Conselho de Psicologia pode ser investigado por perseguição

Rede Globo é sentenciada a pagar indenização a psicólogos

A conhecida psicóloga paranaense Marisa Lobo reuniu-se com o deputado federal Marco Feliciano no dia 12 de novembro de 2018 a fim de entregar-lhe um dossiê contra os Conselhos de Psicologia (regionais e federal), no documento a psicóloga faz denúncia contra o aparelhamento político e ideológico destas autarquias. Durante o encontro, o parlamentar recebeu o documento e garantiu pedir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) incluindo audiências públicas, oferecendo assim a chance dos profissionais discordantes de se pronunciarem contra tal doutrinação.

A iniciativa de Marisa Lobo contra os conselhos aconteceu logo depois que a psicóloga Patrícia Teixeira teve o seu registro profissional cassado pelo Conselho Regional de Psicologia (CRP) em Tubarão (SC). A psicóloga divulgou um vídeo em 2015 no qual revela a sua postura contrária à ideologia de gênero e apoio aos valores da família tradicional, no que foi considerada “preconceituosa”.

“Uma das coisas que essa ideologia ignora é que as crianças, até certa fase da vida, precisam de referenciais sólidos para que vivam a plenitude do gênero com o qual foram criadas. A ideologia de gênero atribui à escola a responsabilidade de pregar essa neutralidade, anulando assim, o papel dos pais, os principais responsáveis por transmitir tais referenciais”, disse a psicóloga no vídeo.

Sensibilizada, Marisa Lobo identificou-se com o caso da colega considerando que a própria ainda enfrenta a intolerância dos Conselhos (regional e federal) de Psicologia, depois que seus representantes a acusaram de tentar promover a cura gay e empreender o proselitismo religioso em seu consultório. Em 2014, Marisa Lobo enfrentou o Conselho Federal de Psicologia (CFP) por ter participado de audiências públicas nas quais declarou o seu apoio ao Projeto de Decreto Legislativo 234 que torna sem efeito parte do Artigo 3º e o Artigo 4ª da Resolução nº 0199 do Conselho Federal de Psicologia.

Naquela época a imprensa intitulou o projeto de “Cura Gay”, devido a tentativa de reverter a interferência do órgão na relação psicólogo-paciente impedindo assim que os profissionais tratem homossexuais em seus consultórios pedindo-lhes ajuda.

“Mesmo admitindo no relatório que eu não curei gay, ou ofereci tratamento, mesmo o relator afirmando que não foram encontradas provas de tal ato, ainda assim, me cassaram por eu dizer na mídia que conheço ex-gay”, terminou.

Após a sua cassação, a profissional conseguiu reverter o caso de modo que as acusações foram todas anuladas nas audiências dos próprios Conselhos. Desta vez, Marisa Lobo procurou ajuda do parlamentar e fez comentários sobre o encontro com o deputado Marco Feliciano.

“Em reunião, o deputado prometeu tomar providências e garantiu que vai pedir uma CPI, audiências públicas para discutir sobre a perseguição política assim que os parlamentares voltarem do recesso. Será colocada em pauta a perseguição de caráter religiosa e ideológica contra psicólogos que não aceitam serem doutrinados por conselhos e universidades”, disse a psicóloga. “Entreguei também prints com várias denúncias, pedido de ajuda de alunos do curso de Psicologia que tem sido oprimidos por professores que igualmente os persegue em sala de aula, impedindo o verdadeiro conhecimento científico. Só para constar, eu me identifico como psicóloga e cristã. O meu argumento tem base na Constituição Brasileira e na Convenção Americana de Direitos Humanos do qual o Brasil é signatário, isto significa que tenho o direito a livre expressão de opinião e religião, mas o meu direito está sendo cerceado pelo Conselho de Psicologia por perseguição religiosa”, disse Marisa Lobo.

Marisa Lobo ainda fez menção do aparelhamento dos Conselhos de Psicologia, que foram por ela classificados como “ditadura ideológica” e colocou-se disponível para ajudar profissionais e estudantes que se sentirem oprimidos por suas convicções ideológicas.

“Estamos presenciando uma ditadura ideológica política vergonhosa dentro dos conselhos e não podemos mais nos calar. Agora dirijo-me a você, que é aluno de Psicologia, ou psicólogo, e tem sido amordaçado, oprimido pelo curso já mencionado, ou pelos conselhos, entre em contato pelo e-mail marisalobo@globo.com, ajude-nos a aumentar este dossiê”, finalizou a psicóloga.

Em tempo, a Rede Globo foi condenada pelo juiz Júlio Roberto dos Reis da 25ª Vara Cível de Brasília a indenizar quinze psicólogos por causa da reportagem que foi ao ar dia 18 de setembro de 2017. O conteúdo da matéria jornalística abordou a “cura gay” e retratou como preconceituosos os profissionais que ajudam seus pacientes na reversão de orientação sexual.

A emissora foi acionada na justiça do Distrito Federal pelos profissionais que alegaram“danos morais” e sentiram-se lesados pelo tratamento dispensado a eles, por este motivo o grupo Globo Comunicações S/A foi condenado a pagar uma cifra de R$ 170 mil.

Em sua decisão, o juiz destacou que a emissora maculou a reputação dos profissionais, sendo muitos deles evangélicos. “No campo científico da sexualidade, os profissionais podem exercer o direito de ação para buscar o reconhecimento ao direito de investigar e orientar pacientes que buscam ajuda profissional, de modo que as reportagens da empresa demandada abusaram do direito de crítica ou de expressão, maculando a reputação dos autores”, afirma o texto do magistrado.

A emissora também foi condenada a publicar direito de resposta em consequência de outro processo judicial, por causa de uma reportagem do programa “Fantástico”, veiculado no mesmo período. A ação dos psicólogos não está relacionada com os Conselhos Regionais de Psicologia e o Conselho Federal.

Segundo consta, esta é a segunda vez que a Rede Globo tem de se explicar a Justiça pelo tratamento dispensado aos psicólogos que manifestam o desejo de atender pacientes que os procuram a fim de abandonar a homossexualidade.

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