às declarações de vários líderes de países do leste europeu, inclusive mostrou-se disposta a negociar com os países antagonistas às cotas uma via de entendimento e falou que “cada um deve contribuir com sua parte”. Apesar dos problemas causados por inadequação dos postulantes a asilo político, o Dia Mundial do Refugiado (20 de junho) foi lembrado e o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), que lançou um apelo ao conclamar a solidariedade e a disposição em atender ao próximo. As estatísticas dão conta de que 68,5 milhões de pessoas fugiram de seus lares, vítimas de conflitos, perseguição, violência e desastres naturais. “Hoje é um dia para mostrar a nossa solidariedade com os refugiados e com as comunidades que os acolhem. Um novo modelo baseado em equidade e justiça, bem como em valores e padrões humanitários, está sendo testado e produzindo resultados positivos. Os países e comunidades anfitriãs devem receber apoio mais sistemático e de longo prazo para assumir a tarefa de ajudar as famílias deslocadas”, disse a Acnur.

A ONU divulgou a notícia de que a proposta do pacto, que deve ser concluída até o fim de 2018, é superar as falhas existentes no sistema internacional de proteção e garantir um apoio mais consistente e igualitário às nações que recebem os refugiados. A entidade internacional afirma que uma das metas é dar fôlego aos sistemas nacionais de saúde e educação desses países para oferecer assistência para quem desembarca. O objetivo é substituir os campos e as redes paralelas de serviços. Os defensores da medida argumentam que os refugiados têm potencial para aprender e desenvolver habilidades para sustentar suas famílias, enquanto estão refugiados e reconstruir suas vidas ao retornarem aos seus países de origem. Simultaneamente, no Brasil, precisamente em Boa Vista (RR), a governadora Suely Campos entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para solicitar o fechamento da fronteira entre o Brasil e a Venezuela por causa do fluxo cada vez maior de venezuelanos que ingressa diariamente no país através de seu estado. O presidente brasileiro e a governadora reuniram-se em Boa Vista após visita a um abrigo que acolhe os venezuelanos. O Planalto divulgou nas redes sociais um vídeo em que Michel Temer aparece sorrindo com algumas crianças no local. O presidente prometeu analisar os pedidos de recursos do governo roraimense, mas descartou a possibilidade de fechar a fronteira entre os dois países: “Vocês sabem que isso seria uma coisa, digamos, inapropriada”. Mas, de acordo com a governadora, as consequências diretas do fluxo migratório refletiram na população como recrudescimento da criminalidade, o aumento quantitativo de atendimento nas unidades de saúde e a elevação de matrículas para o ensino público. Suely de Campos afirma que seu estado sofreu impacto econômico coma chegada dos venezuelanos e pediu recursos adicionais por causa dos custos.

Ao longo de sua jornada neste planeta, o homem já empreendeu diversos fluxos migratórios. A migração de grupos étnicos ou refugiados não é nenhuma novidade. É possível encontrar nas páginas da Bíblia informações da migração de Abraão (que migrou do atual Iraque para o Oriente Médio), Jacó e sua família para o Egito (governado por José, filho do patriarca) e a história de Rute e Noemi, em que a moabita migra para o território de Israel na companhia de sua sogra e onde refaz a sua vida junto a Boaz (Rute 4.9-22). Sempre na história da humanidade ocorreram conflitos bélicos e tragédias naturais que forçaram o fluxo migratório de seres humanos de uma região para outra, mas o que falta nesses dias sombrios que atravessa a humanidade é a tolerância para que haja convivência pacífica e o amor para com o semelhante, sem esquecer o respeito na observância das leis da região, um critério sério e justo na seleção de quem pode ou não entrar e a organização das autoridades para garantir a boa acolhida (Gênesis 47.27).

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