China queima Bíblias e fecha igrejas

Em desafio, cristãos chineses pregam nas ruas

China queima Bíblias e fecha igrejasEm setembro, autoridades do governo comunista da China incendiaram Bíblias e forçaram os cristãos a assinar documentos renunciando sua fé. O momento em que exemplares da Bíblia foram queimados foi registrado em vídeo por ativistas cristãos.

O presidente da organização China Aid, Bob Fu, publicou o vídeo no seu canal no Twitter em 5 de setembro, informando que as Bíblias e cruzes foram queimadas pelo Partido Comunista da China na província de Henan. “A última vez que a campanha de queima de Bíblias aconteceu foi no final dos anos 1960, pela esposa do ditador Mao, Jiang Qing, em Xangai. Ela foi presa em 1976, mas os cristãos cresceram em milhões. Isso nunca será bem-sucedido”, destacou Bob Fu em sua publicação.

Além da queima de Bíblias e cruzes, as autoridades chinesas têm forçado os cristãos a renunciarem sua fé através de documentos, para não perderem benefícios sociais, de acordo com a apuração do canal de tevê norte-americano Fox News.

Bob Fu explicou que o governo está tentando “sinicizar” o cristianismo, impondo a religião com princípios nacionalistas e exigindo lealdade ao Partido Comunista (“Sinicizar” é um neologismo usado pelo governo chinês para se referir à prática de “transformar em chinês” uma cultura não-chinesa, mas entendendo como sendo chinês aquilo que estabelece o Partido Comunista Chinês).

Nos últimos anos, a China tem sido marcada pela repressão aos cristãos e igrejas. Em 9 de setembro, uma das maiores igrejas protestantes em Pequim teve “materiais promocionais ilegais” confiscados pelas autoridades governamentais. A Igreja de Sião, outrora uma “igreja autorizada”, passou a ser classificada pelo governo como uma denominação “clandestina”. Durante anos, ela atraía centenas de fiéis em seus cultos na capital do país. Neste ano, porém, está enfrentando uma crescente repressão. Em abril, a igreja foi impedida de instalar câmeras de televisão no prédio e enfrentou ameaças de despejo.

O pastor Jin Mingri contou que as autoridades comunistas acusaram a igreja de realizar eventos sem ter registro, declarando a igreja “legalmente banida”. “Temo que não há como resolver essa questão com as autoridades”, disse Mingri à agência de notícias Reuters.

O Centro Americano de Direito e Justiça iniciou petições para abordar a repressão à liberdade religiosa na China. “O governo chinês está tentando impedir a disseminação do cristianismo. Essa perseguição flagrante não pode ser tolerada”, disse a organização em sua petição, que já foi assinada por mais de 40 mil pessoas até o momento.

“Estamos abordando a severa perseguição dos cristãos chineses nas Nações Unidas”, acrescentou a organização. “Estamos trabalhando internacionalmente para pressionar a China a parar de perseguir os cristãos”, conclui a organização.

Reação: chineses pregam nas ruas de Chengdu

Ao que parece, os cristãos chineses estão começando a reagir ao governo. Depois que autoridades da China fecharam as portas de uma igreja classificada como “clandestina” em Chengdu, seus membros saíram para realizar cultos em praça pública. Um vídeo foi publicado em 9 de setembro por Christopher Gregory, da organização China Missions, mostrando cristãos orando, louvando e pregando o Evangelho nas ruas. Trechos das imagens mostram fiéis cantando alegremente, falando sobre Deus em microfones e orando publicamente.

A igreja, localizada na cidade de Chengdu, costumava fazer cultos aos domingos até ser fechada pelas autoridades chinesas, disse Gregory ao site Christian News Network. O pastor foi detido por policiais na ocasião, mas foi solto mais tarde.

“Acharam que era o fim [da igreja], mas não era. As pessoas levaram o Evangelho às ruas e fizeram os cultos nos parques, enquanto as autoridades observavam perplexas sem saber o que fazer”, descreveu Gregory na legenda do vídeo.

“Pela primeira vez, as pessoas em toda a China estão dizendo ‘não’ ao que o Partido Comunista quer: controle. Controle sobre o que elas podem fazer, no que podem acreditar, onde podem ir, o que podem dizer. É mais um sinal de que algo está começando a tomar forma aqui na China, um chamado para a democracia”, o missionário acrescentou.

O governo chinês exige que os cristãos façam parte de associações autorizadas pelo Partido Comunista. Os protestantes devem seguir as normas do Movimento Patriótico das Três Autonomias e da Associação Cristã da China, enquanto os católicos devem se registrar na Associação Patriótica Católica. As igrejas que não seguem a liturgia oficial do governo são consideradas clandestinas. As chamadas “igrejas domésticas”, como a congregação de Chengdu, é formada por cristãos que se reúnem nas casas.

“Como a maioria das igrejas oficiais é instruída a ensinar a lealdade ao Partido Comunista, promovendo muitas vezes os princípios dessas crenças, muitos fiéis se encontram fora do sistema religioso oficial, em grupos conhecidos como igrejas domésticas ou subterrâneas”, explica a organização China Aid. Além disso, as igrejas clandestinas evangelizam, enquanto as igrejas autorizadas podem cultuar, mas não podem evangelizar. No entanto, as igrejas que estão fora do registro oficial estão sujeitas à prisão. A aplicação da pena varia de província para província.

“O governo está tentando silenciar qualquer coisa relacionada ao cristianismo por causa de seu crescimento, mas está enfrentando uma resistência interna. O governo chinês vê o aumento de cristãos como um risco de perder o controle sobre a sociedade”, explicou Gregory.

Gregory ainda pediu orações pelo país: “Ore por todas as igrejas na China, tanto sancionadas pelo Estado como as não registradas (igrejas domésticas). Ore por uma mudança aqui, para que o Evangelho alcance o coração dos homens, para que a verdadeira mudança possa acontecer. Então veremos um avivamento na China”.

(Fontes: CPADNews, China Aid, Fox News, Christian Post, Christian News Network e Guia-me)

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