DNA mostra que todos viemos de um casal

Novo estudo corrobora anteriores, que apontam para pai e mãe comuns

A Bíblia afirma que todos os seres humanos são descendentes de um pai e uma mãe comuns, sejam eles Adão e Eva, antes de tudo, ou, posteriormente, Noé e sua esposa. Agora, mesmo cientistas céticos estão tendo que reconhecer isso, apesar de não usarem os nomes dos personagens históricos bíblicos ao declararem o mesmo. No final do ano passado, cientistas dos Estados Unidos e da Suíça anunciaram uma descoberta que aponta para essa afirmação bíblica. Estudando o DNA humano, eles descobriram que este indica que todos os seres humanos são descendentes de um pai e uma mãe comuns que apareceram entre 100 mil e 250 mil anos atrás, após um evento que quase acabou com a raça humana. Embora seja biblicamente polêmica essa datação (os dados bíblicos apontam para milhares de anos e não 100 mil anos), tal indício nos faz lembrar naturalmente do relato bíblico de Noé e sua família sobrevivendo ao dilúvio universal.

Embora os pesquisadores à frente desse estudo acreditem em uma explicação evolucionista e não estejam apontando para o Adão e Eva bíblicos ou mesmo para Noé e sua esposa, a descoberta do DNA deles provocou muito debate no meio científico, justamente por lembrar o relato bíblico e ser um dos estudos mais desafiadores já realizados. Além disso, ele coloca em cena um mistério novo para os cientistas céticos: O que aconteceu para acabar com quase toda a vida no planeta, deixando para trás apenas as pessoas que se tornariam o pai e a mãe comuns de todos os seres humanos?

Além de apontar para o relato bíblico, essas novas descobertas, como frisa o jornal britânico Daily Mail, põem em dúvida os padrões da evolução biológica atualmente aceitos pela maioria da comunidade científica. A pesquisa foi liderada pelo pesquisador sênior Mark Stoeckle e pelo pesquisador associado David Thaler, da Universidade de Basel, na Suíça, e foi publicada na revista Human Evolution.

De acordo com os pesquisadores, foram estudados os “códigos de barras” genéticos de cinco milhões de seres humanos e animais – ao todo, cerca de 100 mil espécies – para chegar a essas conclusões. Os “códigos de barras” são trechos de DNA que residem fora do núcleo das células vivas, o chamado DNA mitocondrial, que as mães passam a seus filhos de geração em geração. Essa técnica e identificação é chamada de “DNA Barcoding”.

Os pesquisadores Stoeckle e Thaler revelaram ainda em seu artigo publicado na Human Evolution que mais de 90% de todas as espécies de animais vivos hoje vêm de pais comuns que começaram a dar à luz na mesma época, em algum lugar há cerca de 250 mil anos, o que outra vez aponta para o relato bíblico sobre a origem da vida.

Diante de tais evidências, o canal de notícias norte-americano Fox News frisou, ao divulgar as descobertas, que o resultado do estudo publicado pelos referidos cientistas se alinha notavelmente com o que a Bíblia diz de duas formas notáveis: primeiro, porque ele confirma que nós descendemos de um pai e uma mãe comuns, e também que o mesmo acontece com todos os animais; e segundo, todos esses pais e mães comuns desses seres começaram a dar à luz “na mesma época”, o que demonstra uma ação orquestrada por algum mecanismo desconhecido.

Todas essas evidências se chocam frontalmente com as afirmações evolucionistas tradicionais de que todos nós seres humanos não somos filhos de um pai e uma mãe comuns; que os seres humanos existem há pelo menos 500 mil anos; e que não houve um evento recente universal que acabou com toda a humanidade, sobrando só uma família que deu prosseguimento a toda a raça humana.

Outro detalhe dessa pesquisa é que ela mostra o quanto somos ligados uns aos outros geneticamente, apesar das diferenças étnicas. “No momento em que os humanos colocam tanta ênfase nas diferenças individuais e de grupo, talvez devêssemos passar mais tempo questionando como nos parecemos uns aos outros”, destacou o Dr. Mark Stoeckle ao jornal Daily Mail ao se referir ao resultado o estudo.

Esse estudo corrobora o estudo da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, publicado em agosto de 2013 na revista Science, que afirma que há, sim, ancestrais comuns a todos os homens e todas as mulheres do mundo e que eles viveram na mesma época. Os chamados “Eva mitocondrial” e “Adão cromossomial-Y”, cujos genes podem ser encontrados em toda a humanidade, teriam vivido, segundo essa pesquisa, entre 99 mil e 148 mil anos atrás, no caso da mulher; e entre 120 mil e 156 mil anos atrás, no caso do homem, o que os coloca no mesmo período de tempo.

Segundo o pesquisador sênior desse outro estudo, o professor de genética Carlos Bustamante, da Universidade de Stanford, trabalhos anteriores indicavam que esse antepassado do homem havia vivido bem antes da mulher, mas o estudo mais aprofundado realizado em 2013 os levou a revisarem os dados.

Um detalhe interessante é que o principal autor dessa pesquisa de 2013, David Poznik, disse à época que conjecturava que outros antepassados dos seres humanos podem ter existido além desses pai e mãe comuns, mas eles devem ter “morrido por um evento ainda não identificado”. Ou seja, na tentativa de fugirem de uma narrativa próxima do Adão e Eva bíblicos, caem em uma narrativa próxima da história bíblica de Noé. Como diz um antigo dizer popular, às vezes, “se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come”.

Em 2016, a Dra. Rebecca L. Cann, do Departamento de Biologia da Universidade da Califórnia (EUA), em Berkeley, realizou uma pesquisa com o mesmo intuito: descobrir a origem da raça humana através do mtDNA (DNA Mitocondrial). Ela e sua equipe realizaram ao todo testes com 147 pessoas das cinco populações geográficas do mundo, de todos os grupos étnicos de seres humanos, e concluiu que todos possuíam um mtDNA idêntico. Portanto, todos teriam uma mesma ancestral em comum, uma “Eva Mitocondrial”, como estudo de 2013 já apontava.

Ao tentarem descobrir quando e onde a primeira mulher havia surgido, as pesquisas revelaram que ela era africana e teria surgido há pelo menos 200 mil anos. Essa conclusão veio por meio de métodos baseados em datação radiométrica. Entretanto, contrariando essa forma de datação, um estudo feito pelos doutores Lawrence Loewe e Siegfried Sherer mostrou antes que, se compararmos o tempo necessário para que as pequenas variações genéticas passem a fazer parte do material genético de um grupo de indivíduos com o número dessas variações do mtDNA, chegaremos à conclusão de que a primeira mulher teria surgido em algum tempo entre 6000-6500 anos atrás.

A professora An Gibbons, em sua palestra no First International Workshop on Human Mitochondrial DNA, realizado de 25 a 28 de outubro de 1997, em Washington, D.C. (EUA), e publicada na edição 279, de 1998, da revista Science, sob o título “Calibrating the Mitochondrial Clock”, afirmou que os primeiros “investigadores calcularam que a ‘Evamitocondrial’ – a mulher cujo mtDNA foi ancestral de todos os seres humanos – viveu entre 100 mil a 200 mil anos atrás, na África. Mas, utilizando o novo relógio, ela teria uns meros 6 mil anos”. O problema é que o resultado desse outro método de contagem se choca como ideal evolucionista, por isso mantém-se a outra forma de datação, que, mesmo assim, ainda vai contra os 500 mil anos para os seres humanos, caindo para 100 mil anos. É a ciência “rebolando” para tentar driblar as evidências pró-narrativa bíblica.




Conselho de Psicologia pode ser investigado por perseguição

Rede Globo é sentenciada a pagar indenização a psicólogos

A conhecida psicóloga paranaense Marisa Lobo reuniu-se com o deputado federal Marco Feliciano no dia 12 de novembro de 2018 a fim de entregar-lhe um dossiê contra os Conselhos de Psicologia (regionais e federal), no documento a psicóloga faz denúncia contra o aparelhamento político e ideológico destas autarquias. Durante o encontro, o parlamentar recebeu o documento e garantiu pedir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) incluindo audiências públicas, oferecendo assim a chance dos profissionais discordantes de se pronunciarem contra tal doutrinação.

A iniciativa de Marisa Lobo contra os conselhos aconteceu logo depois que a psicóloga Patrícia Teixeira teve o seu registro profissional cassado pelo Conselho Regional de Psicologia (CRP) em Tubarão (SC). A psicóloga divulgou um vídeo em 2015 no qual revela a sua postura contrária à ideologia de gênero e apoio aos valores da família tradicional, no que foi considerada “preconceituosa”.

“Uma das coisas que essa ideologia ignora é que as crianças, até certa fase da vida, precisam de referenciais sólidos para que vivam a plenitude do gênero com o qual foram criadas. A ideologia de gênero atribui à escola a responsabilidade de pregar essa neutralidade, anulando assim, o papel dos pais, os principais responsáveis por transmitir tais referenciais”, disse a psicóloga no vídeo.

Sensibilizada, Marisa Lobo identificou-se com o caso da colega considerando que a própria ainda enfrenta a intolerância dos Conselhos (regional e federal) de Psicologia, depois que seus representantes a acusaram de tentar promover a cura gay e empreender o proselitismo religioso em seu consultório. Em 2014, Marisa Lobo enfrentou o Conselho Federal de Psicologia (CFP) por ter participado de audiências públicas nas quais declarou o seu apoio ao Projeto de Decreto Legislativo 234 que torna sem efeito parte do Artigo 3º e o Artigo 4ª da Resolução nº 0199 do Conselho Federal de Psicologia.

Naquela época a imprensa intitulou o projeto de “Cura Gay”, devido a tentativa de reverter a interferência do órgão na relação psicólogo-paciente impedindo assim que os profissionais tratem homossexuais em seus consultórios pedindo-lhes ajuda.

“Mesmo admitindo no relatório que eu não curei gay, ou ofereci tratamento, mesmo o relator afirmando que não foram encontradas provas de tal ato, ainda assim, me cassaram por eu dizer na mídia que conheço ex-gay”, terminou.

Após a sua cassação, a profissional conseguiu reverter o caso de modo que as acusações foram todas anuladas nas audiências dos próprios Conselhos. Desta vez, Marisa Lobo procurou ajuda do parlamentar e fez comentários sobre o encontro com o deputado Marco Feliciano.

“Em reunião, o deputado prometeu tomar providências e garantiu que vai pedir uma CPI, audiências públicas para discutir sobre a perseguição política assim que os parlamentares voltarem do recesso. Será colocada em pauta a perseguição de caráter religiosa e ideológica contra psicólogos que não aceitam serem doutrinados por conselhos e universidades”, disse a psicóloga. “Entreguei também prints com várias denúncias, pedido de ajuda de alunos do curso de Psicologia que tem sido oprimidos por professores que igualmente os persegue em sala de aula, impedindo o verdadeiro conhecimento científico. Só para constar, eu me identifico como psicóloga e cristã. O meu argumento tem base na Constituição Brasileira e na Convenção Americana de Direitos Humanos do qual o Brasil é signatário, isto significa que tenho o direito a livre expressão de opinião e religião, mas o meu direito está sendo cerceado pelo Conselho de Psicologia por perseguição religiosa”, disse Marisa Lobo.

Marisa Lobo ainda fez menção do aparelhamento dos Conselhos de Psicologia, que foram por ela classificados como “ditadura ideológica” e colocou-se disponível para ajudar profissionais e estudantes que se sentirem oprimidos por suas convicções ideológicas.

“Estamos presenciando uma ditadura ideológica política vergonhosa dentro dos conselhos e não podemos mais nos calar. Agora dirijo-me a você, que é aluno de Psicologia, ou psicólogo, e tem sido amordaçado, oprimido pelo curso já mencionado, ou pelos conselhos, entre em contato pelo e-mail marisalobo@globo.com, ajude-nos a aumentar este dossiê”, finalizou a psicóloga.

Em tempo, a Rede Globo foi condenada pelo juiz Júlio Roberto dos Reis da 25ª Vara Cível de Brasília a indenizar quinze psicólogos por causa da reportagem que foi ao ar dia 18 de setembro de 2017. O conteúdo da matéria jornalística abordou a “cura gay” e retratou como preconceituosos os profissionais que ajudam seus pacientes na reversão de orientação sexual.

A emissora foi acionada na justiça do Distrito Federal pelos profissionais que alegaram“danos morais” e sentiram-se lesados pelo tratamento dispensado a eles, por este motivo o grupo Globo Comunicações S/A foi condenado a pagar uma cifra de R$ 170 mil.

Em sua decisão, o juiz destacou que a emissora maculou a reputação dos profissionais, sendo muitos deles evangélicos. “No campo científico da sexualidade, os profissionais podem exercer o direito de ação para buscar o reconhecimento ao direito de investigar e orientar pacientes que buscam ajuda profissional, de modo que as reportagens da empresa demandada abusaram do direito de crítica ou de expressão, maculando a reputação dos autores”, afirma o texto do magistrado.

A emissora também foi condenada a publicar direito de resposta em consequência de outro processo judicial, por causa de uma reportagem do programa “Fantástico”, veiculado no mesmo período. A ação dos psicólogos não está relacionada com os Conselhos Regionais de Psicologia e o Conselho Federal.

Segundo consta, esta é a segunda vez que a Rede Globo tem de se explicar a Justiça pelo tratamento dispensado aos psicólogos que manifestam o desejo de atender pacientes que os procuram a fim de abandonar a homossexualidade.




Tecnologia de controle perfeito do governo mundial já em elaboração

Mecanismos de censura de empresas de mídia social e sistema de vigilância da ditadura chinesa dão um vislumbre de como será o futuro controle

A Bíblia assevera em Apocalipse 13, versículos 16 e 17, que, no futuro governo mundial que deverá se estabelecer no planeta no final dos tempos, haverá um controle total da população mundial. Diz o referido texto bíblico que “todos”, seja qual for sua estratificação social – “pequenos” ou “grandes”, “ricos” ou “pobres”, “livres” ou “servos” –, estarão sob esse controle; de maneira que “ninguém possa” nem mesmo “comprar ou vender” sem a autorização desse mecanismo global de controle social. Mas, o que seria essa tecnologia?

Muito se tem conjecturado nos últimos tempos sobre o que seria esse “sinal”, “nome” ou “número da besta” (Apocalipse 13.17) que “será posto” na “mão direita” ou na “fronte” de todas as pessoas no futuro governo mundial (Apocalipse 13.16). Nos anos 80, era comum se especular que poderia ser um código de barras. Mais recentemente, especificamente desde a década passada, tem se falado muito sobre a possibilidade de ser uma referência ao microchip subcutâneo ou mesmo a uma tecnologia que funcionaria via sistema biométrico. Bem, o que seria exatamente esse “sinal” ou “marca” que estabeleceria a forma de identificação de todos ainda não sabemos, mas já dá para ter uma ideia de como será esse controle total a partir das tecnologias de vigilância e censura que já funcionam no Ocidente e na ditadura chinesa.

O assustador sistema de vigilância da China comunista

O mais assustador sistema de vigilância da história da humanidade foi montado no século 21 na China, pela ditadura comunista chinesa, e está em plena aplicação. No que consiste esse sistema?

Na China, quase todo cidadão tem uma nota de “crédito social” que varia conforme o seu comportamento social. Esse sistema chama-se oficialmente “Sistema de Crédito Individual” ou “Sistema de Crédito Social”. A previsão do governo chinês é que 100% da população do país esteja sob esse sistema até ano que vem.

O sistema funciona da seguinte forma: se algum cidadão manifestar comportamentos que são considerados negativos pelo governo chinês, sofrerá uma redução do seu crédito social, o que o impedirá, por exemplo, dependendo da quantidade e do nível de comportamentos negativos registrados em seu crédito pessoal, de ter acesso à internet ou mesmo comprar coisas. O indivíduo punido não poderá comprar ou vender nada, nem ter acesso a nada.

Alguns dos comportamentos que negativam o crédito da pessoa são atravessar como pedestre a avenida com o sinal aberto para os veículos, cometer infrações de trânsito de qualquer tipo, jogar videogame demais, comprar muitos supérfluos, entrar em sites proibidos pelo governo chinês, indivíduo. Os créditos sobem e descem em tempo real, na hora que o comportamento é identificado.

Não são apenas crimes comuns que são penalizados, o que seria natural. Estes, quando cometidos, levam à prisão. Pequenos comportamentos considerados inadequados pelo governo, como os mencionados acima, também são monitorados e registrados pelo governo, levando a pessoa punida por praticá-los a um isolamento social total, opressor. Ela não pode alugar um imóvel, comprar uma propriedade, colocar os filhos em uma escola particular, tomar um empréstimo, comprar uma diária em hotel, comprar combustível e nem mesmo comprar uma passagem de ônibus, trem ou avião para lugar algum. Cerca de 7 milhões de chineses já estão nessa situação hoje em seu país devido ao Sistema de Crédito Individual.

Aqueles que têm um bom crédito pessoal têm, por exemplo, descontos em aluguel, preferência na contratação para um emprego e acesso a uma internet mais rápida. E os delatores de infratores são premiados com altos valores pelo governo chinês. Só em uma área de Pequim, chamada Xiaoyang, há cerca de 120 mil informantes pagos.

Atualmente, para colocar esse sistema em funcionamento, o governo chinês conta com mais de 400 milhões de câmeras de vigilância instaladas em todo o país com software de reconhecimento facial. Há também o sistema de localização geográfica em tempo real via rastreamento dos cidadãos pelo celular. Todos esses dados sobre os cidadãos chineses em tempo real estão sendo unificados em uma única base de dados. É o controle perfeito. Nenhum ditador do passado pensou que um dia conseguiria ter à sua disposição um controle tão avançado como esse. O futuro governo mundial provavelmente terá.

A censura das grandes empresas de mídia social

Enquanto isso, no Ocidente, as grandes empresas de mídia social do Vale do Silício, nos EUA, como Facebook, Twitter e Google, estão criando mecanismos que censuram a liberdade de expressão de seus usuários.

Nos últimos anos, por terem opiniões divergentes em relação ao politicamente correto e às bandeiras progressistas, milhares de pessoas têm perdido suas plataformas públicas, com contas bloqueadas no Twitter, Facebook e no Google. Muitos cristãos conservadores estão entre os alvos dessa censura.

Não estamos falando aqui de pessoas que cometem crimes virtuais e por isso são punidas por essas mídias sociais. A referência aqui é exclusivamente a casos de censura à liberdade de expressão, de censura à divulgação de valores conservadores nas mídias sociais, valores estes que se chocam frontalmente com as bandeiras do liberalismo social defendidas pelos donos dessas grandes redes de mídia social e que por isso classificam a exposição desses valores como “discurso de ódio”. As pessoas que esposam posições políticas consideradas como negativas por essas empresas estão sendo banidas da grande rede de computadores, não podendo mais comprar online, ter uma conta no Google, Facebook ou Twitter; ou mesmo abrigar um site.

Recentemente, durante uma audiência no Senado norte-americano, em 10 de abril do ano passado, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, teve de responder a perguntas sobre a censura de conteúdo por orientação política que sua plataforma tem realizado. O senador republicano Ted Cruz questionou o dono do Facebook sobre o viés ideológico de sua rede social, que é a mais usada do mundo. Ele queria saber se o Facebook tem preferências políticas na condução de seus negócios ou na seleção e demissão de seus funcionários. “Muitos norte-americanos estão, acredito eu, preocupados se o Facebook e outras empresas de tecnologia estão criando um padrão consistente de censura e viés”, afirmou Cruz naquela oportunidade.

Cruz lembrou que páginas de diversas organizações com visões conservadoras foram censuradas nos últimos anos e questionou se os “discursos de ódio” que Zuckerberg prometeu combater incluiriam páginas promovidas por grupos antiaborto, por exemplo. Na ocasião, Zuckerberg reconheceu que nas empresas do Vale do Silício “há muita tendência à esquerda” e disse ainda que não tinha como saber o viés ideológico de todos os funcionários da sua empresa, mas acreditava que a maioria era de esquerda e que, portanto, era possível que tenham ocorrido alguns casos de censura aqui ou acolá.

Zuckerberg reconheceu que o Facebook emprega hegemonicamente pessoas com pensamento alinhado à ideologia de esquerda, e isso acaba se refletindo, na prática, em uma postura de censura à corrente política oposta. “Enfrentamos vários problemas com democracia e privacidade. Vocês estão certos em me questionar. Facebook é uma empresa idealista, no começo pensamos em todas as coisas boas que poderíamos fazer. Mas está claro agora que não fizemos o suficiente para impedir que essas ferramentas sejam usadas erroneamente também”, declarou.

Em 20 de agosto do ano passado, após o Twitter bloquear centenas de contas de cristãos e conservadores nos EUA, e outras centenas de cristãos e conservadores no Brasil, sendo forçado pela justiça a restabelecê-las imediatamente, o diretor-executivo da empresa, Jack Dorsey, foi questionado sobre o assunto em entrevista à CNN e negou perseguição político-religiosa, mas admitiu que o viés de sua empresa é “completamente de esquerda”. Em alguns casos de bloqueio e banimento, o Twitter restaurou as contas depois, pedindo desculpas pelo erro cometido.

Pelo menos desde 2017, esses casos de censura envolvendo Facebook, Twitter e Google têm se proliferado, com o auge se dando ano passado.

Ora, uma vez que a mídia tradicional está quase que totalmente controlada por militantes progressistas, resta aos conservadores apenas a internet para trazer o contraponto, para estabelecer o contraditório. E, nos últimos anos, a internet tem se mostrado a mais poderosa fonte de informação e influência de nossos dias, ultrapassando jornais, revistas e tevê, de maneira que fenômenos como o Brexit, a derrota do plebiscito da Colômbia para absolvição das Farc, a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos e a eleição de Jair Bolsonaro no Brasil só se tornaram possíveis por causa da internet, uma vez que toda a mídia tradicional fez campanha maciça contra esses movimentos e essas pessoas, e se deu mal em todas essas oportunidades. Isso chamou a atenção para a necessidade de se censurar essas vozes discordantes na internet para que o bloqueio hegemônico da mídia tradicional não fosse mais quebrado.

A própria campanha midiática contra as “fake news” é, em parte, uma forma de tentar fazer com que as pessoas deixem de se informar pelos formadores de opinião independentes da internet e voltem a se basear apenas na narrativa da mídia tradicional como sua fonte de informação. Que há “fake news” na internet, há; mas não apenas lá. Na própria mídia tradicional há casos terríveis de distorção de fatos, omissões de outros e até invenções de histórias a fim de atender à agenda progressista. Não que devamos desprezar totalmente a mídia tradicional, mas não se pode calar o contraditório na internet, sem o qual o cidadão muitas vezes não pode ter diante de si todas as informações necessárias para formar o seu entendimento e a sua convicção sobre o que está realmente acontecendo.

Agora, conhecendo o Sistema de Crédito Individual chinês e seu poderoso sistema de vigilância, e também os mecanismos de censura que as empresas donas das maiores redes sociais do mundo têm colocado em prática de vez em quando, imagine um futuro onde essas duas tecnologias sejam fundidas em uma só. Imagine o poder de controle social que um futuro governante mundial poderá ter para censurar, isolar e acabar com a vida de seus opositores. Antes, era inimaginável um ditador conseguir ter controle absoluto sobre toda uma população. Hoje, porém, isso está se tornando tecnologicamente possível, de maneira que seria bastante provável chegarmos a um contexto em que absolutamente todos não poderão nem mesmo “comprar ou vender”, ou se locomover de uma cidade para a outra, sem a autorização desse mecanismo global de controle social. Sinal dos tempos.




Igrejas na Venezuela sofrem com crise e pedem clamor pela sua nação

Até as igrejas venezuelanas foram impedidas de oferecer ajuda humanitária à população; entenda como o país vizinho chegou a essa terrível crise

A crise na Venezuela é uma das maiores tragédias do século 21. Há dez anos, o país sofre gravemente com escassez crescente de alimentos, remédios e demais itens básicos, de maneira que, segundo dados de entidades internacionais de direitos humanos, hoje cerca de 70% das crianças venezuelanas com menos de 5 anos de idade estão desnutridas; cerca de 75% dos adultos do país perderam, só no ano de 2018, em média, 8,5 quilos devido à fome, o que tem sido chamado pela população de “Dieta Maduro”; e mais de 800 mil venezuelanos abandonaram o país desde 2014, com muitos deles fugindo para o Brasil via fronteira com Roraima.

Dentre os que ficaram no país, há gente comendo lixo, cães, gatos, pombos e até animais de zoológico para tentar sobreviver (há dezenas de vídeos na internet mostrando isso, feitos pela população comum e por jornalistas), e muitos, mesmo assim, não conseguem sobreviver, ficando doentes e morrendo nos hospitais aos milhares. Recentemente, centenas de bebês morreram em hospitais depois de um blackout no país que durou do dia 7 de março à madrugada do dia 10 de março. Só na UTI Neonatal do Hospital Universitário de Maracaibo, 80 bebês morreram nesses três dias devido ao apagão. Há imagens de vídeo de uma mãe que, durante o apagão, ficou horas intermináveis na fila de um hospital com sua filha de 19 anos gravemente enferma, mas ela não conseguiu ser atendida devido à falta de medicamentos e de energia elétrica, e acabou morrendo ali, e a mãe ainda teve que levar a filha nos seus braços para o necrotério de Valência, no estado de Carabobo, porque não havia condução. São cenas aterradoras.

Em apenas cinco anos, a crise fez desaparecer 44% da economia venezuelana e, em 2018, o país registrou a maior queda do PIB em todo o mundo. A inflação passou a ser hiperinflação no ano passado e o FMI estima que ela chegará a 10.000.000% no final deste ano.

Diante dessa situação, em vez de reconhecer o caos, o ditador Nicolás Maduro tresloucadamente nega a crise. Em fevereiro, a sandice de Maduro chegou ao seu ápice, quando o ditador mandou impedir a entrada de caminhões da Colômbia e do Brasil com alimentos e medicamentos para a população venezuelana. Como os noticiários denunciaram, alguns desses caminhões chegaram a ser queimados pelos agentes do regime e alguns opositores do ditador que tentavam liberar a entrada dos caminhões ou fugir do país foram mortos em confronto na fronteira, o que chocou o mundo.

As ditaduras de Cuba, Rússia e China estão entre os pouquíssimos apoiadores de Maduro. Até o fechamento desta edição, mais de 80 países já haviam se manifestado contra o regime e a favor de eleições novas e limpas, sob a égide do legítimo presidente interino (pela própria Constituição do país) Juan Guaidó, líder do parlamento venezuelano (Lembrando que Maduro criou um parlamento paralelo ilegítimo para chancelar sua recondução ao cargo e refazer a Constituição – veja mais detalhes no final desta matéria).

Igrejas impedidas de ajudar humanitariamente

Mas, antes mesmo dessa tentativa frustrada de Brasil e Colômbia de fazer entrar ajuda humanitária no país vizinho, as próprias igrejas evangélicas e católicas da Venezuela haviam sido impedidas pelo ditador, no final do ano passado, de ajudar seu próprio povo. Pastores chegaram a ser presos em outubro do ano passado ao tentarem distribuir artigos de necessidade básica à população. Foi o caso do pastor Marcelo Coronel, da Igreja Rey de Paz, na cidade de Mérida, e de alguns membros de sua equipe ministerial, presos pela entrega de alimentos e medicamentos que receberam como doação. Até uma médica evangélica foi presa quando fazia atendimentos e ministrava remédios aos necessitados.

Em fevereiro, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) anunciou que estava trabalhando para mandar ajuda humanitária à Venezuela, porém Maduro recusou o apoio. Entre os católicos, a organização católica Cáritas, do Chile, enviou medicamentos ao país ano passado para ajudar a população, mas todos foram confiscados pelo governo. Enquanto isso, as igrejas evangélicas e católicas estão cada vez mais vazias, porque devido à redução drástica de água, energia elétrica e de transporte coletivo em todo o país imposta pelo governo, as pessoas estão encontrando dificuldade de ir para a igreja e a frequência aos cultos tem diminuído.

Segundo o governo venezuelano, há hoje 15.017 templos evangélicos no país e 247 templos católicos, não obstante a maioria da população do país se declarar católica.

Desde o ano passado, em carta aberta, líderes de igrejas evangélicas do país pedem ajuda aos cristãos de todo o mundo para que orem pela Venezuela. No documento, os pastores criticam diretamente o governo, inclusive comparando Maduro a Adolf Hitler. A carta é assinada pelos pastores Moisés Betancourt, Jesús Pinto, Carlos Vielma e Elías Hernández.

O documento foi publicado na página “Cristianos por Venezuela”, no Facebook. O texto ganhou imediatamente grande repercussão na mídia de países de língua espanhola.

“Nós, pastores cristãos, pela graça de Deus, em Caracas, pedimos aos conservos em todo o mundo que sejam nossa voz diante do Pai e diante deste mundo. O que está acontecendo nessa nação não tem precedentes históricos. Na Era Moderna, apenas Adolf Hitler demonstrou tamanha crueldade”, diz o documento, que esquece, por exemplo, dos demais regimes comunistas da história, em que tal crueldade também pode ser vista.

No texto, os pastores listam uma série de problemas que a população venezuelana tem vivenciado, com destaque para a fome. “É muito doloroso observar com impotência a morte contínua e constante de seres humanos. Parte nosso coração e tentamos fazer todo o possível para ajudar a todos. Essas mortes ocorrem principalmente por causa da escassez de alimentos. Estamos em um país onde inúmeras pessoas morrem de fome, principalmente crianças. É doloroso ver as pessoas procurando nas lixeiras algo para comer! Esse nunca foi o desejo de nosso Senhor!”, denunciam os pastores.

Outro destaque no documento é a denúncia sobre os problemas de saúde. De acordo com os líderes, várias pessoas já morreram por falta de medicamentos, o que é agravado pela situação econômica do país, que se afunda cada vez mais: “É impossível para qualquer ser humano viver sob essa inflação desproporcional. Os preços podem subir até 50% no mesmo dia, isso se você conseguir achar o produto”.

O documento denuncia ainda o desaparecimento e a execução de pessoas dissidentes, com destaque para o caso o militar dissidente Oscar Pérez, que foi executado com um grupo de pessoas no ano passado. Convictos de que se tratou de uma execução clara, os pastores disseram que decidiram se manifestar sobre o fato mesmo sabendo que passam a correr risco de vida por assinarem o documento.

Embora não exista uma perseguição declarada aos evangélicos na Venezuela, eles dizem que há pastores sendo ameaçados. “Estamos fazendo isso porque nosso Senhor nos deu o exemplo em Jesus Cristo, que estava disposto a morrer na cruz para resgatar a vida dos outros. Nós acreditamos firmemente que o Senhor está no controle. Embora não tenhamos ideia de qual será o impacto desta carta, estamos convencidos de que nossas vidas e esta nação pertencem ao Senhor Jesus Cristo”, afirmam os líderes no documento. Os pastores encerram a carta pedindo que sua mensagem seja divulgada para que o mundo saiba o que ocorre na Venezuela e clamam pela intercessão dos cristãos de todo o mundo em favor de seu país.

No final de janeiro deste ano, em uma mensagem de vídeo compartilhada nas mídias sociais, o pastor Samuel Olson, presidente do Conselho Evangélico da Venezuela, convidou a nação inteira a orar. “Juntos como uma família, pediremos a Deus que, através do Seu Espírito Santo, cuide, dirija e abençoe nossa nação nesta hora crítica de sua história”, disse. Orações pela democracia e por um futuro melhor têm sido feitas pelos evangélicos em reuniões públicas.

Enquanto isso, os pastores da União Confederativa de Igrejas Cristãs da Venezuela foram mais enfáticos em uma declaração pública reconhecendo o presidente do Parlamento e líder da oposição Juan Guaidó como o novo chefe do país “chamado a conduzir a nação neste período de transição”. Eles também pediram pelo “fim da usurpação da presidência da República” e ainda que seja levantado “um governo urgente de transição e eleições livres no contexto de um grande acordo nacional”.

Como a Venezuela chegou a essa situação

Muitos se perguntam: como a Venezuela conseguiu chegar a uma crise tão profunda como a atual? Para entender como isso aconteceu, é preciso remontar à história daquele país desde os anos 50 até hoje.

A última ditadura na Venezuela teve fim em 1958, comandada pelo general Marco Pérez Jiménez (1952 – 1958). O regime se assemelhava mais ao de Getúlio Vargas no Brasil (1930 -1945) e ao de Juan Domingo Perón na Argentina (1946 -1955) do que às ditaduras militares anticomunistas que surgiriam nos demais países da América Latina nos anos 60 em diante, em resposta aos movimentos políticos internos de esquerda desses países que, com apoio de guerrilhas, tentavam reproduzir a Revolução Cubana nessas nações. General Jimenez caiu depois de tentar continuar no poder através de um plebiscito fraudulento. Após sua queda, líderes políticos venezuelanos firmaram um pacto de estabilidade.

Nessa época, a Venezuela contava com a quarta maior renda per capita do mundo, devido à descoberta de petróleo no país desde o início do século 20, o qual foi explorado livremente desde 1914 até o final dos anos 50. No referido pacto político de 1958, porém, foram estabelecidas a estatização gradual do setor petroleiro, além da realização de grandes obras públicas e da implementação de políticas governamentais de bem-estar social, medidas que geraram um aumento crescente do tamanho do estado e dos gastos públicos nas décadas seguintes.

Enquanto isso, começavam a surgir, inspiradas na revolução cubana, grupos guerrilheiros de esquerda no país, como as Forças Armadas de Libertação Nacional (FALN), criadas em 1962 pelo Partido Comunista da Venezuela (PCV). Em 1969, objetivando a legalização do Partido Comunista no país, os membros das FALN negociaram o abandono das armas para entrar na vida política. Nesse período, muitos ex-guerrilheiros ou simpatizantes das FALN entrariam nas Forças Armadas venezuelanas, criando um novo movimento lá dentro, chamado “Terceiro Caminho” – a esquerda dentro do exército venezuelano.

Um dos nomes ligados ao movimento pró-guerrilha que passaram para a vida política após o fim das FALN foi Adán Chávez, o qual é membro do Partido Socialista Unido da Venezuela e irmão mais velho e mentor ideológico de Hugo Chávez. Adán não seguiu carreira militar, mas seu irmão Hugo seguiu, e sem abandonar seu compromisso com a ideologia socialista. Tanto que, em 5 de julho de 1975, como o próprio Hugo Chávez contava orgulhosamente, ele foi promovido a subtenente com “um fuzil em uma mão e um livro de Che Guevara debaixo do braço”. E ao relembrar esse episódio, Chávez ainda completava: “Eu já saí convertido em um soldado rebelde”. Realmente, pois onze anos depois, em 1986, ele criaria seu próprio movimento político revolucionário ainda como militar: o MRB-200 (Movimento Revolucionário Bolivariano 200).

Nos anos 80, a Venezuela já havia estatizado totalmente sua indústria de petróleo, de maneira que a queda do preço do petróleo ocorrida naquela década em todo o mundo acabou afetando fortemente a economia do país pela primeira vez. Logo, em 1989, a situação da economia se tornou insustentável, ao ponto de o então presidente venezuelano Carlos Andrés Pérez ser forçado a tomar medidas austeras para tentar estabilizar o país, dentre elas um profundo corte nos gastos públicos. Os extremistas de esquerda do país não aceitaram e começaram um protesto contra o governo, o chamado “Caracazo”, liderados pelos movimentos Terceiro Caminho e MRB-200, de Chávez. Houve confronto nas ruas, ônibus queimados e depredação do patrimônio público. O exército foi chamado pelo governo para pôr fim ao caos.

Em fevereiro de 1992, com o apoio da ala esquerdista do exército, Chávez liderou um golpe militar para deposição do governo, mas o movimento fracassou e ele acabou preso. Após dois anos, saiu da cadeia e ingressou no movimento internacionalista latino-americano Foro de São Paulo, fundado e liderado por Luiz Inácio Lula da Silva, líder do PT, e Fidel Castro, ditador de Cuba. Hugo Chávez aderiu às estratégias do Foro e, em 1997, criou o Movimento 5ª República (MVR), uma aliança entre partidos de esquerda no país para lhe dar suporte para disputar as eleições presidenciais. No ano seguinte, devido à perda de credibilidade da classe política no país naquela época, Chávez foi eleito com 56% dos votos.

Nas eleições, ele disse que não ficaria no poder mais de um mandato e que seu governo seria de respeito total à democracia, mas já falava em fazer uma profunda reforma constitucional. Inclusive, em seu juramento de posse, chamou a Constituição do seu país de “moribunda constituição” e anunciou que a mudaria em seu governo. Com 70% de apoio em referendo, ele convocou uma assembleia geral constituinte dominada por seus partidários, os quais, em 1999, em apenas 100 dias, redigiram a nova carta, na qual o país passava a se chamar República Bolivariana da Venezuela. Na reforma, ele acabou com o sistema bicameral (Câmara e Senado), passando a haver apenas uma casa legislativa.

Em 2002, após Chávez ser reeleito de forma apertada, grande parte da população, insatisfeita com as mudanças na Constituição, se revoltou e houve confronto nas ruas entre apoiadores e opositores de Chávez. Militares contrários ao presidente, vendo que o país caminhava para uma ditadura e instabilidade, tentaram depor Chávez do poder, mas o golpe falhou, fortalecendo a narrativa dos apoiadores do regime, que se intitularam os verdadeiros democratas.

Chávez, então, radicalizou, levando o país à ditadura de fato: fechou canais de televisão, prendeu opositores, demitiu milhares de funcionários da PDVSA por realizarem greve e ampliou a Suprema Corte venezuelana de 20 membros para 32, sendo estes 12 fiéis apoiadores escolhidos a dedo por ele. E em 2004, com a criação da empresa Smartmatic, para garantir que não perderia as próximas eleições, passou a usar os serviços suspeitos dessa empresa, fraudando o resultado das eleições com urnas eletrônicas manipuláveis, segundo denúncias de opositores e de entidades internacionais. Assim, em 2006, Chávez foi reeleito com 63% dos votos e anunciou a criação do “socialismo do século 21”. Nesse período, ele criou uma milícia com dezenas de milhares de soldados cubanos trazidos para o país e colocados dentro das Forças Armadas Venezuelanas, depôs e prendeu opositores entre os militares, multiplicou o número de generais e passou a sustentar com altos salários os generais apoiadores do regime.

Enquanto isso, a crise econômica na Venezuela, que já havia recomeçado anos antes, se agravou desde 2007, chegando ao ponto de começar a faltar itens essenciais para a população nos supermercados. Em consequência, protestos de rua cresceram no país, mas todos foram respondidos com violência pelo governo. Pouco tempo depois, Chávez, que havia ido tratar sua saúde em Cuba, morre de câncer em 2013 e seu fiel vice, Nicolás Maduro, assume o poder em eleição apertada naquele ano (50,6% dos votos, com denúncia de fraude nas eleições de novo). A grande massa da oposição, que havia tolamente se omitido dos pleitos nos últimos anos, frustrada e desiludida desde a fraude nas eleições de 2006, resolveu renovar suas esperanças em 2013, indo às urnas novamente empeso após 7 anos. E mesmo após a vitória fraudulenta de Maduro, não desiste e vai às urnas novamente motivada em 2015, ganhando a maioria dos assentos nas eleições legislativas daquele ano. Assustado, Maduro reage, convocando, sem referendo, nova assembleia constituinte. A assembleia convocada, que é obviamente totalmente pró-Maduro, passa a funcionar paralelamente ao parlamento oficial, tentando deslegitimar todas as decisões do parlamento oficial.

Em meio a essa crise institucional, o governo realiza novas eleições, convocadas pela assembleia ilegítima, não aprovadas pelo parlamento oficial e, consequentemente, com alta abstenção. Considerado fraudulento por Brasil, União Europeia e EUA, o pleito ilegal dá, obviamente, a vitória a Maduro (67% dos votos). Entretanto, devido à sua ilegalidade, o parlamento oficial não aceitou a posse de Maduro e o presidente da Suprema Corte, que a considerou ilegal também, fugiu do país para não ser preso. O presidente do parlamento, Juan Guaidó, chegou a ser preso, mas, por pressões internacionais, foi solto.

Pouco tempo depois de solto, invocando a Constituição do país, Guaidó se declarou, como presidente da casa legislativa, novo presidente interino da Venezuela, responsável por convocar novas eleições ainda este ano, estas legítimas. Ele teve apoio da maioria esmagadora dos países da América Latina, dentre eles o Brasil, além dos EUA e da União Europeia. Ao todo, mais de 80 países o apoiam até agora.

O impasse foi criado. E, paralelamente a tudo isso, tem havido, desde 2007, um agravamento progressivo dos problemas econômicos, com crise de desabastecimento e alto índice de desemprego e de criminalidade, levando a um êxodo constante da população nos últimos cinco anos. Assim, a Venezuela chegou ao caos em que está. Oremos por nossos irmãos venezuelanos.




Frieza espiritual nos Estados Unidos

Estudo mostra que entre 6 a 10 mil igrejas fecham as portas todo ano

Uma pesquisa realizada pela LifeWay Christian Resources revelou uma sombria realidade na estrutura religiosa dos Estados Unidos nos úlitimos anos. De acordo com o levantamento feito por essa instituição, uma quantidade espantosa e cada vez maior de igrejas protestantes e católicas estão fechando as suas portas todos os anos em território norte-americano. A maioria esmagadora delas é de igrejas que adotaram o liberalismo teológico, mas há casos de igrejas não necessariamente liberais que estão fechando as portas também. A frequência cada vez menor de crentes aos cultos acaba gerando uma infraestrutura arruinada e uma onerosa manutenção dos santuários, levando-os a encerrarem suas atividades.

“Estou particularmente preocupado com o declínio da saúde de muitas igrejas. Entre 6 e 10 mil igrejas nos Estados Unidos morrem a cada ano. Isso significa que cerca de 100 a 200 igrejas fecharão esta semana”, informou Thom Rainer, presidente da LifeWay Christian Resources, que é autor dos livros Quem trocou o meu púlpito?, Tornando-se uma igreja acolhedora e Eu sou membro de igreja, todos lançados recentemente em português no Brasil pela CPAD.

Pastor Rainer não descarta a possibilidade deste ritmo continuar acelerado, a não ser que as igrejas adotem algumas medidas drásticas. “É tentador culpar a cultura secular, a política nacional ou os líderes religiosos pelo declínio da influência dos evangélicos hoje. Se as forças externas e a cultura fossemos únicos motivos por trás disso, provavelmente não teríamos igrejas hoje”, observou Rainer.

O presidente da entidade destacou que “os maiores períodos de crescimento da igreja, especialmente no primeiro século, ocorreram em meio a culturas adversárias. Nós não somos impedidos por forças externas; somos prejudicados principalmente por nossa falta de compromisso, abnegação e urgência evangelística”, alertou. “Ouçam-me bem, líderes evangélicos, a escolha é simples: mudar ou morrer”.

A solução proposta é adotar mudanças que são, na prática, um retorno aos valores básicos do Reino de Deus. Rainer indica três tópicos a serem observados antes que seja tarde: o cristão deve lembrar-se do seu compromisso com o Reino de Deus; a responsabilidade de tornar-se casas de oração; abandonar a ideia de classificar a igreja como lugar de conforto e enfatizar o evangelismo e o discipulado. O último tópico é de suma importância por causa da urgência na formação de novos discípulos de Cristo, sem descartar o aumento da iniquidade e as facilidades oferecidas pela tecnologia canalizada para o mal. Diante de tamanha degradação, o ensino da Palavra de Deus tornasse imprescindível para a saúde espiritual do novo convertido.

“Muitas igrejas estão morrendo, mas estou otimista sobre esse tempo que vivemos hoje em dia. Eu sou testemunha de uma série de igrejas sair dos espasmos da morte pelo agir de Deus e transformá-las em igrejas prósperas”, afirma pastor Thom Rainer.

Rainer acrescentou que não existe um padrão a ser seguido pelas igrejas. “A revitalização será diferente para cada igreja individualmente. No entanto, as igrejas que agonizam têm uma possibilidade real de mudar as coisas. Quando uma igreja deixa de ter má saúde para ter boa saúde, ela muda a comunidade. Isso muda vidas. Isso muda o mundo”, analisa.

Quanto à influência secular, é sabido que as filosofias secularistas têm sido transmitidas no ambiente escolar há um bom tempo, principalmente depois que o Supremo Tribunal proibiu a leitura da Bíblia Sagrada nas salas de aula por todo o país em 1963, um costume arraigado na cultura dos Estados Unidos e praticado para uma população estudantil majoritariamente evangélica. O liberalismo teológico, o marxismo cultural, o esfriamento da igreja principalmente e outras influências levaram uma quantidade enorme de jovens a abandonar os cultos em suas igrejas de origem. Estamos também em uma guerra cultural há décadas, chegando ao ponto de se lutar pela remoção da Bíblia até mesmo das bibliotecas escolares.

Apesar dos ataques ideológicos, alguns líderes evangélicos argumentam que todo o esforço empregado pelos inimigos da Cruz de Cristo não vai conseguir remover os vestígios históricos fundamentais que o Santo Livro marcou o coração do povo. Por outro lado, os números mostram que nas últimas décadas o número de evangélicos nos Estados Unidos tem caído sem parar, chegando hoje a 50% da população. As estatísticas comprovam que há 100 anos atrás, eles eram mais de 90%.

As consequências dessa notável mudança também afetaram o modo pelo qual os evangelistas atuais divulgam a mensagem cristã, considerando que os Estados Unidos ainda continuam sendo o maior produtor de material evangélico do planeta. A maioria das Bíblias de estudo, comentários bíblicos, dicionários, enciclopédia, livros e software cristão comercializados pelo globo são produzidos por teólogos norte-americanos.

Mas outros especialistas também argumentam que um dos motivos da crise religiosa que se abateu nos Estados Unidos é que os atuais cidadãos não cultivam o mesmo significado de “cristianismo” como fizeram seus pais e avós. Os princípios fundamentais da fé cristã foram secundarizados pelo fato de não haver mais crença em seu conteúdo.

Apesar do ambiente carregado de incredulidade, os Estados Unidos ainda são considerados “a maior nação cristã do mundo”, tendo sido fundados por cristãos que escaparam da perseguição religiosa na Europa no século 16. Como se tratava de uma mudança definitiva, para a reconstrução de um lar, os primeiros protestantes que pisaram na América do Norte conceberam as leis e as estruturas governamentais que influenciam a sociedade até os dias atuais, embora muito da fé cristã de outrora ensinada nos lares e até mesmo nas escolas, tenha sido paulatinamente deixada de lado.




Tecnologia de Israel para o Brasil

Conheça a tecnologia que o governo quer trazer ao Nordeste

Israel sempre sofreu com a escassez de água em sua história. Ele se encontra em uma região desértica, com clima entre tropical e semiárido e com poucas fontes naturais de água doce por perto. Nos tempos bíblicos, a cidade de Jerusalém dispunha praticamente de apenas uma única fonte de água, que era a Fonte de Giom, localizada no Vale de Cedrom, ao leste da cidade. Sua capacidade de abastecer Jerusalém, porém, era bastante limitada: as águas do Giom conseguem abastecer bem, diariamente, uma população de apenas 2,5 mil pessoas.

O primeiro aqueduto que trazia as águas do Giom para Jerusalém foi construído ainda na época dos jebuseus, antigos moradores da cidade. Sob a orientação de Davi, ele foi usado estrategicamente pelo Exército de Israel como passagem de acesso para tomar Jerusalém (2 Samuel 5.8) e provavelmente foi aproveitado e aperfeiçoado pelo monarca após a conquista. O segundo aqueduto foi construído pelo rei Acaz e o último, pelo rei Ezequias (2 Reis 20.20; 2 Crônicas 32.30), o chamado “Túnel de Ezequias” ou “Túnel de Siloé”, que existe até hoje. O Túnel de Ezequias é considerado um dos maiores feitos de engenharia da Antiguidade. Ele foi construído rapidamente a mando de Ezequias para fazer com que Jerusalém suportasse o cerco dos assírios pelo rei Senaqueribe.

Como se vê, não é de hoje que os judeus usam o melhor da tecnologia de seu tempo para sobreviver na região desértica do Oriente Médio. Nos dias de hoje, uma das principais estratégias do Estado israelense – hoje com uma população de 8,7 milhões – para suprir essa necessidade tem sido investir na construção de usinas de dessalinização. Israel é um dos pioneiros no uso dessa tecnologia segundo as normas internacionais. Atualmente, cerca de 80% da água potável consumida pela população israelense vêm do mar.

O exemplo da Usina Soreq

Em 2011, com o objetivo de garantir ainda mais a segurança hídrica, o governo de Israel investiu 500 milhões de dólares – algo em torno de 2 bilhões de reais hoje – para erguer a Usina Soreq, aumentando a quantidade de água doce para abastecimento do país, captando água do Mar Mediterrâneo. A Usina Soreq está localizada a 15 quilômetros ao sul de Tel Aviv e produz 624.000 m³ de água doce por dia, o suficiente para abastecer diariamente mais de 2 milhões de pessoas.

Soreq foi construída pela companhia israelense IDE Technologies, que utiliza a tecnologia de osmose reversa para dessalinizar a água. Em linhas gerais, osmose reversa é um processo de separação do sal e outros elementos da água por meio de forte pressão através de membranas com pequeníssimos poros, por onde a água é forçada a passar. As moléculas maiores retidas pelos poros são descartadas juntamente com uma quantidade muito pequena de água que também não passa.

O embaixador israelense no Brasil, Yossi Avraham Shelley, afirmou recentemente que os empresários israelenses já estão negociando com o nosso país a tecnologia. “Os empresários israelenses estão em posição de vantagem porque conseguem processar um litro de água dessalinizada por um preço menor do que o valor regular disponível nos mercados”, afirmou o diplomata de Israel meses atrás, segundo informações da Agência Brasil.

Atacando a seca no Nordeste

Com o objetivo de atacar a seca no Nordeste, o presidente Jair Bolsonaro tem conversado com o governo israelense, mesmo antes da sua eleição, para trazer essa tecnologia para o nosso país.

Como fruto dessas negociações, o embaixador israelense Yossi Avraham anunciou, inclusive, a intenção do governo do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de bancar a instalação de uma usina piloto de dessalinização de água do mar na região Nordeste. Curiosamente, a média anual de chuva em Israel é praticamente a mesma do sertão nordestino.

Outro método utilizado em Israel para completar o abastecimento de água para a população é a reutilização do esgoto. Em Israel, 85% do esgoto é reutilizado, mas essa água reutilizada é usada apenas para atender à agricultura do país. No total, metade da água do país é usada somente para atender às necessidades das centenas de empresas agrícolas em Israel.

Em entrevista cedida à TV CPAD em dezembro logo após a sua diplomação como novo presidente do Brasil, Jair Bolsonaro falou sobre essa parceria com Israel. “Eu tenho estado em contato direto com o embaixador de Israel e ele, inclusive, está doando duas máquinas de fazer água que são do tamanho de uma geladeira. Cada máquina faz 5 mil litros de água por dia. E a energia elétrica? Ele falou que o consumo é pequeno. Então, você pode usar essa tecnologia com energia solar e começar a colocar lá no Nordeste. E digo mais: o brasileiro é criativo; ele vai olhar esse trem aí e vai falar: ‘Vou fazer um melhor e mais barato para fazer mais água’. Tenho certeza disso. Ninguém vai roubar a tecnologia israelense, vamos aperfeiçoar. Eu conheci um pouco da agricultura e da piscicultura israelenses, e eles querem realmente ser nossos parceiros aqui no Brasil, e acredito que nós temos também muito a oferecer a eles. Queremos tirar o nordestino da escravidão, daquele coronelismo lá do sertão, onde ele depende do carro-pipa, depende de uma cisterna, depende de alguém algumas vezes mal-intencionado que está ao seu lado. Nós queremos dar essa liberdade ao povo nordestino”, afirmou o presidente.




Perseguição a cristãos aumentará em 2019 na China, Índia e Nigéria

Enquanto isso, no Ocidente, em reação à ascensão conservadora em alguns países, ataques da mídia progressista a valores cristãos também aumenta

Segundo relatório divulgado neste início de ano pela Release Internacional – Voice of Persecuted Christians, entidade com 50 anos de atividade em favor dos cristãos perseguidos no mundo, o ano de 2019 será marcado pelo aumento da perseguição aos cristãos em todo o mundo, com especial preocupação com os crentes na Nigéria, na China e na Índia. De acordo com o comunicado da instituição, cerca de 215 milhões de crentes em Cristo enfrentam hoje violência e discriminação por sua fé em todo o mundo. “Na Nigéria, os militantes Fulani parecem preparados para continuar os ataques devastadores contra os cristãos no norte e centro do país. Somente em seis meses do ano passado, eles mataram cerca de 6 mil e expulsaram 50 mil de suas casas”, disse o grupo sobre a situação do país africano.

Um parceiro da entidade, cujo nome não foi divulgado, disse que há um “plano deliberado” por parte de grupos radicais islâmicos na Nigéria “para destruir e assumir as comunidades predominantemente cristãs na região”. A fonte acrescentou que “os cristãos estão enfrentando uma jihad estratégica moderna”. Ano passado, a Associação Cristã da Nigéria e chefes denominacionais de igrejas no Estado de Plateau disseram que o que está acontecendo na Nigéria hoje é “puro genocídio e deve ser interrompido imediatamente”. A Sociedade Internacional pelas Liberdades Civis e o Estado de Direito avisou no final do ano passado que os ataques recentes contra os cristãos no interior da Nigéria não devem ser confundidos com décadas de confrontos entre pastores de gado e fazendeiros. Emeka Umeagbalasi, presidente do conselho da instituição, contou ao jornal The Christian Post em agosto do ano passado que os crentes tiveram suas igrejas incendiadas e foram expulsos em massa. “Quantos agricultores muçulmanos estão sendo mortos por pastores fulanis? Quantos lares muçulmanos foram destruídos ou queimados? A resposta é negativa. Não tem nada a ver com confrontos entre pastores e fazendeiros. Isso é falso”, disse Umeagbalasi.

O governo comunista da China também foi mencionado entre as maiores causas de preocupação do relatório da Release International, com novas regras sobre a regulamentação da religião reprimindo igrejas, pastores e congregações em todo o país, como o jornal Mensageiro da Paz também tem divulgado nos últimos meses. “O governo quer reduzir o cristianismo a apenas uma atividade menor de pessoas idosas sem importância”, alertou a instituição.

Na Índia, a Release International apontou violentos grupos radicais que invadiram reuniões de oração, saquearam igrejas e espancaram crentes. “Estamos fornecendo Bíblias nas línguas locais para substituir as que os militantes destroem e estamos dando assistência legal vital e apoio aos pastores que foram presos”, revelou o grupo.

Outros países de particular preocupação para 2019 listados são Coreia do Norte, Eritreia e Paquistão.

As perspectivas da Release International para os cristãos no mundo em 2019 vêm logo depois de o ministro das Relações Exteriores do Reino Unido, Jeremy Hunt, anunciar que o governo britânico fará uma revisão sobre os dados da perseguição cristã em todo o mundo. Hunt disse em janeiro que embora o Reino Unido defenda há muito tempo a liberdade religiosa internacional,muito mais pode ser feito para ajudar os cristãos em regiões problemáticas do mundo, como no Oriente Médio.

“Não estou convencido de que nossa resposta às ameaças enfrentadas pelos cristãos em particular tenha sempre correspondido à escala do problema, nem levado em conta a dura evidência de que os cristãos frequentemente suportam um fardo desproporcional de perseguição. Talvez isso seja fruto do próprio sentimento britânico de constrangimento em relação ao tema Deus”, sugeriu o secretário de Relações Exteriores. “Talvez seja fruto da nossa história colonial ou porque a Grã-Bretanha é um país tradicionalmente cristão, então alguns estão com medo de serem mal vistos por ajudar os cristãos em necessidade desesperada”, acrescentou. “Seja qual for a causa, nunca devemos permitir que uma posição politicamente correta equivocada possa inibir nossa resposta à perseguição de qualquer comunidade religiosa”, concluiu.

Hunt compartilhou que ele nomeou o dispo de Truro, o Rev. Philip Mounstephen, para liderar uma revisão global da perseguição aos cristãos. “Não é do nosso caráter nacional fechar os olhos ao sofrimento. Todas as minorias religiosas devem ser protegidas e as evidências demonstram que, em alguns países, os cristãos enfrentam o maior risco”, disse ainda. Paul Robinson, CEO da Release International, saudou a revisão planejada. “Apoiamos o pedido para que o Reino Unido faça mais para apoiar a Igreja que sofre em todo o mundo”, disse Robinson.

No Ocidente, ataques da mídia progressista aumentam

Há exatos cinco anos, em uma entrevista concedida ao programa America’s Forum da TV Newsmax, o evangelista Franklin Graham, presidente da Associação Evangelística Billy Graham e da ONG de assistência internacional Samaritan’s Purse, fez uma declaração que repercutiu em seu país e em todo o mundo evangélico naquela época. Disse Graham: “Estamos vendo o aumento do anticristianismo e do antissemitismo no mundo inteiro. Não há a menor dúvida disso. É assustador. Estamos vendo o anticristianismo nos Estados Unidos. Estamos vendo boa parte disso vindo da indústria de entretenimento, principalmente em certos segmentos da mídia noticiosa. Os cristãos estão sendo atacados”. Na ocasião, Graham ainda alertou: “Estamos vivendo em um mundo que está mudando e é assustador ver como o mundo está mudando rapidamente. Penso que nos próximos anos vamos ver real perseguição a cristãos e judeus [no Ocidente]”.

Cinco anos depois, a declaração de Franklin Graham mostra-se mais atual do que nunca. Não apenas nos EUA e na Europa, mas até mesmo aqui em nosso país, onde vemos o mainstream midiático cada vez mais agressivo contra os valores cristãos e Israel. Tais ofensivas são basicamente uma reação histérica à ascensão de movimentos conservadores nos últimos anos em todo o mundo, seja na Europa, nos Estados Unidos ou mesmo no Brasil. Um detalhe interessante é que como os ataques ao cristianismo abarcam um espectro amplo do pensamento cristão, esses movimentos conservadores acabam levando até mesmo católicos e evangélicos a se unirem em um mesmo front, seja no campo político, seja no campo da mídia alternativa (ou independente) na internet, para responder a esses ataques.

Outro detalhe é que cada vez mais aumenta o número de pessoas que se dizem defensoras dos valores judaico-cristãos, inclusive muitos jovens. Há até quem diga, especialmente nos EUA e na Europa, que o conservadorismo acabou se tornando a contracultura do mundo de hoje. Se nos anos 60 e 70 do século 20 a contracultura era formada pelos movimentos hippies ou progressistas em geral, hoje os progressistas estão à frente da mídia, das universidades, do mundo do entretenimento, e a contracultura – a “rebeldia” ao sistema por assim dizer – passou a ser exatamente o conservadorismo.

Para os formadores de opinião da elite cultural de hoje, ser radical, ser “extrema” alguma coisa, é ser contra o aborto, não apoiar o “casamento” homossexual, ser contra a liberação das drogas, contra a ideologia de gênero, contra o politicamente correto, defender Israel, ser contra o feminismo, ser a favor do conceito natural e tradicional de família, ser religioso (especialmente cristão), não concordar com a teoria evolucionista etc. É o que o atual ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, classificou em janeiro, em discurso de posse na nova função, de uma onda de “teofobia” no Ocidente.

A pessoa que assume as posições elencadas no parágrafo acima geralmente é alvo de todo tipo de zombaria e desprezo, além de ataques diretos, nos círculos tradicionais de cultura e comunicação–universidades, indústria do entretenimento, mídia tradicional. Entretanto, seus posicionamentos têm o apoio da maioria esmagadora da população, que geralmente é conservadora em valores, o que evidencia o abismo que há hoje entre os formadores de opinião e a opinião pública – referimo-nos à opinião pública de fato (do povo), já que o que aparece nos jornais, nas revistas, no rádio e nas tevês, e que é chamado de “opinião pública”, é apenas opinião publicada. Ela expressa, na maioria esmagadora das vezes, apenas a opinião daquele indivíduo ou do grupo que ele representa, mas não da maioria da população.

O perfil da elite cultural hoje no Ocidente

Levantamentos recentes comprovam o perfil progressista da maioria esmagadora da elite cultural no Ocidente. A área de Humanas nas faculdades, por exemplo, está tomada pela ideologia de esquerda. Só para citar um exemplo, um levantamento feito ano passado em universidades da América do Sul por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) revelou que 85% dos professores de História desses países são confessadamente de esquerda. Eis alguns dados por países: no Uruguai, 100%; no Chile, 93%; e na Argentina, 47%. No Brasil, são 84,5%. Detalhe: segundo dados da Unesco, em 2004, portanto 15 anos atrás, esse número no Brasil era de 75,5% – isto é, a porcentagem de professores de esquerda nessa área só tem aumentado em nosso país. Isso significa que gerações de jovens em nosso país têm sido doutrinadas no que diz respeito à história do seu país e do mundo dentro da visão de esquerda.

E quanto às informações do dia-a-dia? A própria mídia mainstream admite a hegemonia cultural de esquerda nas redações. Em artigo publicado em 12 de novembro de 2017 no jornal Folha de São Paulo, o editor-executivo do jornal, Sérgio Dávila, afirmava que uma pesquisa interna na redação daquele jornal, em que 321 profissionais foram ouvidos, revelou que 55% se declaravam de esquerda e 23% de centro. Essa porcentagem não é muito diferente na maioria das redações dos principais jornais, revistas e canais de televisão do país.

A classe artística, sabe-se, também é majoritariamente de esquerda. Nos Estados Unidos, por exemplo, segundo levantamento da Verdant Labs em 2015, publicado em 3 de junho daquele ano no jornal The Washington Post, mais de 90% dos ecologistas, psiquiatras, comediantes, escultores, antropólogos, sociólogos, historiadores, bispos episcopais e livreiros do país, e mais de 70% dos professores, jornalistas, cientistas sociais, administradores acadêmicos, linguistas, filantropos, arquitetos, produtores de mídia, atores e profissionais de artes visuais nos EUA, são de esquerda. Enquanto isso, são majoritariamente de direita naquele país os militares, fazendeiros, construtores, dentistas, cirurgiões, seguranças, encanadores, petroleiros, bancários, empreendedores, lojistas, atacadistas, caminhoneiros, padres, apresentadores de talk show em rádios, xerifes, policiais, penhoristas e pilotos, dentre outros.

A verdade é que se não fosse uma pequena parte da mídia tradicional que se mantém independente em relação a essa hegemonia e principalmente a mídia alternativa mais séria na internet, esse bloqueio da hegemonia cultural progressista em nossa nação e no mundo dificilmente sofreria perfurações como tem sofrido.

Quando perguntaram a Franklin Graham há cinco anos o que devem fazer os cristãos que se deparam com a censura e os ataques anticristãos da hegemonia cultural contra eles, ele respondeu, dizendo: “Incentivaria os cristãos a não recuar, a permanecerem firmes, a darem testemunho de sua fé, a assumir uma postura por sua fé e a não terem medo dos secularistas que zombarão de você. Sabe, vivemos em um mundo em que as pessoas querem ser politicamente corretas; vivemos em um mundo em que as pessoas querem ser aceitas, e ao ficar ao lado de Jesus não vamos ser aceitos em alguns círculos. Temos simplesmente de ter a disposição de aceitar isso e não ficarmos com medo. Incentivaria os cristãos a tomar uma posição e ter orgulho de sua fé, e não serem tímidos. Digam aos outros sobre o que Deus fez por vocês, o que Cristo fez quando Ele morreu na cruz e ressuscitou dos mortos. Falem às pessoas sobre isso”.




Cristãos livres da morte por milagre

Ações divinas dão livramento de prisão, de terroristas e de incêndio

Desde a sua fundação, conforme registro no Livro de Atos dos Apóstolos, capítulo 2, a Igreja de Jesus tem se defrontado com inimigos cruéis que não hesitam a fim de conceber estratégias a fim de macular a sua honra ou mesmo destruí-la. O próprio Senhor alertou Seus seguidores de que eles seriam enviados como ovelhas ao meio de lobos (Mateus 10.16), de modo que a perseguição tornou-se uma constante e o derramamento de sangue dos mártires cristãos manchou a história da humanidade.

Ao longo de sua trajetória em sua missão, os cristãos defrontaram-se com muitos obstáculos, mas da mesma maneira como o Império Romano curvou-se à mensagem do Nazareno, ainda hoje, milhares de pessoas espalhadas pelos seis continentes têm sido alvo das agências missionárias ou mesmo de evangelizadores itinerantes cujos corações ardem com zelo evangelístico. Mas o preço para cumprir os reclames da Grande Comissão (Mateus 28.16-20) é muito alto. Apesar disso, o Senhor cumpre com a Sua promessa de estar com os Seus queridos e, muitas vezes, livra-os da morte iminente, como há relatos de testemunhos mundo a fora.

No Paquistão, por exemplo, a Suprema Corte absolveu a cristã Asia Bibi da sentença de morte. A decisão foi expedida no dia 31 de outubro. O veredicto foi pronunciado pelo presidente do tribunal, Mian Saqib Nisar. A ex-prisioneira foi conduzida para um local não revelado e, de acordo com seus amigos, a família articula-se para deixar o país. O marido da paquistanesa, Ashiq Masih, teceu elogios a decisão do tribunal. “Estou muito feliz. Meus filhos estão muito felizes. Somos gratos a Deus. Somos gratos aos juízes por nos darem justiça. Sabíamos que ela é inocente”, disse ele.

A cristã de 51 anos foi presa em 2009 após acusação de suas colegas muçulmanas que afirmavam que ela havia insultado Maomé, referência máxima da religião islâmica. De acordo com as leis nacionais, tal conduta é punível com a morte no Paquistão. A cristã defendeu-se e disse que a acusação era falsa e que a sua relação com as pessoas de seu convívio sempre foi respeitosa, incluindo a citação a Maomé. O incidente alegado pelas muçulmanas aconteceu no momento em que Bibi ingeriu um gole de água enquanto trabalhava. As colegas muçulmanas acusaram-na de contaminar a água por ser cristã.

No Paquistão a lei da blasfêmia tem suas bases fundamentadas na sharia (lei islâmica), que indica a pena capital para as pessoas consideradas culpadas de blasfemar contra Maomé.

Apesar de ter sido absolvida, contudo, a sua segurança ainda é uma incógnita. Bibi não é a primeira pessoa que ficou livre da morte sob acusação de blasfêmia. Outros prisioneiros acusados de blasfêmia e libertados acabaram assassinados por extremistas islâmicos. Os radicais mataram o ex-governador do Punjab Salman Taseer e Shabbaz Bhatti em 2011. Os dois apoiaram Bibi e aspiravam o fim da Lei de Blasfêmia no país.

“Claramente ela precisará de asilo em um país ocidental onde poderá viver o restante de seus dias em paz”, disse Wilson Chowdhry, presidente da Associação Britânica de Cristãos Paquistaneses, à CBN News.

Cristã foge após quatro anos de cativeiro

A cristã nigeriana Jumai, 35 anos, e seus seis filhos foi sequestrada em abril de 2014 e mantida em cativeiro pelo grupo extremista Boko Haram, mas ela conseguiu fugir e relatou à imprensa informações sobre como estão as demais mulheres que permaneceram no cativeiro. A nigeriana é oriunda de uma cidade perto de Chibok. Naquela época aconteceu também o rapto demais de 200 meninas da escola secundária em Chibok. Segundo depoimentos, o filho mais velho de Jumai se uniu aos militantes islâmicos e organizou a fuga de sua mãe e seus irmãos.

A cristã nigeriana disse por telefone à Reuters que os extremistas proíbem liberdade de movimento para suas “esposas”. Jumai informou que apenas uma das meninas, Dorcas Yakubu, desfruta liberdade, por ter declarado em um vídeo de propaganda do Boko Haram que não deseja retornar para casa.

“Sete meninas estão em Garin Magaji, enquanto outras 50 estão em Garin Mallam, onde vivem com seus maridos e filhos”, disse o presidente da Associação dos Pais das Meninas de Chibok, Yakubu Nkenke. Ele apelou ao presidente Muhammadu Buhari por colaboração junto ao governo de Camarões a fim de resgatar as meninas prisioneiras.

Pastores são livres da morte após revelação com Jesus

Os pastores Firos e Altaf (nomes fictícios por razões de segurança) anunciavam o Evangelho em uma cidade no Oriente Médio quando foram detidos pelo imã da mesquita local e entregues à terroristas por recusarem-se a voltar para o islamismo. No dia 6 de novembro, os dois pastores foram amarrados pelos extremistas que os posicionaram de joelhos a fim de serem decapitados, mas repentinamente eles observaram o céu e viram “Jesus sentado em um trono, cercado por milhares de anjos em adoração”. De acordo com o ministério Bibles For Mideast, os prisioneiros louvaram a Deus em alta voz.

A iniciativa dos pastores deflagrou a fúria dos algozes, mas quando preparavam-se para decapitar os prisioneiros, as facas caíram inesperadamente no chão. Tomados pelo medo, fugiram desarmados. De acordo com o relato dos pastores, as cordas que os amarravam foram soltas, mas eles permaneceram ajoelhados e continuaram a louvar e agradeceram ao Senhor. Os pastores acrescentaram que foram levados com a ajuda de anjos até a casa onde os demais fiéis estavam reunidos, uma vez que os dois líderes desconheciam o novo local secreto dos cristãos. A congregação os recepcionou efusivamente e adoraram ao Senhor por muitas horas.

Pastor salva vizinhos de incêndio na Califórnia

Em meio ao terrível incêndio iniciado no dia 8 de novembro, que devastou florestas e residências no norte da Califórnia (EUA), o pastor da Igreja Batista Magalia Pines, Doug Crowder arriscou a própria vida a fim de salvar dezenas de pessoas em desespero. O incêndio foi chamado de Camp Fire, e considerado o mais letal na história da Califórnia e o pior desastre natural da região. Crowder revelou aos veículos de informação que conseguiu salvar 30 moradores, além de quatro fiéis de sua igreja. Os desabrigados foram acolhidos no templo. O pastor afirmou que ele e os demais conseguiram “escapar do inferno”.

A Associação Batista local divulgou que pelo menos três pastores regionais perderam suas casas, inclusive Crowder. O pastor disse que havia confeccionado um sermão para ser ministrado no dia 11 e o argumento girava em torno de “Fazer algo por nosso próximo”. “Eu não consegui ministrá-lo, mas nós conseguimos vivê-lo”, destaca o líder evangélico.




Governo persegue cristãos em Angola?

Centenas de templos são fechados por Lei que visa legalizar igrejas

Em Angola, na África, um decreto Executivo Conjunto (01/2018) apresentado no dia 5 de outubro pelos Ministérios do Interior, da Administração do Território e Reforma do Estado, da Justiça e Direitos Humanos e da Cultura tem gerado alvoroço da parte de muitos cristãos no país. Por conta da medida do governo, nos últimos dias vídeos vêm circulando na internet de pastores pedindo orações pelos cristãos em Angola, que, segundo eles, estão sofrendo intensa perseguição.

Afinal de contas, que decreto é esse e o que está acontecendo no país do Continente Africano? O que diz o governo e o que dizem os cristãos, sobretudo os líderes das igrejas?

Segundo o documento emitido, as igrejas cristãs que funcionam no país sem o devido registro legal, sem personalidade jurídica, deveriam se regularizar no prazo de 30 dias, a partir de sua publicação. Para seu reconhecimento, as denominações possuidoras dos requisitos mínimos devem se submeter às medidas do Instituto Nacional para Assuntos Religiosos (INAR), órgão do Ministério da Cultura. Segundo estimativas oficiais, as denominações religiosas não reconhecidas no país passam de 1,2 mil. Apenas 81 igrejas estão dentro dos requisitos legais.

Uma das formas que algumas igrejas em Angola encontraram para funcionar foi o ingresso em plataformas ecumênicas, criadas para agrupar e ajudar no processo de reconhecimento do exercício religioso, mas seis delas foram extintas pelo decreto.

Segundo o site de notícias angola 24 horas, “após a extinção das seis plataformas ecumênicas em Angola, o Executivo lançou a ‘Operação Resgate’, que já levou ao encerramento de cerca de 500 igrejas em todo país. A maior parte delas, cerca de 200, foi encerrada em Cabinda”.

Dados os fatos, um protesto liderado pela Ordem de Pastores Evangélicos de Angola (OPEA), realizado no início de dezembro, reuniu fiéis da maioria das confissões religiões encerradas e teve como objetivo “apelar à liberdade religiosa”, que, segundo Lubrado Vicente, da Comissão Técnica da OPEA, “está em risco”. “Já recorremos, escrevemos a todos os grupos parlamentares escrevemos ao Presidente da República e não temos nenhuma resposta, o que nos resta é ir para a rua com uma multidão para protestarmos contra a medida do Governo”, garante Vicente. Quanto ao processo de reforma da nova lei para a legalização das igrejas, reiterando, a OPEA diz não ter sido consultada pelo Governo.

Segundo os pastores que buscam legalizar as situações das igrejas que lideram, um dos requisitos que dificultam é que a denominação religiosa “deve ser subscrita por um mínimo de 100 mil fiéis, devendo as assinaturas serem reconhecidas no notário e recolhidas num mínimo de 2 terços do total das províncias”, conforme está na Lei nº 2/04 de 21 de maio. Dentre as exigências impostas, as igrejas também“devem abster-se de realizar propaganda enganosa nos cultos, práticas e atos que atentam contra os direitos econômicos, sociais e culturais dos cidadãos”.

Há alguns anos no Brasil, mas com contato diário com seus parentes na África, o angolano Manuel Matheus, que cursa Teologia no Instituto de Ensino Teológico de Campo Grande (IETECG), ligado a Assembleia de Deus em Doutor Augusto Vasconcelos (ADAV) no Rio de Janeiro (RJ), diz que o que está acontecendo em Angola “não é bem perseguição do ponto de vista da palavra”. Matheus diz que hoje em Angola muitas pessoas estão abrindo seus ministérios próprios, criando uma onda de abertura de muitas igrejas sem o devido preparo de seus ministros, e, na maioria das vezes, como foco de ganharem dinheiro à custa da Palavra e do povo. “Há casos onde alguns ditos ‘profetas’ estão cobrando a famosa consulta profética no valor de R$ 300 a 350 (trezentos a trezentos e cinquenta reais) para atenderem o povo e darem respostas às questões dos que os buscam”, comenta. O jovem estudante, diz ter consciência plena de que o que está acontecendo no momento em Angola não é mesmo perseguição religiosa, “pois é correta a forma que o governo está tratando este fenômeno de que qualquer pessoa abra a sua própria igreja sem critérios, mas por outro lado é preocupante, porque não se sabe na verdade como será o quadro daqui uns cinco anos; se as medidas do governo visam apenas isso mesmo”.

Autoridades em Angola pedem a colaboração das igrejas ilegais, como pontua o chefe do Departamento da Cultura, Juventude e Desportos da província angolana da Huíla, Bernardino Gabriel: “As igrejas que se encontram nessa situação devem colaborar com as autoridades administrativas no sentido de procurarmos as melhores vias de sanar estes males que vêm acontecendo”. Na Huíla, 52 igrejas são tidas como legais, 94 ilegais e 12 aguardam por reconhecimento, enquanto que 61 igrejas têm os seus processos pendentes.

A decisão do Governo de encerrar igrejas, de acordo com o pastor Nelson Kuassa, da Igreja Visão Cristã, partiu de um diálogo exclusivo em que algumas igrejas foram ignoradas. A crítica de Kuassa é que o Executivo “consultou as igrejas pelas quais ele se identifica”. “Isso é injustiça em termos de lei porque a nossa constituição defende que os cidadãos devem ser considerados numa base de equidade”, comenta.

Para o reverendo Francisco D. Sebastião, presidente da Assembleia de Deus Pentecostal Ministério do Maculusso, “o Estado tem procurado regular a atividade religiosa no país, a fim de evitar a proliferação dos charlatães em nome de Deus”. Mesmo com a igreja que lidera devidamente registrada e legalizada, sem queixar-se, pontua o líder: “Algumas de nossas congregações que estão em residências em locais não apropriados foram encerradas e isto obriga-nos a trabalhar para melhorar”. Outro ponto destacado pelo reverendo Francisco é que, segundo ele, “a decisão também ajuda evitar a insubordinação juvenil religiosa de muitos aos seus líderes”.




Evangélicos no governo: conheça os ministros evangélicos de Bolsonaro

Primeiro presidente conservador após redemocratização do Brasil declara que considera o seu mandato como uma “missão de Deus” em favor do país

Neste 1º de janeiro, Jair Messias Bolsonaro, 63 anos, eleito em 28 de outubro de 2018 com 57,8 milhões dos votos (55.13% dos votos válidos), entrará para a história como o primeiro presidente conservador após a redemocratização do país e que assumirá a Presidência tendo o Congresso Nacional mais conservador de toda a sua história. Só na Câmara Federal, como divulgado na edição passada deste jornal, mais de 300 das 513 cadeiras são de parlamentares declaradamente conservadores. Pesquisa CNI/Ibope divulgada em 13 de dezembro mostra também que o novo governo assume com impressionantes 75% de apoio da população.

A onda de otimismo é grande, e isso é muito importante, porque muitos são os desafios que o novo governo enfrentará e que devem ser alvo de nossas orações. Dentre eles, podemos destacar pelo menos cinco como sendo os principais: reformas urgentes a serem feitas na área previdenciária e fiscal; o enxugamento da máquina pública; o combate à corrupção e à violência; uma reforma na educação brasileira; e a diminuição dos problemas sociais, especialmente no Nordeste brasileiro. Se o atual governo conseguir resolver pelo menos metade desses problemas, ele já terá marcado a história de nosso país para sempre.

Não é nada fácil, mas, em um primeiro momento, anima a população brasileira saber que o novo governo assume com ministérios ocupados principalmente por técnicos, especialistas na área, com grande potencial para implementar as mudanças que o país precisa. Inclusive, alguns dos nomes escolhidos para ocupar os 22 ministérios da gestão Bolsonaro são quase que unanimidade no país, como é o caso, por exemplo, do ministro da Justiça, o ex-juiz Sérgio Moro.

E por falar da equipe de governo, vamos conhecer nesta edição do jornal Mensageiro da Paz os “evangélicos do presidente”: os quatro ministros de Estado escolhidos por Bolsonaro que são evangélicos e que, juntamente com a também evangélica primeira-dama Michelle Bolsonaro – 38 anos, membro da Igreja Batista Atitude no Rio de Janeiro (RJ) e que deve desempenhar importante papel na área social do atual governo –, serão de grande importância para que essas transformações aconteçam.

Onyx Lorenzoni, ministro da Casa Civil

O gaúcho Onyx Lorenzoni, 64 anos, é membro da Igreja Evangélica Luterana, filiado ao DEM e um dos deputados mais atuantes na Câmara Federal nos últimos anos, sendo considerado pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) um dos 100 parlamentares mais influentes do Congresso Nacional.

Ele foi deputado estadual no Rio Grande do Sul de 1995 a 2003 e deputado federal de 2003 a 2018, tendo nesse período sido ferrenho crítico do PT; líder do DEM na Câmara dos Deputados (2007); presidente da Comissão de Agricultura da Câmara (2008 e 2009); membro de dez comissões parlamentares de inquérito (CPI), dentre elas algumas famosas como a CPI dos Correios e a CPI da Petrobrás; relator das Normas de Combate à Corrupção e da Comissão que analisou as medidas de combate à corrupção; foi um dos principais nomes na luta pelo impeachment de Dilma Rousseff; foi a favor da PEC do Teto dos Gastos Públicos, das “10 Medidas Contra a Corrupção” proposta pelo Ministério Público Federal e da prisão em segunda instância; foi contra a anistia ao caixa 2 e contra a continuidade do foro privilegiado; e foi defensor da Reforma Trabalhista de abril de 2017, proposta pelo então ministro do Trabalho do governo Temer, o também gaúcho, deputado federal e pastor assembleiano Ronaldo Nogueira (PTB).

Acusado de ter recebido cerca de 200 mil reais de caixa 2 da JBS em 2014, ele surpreendeu assumindo publicamente a ilegalidade em 2017, manifestando seu compromisso de pagar o que era devido e mantendo sua posição de 2016 contra o projeto de anistia de caixa 2. Seu processo nesse caso, assim como o de outros nove parlamentares, foi arquivado em junho de 2018. No final do ano passado, porém, uma nova denúncia foi aberta contra ele sobre um pagamento ilegal ocorrido em 2012, o qual Onyx nega.

Perguntado sobre o caso no início de dezembro, o presidente Bolsonaro disse confiar na palavra de seu amigo, mas que, se as investigações confirmarem a ilegalidade de 2012, Onyx será demitido. Onyx foi nomeado o ministro extraordinário que comandou o governo de transição de Bolsonaro e ocupará, a partir de 1 de janeiro, o cargo de ministro-chefe da Casa Civil, sendo o responsável por coordenar a relação entre a futura gestão e o Congresso. Em nota divulgada em 17 de novembro, ele foi classificado pela Frente Parlamentar Evangélica, da qual fez parte por muitos anos, como “um interlocutor do mais alto nível junto ao novo governo da República”.

André Luiz de Almeida, ministro da Advocacia Geral da União

André Luiz de Almeida Mendonça é pastor na Igreja Presbiteriana Esperança de Brasília (DF), liderada pelo pastor Valter Moura, onde também é professor de Escola Dominical. Ele é formado em direito pela Faculdade de Direito de Bauru (SP), com mestrado na Universidade de Salamanca, na Espanha, sobre Corrupção e Estado de Direito, e doutorado na mesma universidade com o projeto “Estado de Direito e Governança Global”, além de ser pós-graduado em Direito Público pela Universidade de Brasília.

Pastor André está na Advocacia-Geral da União (AGU) desde 2000. Ele ganhou destaque na AGU ao ser vencedor da categoria especial do Prêmio Innovare de 2011, que homenageia práticas eficientes no Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública e Advocacia. O Innovare reconheceu as práticas de combate à corrupção adotadas pelo Grupo Permanente de Atuação Pró-Ativa da AGU, chamado de “departamento de defesa da probidade” e liderado pelo pastor André.

A equipe liderada por ele recuperou cerca de meio bilhão de reais em três anos. O trabalho foi responsável, por exemplo, pela recuperação de R$ 55 milhões relativos ao caso de corrupção na obra da sede do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo em 1998, que custou 169 milhões. Em 2010, a Justiça determinou a restituição em decisão tomada a partir de uma ação proposta pelo pastor André e sua equipe. Entre os condenados no caso estavam o juiz Nicolau dos Santos Neto e o então senador Luiz Estevão.

A partir de 1 de janeiro, pastor André comandará a AGU, uma instituição com mais de 12 mil servidores.

Marcelo Álvaro Antônio, ministro do Turismo

O mineiro Marcelo Álvaro Antônio, 44 anos, é membro da Igreja Cristã Maranata há 16 anos. Ele foi o deputado federal mais votado em Minas Gerais no pleito passado, com 230 mil votos. Em seu Estado, ele é presidente do PSL, partido do presidente, e está há sete anos na vida política, tendo iniciado a carreira como vereador em Belo Horizonte. Suas principais bandeiras políticas são o combate à corrupção, a descentralização de recursos da União para os Estados e Municípios, a defesa dos animais e a ampliação da participação popular nas decisões das câmaras legislativas.

Marcelo estudou Engenharia Civil e foi eleito vereador de Belo Horizonte em 2012 (9º mais votado), deputado federal em 2014 (3º mais votado) e reeleito em 2018 (o mais votado). Ele integrava a Frente Parlamentar Evangélica desde 2014 e foi um dos nomes cogitados a se tornar vice na chapa de Bolsonaro à Presidência da República. Em 1 de janeiro, assume como ministro do Turismo.

Como deputado, Marcelo participou de comissões externas de acompanhamento sobre o vírus zika e da situação hídrica dos municípios mineiros. Em 2016, o futuro ministro votou a favor do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Ele também coordenou a campanha de Bolsonaro à Presidência em Minas Gerais nas eleições deste ano.

Em discurso na Câmara dos Deputados em 25 de maio do ano passado, por ocasião do Jubileu de Ouro da Igreja Cristã Maranata no Brasil, irmão Marcelo falou sobre a necessidade de “professar uma fé verdadeira em Jesus Cristo” e que “os valores e princípios cristãos são um verdadeiro legado que, se colocados em prática, podem transformar a sociedade”.

Damares Alves, ministra dos Direitos Humanos, Família e Direitos da Mulher

Formada em Pedagogia e Direito, Damares Alves, 54 anos, é pastora da Igreja Batista da Lagoinha, advogada, assessora parlamentar no Senado e uma já antiga e famosa ativista evangélica a favor da família. Ela foi preletora do evento Liderar & Impactar Nordeste de 2016, promovido pela CPAD em Salvador (BA). Ao ser anunciada pelo presidente Bolsonaro, seu nome contou com o apoio de mais de 200 entidades, dentre elas ONGs, grupos pró-vida, entidades ativistas das causas indígenas e das causas ciganas, e entidades de luta pelos direitos dos portadores de necessidades especiais.

Filha de um pastor e uma dona de casa, Damares é contra o aborto, a ideologia de gênero, a pedofilia, o infanticídio indígena, a liberação das drogas, a doutrinação ideológica nas escolas e demais causas sensíveis a evangélicos e conservadores no Brasil. Ela foi abusada sexualmente aos 6 anos de idade, perdendo a possibilidade de ser mãe, mas encontrou em Jesus restauração emocional e espiritual. Hoje, ela é mãe adotiva de uma menina índia, que foi abandonada para morrer, e tem dedicado apaixonadamente a sua vida, há mais de 20 anos, na luta em favor das crianças e dos valores da família.

Grande auxiliadora da Bancada Evangélica desde a sua criação, Damares foi assessora da referida bancada e do deputado federal assembleiano João Campos (PRB-GO), que durante muito tempo presidiu a Frente Parlamentar Evangélica; assessora do deputado federal batista e hoje senador Arolde de Oliveira (DEM-RJ); e do senador batista Magno Malta (PR-ES).

Damares é coordenadora do Movimento Nacional pela Cidadania Brasil Sem Aborto; Movimento Nacional Brasil Sem Drogas; da Campanha “Brasil Um País que Adota”; do Instituto Flores de Aço com sede Brasília, que milita em defesa dos direitos da mulher; uma das fundadoras do Movimento Brasil Sem Dor, que atua na prevenção da automutilação, da autolesão e do suicídio de jovens, crianças e adolescentes; membro do Programa Mundial Infância Protegida; fundadora da instituição e “Movimento ATINI – Voz Pela Vida”, que tem uma chácara em Brasília onde são acolhidas as mães e as crianças indígenas em situação de risco; uma das idealizadoras do Projeto Tekoê, que tem sede no Gama (DF) e também acolhe mães e crianças indígenas em situação de risco; e a idealizadora do projeto de lei na Câmara dos Deputados que propõe o “combate a práticas tradicionais nocivas e à proteção dos direitos fundamentais de crianças indígenas”.

Bolsonaro chama seu mandato de “missão de Deus”

No dia 10 de dezembro, em sua diplomação como novo presidente da República, o presidente Bolsonaro fez um discurso em que destacou principalmente Deus, falou dos desafios que tem pela frente e disse considerar seu mandato uma “missão” divina para o Brasil. “Em primeiro lugar, quero agradecer a Deus por estar vivo. E também agradecer a Deus por essa missão à frente do Executivo. Tenho certeza que ao lado dEle venceremos os obstáculos”, frisou o presidente.

O presidente destacou também os valores que o levaram à vitória no pleito de outubro do ano passado e o apoio da sua família. “Não poderia estar mais honrado com a confiança demonstrada pelo povo brasileiro. Essa vitória não é só minha. O caminho que me trouxe aqui foi longo e nem sempre foi fácil. Durante a minha vida pública como militar, vereador e deputado federal, sempre me pautei pela defesa dos valores da família, pelos interesses do Brasil e pela soberania nacional. Orientei a plataforma da minha campanha à Presidência da República pela defesa desses valores. A todos aqueles que me apoiaram e que confiaram na minha capacidade de lutar em favor do Brasil, o meu muito obrigado. Agradeço, com carinho, à minha família; à minha mãe Olinda, ainda viva, com 91 anos de idade; à minha esposa Michelle e a meus filhos Flávio, Carlos, Eduardo, Renan e à minha querida filha Laura. Nada disso teria sido possível sem o amor e o apoio incondicional de vocês. Agradeço também a todos os que acreditaram e que estiveram comigo desde o início de minha trajetória, nos momentos felizes, mas, sobretudo, nos momentos difíceis. Essa vitória é de todos nós. Agradeço muito especialmente aos mais de 57 milhões de brasileiros que honraram com o seu voto”, afirmou o presidente.

O presidente asseverou também a necessidade de unir o país. “Aos que não me apoiaram, peço sua confiança para construirmos juntos um futuro melhor para o nosso país. A partir de 1º de janeiro serei o presidente dos 210 milhões de brasileiros. Governarei em benefício de todos, sem distinção de origem social, raça, sexo, cor, idade ou religião. Com humildade, coragem e perseverança, e tendo fé em Deus para iluminar as minhas decisões, me dedicarei, dia e noite, ao objetivo que nos une: a construção de um Brasil próspero, justo, seguro e que ocupe o lugar que lhe cabe entre as grandes nações do mundo. Esse é o nosso norte. Esse é o nosso compromisso. A construção de uma nação mais justa e desenvolvida requer uma ruptura com práticas que historicamente retardaram nosso progresso, não mais a corrupção, não mais a violência, não mais as mentiras, não mais manipulação ideológica, não mais submissão do nosso destino a interesses alheios, não mais mediocridade complacente em detrimento do nosso desenvolvimento”, disse o presidente.

Ele encerrou seu discurso frisando os desafios e pedindo a bênção de Deus sobre o Brasil. “Tenho plena consciência dos desafios que se colocam diante de nós. Sem subestimá-los, trabalharei com afinco para que daqui a quatro anos possamos olhar para trás com orgulho pelo caminho trilhado em benefício do nosso amado Brasil. O Brasil deve estar acima de tudo. E que Deus abençoe o nosso país e a todos nós brasileiros”, concluiu o presidente.