Relação da fé com a salvação

Efésios 2 sugere que a fé salvífica é um dom […] Sendo assim, então a salvação alcança apenas àqueles a quem Deus der o dom, e nesse caso estaria certa a tese de que a salvação é limitada a um grupo de predestinados.

Quando Paulo se refere à salvação pela graça (“pela graça sois salvos”), quer dizer que a possibilidade de ser salvo foi criada por Deus, e é uma ação única e exclusiva de Deus em favor dos homens, por isso é graça. Deus deliberadamente decide salvar o ser humano, através da obra de Cristo, “por meio da fé”. Paulo a coloca como a confiança na ideia de que por meio dela o homem alcança a salvação. Portanto, a confiança na salvação (criada por Deus) é de responsabilidade humana e é a condição para a salvação.

“É dom de Deus” como sendo dádiva, não é algo que está no ser humano, mas sim algo que está em Deus, é parte da natureza de Deus, é uma forma de expressão do seu ser, é a materialização de um imenso amor. Logo, considerando que Deus é amor, a possibilidade e a efetivação da salvação podem ser entendidas como ações dEle.

A possibilidade de salvação foi dada por Deus e o ser humano tem acesso a mesma por meio da fé. Não é a salvação que traz a fé, mas sim a fé-confiança é que torna a salvação efetiva, nos possibilitando acessar essa salvação disponibilizada por Deus. A fé não é o resultado da salvação, mas, antes é o meio pelo qual somos salvos pela graça de Deus.

Em Efésios 2 o uso dos termos “dom de Deus”, não está se referindo ao dom enquanto capacidade que Deus, através do seu Espírito, confere aos cristãos para a melhor realização da sua obra, mas no sentido de que é parte da natureza de Deus criar a possibilidade de salvação para o ser humano, conforme podemos observar em toda a Bíblia, concretizado particularmente na pessoa de Jesus.

Portanto a alternativa de encontrar similaridades entre o dom de cura ou de falar em línguas e a salvação enquanto “dom de Deus” para justificar a crença na perspectiva reformada de predestinação deve ser descartada, pois são dons diferentes quanto a sua abrangência. O“dom de Deus” deve ser entendido como dádiva-presente ou capacidade de criar meios de salvação, então essa possibilidade não é fruto de nenhuma ação humana, é dádiva e ao mesmo tempo dom, porque só Deus tem essa capacidade de criar possibilidades de salvação para a humanidade, possibilidades essas que se encerraram em Cristo. Cristo é a expressão máxima do dom salvífico. Nesse sentindo a salvação está disponível a toda humanidade e não a um grupo seleto, basta ter fé, confiar (crer) na salvação em Jesus Cristo.

A graça preveniente (Romanos 5.18) estendida a todos os seres humanos lhes abre a oportunidade de, pela fé, crerem no evangelho, isto descarta a possibilidade de a eleição ser uma ação fatalista de Deus, destinada apenas a alguns indivíduos, enquanto os demais se perderão no inferno por uma escolha divina. Se isto fosse verdade Deus seria muito cruel e atestaria contra seu amor. Por isso, ele dá a oportunidade para que todos se salvem (Atos 17.30), indistintamente, porque Deus não faz acepção de pessoas (Atos 10.34). Assim, a fé é a resposta humana, ante o agir salvífico de Deus em seu favor. A responsabilidade é decorrente da ação da graça preveniente, conforme Armínio, é essa graça que promove a fé e inicia a salvação.

Por, Claiton Ivan Pommerening.




Falar em línguas é dom ou é um sinal?

Há diferença entre o falar em línguas como sinal e como dom?

Antes de responder a essa pergunta é necessário entender que cada escritor bíblico precisa ser lido nos seus próprios termos. Nem sempre o mesmo assunto é discutido da mesma forma em dois autores bíblicos diferentes. Esse é o caso do falar em línguas, conhecido também pela expressão grega glossolalia. Apenas o apóstolo Paulo e o evangelista Lucas falam da glossolalia no Novo Testamento. Será que Lucas, que é o autor de Atos dos Apóstolos, e Paulo, o autor da Primeira Carta aos Coríntios, queriam dizer a mesma coisa quando falavam da glossolalia? Ora, várias evidências textuais apontam para uma resposta negativa.

A natureza do falar em línguas em Atos dos Apóstolos e em 1 Coríntios são claramente diferenciadas e, naturalmente, complementares, embora sejam da mesma substância. Em Lucas, a glossolalia é o sinal de um enchimento pneumatológico de efeito missiológico. Ou seja, Jesus Cristo reveste o homem do Espírito Santo, no processo também conhecido como Batismo no Espírito, para que ele saia ao mundo proclamando o Evangelho com uma força e ousadia não naturais (cf. Atos 1.8; 2.1-4; 10.44-48; 19.6). Em Paulo, por outro lado, a glossolalia não é missiológica. O apóstolo destaca que o falar em línguas é um dom comunitário quando interpretado e, também, quando exercido na vida devocional, a glossolalia auxilia vocalmente a oração (1 Coríntios 14.2, 4, 5-19, 22, 27).

Neste sentido, uma coisa é falar em línguas como sinal do enchimento do Espírito e outro, diferente, é ter o dom de línguas que envolve a variedade (cf. 1 Coríntios 12.10). Por sinal, ou evidência, não se espera que essa língua seja contínua. Mas o dom de variedade, isso sim, acompanha o portador. O motivo? O propósito diferenciado. No primeiro caso a língua evidencia outra experiência: o enchimento do Espírito para a ação missionária. No segundo caso, a variedade de línguas pode ora servir como profecia para a edificação comunitária ora como oração para edificação individual. Em nenhum momento Lucas menciona a variedade de línguas em um falante, apenas Paulo.

Vejamos outras diferenças: A glossolalia de Atos dos capítulos 2, 8, 10 e 19 envolveu todo o grupo presente, enquanto o dom de línguas era a posse de alguns indivíduos em Corinto. Quando Paulo pergunta em 1 Coríntios 12.30 se “falam todos diversas línguas” ele, naturalmente, tem em mente uma resposta negativa. Isso contrasta com “todos” que falaram em línguas no Pentecostes e em Cesárea (Atos 2.4; 10.44), e está implícito que todos foram usados em glossolalia na cidade de Samaria e Éfeso (8.16,17; 19.6,7). Outro ponto importante: a glossolalia em Atos não requer intérprete. As línguas estrangeiras são claramente reconhecidas (xenolalia) e a mensagem era de louvor a Deus (Atos 2.11; 10. 46; 11.15). Já em Coríntios, o exercício público do dom de línguas depende da presença de um intérprete (1 Coríntios 14.28) e sua mensagem é claramente profética (1 Coríntios 14.5).

Uma semelhança importante entre Paulo e Lucas é que para ambos a língua é inteligível, ou seja, não é fruto de êxtase. Outro ponto é que a língua serve como um sinal para o público incrédulo (Atos 2. 4,5), pois desperta a consciência do homem pagão para o sobrenatural e também para a sua alienação de Deus (Atos 2.6–8,12). A resposta zombeteira da audiência demonstra que o fenômeno desperta o incrédulo a uma resposta (2.13; compare com 1 Coríntios 14.23).

Portanto, para concluir, Lucas enfatiza a glossolalia como sinal do enchimento do Espírito. O ponto central dessa glossolalia não é a sua mensagem, mas sobre o que ela aponta: a missão impulsionada pelo Espírito. Enquanto que em Paulo, a glossolalia é um dom, o dom de variedade de línguas, que deve ser usado na congregação quando interpretado, funcionando como uma profecia, e na oração devocional para edificação individual.

Por, Gutierres Fernandes Siqueira.




Teste de fidelidade apenas para mulher?

Como entender Números 5.11-31?

A pergunta de nosso leitor é pertinente, considerando que nós servimos a um Deus imparcial e não faz acepção de pessoas. Nos tempos da Antiga Aliança, a moralidade sexual para a mulher era estrita e severa. A mulher era casada com um homem e quando este suspeitava que a esposa estava tendo relacionamento extra conjugal, e ela confessasse o seu pecado, ela era condenada a pena capital que era aplicada com pedradas até a sua morte. Mas no caso de dúvidas, a lei contra a infidelidade conjugal exigia que o marido conduzisse a sua esposa diante do sacerdote que, depois de descrever a norma que condena este pecado, a escrevia num pergaminho e, antes que as letras secassem, mergulhava a sentença num recipiente com água à qual era acrescentado um pó amargo. Esta água amarga, tendo dissolvido as palavras condenatórias, dava-se à mulher para beber e, mediante a intervenção divina, se a mulher fosse culpada, cairia doente, com inchação no ventre e infecção do útero, descaimento da coxa, arrastando a perna ao andar, dando mostras de sua infidelidade (Números 5.27). Mas se a mulher fosse inocente, estaria livre da terrível condenação, e estaria livre para gerar filhos (Números 5.28).

Assim a lei nacional mantinha a pureza conjugal, a fidelidade da mulher em sua sujeição ao amor do seu marido, e o controle dos ciúmes. No caso do homem, quando este adulterava com a mulher de seu próximo e maculava o seu relacionamento com a mulher de sua mocidade (Malaquias 2.14), com certeza, a Bíblia prevê a sua sentença, o transgressor ficava impune, embora o processo discorresse de forma diferente:

a) Advertência divina (Êxodo 20.14; Malaquias 2.15).

b) Deus julgará os impuros e adúlteros (Levíticos 20.10; Deuteronômio 22.22; Hebreus 13.4).

c) Deus permite o marido traído se vingar (Provérbios 6.32-35). O Senhor Deus jamais seria parcial ao punir a mulher que cometeu adultério e deixasse livre o homem que cometeu o mesmo pecado. Um bom exemplo de uma situação semelhante pode ser conferida no Evangelho de João 8.3-11, no momento em que uma mulher apanhada em adultério foi colocada diante de Cristo por seus acusadores. Mas vamos nos prender aos detalhes:

a) Só a mulher foi trazida; por que o homem não compareceu?

b) Onde estavam as testemunhas?

c) A lei exigia a execução das duas partes (Levíticos 20.10,11).

Através dessas informações concluímos que a fidelidade matrimonial e o respeito mútuo entre os cônjuges continuam sendo as características de um relacionamento feliz e abençoado desde os primórdios da humanidade, e será assim até o fim dos tempos.

Por, Waldemar Pereira Paixão.




Pais férteis transgridem ao não terem filhos?

Se um casal fértil evita de ter filhos, eles transgridem a indicação de Gênesis 1.28 acerca da manutenção da espécie humana?

Após criar o ser humano, em sua natureza e configuração sexual binária, homem e mulher, ou “macho” e “fêmea”, e ordenou que o casal frutificasse e se multiplicasse, e enchesse a terra (Gênesis 1.27, 28). Esse foi o plano original de Deus para que a raça humana se multiplicasse, e povoasse todo o planeta.

I – CONCEITOS

1. Controle da natalidade. É um conjunto de medidas coercitivas e autoritárias, determinadas por um governo de determinado país, visando diminuir o crescimento populacional, com vistas ao desenvolvimento sócio-econômico.

2. Planejamento familiar. Indica o exercício da paternidade responsável, por parte do casal, de forma voluntária, visando não ter muitos filhos, ou o espaçamento entre uma gestação e outra.

3. Paternidade responsável. Significa que o casal, de modo voluntário e consciente, resolve ter apenas o número de filhos que possam ser criados de forma digna, com educação e responsabilidade, diante de Deus e dos homens.

II – POSICIONAMENTO ÉTICO CRISTÃO

À luz da palavra de Deus, o casal cristão pode adotar o planejamento familiar, incluindo métodos anticoncepcionais, desde que alguns aspectos sejam considerados.

1. A vontade de Deus. “Julgamos que, para ter filhos, o casal cristão não deve esperá-los como mero resultado de uma relação sexual. Deve, sim, pensar em ter filhos de acordo com a vontade de Deus. Ou seja, que a concepção, o nascimento e o crescimento sejam da vontade do Senhor”.

2) Alimentação e saúde. Se os pais estiverem na vontade de Deus, o pão de cada dia não faltará (Salmos 23.1). Mas uma criança, ao nascer, precisa ser bem alimentada. Se um casal não está em condições de se alimentar bem, se gerar um filho, nessa situação, vai fazê-lo sofrer. E Deus, certamente, não quer isso.

3) Educação digna. Filhos mal educados, tanto na vida espiritual, quanto na vida material, tendem a se converter em pessoas prejudiciais à sociedade, em escândalo para a igreja do Senhor, e vergonha para seus pais. Isso não glorifica a Deus (1 Timóteo 5.8). Se os pais são tão pobres, que não podem dar um mínimo de educação digna aos filhos, parece-nos que não convém ter uma família numerosa.

CONCLUSÃO

Quanto à questão, entendemos que a resposta não pode ser um simples “sim” ou um simples “não”. O fator preponderante a considerar é a vontade de Deus. Se um casal tem a convicção de que é a vontade de Deus que tenha muitos filhos, é necessário que assim aconteça. Mas Deus não deu “o multiplicador” para o número de filhos. O casal pode limitar filhos, usando um método lícito e conveniente (cf. 1 Coríntios 6.12; 10.23). Se o método for abortivo não deve ser usado. O aborto é crime hediondo à luz da Bíblia (Êxodo 23.7). O método do uso do preservativo não implica em eliminar o embrião ou o feto. O método natural (Ogino Knaus) de igual modo. A Bíblia admite a abstenção sexual com alguns critérios (1 Coríntios 7.4,5).

Por, Elinaldo Renovato de Lima.




O adultério na Antiga Aliança

Por que os polígamos não eram considerados adúlteros na Antiga Aliança?

O adultério na Antiga AliançaO tema poligamia é complexo e de escassa literatura teológica versando sobre a violação da monogamia, contrariando a originalidade da sagrada união de um homem e uma mulher, como se lê em Gênesis 2.24. O primeiro registro bíblico tratando dessa violação está em Gênesis 4.19, citando Lameque, que tomou para si duas mulheres, prova que a natureza pecaminosa, desde a queda, se opõe aos princípios idealizados por Deus para o casamento. A civilização formada pelos descentes de Caim e Abel foi destruída pelo dilúvio, resultado da desordem moral como consequência da multiplicação da maldade sobre a terra, incluindo a banalização do matrimônio,conforme foi citado por Jesus em Mateus 24.37,38.

Concomitante como crescimento da raça humana pós diluviana, e na proporção que se formavam as nações, proliferaram os mesmos sintomas de desordem social, surgindo novamente a poligamia na conformação das clãs, conjunto considerado familiar, vinculado a um anterior consanguíneo, que se organizavam em núcleos acomodados no habitual do respectivo ambiente, deduzindo-se, portanto, que os povos antigos absorviam, empíricamente, esse costume, posteriormente regulado no Código de Hammurabi e em outros tratados. Por ausência de normas divinas punitivas, nas dispensações anteriores, alguns polígamos são mencionados no Velho Testamento, visto que, culturalmente, não era considerado adultério o homem ter mais de uma mulher, senão quando mantinha relacionamento sexual com a esposa de outro, a exemplo de Davi, casado com oito mulheres, e reprovado como adúltero no seu relacionamento com a então esposa de Urias.

Provavelmente o patriarca Abraão, natural de Ur dos caldeus, tenha herdado o costume de seus antepassados em relação ao casamento, pois além de Sara, esposa e mãe de Isaque, teve um filho com a serva Hagar, outros filhos com as concubinas, e no casamento com Quetura, após a morte de Sara, seis filhos (Gênesis 16.1 e 25.1-6), o mesmo acontecendo com Jacó, que por amor a Raquel, aceitou se casar primeiro com Lia, além de coabitar com as servas de ambas as esposas, de cujas mulheres nasceram os doze patriarcas (Gênesis 29.26-28 e 36.22-26). A poligamia foi prescrita de forma obscura por Moisés (Deuteronômio 21.15-17), e praticada em Israel da época dos juízes amonarquia (Jz 8.30 e 2Cr 24), não constando reprovação divina para o fato durante o período, por mais estranho que isso nos pareça. A premissa divina para o casamento monogâmico foi reestabelecida na nova aliança, conforme declarou Jesus: “no princípio, o Criador fez macho e fêmea e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne”, se constituindo doutrina para a igreja, conforme escreveu o apóstolo Paulo: “por causas da prostituição, cada um tenha sua própria mulher, e cada uma tenha o seu próprio marido” (Mateus 19.4,5 e 1 Coríntios 7.2). A instituição do casamento é tão sublime no ideal de Deus, a ponto de ser comparada com Cristo e a Igreja; portanto, nessa dispensação da graça a poligamia é adultério, imoral e pecaminoso.

Por, Kemuel Sotero Pinheiro.




A salvação de Cornélio e as obras

As ofertas e esmolas de Cornélio contribuíram para a sua salvação (Atos 10.4)?

A salvação de Cornélio e as obrasAntes da análise da passagem sobre Cornélio é bom lembrar que Atos é uma espécie de “gênesis da igreja”, isto é, neste livro aparecem várias “primeira vez”. Por exemplo, temos a palavra igreja pela primeira vez no livro em 5.11 e surge num contexto de “grande temor”. Em 11.26 diz que “os discípulos foram pela primeira vez chamados cristãos”. Existem outros exemplos.

Nesta passagem temos a inserção de uma família gentia na Comunidade dos crentes. Trata-se dos gentios – representados por Cornélio – entrando para a igreja. Pela primeira vez, oficialmente, começava o avanço do evangelho em território ou cultura gentílica. Fato, inclusive que só ganhará impulso, no século II, após 130 d.C. (Oskar Skarsaune, in À Sombra do Templo, S. Paulo, Ed. Vida, 2004, p.130).

Percebe-se a importância pela extensão que lhe foi conferida: a) todo um capitulo 10 para narrar o fato; b) é recontado no capítulo 11 e, c) Pedro faz menção implícita de sua experiência com Cornélio em 15.7-11. Estas passagens revelam que o fato é de suma importância e vai além das “orações e esmolas” de Cornélio. Trata-se de uma verdadeira mudança ou transformação para a nascente igreja. Foi tão fundamental este acontecimento, que Paulo afirma que se tratava de um “mistério oculto” há séculos, “a saber, que os gentios são co-herdeiros e de um mesmo corpo e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho” (Efésios 3.6). Um fato de tal magnitude somente poderia ter base na fé em Cristo e não em obras.

Examinando esta passagem descobrimos em Cornélio algumas características, tais como: temente a Deus, homem de oração, caridoso, não circuncidado, não prosélito (gentio convertido ao judaísmo); não era pagão; devotado ao estudo do judaísmo e centurião romano.

Vejamos as referências sobre oração e esmolas praticadas por ele. Por três vezes se faz menção a oração e esmolas (vv. 2,4, 31). No entanto podemos perceber que existe diferença entre uma e outra que devemos considerar. Em relação às esmolas, é informado que estão “em memória diante de Deus” (vv. 4 e 31). Já, em relação à oração, o texto afirma que “foi ouvida” (v. 31). Em verdade não encontramos nas Escrituras nenhuma reivindicação através das obras, mas que Deus sempre atende as orações. “Pela fé somos justificados e por boas obras Deus é glorificado” (Lutero). O que presenciamos nesta passagem é a resposta de Deus a oração de Cornélio.

Cremos que se cumpriu no centurião a resposta de Jesus quando lhe perguntaram “que faremos para executarmos as obras de Deus?” (João 6.28). A resposta foi que “a obra de Deus é esta: que creias naquele que ele enviou” (v.29). Devemos notar que perguntam sobre “obras” (plural) e a resposta vem em “obra” (singular). Isto significa que todas as obras precisam realizar-se nela e a partir dela, isto é, a fé em Cristo.

Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras que Deus preparou para que andássemos nelas (Efésios 2.8-11).

Por, Vantuil Gonçalves dos Santos.




A unção que despedaça o jugo

Como entender Isaías 10.27? Que tipo de unção é essa que “despedaça o jugo”? E que jugo é esse?

A unção que despedaça o jugo“E acontecerá, naquele dia, que as sua carga será tirada do seu ombro, e o seu jugo, do teu pescoço, e o jugo será despedaçado por causa da unção” (Isaías 10.27).

O profeta Isaías é chamado de o profeta Messiânico ou o profeta da Santidade. Pois revela em sua mensagem o Santo de Israel no meio do seu povo promovendo a libertação do pecado, inclusive do seu próprio pecado, como foi o caso na visão do capítulo seis. No capítulo dez do livro de Isaias encontramos a sentença de Jeová, corrigindo primeiramente o seu próprio povo e depois as nações opressoras e o verso dez revela o desfecho total na grande tribulação apocalíptica. Neste texto precisamos observar três fatos importantes: a carga nos ombros, o jugo no pescoço e a unção que despedaça o jugo. Carga nos ombros é algo que dificulta a agilidade do carregador e é exatamente isto que vemos os judeus carregarem durante todo o tempo de sua história, o jugo no pescoço indica a dificuldade do indivíduo olhar para os lados, devido ao jugo que está em seu pescoço e a unção que despedaça o jugo é que parece difícil de entender, pois o azeite da unção servia até para conservar e fortalecer a madeira do jugo e não para destruí-la. Então precisamos analisar com mais atenção o termo usado, especialmente na Bíblia Hebraica, que julgamos ser bem conservadora no uso das palavras originais. O shemem, que lemos na Bíblia Hebraica onde costumamos traduzir para a palavra “unção” só encontramos neste texto da Bíblia. Podemos ler da seguinte forma o jugo será despedaçado por causa do forte ou do gordo. Este termo mostra gordura, no sentido de força, tamanho, como alguém forte. As outras passagens em que as Escrituras falam sobre unção encontramos outros termos relacionados com azeite, gordura, unguento, etc. Este termo dá a ideia de gordura, que representa força, poder. Como a palavra shemem não é encontrada em outro verso da Bíblia, entendemos que é alguém ungido de forma impar, particular, especial, diferente, já que a história de Israel mostra muitos reis, sacerdotes e profetas sendo também ungidos. A própria palavra Messias ou Cristo quer dizer “ungido”. Então entendemos que esta unção que operou na ruína do jugo é justamente o Cristo que os judeus desprezaram e que naquele dia se apresentará a eles como o Messias que tanto esperavam. Esta unção está com a Igreja hoje, despedaçando jugos e libertando oprimidos pelo diabo, pois os judeus a rejeitaram, e com isto eles continuam subjugados e oprimidos, mas naquele dia o Messias aparecerá na hora mais cruciante e se apresentará e eles o perguntarão: que feridas são estas nas tuas mãos? e ele dirá: são as feridas que fui ferido na casa dos meus amigos. Neste verso dez podemos entender claramente a operação do Messias quebrando o jugo que tanto oprimiu os judeus e já no capítulo onze podemos ler o relato com muitos detalhes do reino milenar de Cristo.

Por, Domingos Floreni Lamberty.




A Bíblia e a Teologia da Libertação

Gostaria de saber o que é a Teologia da Libertação.

A Bíblia e a Teologia da LibertaçãoEm meio às agitações políticas e sociais do século 20, apareceu na América Latina a Teologia da Libertação como proposta às injustiças, à pobreza e à desigualdade social. O movimento ganhou grandes espaços no universo religioso no Terceiro Mundo, a partir da década de 1950, vindo a ser apelidada de a “cruz política”. Quanto à sua militância, ganhou rapidamente a simpatia da mídia. Nesses países, marcados pela desigualdade social e, paradoxalmente, pelo avanço do Evangelho, os teólogos da libertação encontraram o ambiente perfeito para fermentarem a sua doutrina.

Em que se sustenta, pois, esta teologia tão bem recebida nos ambientes socialmente críticos? Será a Teologia da Libertação realmente bíblica? A Teologia da Libertação é, na verdade, uma releitura marxista da Bíblia Sagrada; pouco valor empresta à redenção do homem através do sacrifício do Cristo de Deus na cruz. Antes, engaja-se nas ciências sociais e políticas, para recriar o homem segundo os pressupostos comunistas. Diz buscar a inclusão do homem, mas exclui esse mesmo homem do Reino de Deus. Para essa teologia, totalmente divorciada da Sã Doutrina, as narrativas bíblicas quanto aos milagres, por exemplo, não passam de mitologia. Enfim, ela não aceita a Bíblia como a inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus. “Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redarguir, para corrigir, para instruir em justiça, para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra” (2 Timóteo 3.16,17).

A Teologia da Libertação esvazia a fé do cristão, buscando explicar os milagres através da ciência; visa suprimir a transcendência do cristianismo, tornando-a um mecanismo de agitação e turbação social. Ela ignora o poder do Evangelho de Jesus Cristo. “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé” (Romanos 1.16,17).

A forma de divulgação e cooptação dos ensinos desta teologia é dissimulada, sem açodamento, porém constante. Ela procura guarida em várias paragens. E, sem o perceber, até igrejas evangélicas começam a assimilar-lhe as práticas e proposições. Nesse processo, a mídia tem sido a grande aliada da Teologia da Libertação, gerando uma visão romântica dessa ideologia nefasta e totalmente destituída do Reino de Deus.

Em termos gerais, a Teologia da Libertação encerra, em si, uma propositura repleta do ideal marxista como ferramenta de mudança do homem e da sociedade, afastando o ser humano do Plano de Salvação que Deus, através do Espírito Santo, estabeleceu para redimir a humanidade. É uma doutrina tão comunista como aquela que destruiu Cuba e a Venezuela e que tantos prejuízos causaram à Rússia e à China.

Por, Gilberto Corrêa de Andrade.




Erros de tradução na Bíblia

Ouvindo um professor de Escola Dominical, ele afirmou que existem erros de tradução na Bíblia. Afinal de contas, existe isso mesmo, erro de tradução na Bíblia Sagrada?

Erros de tradução na BíbliaAntes de responder sobre a existência de erros na Bíblia, é preciso entender o significado de tradução. Em termos comuns, traduzir uma palavra significa interpretá-la e substituí-la por outra que mantenha a mensagem. Por exemplo, “solteiro” pode ser trocado por “não casado”. O objetivo da tradução é transmitir o significado da mensagem original de maneira clara na língua a que se traduz. Pela natureza da atividade de tradução, em que a pessoa interpreta e reapresenta um texto, e pela riqueza das estruturas das línguas, existe mais de uma maneira de se expressar a mensagem do texto, o que pede uma classificação mais abrangente do que a dicotomia “acerto-erro”.

Existem princípios que fundamentam a tradução. Um deles é o literal, ou seja, traduzir palavra por palavra. Nesse caso, o texto fica pouco compreensível porque são palavras soltas, dispostas na sequência da oração na língua original que, muitas vezes, difere da estrutura da língua a que se traduz. Além disso, esse tipo de tradução pode distorcer o significado original se não for adaptado adequadamente à “gramática” da língua. Daí existe outro princípio que foca no significado da mensagem e não nas palavras; a finalidade é garantir a reprodução da ideia do texto dentro da estrutura da língua a que se traduz, porque cada uma se organiza de acordo com suas regras.

No caso das Escrituras Sagradas, o objetivo é apresentar a Palavra de Deus de modo que as pessoas entendam a mensagem de salvação com clareza. A Bíblia tem uma natureza de ser traduzível, o que facilita que seu texto possa alcançar diferentes povos. A primeira tradução é a Septuaginta (c. 280 a.C.), que trouxe para o grego o texto da Bíblia Hebraica, que é para nós o Antigo Testamento. Os textos cristãos, o que chamamos hoje de Novo Testamento, também logo cedo foram traduzidos do grego para o latim, depois siríaco. A transmissão dos textos bíblicos ao longo do tempo pode ser acompanhada nos milhares de manuscritos existentes, o que também reafirma a credibilidade das Escrituras. E é impressionante observar a fidelidade dos copistas e tradutores nesse processo para preservar o texto.

Embora nenhuma tradução seja perfeita, é possível rever com frequência a qualidade das versões bíblicas. As línguas são dinâmicas, o vocabulário e o uso das palavras variam ao longo do tempo, por isso, é necessário que de tempos em tempos haja revisão a fim de assegurar a compreensão da mensagem e manter a linguagem atualizada. Não está claro o que o professor de Escola Dominical quis dizer com “erro de tradução na Bíblia”, isso soa um pouco vago. O importante, no entanto, é perceber que a mensagem das Escrituras Sagradas é a mesma em qualquer que seja a versão e vem sendo anunciada há milhares de anos, o desafio é apresentá-la de maneira clara aos leitores.

Por, Daniele Soares.




É correto orar em nome da Trindade?

Podemos encerrar uma oração com a expressão “em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”?

É correto orar em nome da TrindadeA utilização da supracitada expressão encontra-se especificamente exposta em estilo declaratório por Jesus no capítulo 28 do Evangelho narrado por Mateus. “E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto, ide, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-as a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém!” (Mateus 28.18-20).

Percebo claramente um mal emprego da expressão ora estudada e se não corrigirmos urgentemente, o povo crescerá regido com esta pronunciação desarmoniosa onde não há nenhuma ligação acerca do que Jesus nos transmitiu com respeito a oração.

Quando Cristo pronunciou isto aos Seus discípulos, estava lhes incumbindo de uma responsabilidade tremenda, pois basta uma boa verificada no texto já citado para redescobrirmos que se refere ao ato batismal e não ao seu emprego no final da oração.

Note que esta expressão está registrada somente uma vez, e isto porque é específica. Já tem sido notificado em nossas reuniões o costumeiro uso da expressão em exame, por vários irmãos que militam na Obra do Senhor.

Queridos em Deus, basta um cuidadoso e dedicado estudo acerca da oração, para regermos de maneira correta no término de uma oração. Mediante a expressa revelação da Escritura vemos que não existem subsídios com que venha defender a tese ora estudada. Em nenhuma parte escriturística encontramos os apóstolos orando e agradecendo no final da oração em nome da Trindade.

Todavia, o próprio Senhor Jesus transmitiu em alguns de seus ensinos a importância de pedir as coisas ao Pai, apoiando-se em Seu poderoso nome. Isto se compreende nos seguintes textos: “E, naquele dia, nada me perguntareis. Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar. Até agora, nada pedistes em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria se cumpra. Disse-vos isso por parábolas; chega, porém, a hora em que vos não falarei mais por parábolas, mas abertamente vos falarei acerca do Pai. Naquele dia, pedireis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai, pois o mesmo Pai vos ama, visto como vós me amastes e crestes que saí de Deus” (João 16.23-27).

Note a forte declaração afirmativa na expressão que se repete em um espaço de três (3) vezes: “em meu nome”. Concluo afirmando que o término de nossas orações deve ser: “em nome de Jesus” e não em nome da Trindade. Paulo deixou isto implícito ao escrever aos Efésios, capítulo 3 e versículos 14 e 15, que dizem: “Por causa disso, me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome”. Declaro que nesse negócio não vale o que achamos ou pensamos, mas o que a Escritura revela abertamente. Então, se temos consciência de que pronunciamos errado no término de nossas orações, só deves fazer uma coisa: corrigir.

Por, Sílvio Vinícius Martins.