Comunismo chinês quer alterar Bíblia

Governo quer também introduzir hinos ao comunismo nas igrejas

O reverendo Bob Fu, ex-líder chinês de igrejas domésticas que está radicado nos Estados Unidos desde 1997 e fundador da organização China Aid, divulgou uma alarmante informação dos projetos urdidos pelo governo chinês contra a igreja nacional. Os dirigentes do Partido Comunista estão mobilizados em torno de um projeto que tem como objetivo, em cinco anos, “socializar” o cristianismo.

O reverendo pronunciou-se no dia 27 de setembro em uma audiência no Congresso dos Estados Unidos. A assistência que o ouvia era formada por membros do Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Estados Unidos sobre a África, a Saúde Global, os Direitos Humanos Globais e as Organizações Internacionais.

As notícias vindas do país mais populoso do mundo não são nada animadoras: o governo comunista tem sido responsável pela demolição de diversas igrejas, queima de Bíblias nas ruas e a destruição de milhares de cruzes. Apesar disso, o ativista cristão manifestou a sua preocupação como que descreveu como “o maior grau de perseguição para grupos religiosos independentes que o país já viu em décadas” que está previsto acontecer em seu país natal. “A liberdade religiosa na China chegou ao seu pior nível, o qual não é visto desde o início da Revolução Cultural pelo presidente Mao Zedong, nos anos 1960”, analisa.

O plano concebido pelo governo chinês é “promover uma reformulação do cristianismo, cultivando e implementando os valores centrais socialistas” contando com a supervisão do escritório nacional de assuntos religiosos. A intenção é interferir no conteúdo da Bíblia Sagrada no sentido de efetuar uma releitura do Antigo Testamento com a introdução de novos comentários ao Novo Testamento. O objetivo é fazer com que os ideais socialistas e a cultura chinesa ganhem um verniz “divino” e seja aceito pela comunidade cristã. O ativista explicou que esse revisionismo seria uma amálgama de um resumo da Bíblia hebraica com escrituras budistas e ensinamentos confucionistas. O líder evangélico chinês disse na ocasião que esta nova estratégia de perseguição é conduzida por uma nova regulamentação no país, lançada em 2017, e promulgada em 1º de fevereiro. De acordo com Fu, o objetivo dos comunistas é fazer com que o cristianismo seja “adaptado à sociedade socialista”.

O ativista registrou que sob os novos regulamentos os locais de atividades religiosas “aceitarão a orientação, supervisão e inspeção de departamentos relevantes do governo do povo local com relação à administração de pessoal, finanças, ativos, contabilidade, segurança, proteção contra incêndios, proteção de relíquias, saúde e prevenção de doenças e assim por diante”.

O líder afirmou que o projeto de cinco anos foi urdido pelo Movimento dos Três Patriotas e o Conselho Cristão Chinês (órgãos protestantes reconhecidos pela China) com a meta estabelecida de “promover a Sinicização do Cristianismo” e com isso abrir as portas para o cumprimento das novas regras religiosas. De acordo com o ativista, foi realizado um seminário em julho promovido pelo CCC e o TSPM e a pauta apresentada foi a discussão acerca deste plano quinquenal. Fu explicou que o esboço do plano foi concluído em uma reunião em março deste ano. O plano indica “cultivar e implementar os valores centrais socialistas”. A supervisão do plano caberá ao escritório nacional de assuntos religiosos e “todos os seminários e igrejas do TSPM e do CCC da província, região autônoma e do município cooperarão com ele”.

O ativista afirma que a releitura da Bíblia é a maneira pela qual os comunistas pretendem sinimizar o cristianismo. “O plano deixou claro que ‘Sinicization of Christianity’ significa mudar ‘Cristianismo na China’ para ‘Cristianismo Chinês’”, explicou Fu. (O plano) enfatizou que “o coração e a alma da Sinicização do cristianismo é Sinicizar a teologia cristã”, e até propõe “re-traduzir a Bíblia ou reescrever comentários bíblicos”.

“Existem esboços de que a nova Bíblia não deve parecer ocidentalizada e (deve parecer) chinesa e refletir a ética chinesa do confucionismo e do socialismo”, observou o líder chinês ao The Christian Post. “O Antigo Testamento será confuso. O Novo Testamento terá novos comentários para interpretá-lo”.

O ativista acrescentou que o plano de cinco anos tem como meta a “incorporação dos elementos chineses aos cultos da igreja, hinos e canções, roupas de clero e o estilo arquitetônico dos edifícios da igreja”.

“Isso inclui ‘editar e publicar músicas de adoração com características chinesas e promover a Sinicização da música de adoração’, usando formas de arte exclusivamente chinesas, como pintura chinesa, caligrafia, inscrição e corte de papel para expressar a fé cristã. Também está incentivando as igrejas a se misturarem ao estilo da arquitetura chinesa, ao estilo arquitetônico local”. O ativista exibiu um quadro sombrio baseado nos últimos acontecimentos em seu país: enquanto mais de 4 mil a 6 mil cruzes de igrejas liberadas pelos comunistas acabaram removidas, os santuários que ostentam crucifixos em seu interior devem “colocar fotos do presidente Mao tsé tung e do Presidente Xi (Jinping) nos dois lados da cruz”. Mas isto não é tudo, o líder evangélico acrescentou que “no início de cada culto, o coro da igreja tem que cantar algumas canções revolucionárias comunistas louvando o partido comunista antes que possam cantar as canções de adoração”, detalhou o líder chinês.