Como o cristão pode combater a violência

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Brasil é um dos mais violentos do mundo, com 60 mil homicídios ao ano

Como o cristão pode combater a violênciaSegundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, em 2012, foram assassinados no Brasil 50.018 pessoas contra 46.117 em 2011. A média em nosso pais nos últimos 10 anos tem sido de 50 mil homicídios por ano, o que significa uma Guerra do Vietnã por ano. Sendo que, em agosto do ano passado, o programa “Fantástico”, da Rede Globo de Televisão, divulgou uma denúncia de que, na verdade, o número de assassinatos anuais é muito maior. Cerca 8,6 mil homicídios cometidos todos os anos não entram nas estatísticas. A descoberta foi do pesquisador Daniel Cerqueira, do Instituto de Pesquisas Aplicadas (IPEA) do governo federal.

“Nós verificamos que, nos últimos 15 anos, cerca de 175 mil pessoas foram mortas de forma violenta e o Estado não conseguiu dizer qual foi a causa. A conclusão, cruzando dados e pesquisando caso a caso, é que 74% dessas mortes violentas indeterminadas se tratavam, na verdade, de homicídios. Ou seja: o que estamos dizendo é que a taxa de homicídios no Brasil é cerca de 18,6% maior do que aquela registrada oficialmente hoje”, explica Daniel. Isso dá cerca de 60 mil homicídios por ano.

O que mais nos preocupa como cidadãos é que o Brasil tem índices assustadores, maiores do que a proporção de assassinatos por 100 mil habitantes em países que se encontram em guerra civil, e, mesmo assim, esse tema não é tratado com a devida atenção pelos políticos no Brasil. Na maioria dos Estados brasileiros, o índice de violência é superior ao índice mínimo estabelecido pela ONU. Poucos Estados, como Amapá, São Paulo e Santa Catarina, estão dentro do índice considerado normal. Estados como Alagoas, Pará, Ceará e Bahia estão entre os mais violentos. A violência nas ruas e presídios do Maranhão no início deste ano também chamou a atenção.

Diante desse cenário, o que podemos e devemos fazer como cristãos, além de cobrar das autoridades públicas uma ação mais efetiva contra o crime? O que está ao nosso alcance como cidadãos e crentes em Cristo? Como devemos lidar com a violência e combatê-la?

O que podemos fazer

Como sabemos, a violência no mundo é um dos terríveis efeitos do pecado. O primeiro homicídio da história aconteceu já na segunda geração de seres humanos, quando Caim matou a seu irmão Abel (Gênesis 4.1-10). Infelizmente, a violência faz parte do dia-a-dia nas cidades, principalmente nas grandes cidades. Portanto, como o cristão deve lidar com isso?

Em primeiro lugar, ele não deve se acomodar à realidade da violência, mas combater a violência. A Bíblia afirma que não apenas devemos fugir do mal, mas também denunciá-lo e combatê-lo: “Não vos associeis às obras infrutuosas das trevas, antes, porém, condenai-as” (Efésios 5.11). Devemos pregar contra a violência e manifestar a Paz de Deus em nossas vidas onde estivermos.

Em segundo lugar, e igualmente importante, devemos pregar o Evangelho de Cristo, que é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Romanos 1.16). Somente o Evangelho tem poder para resgatar vidas e mudar cenários

Em terceiro lugar, o cristão deve ser um agente da paz onde ele estiver: “Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5.9). Uma vez em paz com Deus, ele deve semear a paz entre os homens.

Em quarto lugar, o cristão deve apoiar as políticas de Estado para condenar e punir o mal (Romanos 13.1-7). Os direitos humanos, devem ser respeitados – a Bíblia diz, inclusive, que devemos amar os nossos inimigos e nunca desejar a eles o mal que não aceitamos para nós (Mateus 5.43-48) –, porém isso não significa afrouxamento da lei, pois a sentença adiada inclina o coração do povo para o mal. Direitos humanos para condenados têm a ver com respeito à integridade do prisioneiro não com afrouxamento da pena. São coisas absolutamente diferentes.

Em quinto lugar, o cristão deve precarver-se do mal e confiar no Senhor. Ele deve crer na proteção de Deus (Salmos 91.1; 121.1-8; 127.1), mas, ao mesmo tempo, fazer a sua parte para se proteger, pois estamos em um mundo mal (1 João 5.19). O crente não deve tentar a Deus, flertando com o perigo na esperança de que, se acontecer qualquer problema, Deus irá ajudá-lo (Deuteronômio 6.16; Mateus 4.6, 7).

Em sexto lugar, se tornar-se uma vítima da violência, o cristão não deve procurar retribuir o mal com suas próprias mãos (Romanos 12.19-21), mas pode procurar as vias legais para que o criminoso não seja impune, mas pague pelo seu crime, e não venha a fazer o mal a outras pessoas (Romanos 13.1-7).

Quando Deus diz para seus filhos preferirem sofrer o dano em vez de procurar repará-lo, não está desautorizando a reparação legal, a reparação via justiça secular em casos graves, mas querendo dizer que nunca devemos fazer justiça com as nossas próprias mãos e que devemos revelar as injustiças e maus tratamentos do cotidiano, que sofremos eventualmente no dia-a-dia. Além disso, quer dizer que devemos também confiar que o Senhor, que é Justo Juiz, e que também foi ofendido por aquela ofensa ou ataque a seus filhos, irá julgar (compensar, reparar e punir) o mal feito a Seus filhos.

Há também o fato, frisado nas Sagradas Escrituras, de que, independente de a punição secular ser dada ou não ao ofensor, o cristão ofendido deve sempre perdoar o ofensor e não retribuir o crime com outro crime, a maldade com outra maldade, o erro com outro erro. Não retribuir o mal com o mal não quer dizer que, cometido um crime contra mim, minha família ou próximos, não devo denunciar o crime para que o criminoso seja preso e condenado pelos seus crimes – o que evitará não apenas o mal da impunidade, mas também que, uma vez impune, o criminoso possa se sentir livre para repetir o mal contra outros. Não retribuir o mal com o mal quer dizer: “Não haja com ele da mesma forma que ele agiu com você. Não retribua maldade com maldade, injustiça com injustiça. E, apesar de tudo, não guarde mágoa ou rancor, mas perdoe e siga em frente”.

Ou seja, A Bíblia não condena o fazer a justiça, mas apenas o fazer a justiça pelas próprias mãos ou sem ser pelas vias legais e também, mesmo que seja pelas vias legais, atribuindo ao culpado uma punição proporcional.

Por fim, em sétimo lugar, o cristão encontrará em Deus forças e graça para superar o trauma da violência (Atos 4.23-31; 5.40-42). Somente o Espírito de Deus pode consolar e restaurar perfeitamente (Romanos 8.26).

A pregação do Evangelho e o compromisso de cada cristão em disseminar uma cultura de paz na sociedade são fatores que podem ajudar na contenção do problema da violência; quanto à solução, esta só será possível mesmo quando Jesus voltar.

Por, Mensageiro da Paz.

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