Quando Jonas disse “não” a Deus

Quando Jonas disse “não” a DeusA trajetória do profeta Jonas é bem conhecida por todos nós. A maneira pela qual ele tentou “fugir” da missão a ele confiada pelo Senhor, o terror do profeta quando se deu conta de que estava no ventre de um enorme peixe e o seu livramento. Mas a sua desobediência foi o fator que o conduziu a esta situação tão terrível. O texto bíblico não deixa dúvidas. “E veio a Palavra do Senhor a Jonas, filho de Amitai, dizendo: levanta-te, vai a grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua malícia subiu até mim. E se levantou Jonas para fugir de diante da face do Senhor para Társis, e, descendo a Jope, achou um navio que ia para Tarsis; pagou, pois a sua passagem e desceu para dentro dele. Mas o Senhor mandou ao mar um grande vento, e fez-se no mar uma grande tempestade, e o navio estava para quebrar-se” (Jonas 1.1 a 4).

A narrativa prossegue e revela um panorama desesperador. Os passageiros e a tripulação corriam risco de vida: a iminência de um naufrágio avizinhava-se rapidamente. Entretanto, em meio àquele caos, os tripulantes descobrem o profeta que logo é convocado para clamar a Deus em busca de misericórdia. A tempestade não mainou, logo os marinheiros decidiram lançar sortes para saber a causa de tão cruel tempestade (Jonas 1.7). Jonas foi o indicado. Os tripulantes o interpelaram: “Declara-nos, agora, por causa de quem nos caiu este mal. Que ocupação é a tua? Donde vens? Qual a tua terra? E de que povo és tu?”. Então Jonas respondeu: “Eu sou hebreu temo ao Senhor, o Deus do céu, que fez o mar e a terra”. Então os homens ficaram possuídos de grande temor e lhe perguntaram: “Que é isto que fizeste?” Pois sabiam que ele fugia da presença do Senhor, porque lhes havia declarado.

O texto é muito ilustrativo e esclarecedor. Jonas se conhecia e o Senhor também. O Senhor destacou o profeta fujão para realizar uma missão de impacto. Jonas estava identificado com aquela missão. Caso contrário, Deus não o escolheria, até porque leviandade não faz parte do caráter divino, e certamente não indicaria alguém incapaz, sem os predicados necessários para o cumprimento da tarefa. O Criador conhece a nossa capacidade e nossas limitações. O Senhor analisa todos os pormenores e, então, convoca o mensageiro. Ele implanta no coração de seu servo a identificação com a sua vontade e, em parceria, Deus e homem trabalham juntos para fazer com que a missão avance vitoriosamente. Mesmo quando Deus permanece “calado”, Ele não está inerte. Mesmo assim, diversas vezes nós rejeitamos o seu chamado. Dessa forma, colhemos os frutos de nossa desobediência. O profeta Ezequiel deixou registrado em seu livro no capítulo 33 e versículos de 7 a 9 a seguinte mensagem: “A ti, pois, ó filho do homem, te constituí por atalaia sobre Israel; por isso, ouça a minha palavra e advirta-os em meu nome. Quando eu disser ao ímpio que é certo que ele morrerá, e você não falar para dissuadi-lo de seus caminhos, aquele ímpio morrerá por sua iniquidade, mas o seu sangue demandarei de ti. Mas, se falares ao perverso para que ele se desvie do seu mau caminho, e ele não se desviar, morrerá ele na sua iniquidade, mas tu livraste a tua alma”.

Os dois profetas, Jonas e Ezequiel, estavam identificados com seus respectivos ministérios. O povo hebreu identificava-os como profetas de Deus e deveriam agir como tal. A desobediência gera crise de autoridade. Senhor e servo, cada qual é responsável em suas missões. A identificação entre os dois proverá o êxito da operação. Devemos observar que a rejeição de Jonas quanto à tarefa outorgada por seu Senhor, refletiu o desprezo aos atributos que o identificavam com seu Deus. O Senhor desejava transformar o povo de Nínive, e o escolhido para realizar a missão foi o profeta Jonas. Tratava-se de uma honra tal distinção. Mas o profeta não analisou sob este aspecto. Simplesmente desprezou o poder de Deus sobre a criação e valorizou mais a crueldade praticada pelos ninivitas. Então Jonas decidiu fugir. Prezado leitor, que tipo de atitude é esta? Onde estava a confiança de Jonas? Por que Gideão temeu ir ao encontro dos midianitas opressores com somente 300 soldados? Ele desejava combater com 32 mil homens à sua disposição. Todavia, Deus permitiu somente 300. E assim mesmo, divididos em três colunas de 100, munidos de trombetas, cântaros, vasos e tochas. Gideão venceu os midianitas (Juízes 7.1-25). Mas, percebemos que o juiz de Israel também manifestou medo e insegurança, os mesmos sentimentos que acontecera a Jonas. Só posteriormente concordou em agir como Deus lhe falara. Jonas, de igual modo, arrependeu-se e aceitou aquele desafio, o que resultou em um quebrantamento total na cidade de Nínive.

A Igreja tem seu papel a desempenhar. O clamor da humanidade ecoa pela Terra. A estrutura política e econômica é ineficaz para preencher o interior do homem. As frustações e questionamentos são constantes no cotidiano das nações. A ação restauradora deverá ser coordenada pela Igreja. A ela foi outorgada a incumbência. A Igreja é a coluna e firmeza da verdade. Ela traz consigo a “pedra da esquina”, a “pedra angular”, que combate e aniquila todo o sistema escravizador do homem, seja de origem humana ou celestial: “Porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os princípios e potestades, contra os dominadores desse mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes” (Efésios 6.12).

O comportamento de Jonas provocou uma crise naquela embarcação. Ele identificou-se como hebreu e seguidor do Deus vivo. Até aquele momento conseguira camuflar a sua identidade e provocado toda aquela balbúrdia. Quando assume a sua responsabilidade e orienta os tripulantes como proceder, a situação volta ao normal. De igual forma, quando a Igreja primitiva por sua identidade junto ao seu público-alvo, ela estabelece padrões de atuação no âmbito local, nacional e mundial, que consolidarão sua excelência, trazendo reconhecimento e colher frutos do seu trabalho. Com firmeza em sua caminhada, estabelece procedimentos de conduta, de abordagem, de manifestações diversas, as quais desviarão, com toda certeza possíveis crises de comportamento, pois a igreja sabe quem é, quem a constitui e comissionou para atender os reclames da Grande Comissão. Não há meio termo, nem acomodações. Sua estrutura espiritual será consolidada. Seu avanço estratégico proporcionará maior capilaridade junto às comunidades e, assim, adentrará no combate pela busca do pecador perdido. Seu agir criterioso se anteporá a possíveis crises de omissão e acomodação, pois antes de tudo, a Igreja, sabe quem é, o que tem para fazer e o que lhe aguarda. Seu iminente rapto para a eternidade de gozo com seu amado noivo. Que assim seja!

Por, Pedro Tadeu S. de Maia.




O Perfil Bíblico de um Missionário

O Perfil Bíblico de um MissionárioO capítulo 13 de Atos dos Apóstolos marca o início do avanço missionário que levou o Evangelho de poder às mais distantes partes do mundo conhecido daqueles dias. A Palavra de Deus é fiel. Nos Evangelhos de Marcos 16.15 e Mateus 28.19, o Senhor Jesus outorgou aos seus fiéis a Grande Comissão: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho à toda criatura” e “Ide e ensinai as nações”, respectivamente. Podemos verificar nos capítulos 8 e 10 do livro de Atos as primícias dessa gloriosa obra de evangelização e missões: o diácono Filipe desceu à Samaria e lá o Senhor o instrumentalizou na evangelização, realização de milagres e na libertação de possessos de espíritos imundos (8.4-8), além disso aconteceu o batismo de novos convertidos (v 12); os crentes receberam o batismo no Espírito Santo (v 17); “muitas aldeias dos samaritanos foram evangelizadas” (v 25); o alto oficial da corte de Candace, rainha dos etíopes recebe a Jesus Cristo como Salvador pessoal, após ser evangelizado por Filipe (vv 27-39), o novo convertido leva a mensagem do Evangelho para a Etiópia, um país estrangeiro; as cidades costeiras localizadas ao sul da Palestina são evangelizadas até Cesaréia, a capital romana no país (v 40); os cidadãos romanos convertem-se em Cesaréia, a saber, o centurião Cornélio, sua família, seus amigos e conhecidos.

Mas o perfil que intitula este artigo pode ser observado no capítulo 13 do livro de Atos. Vamos analisar cada característica registrada na Palavra de Deus.

O missionário deve ser um homem (ou mulher) ligado à Igreja de Deus

“E na igreja em que estava em Antioquia” (v 1), isto significa que o candidato tem que ser alguém em comunhão com a Igreja, integrado à Igreja, que conhece a Igreja, que trabalha na Igreja, moldado na Igreja, comprometido com a Igreja, aprovado pela Igreja, credenciado pela Igreja e submisso à Igreja. Por toda a parte a obra missionária tem sofrido com homens e mulheres mal relacionados com a Igreja, que mal a conhecem e muito menos a doutrina bíblica da Igreja; tanto a Igreja como o corpo universal de Cristo, como a Igreja no sentido de congregações locais.

O missionário deve ser uma pessoa que sabemos de onde vem

“Que estava em Antioquia” (v 1), nesse momento, sabe-se onde estavam os candidatos a missionários e de onde vieram. Eles não eram homens desconhecidos, nem forasteiros, mas estavam na igreja em Antioquia e eram conhecidos de todos ali. A Igreja precisa saber e conhecer muito bem a quem está enviando para o campo missionário para representá-la, para depois não vir a colher uma odienta safra de problemas de toda natureza. O missionário deve ser uma pessoa conhecida do seu povo, o qual dá bom testemunho dele.

O missionário deve ser um homem portador dos dons de Deus

“Havia ali alguns profetas e doutores” (v 1), diferentes dons completam-se entre si nos homens de Deus, para a edificação da igreja. Ninguém sozinho possui todos os dons de Deus para o seu serviço. Muitos crentes só querem saber dos “profetas”, e cedo enveredam pelo fanatismo. Os verdadeiros profetas de Deus estão mais relacionados à espiritualidade do povo. Crentes à também, que só querem saber dos “doutores” ou mestres, e muito cedo enveredam pelo formalismo frio e sem vida, mas havendo profetas e mestres da parte do Senhor e agindo em conjunto, trazem o equilíbrio espiritual à congregação. Os mestres bíblicos estão mais relacionados ao discipulado cristão, ao ensino da Palavra. O profeta do Senhor conduz o povo à santidade e ao avivamento, enquanto o mestre cuida da doutrina, da edificação e da consolidação da Igreja.

Na obra missionária, o trabalho do profeta sem o mestre, não se consolida e o trabalho do mestre sem o profeta, não se avolumará.

O missionário deve entender bem de variadas etnias e culturas

“Barnabé e Simeão, chamado Niger, e Lúcio cirineu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca e Saulo” (v 1), Barnabé era judeu, oriundo da tribo de Levi, nascido em Chipre, outro país. Simeão possuía pele negra (o termo “Niger” significa literalmente “negro”), Lúcio era africano (“cirineu” vem de Cirene, uma região no norte da África); Manaém fora criado com Herodes, o tetrarca, ou seja, o Herodes Antipas, o governante que ordenou a execução do profeta João Batista, no cárcere. Manaém conheceu a vida palaciana, como irmão de criação desse monarca. Paulo era judeu, portador de vasta cultura geral, nascido em Tarso, na Cilícia. O transculturalismo, como se vê, está implícito aqui, nos primórdios da obra missionária, mediante tantas etnias e suas diferentes culturas. O choque cultural, proveniente do desconhecimento desse assunto, pelo novo missionário, causa-lhe uma série de problemas no tocante à sua adaptação, comunicação e aceitação pelos nacionais,  resultando isso muitas vezes no retorno desse missionário à sua terra de origem.

O missionário deve ser um dos melhores crentes na igreja

Citaremos aqui apenas o primeiro e o último da lista em consideração: Barnabé e Saulo (v 1). A dupla era formada por homens de grande calibre moral e espiritual, envergadura, testemunho, integridade, responsabilidade, confiança e fidelidade. Por vezes, considerando interesses divorciados da vontade de Deus, a Igreja envia para o campo missionário os piores elementos; são pessoas que vão causar problemas aos que já estão por lá, e também problemas para a igreja que os enviou.

O missionário deve ser uma pessoa anteriormente ocupada na obra do Senhor

“E servindo eles ao Senhor” (v 2), foi quando eles serviam ao Senhor que o Espírito Santo ordenou que os separasse para a obra missionária. Para fazer a sua obra, Deus chama homens e mulheres já ocupados, é isso que observamos através da Bíblia. Moisés cuidava do rebanho de seu sogro no momento em que o Senhor o chamou; Gideão realizou grandes feitos para Deus, mas estava malhando trigo quando foi chamado. Eliseu arava o campo com seus bois, um trabalho meticuloso e pesado; Davi apascentava o rebanho de Jessé, seu pai, quando recebeu a missão do Senhor por intermédio do profeta Samuel. Pedro e André, Tiago e João (dois pares de irmãos) estavam ocupados na pesca quando Jesus os chamou para outro tipo de pescaria. Mateus trabalhava na coletoria quando ouviu a chamada de Jesus para o seu trabalho. O ocioso e o indolente só dão prejuízo e complicação.

O missionário deve ser um homem piedoso, espiritual, que dependa primeiramente de Deus

“E jejuando” (v 2), o jejum é sempre um reforço e aliado da oração, como se vê no versículo 3. O jejum quando biblicamente observado, fala de quebrantamento de espírito, humilhação na presença do Senhor, e dependência de Deus. Estes obreiros do versículo 1 eram líderes dotados de dons divinos mas não desprezavam o jejum.

O missionário deve ser uma pessoa chamada por Deus para esta função

“Para a obra que os tenho chamado” (v 2), ninguém deve apresentar-se como candidato a missionário e muito menos seguir para o campo de trabalho sem ser chamado por Deus, que segundo a sua soberania e seus propósitos nos chama para executar a sua grande obra (“para a obra”, v 2). A chamada divina depende unicamente do querer de Deus. “E chamou a si os que ele quis” (Marcos 3.13). É possível observar que eles já eram chamados por Deus (“os tenho chamado”), mas não se enviaram a si mesmos.

O missionário deve ser um homem separado pela Igreja para o trabalho

“Apartai-me a Barnabé e a Saulo” (v 2), o Espírito Santo ordenou que a Igreja de Antioquia separasse esses homens para a obra missionária. O Senhor chama para o trabalho, mas é a Igreja que tem a responsabilidade de separar, consagrar, ordenar para o trabalho entre os homens. A voz do Espírito Santo foi clara; Ele conhece os  obreiros, os capacita e os dirige no trabalho.

O missionário deve estar preparado para mudanças administrativas durante o  seu trabalho missionário

“A Barnabé e a Saulo” (v 2), nessa ocasião era “Barnabé e Saulo”, mas depois passou a ser “Paulo e Barnabé”, quando Deus transferiu a liderança da obra para Paulo (Atos 13.43,46). Nem todo missionário está preparado para mudanças desse tipo na esfera ministerial.

O missionário deve estar ligado e submisso a uma igreja

“E pondo sobre eles as mãos” (v 3), o ato de impor as mãos sobre alguém concernente ao ministério, significa participação, apoio, reconhecimento, aceitação e compromisso da parte da igreja para com essa pessoa. A Bíblia adverte: “A ninguém imponhas as mãos precipitadamente” (1 Timóteo 5.22). Muitos missionários têm sofrido nos campos de trabalho missionário, abandonados pelas igrejas que os enviaram. Há também casos em que muitos nunca foram enviados, e querem que as igrejas se responsabilizem por eles.

O missionário deve ser uma pessoa enviada pelo Espírito Santo

“E assim estes enviados pelo Espírito Santo” (v 4), em resumo, vejamos o todo até aqui:

  • Eles eram homens integrados à Igreja (v 1).
  • Eles foram chamados por Deus (v 2).
  • Eles foram separados pela Igreja (v 2).
  • Eles foram despedidos pelos irmãos (v 3).
  • Eles foram enviados pelo Espírito Santo (v 4).

Pode acontecer de alguém pertencer à Igreja, ser chamado, ser separado, e ser despedido, e não ser “enviado pelo Espírito Santo”.

O missionário precisa ser um homem de fé

“E Manaém que fora criado com Herodes, o tetrarca” (v1), se Manaém continuasse no palácio de Herodes, ele seria um dos seus altos funcionários, na corte ou a serviço dos cortesãos, e isto regados a muitas honras e regalias. Talvez Manaém estaria em uma posição invejável como a de Blasto, o “camarista” do rei Herodes (Atos 12.20). O termo “camarista” corresponde hoje a um secretário pessoal, encarregado dos negócios particulares de um soberano, inclusive de seus aposentos pessoais, e de sua família. Muitas vezes, o obreiro tem de abrir mão de regalias, vantagens, posição e privilégios materiais para atender ao chamada do Senhor, mas Ele sabe como compensar tudo isso em um plano sobremaneira elevado.

Lembremo-nos aqui de Moisés que “recusou ser chamado filho da filha de Faraó”, para atender o chamado do Senhor (Hebreus 12.24). É oportuno lembrar aqui que o nome Manaém significa consolador, confortador e auxiliador.

Resumidamente, temos o perfil de um missionário, isto é, um enviado para realizar a obra de Deus. O termo missionário vem do latim, do verbo mitto, que significa enviar, enviado.

Por, Antoni Gilberto.




Devemos aprender com Jesus a realizar missões e contribuir com o Reino

Devemos aprender com Jesus a realizar missões e contribuir com o ReinoJesus nos deixou um maravilhoso exemplo de como evangelizar através do seu encontro com a mulher samaritana (João 4.1-29). Mas hoje em dia, muita gente aspira realizar a obra missionária a seu modo, porém, o nosso Mestre nos deixou o exemplo, e eu quero destacar esse método concebido por Cristo ao encontrar a mulher samaritana. A inimizade entre judeus e samaritanos teve raízes na divisão de Israel entre os reinos do norte e do do sul, após a morte de Salomão (931 a.C.), esta ruptura política desenhou um novo panorama religiosos: o Reino do Sul manteve a sua liturgia na capital Jerusalém; por sua vez, o Reino do Norte consagrou o monte Gerizim para as suas celebrações.

Mas o Reino do Norte acabou destruído em 722 a.C. pelos assírios que deportaram as 10 tribos que formavam a geopolítica da região. Com os moradores nativos longe de casa, o território foi ocupado por novos inquilinos: povos gentílicos que miscigenaram-se com os hebreus remanescentes. A mistura originou o povo samaritano. Os descendentes não eram idólatras, mas reconheciam somente o Pentateuco como inspirado por Deus e rejeitavam a cidade de Jerusalém com o centro religiosos; esses detalhes explicam porque os samaritanos se opuseram à reedificação de Jerusalém por Neemias (Neemias 2.19; 4.2).

Os passos de Jesus para evangelizar a mulher samaritana

O Senhor se dirigia as pessoas

O método que muitos crentes utilizam é o de esperar que as pessoas venham procurá-los. Observe que Jesus não esperou que a samaritana fosse procurá-lo em Jerusalém ou em Cafarnaum, na Galileia. O texto bíblico revela que Ele foi até Sicar; lá, o Senhor descansou próximo a um poço aberto pelo patriarca Jacó (acredito que o Senhor esperasse pela mulher). O apóstolo João calculou esse evento por volta do meio dia (o horário de maior calor e menos probabilidade de alguém buscar água no poço). Por sua vez, o apóstolo Paulo afirma que “a fé vem pelo ouvir, e o ouvir a Palavra de Deus” (Romanos 10.17). Em primeiro lugar, o evangelista deve se dirigir ao pecador munido com a Palavra de Deus.

Evite os preconceitos

A palavra preconceito é, na verdade, formada por duas outras palavras: pelo prefixo latino “pré”, que significa anterioridade ou antecedência;  e pelo substantivo “conceito”, que é uma opinião, reputação, julgamento ou avaliação. O preconceito é, portanto, o conceito formado de se ter os conhecimentos necessários; é a opinião formada antecipadamente, sem maior ponderação.

O preconceito é uma das grandes dificuldades que o ser humano enfrenta para respeitar e amar o próximo de forma objetiva e sensata. “Desse modo não existe diferença entre judeus e gentios, entre escravos e pessoas livres, entre homens e mulheres: todos vocês são um só por estarem unidos com Cristo Jesus” (Gálatas 3.28). “Porque para com Deus não há acepção de pessoas” (Romanos 2.11).

Jesus conhecia a situação moral daquela mulher, mas Ele nos deixou uma poderosa lição, pois o Senhor contemplou a sua alma e não o que ela fez, e este deve ser o comportamento do missionário. Há pessoas que desejam fazer a obra de Deus, mas carregam consigo preconceitos contra vários grupos de pessoas. A situação é tão grave que, ao cruzar o caminho com determinados cidadãos, os religiosos chegam a “clamar o sangue de Jesus”, como se para aquelas pessoas não houvesse solução. Mas Jesus mostrou-nos que há solução para aqueles que pensamos estarem perdidos, é o que Ele quer para realizar uma grande obra. A mulher samaritana que não desfrutava de boa reputação entre seus conterrâneos, transformou-se numa evangelista.

Interessar-se pelas almas

Aprendemos com o Mestre que devemos nos interessar pelos demais, se quisermos que haja interesse por parte deles à mensagem do Evangelho. A narrativa bíblica revela o interesse de Jesus em auxiliar a samaritana.

É a compaixão que leva o crente a mostrar interesse pela pessoa que não conhece o Evangelho. Jesus deixou claro na parábola do Bom Samaritano (Lucas 10.25-37) que seus seguidores deveriam ter misericórdia das pessoas que precisam de ajuda. A Bíblia Sagrada relata em diversas passagens a compaixão do Senhor, compaixão esta necessária para nos dispormos a levar as boas novas a alguém (Mateus 9.27; Mateus 9.35,36; Mateus 14.13-21; Mateus 15.30-32; Mateus 20.30-34; Lucas 7.11-14).

Despertar  a curiosidade

Jesus fez um simples pedido à samaritana: “dá-me de beber”. Entretanto, este pedido causou uma reação na mulher; “como você, sendo um judeu, pede água para mim, samaritana?”. A reação era natural, por causa da inimizade de judeus e samaritanos. Porém, Jesus era diferente e a mulher interessou-se em saber a razão. Se nós agirmos da mesma maneira, não despertaremos a curiosidade de ninguém para o que temos a oferecer.

As diferenças que o mundo precisa enxergar em nós:

  • A nossa união como Corpo de Cristo (João 17.21).
  • As boas obras que glorificam a Deus (Mateus 5.13-16).
  • A vida irrepreensível de um legítimo filho de Deus (Filipenses 2.14, 15).
  • Uma fé que subsista aos olhares mais atentos (2 Reis 4.9; Daniel 6.3,4).

Falar a linguagem que o pecador compreenda

Jesus se aproxima daquela mulher e fala de uma forma que ela compreendeu. Quantas pessoas se mobilizam para anunciar o Evangelho, mas acabam por  utilizar uma linguagem “espiritualizada”, ou seja, em vez de anunciar a Palavra de Deus, acaba por escandalizar a Palavra de Deus, acaba por escandalizar as pessoas.

  • Não crie falsas esperanças, apenas anuncie  “Boas Novas”.
  • Se a pessoa não desejar escutar a mensagem, converse com alguém mais receptivo.
  • Não aborde de imediato o tema inferno, mas ensine o conteúdo básico do Evangelho. A história básica de Jesus é um bom início. A abordagem deve ser da seguinte maneira:
  • Com profundo amor.
  • Com paciência e persistência.
  • Sabendo iniciar e terminar o diálogo.
  • Ouvir se a pessoa está evangelizada.
  • Fazer perguntas sobre a salvação.
  • Evitar assuntos polêmicos e discussões.

Anunciar a palavra certa no tempo oportuno

Apesar do interesse e curiosidade demonstrados pela mulher samaritana, Jesus trabalhou com ela com calma. A mulher estava envolvida na atividade de retirar água do poço e Jesus levou-a a interessar-se pela água viva (v. 10). Jesus mostrou-lhe que conhecia fatos acerca da vida dela (vv 16-18) e a samaritana conjecturou que o galileu fosse um profeta. A mulher queria saber onde deveria adorar a Deus: em Gerizim ou em Jerusalém (v. 20), mas o Mestre a ensinou que Deus procura quem o adore em espírito e em verdade (vv 23 e 24). Foi neste ponto que a mulher lembrou-se da promessa do Messias e que Jesus revelou-se como o Salvador prometido (vv 25 e 26). O segredo para apresentar a “palavra certa” no tempo oportuno é o trabalho na dependência do Espírito Santo. Para cada tipo de pessoa há uma maneira melhor de apresentar o Evangelho.

  • Pescadores: “Eu vos farei pescadores de homens” (Mateus 4.19).
  • Pessoas habituadas à vida agrícola. O semeador (Mateus 13.1), o joio e o trigo (Mateus 13.24), os lavradores maus (Mateus 21.33).
  • Os apreciadores de esportes (1 Coríntios 9.24-27).

Não condene as pessoas

Evangelizar sim, julgar as pessoas não. O próprio Jesus não condenou a mulher samaritana, Ele falou do seu pecado, lembrando-lhe de seus cinco maridos. Ela mesma sentiu a sua condenação. Em João 8.11 podemos observar a palavra que Jesus deu à mulher surpreendida em adultério: “Nem eu te condeno; vai-te e não peques mais”. Condenar uma pessoa pelos seus maus feitos serve, muitas vezes, para fechar a porta de oportunidade de evangelizá-la. Lembremos que ser cristão é muito mais do que seguir regras como “não fumar” e “não beber”. Lembre-se que quem convence a pessoa do pecado, da justiça de Deus e do juízo é o próprio Espírito Santo (João 16.8).

Outras ocasiões em que Jesus praticou o evangelismo pessoal: Jesus e Zaqueu (Lucas 19.1-28); Jesus e Nicodemos (João 3.1-21); Jesus e a mulher adúltera (João 8.1-11); Jesus e o paralítico de Cafarnaum (Marcos 2.1-12); Jesus e o jovem rico (Mateus 19.16-30).

Sigamos o exemplo do maior missiólogo de todos os tempos, Jesus de Nazaré.

Por, Edvaldo Santos da Silva Filho.




Desafios para uma espiritualidade Cristocêntrica atual

Desafios para uma espiritualidade Cristocêntrica atualO Cristianismo chegou ao século 21. Ao longo do tempo a mensagem que leva o nome de Cristo conviveu e sobreviveu à influência de diversas culturas, ao avanço da tecnologia e da ciência e as barreiras linguísticas (afinal, é possível calcular por quantos idiomas o Evangelho já foi pregado?). É difícil precisar quais fatores contribuíram para que o Evangelho chegasse até a nossa geração. O registro escrito, o fechamento do Canon, a dedicação de pessoas e instituições em traduzir a Bíblia e a ação missionária são apenas alguns deles.

Fato é que no Brasil em 2015, a maior parte da população é cristã. Sendo, mais de 42 milhões de brasileiros evangélicos1. Em nosso país há uma imensa facilidade jurídica na abertura de igrejas, há liberdade de expressão e não há perseguição religiosa (como em outros lugares do mundo). Essa conjuntura resulta na existência de diversas igrejas evangélicas.

Paralelamente, há um crescente número de desigrejados (4 milhões de pessoas). Insurgem modismos, heresias e denúncias de corrupção em contextos eclesiásticos, de modo que existe um hiato entre os indicadores estatísticos. Portanto, podemos nos perguntar: Como pode haver tantos seguidores de Cristo em nosso país e não haver impactos visíveis (tais como redução da criminalidade e da corrupção) na sociedade? Como ser uma igreja relevante, que contribua socialmente? Como vencer a onda de nominalismo e apostasia protestante?

Para isso, talvez a melhor saída seja (re) edificar uma espiritualidade Cristocêntrica, e para tal iremos destacar três desafios sendo o primeiro inspirado em Romanos 12.2: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

1º Desafio: Reaprendizagem conceitual

Neste texto o apóstolo Paulo indica a “renovação do entendimento” como o caminho da transformação do indivíduo, que o levará a experimentar a vontade de Deus. Assim, podemos afirmar que um dos fundamentais desafios para uma espiritualidade Cristocêntrica é reaprendermos os conceitos bíblicos básicos, dos quais vamos destacar dois: Missão e Reino de Deus.

  • Reino de Deus – No lugar do marketing material, da divulgação da denominação, do foco nos próprios eventos é preciso pôr o anúncio da chegada do Reino de Deus entre a humanidade. Este é exatamente o discurso de Jesus em Mateus 4.17: “Desde então começou Jesus a pregar, e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus”. Viver e anunciar os valores do Reino (que já foi inaugurado, mas ainda não consumado) é a forma pela qual podemos expandí-lo.
  • Missão – A missão de redenção, de transformação integral do ser humano é de Deus. Ele próprio iniciou a obra de reconciliação da humanidade consigo mesmo (2 Coríntios 5.19). De modo que somos seus cooperadores: “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” (2 Coríntios 5.20).

2º Desafio: Redescobrir o poder de impacto da igreja local

É essencial rever o valor da igreja local: uma igreja que não foca em expansionismo, mas antes em conhecer e servir a comunidade em seu entorno, tornar-se altamente relevante. Diversas igrejas consideram apenas o passado; seu principal objetivo é preservação da memória e das tradições. Outras anseiam apenas o futuro, seus projetos e o cumprimento das promessas celestiais.

Mas o desafio de ser igreja é se tornar um sinal histórico da presença do Reino de Deus, e isso apenas pode ser feito se a missão de Deus for encarada com a serenidade e urgência que merece. O foco da ação de Deus são as pessoas. Deus quer alcançar indivíduos com sua graça, para a partir daí fazer a redenção atingir seus relacionamentos, sua família com a Graça.

Uma igreja que dedica-se a servir seu bairro e sua cidade, visando necessidades reais, ao atender pedidos de socorro, administrar libertação, cura e salvação de uma maneira integral, torna-se relevante!

Uma igreja local engajada com as necessidades sociais no seu entorno consegue influenciar na formação de crianças e adolescentes (dentro da igreja e em parceria com as escolas), incentivar o crescimento profissional de jovens e adultos, acesso às famílias para mediar conflitos, fortalecer casamentos e ministrar aconselhamento, intervir em quadros de violência (seja doméstica ou urbana), etc.

A igreja não pode ser um polo de eventos do bairro, ela precisa ser a “candeia” acesa que emana a luz de Cristo na região em que está estabelecida (Lucas 8.16), e isso não é difícil porque servir é a vocação natural de todos os seguidores de Cristo (Marcos 10.43-45). Basta olhar em volta e se perguntar: o que eu posso oferecer para essas pessoas que vivem ao redor de mim? Cestas básicas? Limpeza das ruas? Cursos de idiomas? Aula de música? As opções são infinitas!

3º Desafio: Mais que evangelizar, formar discípulos

Finalmente, destacaremos o desafio do discipulado: O que será mais fácil ser discípulo ou formar discípulos? É complexo responder essa pergunta. A experiência de salvação é um milagre sensacional. Mas precisamos ser conscientes de que ela é apenas o primeiro passo de uma longa jornada.

Após entregarmos nossa vida ao Salvador Jesus, temos um caminho de transformação de hábitos e aperfeiçoamento de caráter a seguir. Ser discípulo é trilhar os passos de Jesus, é crucificar o nosso ego, é aprender a se sujeitar a vontade de Deus, é mortificar nossa carnalidade, é crescer em santidade, a fim de de nos tornarmos parecidos com o Mestre.

Nessa jornada, porém, precisamos ajudar o nosso próximo neste mesmo processo. Formar discípulos de Jesus é um mandamento: “Ide, portanto fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século” (Mateus 28.19-20).

Formar discípulos é um trabalho de longo prazo. Exige dedicação, paciência e compromisso com a vida da pessoa a ser discipulada. Discipular é uma alta responsabilidade, pois não formamos seguidores pessoais, mas seguidores de Jesus. De modo que antes de discipular é necessário:

a) Ter um relacionamento com Jesus – Conhecer a Jesus e receber a vida dEle, para depois transferir essa vida para outras pessoas (1 João 1.1-3).

b) Ser comprometido com o Evangelho (Mateus 16.24).

c) Ser discípulo – um aprendiz submisso ao Espírito Santo; que tem um coração ensinável, aberto para aprender e para ser aperfeiçoado diante de Deus (Salmos 51.10).

Importa destacar também que não podemos ousar fazer esse trabalho de maneira solitária, pois no discipulado nós somos apenas o instrumento. Quem age e transforma é o Espírito Santo. Somente Ele gera vida de Cristo em outras pessoas. Como Paulo disse: “não que, por nós mesmos, sejamos capazes de pensar alguma coisa, como se partisse de nós; pelo contrário, a nossa influência vem de Deus, o qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito; por que a letra mata, mas o Espírito vivifica” (2 Coríntios 3.5-6).

Porém é certo que o desafio de discipular não foi dado a qualquer pessoa. Muitas pessoas simpatizam com Jesus (discipular é um privilégio). Multidões admiram seus milagres. Diversos mestres ficam impressionados com sua sabedoria. Porém, Jesus entregou a missão de evangelismo e discipulado das nações apenas para àqueles que eram seus discípulos. Apenas para àqueles que eram comprometidos com a mensagem do Reino de Deus, por isso o discipulado não pode ser esquecido. Ele precisa ser prioridade na agenda eclesiástica.

Referência

1 – Segundo o censo do IBGE de 2010. Dados disponíveis em ftp://ftp.ibge.gov.br/Censos/Censo_Demografico_2010/Caracteristicas_Gerais_Religiao_Deficiencia/tab1_4.pdf

Fontes

CAMPANHÃ, Josué. Discipulado que transforma. São Paulo: Hagnos, 2013.
KIVITZ, Ed René. Mundo, igreja, céu e reino de Deus. Revista Ultimato, Viçosa, Ano XLVII, Nº 351, 2014.
http://censo2010.ibge.gov.br/
http://www.mackenzie.com.br/7123.98.html – Consultado em 01/12/2014 às 14.45.
http://ipbj-jataizinho.webnode.com.br/products/espiritualidadecristoc%C3%AAntrica/ – Consultado em 01/12/2014 às 16.05.

Por, Flaviane Vaz.




Reavaliando as Motivações Missionárias

Reavaliando as Motivações MissionáriasNenhum sucesso verdadeiro é fruto de casualidade. Ao contrário disso, ele é resultante do cumprimento de alguns requisitos pré-estabelecidos, e entre eles a motivação correta ocupa lugar de destaque. Isso vale também para a vida cristã, inclusive no cumprimento da missão que a Igreja recebeu do Senhor (Marcos 16.15).

Do ponto de vista bíblico, para Deus, o que vale não é somente o que fazemos ou deixamos de fazer, mas principalmente o que nos move nesse sentido. De acordo com a Epístola aos Hebreus, a Palavra de Deus é capaz de discernir “pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4.12), o que nos leva a crer que antes de observar o que um cristão faz ou não, o Senhor atenta para a intenção, ou mesmo a motivação do coração.

Essa regra serve também para o envolvimento de qualquer cristão na honrosa tarefa missionária. Portanto, antes de qualquer envolvimento com missões, o servo de Deus deve analisar a si mesmo, com vista à perseverança e também à fidelidade a Deus e à pregação do Evangelho.

Por que, como cristão, devo envolver-me com missões?

Por que, como cristão, devo evangelizar?

Essas perguntas são eficazes no propósito de nos colocar de fato diante daquilo que deve nos mover em direção aos perdidos, caso contrário, nossos esforços missionários poderão cair em dois grandes erros: vaidade e desânimo.

Eliminando tudo que é impuro

Por natureza, o ser humano é tendencioso à vaidade, chegando ao ponto de considerar-se suficiente em si mesmo. Por isso, no labor missionário, todos os envolvidos devem olhar para si, buscando descobrir – caso haja – toda impureza do coração, principalmente o de pensar se digno ou merecedor de estar envolvido nesta obra.

A má compreensão das motivações no exercício missionário pode resultar também em desânimo, principalmente porque, não tendo Deus como fonte motivadora, todas as demais opções são falíveis. Por exemplo, quando um cristão envolve-se com a tarefa missionária fundamentando-se apenas na convocação feita por alguém que não seja o Senhor, na primeira vez que a pessoa se decepcionar com este alguém, muito provavelmente ela abandonará o serviço missionário.

Sendo assim, para que haja sucesso na obra missionária, é vital que sejam bem definidas as razões pelas quais devemos estar envolvidos com a expansão do Reino de Deus e a comunicação de Seu Evangelho.

Por que devemos fazer missões?

1 – Satisfazer ao Senhor da Igreja

Ele verá o trabalho da sua alma, e ficará satisfeito…” Isaías 53.11a).

Nesta extraordinária profecia a respeito do inigualável sofrimento de Jesus, o profeta Isaías nos coloca a par de que Cristo se satisfaz quando vê os resultados do que realizou no Calvário. Não há dúvida que esses frutos são vidas que, mediante a fé e confissão, são alcançadas pela graça salvadora do Senhor Jesus.

Conforme bem sabemos, a salvação é resultante da fé e não das obras a fim de que ninguém venha a se gloriar (Efésios 2.8,9), e esta fé é produzida no interior do crente à medida que ele ouve a Palavra de Deus (Romanos 10.17). Portanto, quanto a Igreja se envolve com a pregação do Evangelho entre aqueles que encontran-se perdidos, de maneira direta e clara, ela está abrindo mão de seus próprios ideais com o propósito de agradar e satisfazer ao Senhor Jesus com os frutos de seu esforço missionário.

De maneira bem prática, quando alcançamos o objetivo de satisfazermos nosso Senhor, nós somos os maiores beneficiados, porque nossa força depende da alegria do Senhor (Neemias 8.10). Ao instituir Sua Igreja, o Senhor Jesus depositou sobre ela a grande e honrosa tarefa de proclamar a verdade do Evangelho e que, seus resultados viriam a satisfazer ao Senhor, e isto nos basta, pois nada supera o fato de termos a certeza de que, como resultado do que fazemos, está produzindo frutos.

Não se esqueça: Fazer missões é trabalhar naquilo que produz satisfação no Senhor.

2. Envolver-se naquilo que Deus está envolvido

A segunda principal razão pela qual a Igreja deve estar envolvida com a evangelização mundial é o fato de que a Missão, embora confiada a Igreja, ela pertence exclusivamente a Deus, isto é, aquilo que geralmente chamamos de Missão da Igreja, na verdade deve ser chamado de Missão de Deus.

Para esclarecer melhor essa questão, atente para a seguinte pergunta: “Quem nasceu primeiro, a Igreja ou a Missão?” Leia ainda a seguinte pergunta: “A missão foi feita para a Igreja ou a Igreja foi feita para a Missão?”

O pastor e teólogo John Stott afirma, dizendo: “Todos nós deveríamos concordar que a missão surge primariamente da natureza de Deus e não da natureza da igreja”. Stott ainda acrescenta que “a missão primordial é a de Deus, pois foi ele quem mandou seus profetas, seu Filho, seu Espírito. Destas missões, a do Filho é central, pois foi o auge do ministério dos profetas e inclui em si, como clímax, o envio do Espírito. Agora, o Filho envia – como ele próprio foi enviado”.

Sempre que o assunto for Missão, é preciso partir do princípio de que ela pertence a Deus, ou seja, se trata de um termo que encerra a ideia bíblica da atividade de Deus no mundo, sendo ele o seu protagonista (2 Coríntios 5.19). A Igreja é fruto dessa Missão,  e passou a ser parte direta da mesma.

Tendo destacado a quem de fato pertence a Missão, é necessário que compreendamos que a Igreja é chamada a fazer parte dessa obra que Deus vem realizando na terra. Ao enxergar desta forma, é possível que a ideia predominante de que a obra missionária é um peso, seja destruída e passemos a vê-la como privilégio, principalmente porque, envolver-se com Missões, é estar envolvido diretamente com Deus e naquilo que Ele está fazendo no mundo.

Estabelecendo isso como motivação missionária, dificilmente nos desanimaremos ou nos envaideceremos, primeiro porque somos cônscios da grandeza do que estamos realizando em parceria com Deus e depois, porque o que estamos realizando começa em Deus e não em nós.

Não se esqueça: Fazer missões é trabalhar naquilo que Deus está trabalhando.

3. Ama o que verdadeiramente Deus ama

A Bíblia nos coloca diante da realidade e da grandeza do amor de Deus de diversas formas, inclusive como algo real mesmo quando ainda éramos pecadores e estávamos mortos em nossos pecados (Romanos 5.8; Efésios 2.4). Frente a este indizível e maravilho amor, somos desafiados a reverenciá-lo pois o mesmo nos constrange (2 Coríntios 5.14).

O amor de Deus não somente é capaz de causar admiração no crente, mas também de colocá-lo diante da grande responsabilidade de produzi-lo de diversas formas, dentre elas, demonstrando o mesmo sentimento de Cristo (Filipenses 2.5). Isso implica que, necessariamente, a igreja deve amar exatamente o que Deus ama.

Mas afinal, quem de fato é o objeto do amor de Deus?

João 3.16 responde, dizendo: “Porque Deus amou o mundo…”

Todos nós sabemos que o uso da expressão “mundo” aqui, refere-se aos homens, não restando dúvidas de que Deus ama a humanidade e esta tem sido alvo de resgate. Assim sendo, a igreja é convocada a estabelecer os homens como objeto de seu amor, devendo canalizar todas suas forças no sentido de comunicar-lhes o amor divino, revelado em Cristo Jesus.

As palavras de Jesus em Marcos 16.15 são claras: “… Ide por todo o mundo…” Observe que a Igreja é enviada a pregar o Evangelho ao mundo, que por sua vez, de acordo com o que vimos, é alvo do amor de Deus.

Assim sendo, a igreja deve motivar-se em fazer missões por razões já expostas, mas também porque quando assim o faz, ela demonstra amar exatamente o que Deus ama, o que significa estar alinhado ao sentimento divino.

Não se esqueça: Missões é a oportunidade que a Igreja tem de demonstrar amor aquilo que Deus ama. Estou convencido de que, caso a igreja queira estar envolvida com missões, colhendo frutos duradouros, ela deve sempre rever suas motivações. Deus deve ser o alvo de nossa tarefa (satisfazê-lo), o trabalho missionário deve fundamentar-se naquilo que Deus está fazendo (envolver-se no que Deus está envolvido) e, finalmente, devemos basear nossa tarefa missionária no amor de Deus pelos perdidos (amar o que Deus ama).

Por, Elias Torralbo.




Princípios que devem reger uma igreja missionária

Princípios que devem reger uma igreja missionáriaO capítulo 13 de Atos dos Apóstolos é emblemático por várias razões. É nesse capítulo que a Igreja, de uma forma organizada, envia seus primeiros missionários (Atos 13.1-13). É verdade que antes de Antioquia houve investidas missionárias, como por exemplo, a ida de Filipe à cidade de Samaria (Atos 8.5). Todavia a ida de Filipe à terra dos samaritanos não aconteceu em decorrência de uma mobilização da igreja como aconteceu em Antioquia.

“Havia na igreja de Antioquia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, por sobrenome Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, colaço de Herodes, o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Separai-me, agora, Barnabé e Saulo para a obra a que os tenho chamado. Então, jejuando, e orando, e impondo sobre eles as mãos, os despediram. Enviados, pois, pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre. Chegados a Salamia, anunciaram a Palavra de Deus nas sinagogas judaicas; e tinham também João como auxiliar. Havendo atravessado toda a ilha de Pafos, encontraram certo judeu, mágico, falso profeta, de nome Barjesus, o qual estava com o procônsul Sérgio Paulo, que era homem prudente. Este, tendo chamado Barnabé e Saulo, diligenciava para ouvir a palavra de Deus. Mas opunhase-lhes Elimas, o mágico (porque assim se interpreta o seu nome), procurado afastar da fé o procônsul. Todavia, Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, fixando nele os olhos, disse: Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perverter os retos caminhos do Senhor? Pois agora, eis aí está sobre ti a mão do Senhor, e ficarás cego, não vendo o sol por algum tempo. No mesmo instante, caiu sobre ele névoa e escuridade e, andando à roda, procurava quem o guiasse pela mão. Então, o procônsul, vendo o que sucedera, creu, maravilhado com a doutrina do Senhor. E, navegando de Pafos, Paulo e seus companheiros dirigiram-se a Perge da Panfília. João, porém, apartando-se deles, voltou para Jerusalém” (Atos 13.1-13).

Sendo que a Igreja Primitiva é o nosso modelo e que o livro de Atos deve servir de paradigma para Igreja contemporânea, faz-se necessário atentarmos para as lições que esse texto traz.

Em primeiro lugar, missões se faz com fundamentação

Missões se faz no contexto de uma igreja local. É ela que fundamenta as missões – “Havia na igreja de Antioquia”. Podemos ler esse texto na sua ordem invertida e teremos: “Em Antioquia havia uma igreja”. Foi nessa igreja que aconteceu o envio dos primeiros missionários. Missões acontece no contexto de uma igreja. É a Igreja que gera missionários e é a partir dela que os mesmos são enviados. Sem igreja não há missões. Hoje tenho observado que há uma terceirização do movimento missionário que sai da esfera da Igreja para uma esfera simplesmente institucional, como por exemplo, uma Convenção. As Convenções são importantes, mas a responsabilidade de gerar missões não é dela. Convenção não é Igreja! Essa missão é da Igreja local e se ela não se envolver com missões então nada feito.

Em segundo lugar, missões se faz sob inspiração

“Havia na igreja profetas”. Profeta é alguém que fala sob inspiração divina. Paulo, o apóstolo, diz que quem profetiza edifica a igreja (1 Coríntios 14.3). Foi nesse contexto de inspiração divina que o Espírito Santo comissionou os primeiros missionários. Sem inspiração não há missão. Qualquer igreja que faz missões sem a participação direta do Espírito Santo está fadada ao fracasso! Não tenho dúvida alguma que em Antioquia, tinha a profecia como ofício e também como dom estavam em operação. Foi essa capacitação profética que permitiu a escolha dos primeiros missionários: Paulo e Barnabé.

Em terceiro lugar, missões é feita com instrução

“Havia na igreja Mestres”. A palavra “mestres” (gr. didaskalos) vem da mesma raiz da palavra didaquê, ensino ou instrução. Se a inspiração é importante para as missões, a instrução da mesma forma. Sem ensino, e ensino bíblico sob a direção do Espírito Santo, não há missões de verdade. Tenho observado muita gente querendo os dons do Espírito e reivindicando-os para o movimento missionário, mas negligenciando a instrução que vem pela Palavra de Deus. O resultado disso são movimentos com muito “peneumatismos”, mas sem nenhuma fundamentação teológica consistentes. O resultado disso é fracasso.

Em quarto lugar, missões é feita com adoração

“E servindo eles ao Senhor”. “Servindo” é a tradução do grego leitougeo, de onde procede a palavra portuguesa “liturgia”. É um termo usado para se referir ao culto ou serviço cristão. Nesse contexto significa, sem dúvida alguma, adoração. Eles estavam adorando quando o Espírito Santo os comissionou para fazer missões. É no contexto da adoração cristã que acontece os despertamentos missionários. Foi assim com o envio dos primeiros missionários oriundos do avivamento da Rua Azuza e foi assim com o envio dos suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren para o Brasil. Estes últimos estavam adorando a Deus quando o Espírito Santo os comissionou a viajarem para o Brasil. Hoje nós temos muita música, muito show, mas pouca adoração. Qual é a consequência disso? Um esvaziamento do movimento missionário.

Em quinto lugar, missões é feito com consagração

“E jejuando”. Em todo movimento de avivamento, que desaguou em missões, estão presentes uma volta à Palavra de Deus e à santidade. O que se depreende de uma leitura dos Atos dos Apóstolos é que o jejum era uma prática comum na Igreja Apostólica (Atos 13.1-4; Atos 14.23). O jejum bíblico estava associado à prática da oração e a oração conduz a vida santa. Não se trata de uma questão legalista ou simplesmente um rigorismo ascético. Uma vida piedosa, onde os limites entre o sagrado e o profano são respeitados, invariavelmente tem como resultado um cristianismo contagiante. Não há dúvidas que a igreja hodierna perdeu muito da sua piedade pessoal, enveredando por um institucionalismo fossilizado. Não há mais espaço para práticas piedosas, como por exemplo, o jejum. As consequências são sentidas nas tentativas frustradas de se fazer missões.

Em sexto lugar, missões é feito com vocação

“Separai-me a Barnabé e Saulo”. Evidentemente que aqui foi o próprio Espírito que vocacionou e selecionou Barnabé e Paulo para a obra missionária. Já disse no livro de minha autoria As Ovelhas Também Gemem (CPAD, 2007), que a vocação é o pilar sobre o qual se alicerça toda a vida ministerial. Todavia ela vem sempre acompanhada de sua irmã gêmea – a preparação, que também denomino de lapidação. Deus nos vocaciona, mas somos nós que precisamos nos preparar, quer biblicamente ou teologicamente, para melhor servirmos ao nosso Deus. Já conheci diversos movimentos missionários, alguns deles fora do Brasil, e vi os mesmos sofrerem por conta de obreiros mal preparados e mal treinados. Foram vocacionados, mas não foram lapidados. Alguns se envolveram com mulheres enquanto outros foram corrompidos pelo dinheiro. Não há dúvidas que a Igreja deve investir no preparo espiritual de seus missionários, mas o mesmo pode ser dito do preparo moral. A prática de uma vida disciplinada evitaria muitos acidentes (1 Timóteo 4.7).

Em sétimo lugar, é feita com adoção

“E impondo-lhes as mãos”. A imposição de mãos implicava cuidado, responsabilidade pelo envio. Ao impor as mãos nos missionários a Igreja se comprometia de cuidar deles. Alguém já disse que quando uma pessoa desce para dentro do poço, alguém precisa segurar a corda! Infelizmente a igreja não tem segurado a corda daqueles que tem sido enviado ao campo missionário. Infelizmente o número de patrocinadores de missões diminuem ou até mesmo deixam de existir a medida que os resultados demoram a aparecer. Há missionários que trabalham sobre pressão, alguns são tentados até mesmo a maquiar relatórios para apresentarem nas suas agências. A igreja deve dar todo apoio espiritual e material a fim de que o missionário possa fazer com alegria a obra para a qual foi comissionado.

Por, José Gonçalves.




Cuidado Integral do Missionário – Cuidando daqueles que cuidam

Cuidado Integral do Missionário–Cuidando daqueles que cuidamO cuidado pastoral muitas vezes é vinculado à igreja local, no contexto do cuidado do rebanho. Contudo, esta dedicação necessita ir além dos congregados e incluir os missionários, estejam eles em trabalho no campo ou na terra natal, por algum motivo. A atenção deve abranger adultos e crianças, de candidatos a aposentados, os que plantam igrejas e os que trabalham no escritório central. O cuidado pastoral realmente é de suma importância, isto se a igreja deseja realmente ter um trabalho eficaz e duradouro na Grande Comissão de Cristo. O cuidado pastoral pode ter sentimentos diferentes para as pessoas, mas geralmente engloba os seguintes aspectos: Compreensão das necessidades específicas dos missionários, orientação, aconselhamento, comunhão, comunicação, amizade, visitas, assistência em crises, oração, encorajamento e reconhecimento.

O missionário não é um herói, mas um ser humano com carências, dores e dificuldades. Na busca por resultados, pouco se cuidou da pessoa do missionário. Ele precisa de uma retaguarda cada vez mais eficiente de apoio espiritual e material. Nós realizamos visitas regulares aos missionários no local de suas atividades, especialmente nos primeiros anos, período em que eles precisam de cuidado pastoral; nestas visitas ouvimos os missionários, seu progresso, dificuldades nos relacionamentos e na adaptação do local de trabalho, o que fazemos é ajudá-los a encarar a situação de maneira diferente, encorajando-os a superar problemas de relacionamento. A dificuldade é a tendência de que os missionários têm de esconder seus problemas porque se sentem obrigados a ser um sucesso. Em nosso diálogo com o obreiro, exortamos que reservem um dia por semana para cuidar de sua vida pessoal, principalmente a sua comunhão com Deus. Sem falar dos momentos devocionais diários, que não podem ser negociados, mesmo debaixo das pressões do campo e do ministério. Proporcionamos férias anuais no país em que atuam ou num país vizinho e a cada três anos os trazemos de volta. Os obreiros permanecem por um período de três meses. No primeiro mês eles descansam, visitam os familiares e fazem um Chuck-up para manutenção da saúde. Nos dois meses restantes, visitam as igrejas parceiras relatando o que o Senhor realizou e promovendo a conscientização missionária, temos tido a prudência para que a agenda não seja pesada, e assim possam receber cuidados, acolhidos, pastoreados, além de encontrar descanso, restauração e encorajamento.

No Curso de Missões por correspondência, lição 1, introdução a missões da Escola de Missões da Assembleia de Deus (EMAD), ensina que se desejamos alcançar o mundo pelo Evangelho, então temos que investir nos obreiros que estão no seio da Igreja e enviá-los aos perdidos, e acompanhar o trabalho e a vida do missionário. Para isso foi realizado ou elaborado diretrizes para as Assembleias de Deus em todo o Brasil, cito apenas três:

  • Às igrejas competem: selecionar, enviar, sustentar e acompanhar as atividades e ações dos missionários.
  • Devem promover a oração sistemática e intercessória em favor da obra missionária; antes de qualquer ação por missões, a igreja deve orar. John Wesley disse: “Deus não faz nada senão em resposta a oração”.
  • Devem oferecer apoio financeiro à obra missionária, isenta de motivação periódica e emoções momentâneas; a capitação de recursos financeiros para missões que deve ser sistemática e sacrificial. O pastor Peter Marshall deixou registrado: “Contribua de acordo com a tua renda para que Deus não torne tua renda segundo a tua contribuição”.

O cuidado pastoral é um dos aspectos mais importantes no cuidado integral do missionário, podemos conceituar cuidado integral como o investimento intencional e permanente do missionário em si mesmo, da igreja enviadora e da agência em todas as dimensões (espiritual, emocional, físico, familiar, educacional e financeira) da vida do missionário e durante todas as fases da carreira daquele obreiro (processo de seleção, preparo e treinamento  pré campo, envio e chegada no campo, a execução do projeto, mudança ou transferência e desligamento ou aposentadoria). Para que ele seja uma pessoa saudável no cumprimento do seu ministério.

Durante esse processo, é relevante a importância da comunicação entre o enviado e a igreja que o enviou, vemos em Atos 14.27, 28 que o apóstolo Paulo voltava regularmente à igreja em Antioquia (a mesma que enviou Paulo e Barnabé na primeira viagem missionária) para relatar aos fiéis o que o Senhor havia realizado por seu intermédio, e como aos gentios havia sido aberta a porta da fé. Quando Paulo convida a igreja em Roma para “encaminhá-lo” à Espanha (Romanos 15.24), o desejo do missionário era que os crentes romanos se tornassem “sócios” do empreendimento missionário. O termo que ele usa inclui tanto um apoio moral e geral quanto uma participação integral no projeto “indo juntos” ao campo missionário. Naquela época não existia sistema bancário internacional e nem as facilidades que temos hoje, porém diversas igrejas ajudavam o apóstolo durante as suas jornadas.

A igreja que mais o ajudou foi a de Filipos, e Paulo escreveu uma carta com a gratidão direcionada aos fiéis. O missionário os considerava amigos íntimos: “Dou graças ao meu Deus todas  as vezes que lembro de vós, fazendo sempre com alegria, oração por vós em todas as minhas súplicas, pela vossa cooperação no Evangelho desde o primeiro dia até agora. Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo. Como tenho por justo sentir isto de vós todos, porque vos retenho em meu coração, pois todos vós fostes participantes da minha graça, tanto nas minhas prisões como na minha defesa e confirmação do Evangelho. Porque Deus me é testemunha das saudades que de todos vós tenho, em entranhável afeição de Jesus Cristo” (Filipenses 1.3-8).

Precisamos servir bem aos que servem, para que cumpram o tempo acordado no campo missionário. No Brasil, a taxa de retorno é de 7% por ano. As cinco principais causas são o treinamento inadequado, a falta de sustento financeiro, falta de compromisso, fatores pessoais como baixa-autoestima e esgotamento, sem esquecer problemas com colegas. As principais causas de perdas estavam relacionadas com problemas de caráter e não com limitações de habilidade. Quanto melhor o preparo, mais tempo permanecem no campo

A doutora Antônia Leonora diz: “O preparo cultural do missionário é a chave para uma boa adaptação, integração no campo e o  bom êxito do seu ministério”. O processo não elimina automaticamente os problemas de adaptação, mas diminui o impacto dos mesmos, deixando o missionário mais sensível a realidade. Quando o missionário começa a ser preparado? Na igreja, evidentemente, mas continua com o curso teológico e a escola de missões. A igreja deve cumprir seu papel de preparar e indicar pessoas qualificadas para estudarem e serem enviadas ao campo. Raramente pensa-se na igreja como lugar indicado para o processo, mas deve ser considerado o primeiro seminário do vocacionado, depois do preparo formal.

Quanto ao choque cultural todos sofrem numa pequena ou grande escala, ao se exporem a uma nova realidade cultural os missionários sofrem o impacto. Este diz respeito ao sentimento de inadequação, confusão mental e outros sintomas que podem ser percebidos quando o sujeito se depara com uma cultura diferente da sua. O idioma, os costumes e os princípios do novo grupo podem gerar tanta surpresa que o estrangeiro não consegue se adaptar à outra sociedade.

A fase crítica vai do primeiro até o sexto mês. Contudo, os obreiros sofrem mais intensamente nos primeiros 30 dias (embora haja exceções). O choque cultural é inevitável, pois cada pessoa aprende desde cedo o modo de conduzir a vida a suas nuances. Criamos “mapas” mentais que nos conduzem desde sempre. Quando entramos em uma nova cultura, nossos “roteiros” são ineficazes e não dão conta das demandas. Assim, cedo ou tarde o sentimento de não pertencimento pode prejudicar profundamente a vida da pessoa, causando inclusive doenças, caso a situação de estresse seja mais intensa do que a capacidade de lidar com o choque e suas consequências.

Apesar de o mundo ter se transformado em uma grande aldeia global, alguns missionários vão ao campo sem a menor noção do idioma, as igrejas não devem enviar missionários com este despreparo, pois o idioma será o principal instrumento de trabalho do missionário. Se ele não pode se comunicar satisfatoriamente, não poderá alcançar os seus objetivos. Diligência e perseverança são duas palavras-chaves para quem pretende aprender língua e cultura tão diferentes da sua, e nós sabemos que sem aprendizado não haverá comunicação efetiva do Evangelho.

O cuidado da igreja deve abranger toda a família, os pais precisam saber quais são as oportunidades oferecidas para os filhos continuarem a estudar, os custos arrolados, o que é mais apropriado para as crianças e receber orientação para fazer um planejamento cuidadoso.

Algumas pessoas confundem supervisão e cuidado pastoral, todavia, são distintos entre si, é natural que o trabalho realizado por um supervisor se concentre em questões administrativas ou funcionais, e não em um cuidado pastoral. A visita de um supervisor ao campo geralmente tem o objetivo de verificar o andamento dos trabalhos. Muito raramente um supervisor separa tempo para indagar sobre o bem estar da família do missionário ou os problemas que o casal pode estar enfrentando para educar seus filhos. É claro que a supervisão é necessária, para garantir que o trabalho atribuído a cada missionário seja concluído com sucesso mas, a  longo prazo, o trabalho pastoral é ainda mais importante que a supervisão. O trabalho pastoral requer líderes de campo voltados para pessoas e não só alvos.

Como igreja da última hora, cuidemos bem dos nossos missionários, para estes possam alcançar e cuidar dos povos ainda não alcançados, e assim Deus seja glorificado.

Bibliografia

  • MJACEDO, Alice(org) Estudante Global. WEC Brasil, 2011.
  • VAN DER MERR, Antonia Leonora(org). Perspectivas do Cuidado Missionário. Beterl Publicações, 2011.
  • VAN DER MERR, Antonia Leonora. Missionários feridos. Viçosa: Ultimato, 2009.
  • TAYLOR, William D. Valioso demais para que se perca. Curitiba: Descoberta, 1998.

Por, Pulo Roberto Leitão Melo.




Brasil, o maior celeiro de missionários

Brasil, o maior celeiro de missionáriosA missão da Igreja deve ser entendida sempre como sua forma de existir e de realizar o seu propósito neste mundo: o trabalho missionário. A missão estabelecida não tem origem humana, pois foi elaborada, planejada e ordenada pelo Senhor. Todo processo de redenção do homem por consequência do seu pecado, se dá com a eleição de um homem chamado Abraão que recebeu de Deus a promessa de que a sua descendência seria uma grande nação para alcançar todos os povos e etnias do planeta. Todo contexto histórico do povo hebreu acontece em meio ao propósito divino no sentido de buscar e restaurar todas as nações. Israel, a nação eleita, falhou devido a sua rejeição ao Messias e a desobediência à sua vontade. A missão outorgada aos filhos de Israel foi cumprida em Cristo que se submeteu ativa e passivamente ao propósito divino, culminando com a sua morte vicária em favor da humanidade pecadora. Jesus restaurou todo o processo da missão, porque logo após a sua ascensão, Ele confiou aos seus seguidores a sua continuidade. Nós somos as suas testemunhas e nossa tarefa é no poder do Espírito Santo, divulgar o Evangelho à partir do local onde habitamos até os confins da Terra.

É chegada a hora de nos levantarmos com força total e sair nos quatro cantos da Terra. Nesta oportunidade eu desejo refletir sobre a nossa situação hoje em dia, uma vez que somos considerados como celeiro missionário do mundo. Observamos no livro de Gênesis 41.47-57 que o Egito experimentou sete anos de fartura e neste período José desponta no cenário nacional como um instrumento de Deus para armazenar os celeiros de trigo. Notemos que essa narrativa tem relação com a Igreja Brasileira atual. Nós experimentamos por muito tempo um período de fartura e ajuntamos “trigo” em nossos celeiros. Hoje somos apontados como o maior país pentecostal do mundo. Deus visitou este país de uma forma gloriosa. Por todo o território nacional encontramos igrejas espalhadas com seus fiéis em plena atividade em todas as classes sociais, na gerência de cargos de relevada importância. Este fator nos satisfaz quando sabemos pertencer a este grande movimento. Somos milhões espalhados por todos os lados.

Eu comentei com um cristão africano, membro de nossa igreja em Mali, como Deus agia no Brasil e os milhares de fiéis e obreiros em território nacional, sentia-me feliz com meu comentário, até que ele perguntou-me: “vocês são tantos lá no Brasil e porque que você está sozinho neste país?”. Confesso que fiquei sem resposta. Vemos em Lucas 12.48b que “a quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido”. Este texto me traz à mente a grande responsabilidade da Igreja Brasileira. Nós temos material humano: onde quer que vá, é possível encontrar alguém dizendo que é portador de uma chamada missionária, outros sonham com o momento de sair do campo. Temos recursos financeiros, o Senhor tem suprido as necessidades de seu povo e nossas igrejas estão muito bem equipadas e ornamentadas. Este não seria o tempo de saciar a fome daqueles que sofrem? Não temos comida no celeiro? O meu temor é que nossa conduta seja análoga ao do servo da parábola de Lucas 12.42-48.

Aquele homem possuía alimento em casa para saciar a fome dos servos no tempo certo. Não estamos no período da grande colheita? Devemos ser cuidadosos para evitarmos o pensamento do mordomo: “meu senhor tarda em voltar”, de modo que ele esbanjou o alimento destinado aos servos. O Senhor tem nos abençoado. Acredito que é o momento de agirmos, se não o fizermos, corremos o risco de esbanjarmos os recursos de Deus concedido, enquanto que milhões perecem de fome espiritual e física neste mundo.

Nós não podemos correr o risco de pensar que o Senhor tarda e que ainda falta muito tempo. A volta de Jesus Cristo é iminente. Eu pergunto: A ração foi dada aos povos no seu tempo? Não temos desculpas, pois o alimento estava em nossas mãos.

Chegou a hora de abrir o celeiro e distribuir o alimento ao mundo. De nada adianta dizer que somos o maior celeiro de missionários se as nações morrem de fome. Podemos investir mais, não é necessário muito esforço para sermos modelo ou transformamos o mundo, como agiram os primeiros cristãos (Atos 17.6). Se cada crente brasileiro investir em média R$ 10,00 mensais em missões transculturais, que seria 100 vezes mais que o investimento atual, poderia multiplicar a força missionária em 100 e atender a demanda dos milhares de povos que não conhecem Jesus.

A igreja brasileira tem tendência em olhar “de vez em quando” apenas para os países de fala portuguesa, lembremos também dos países anglofones, francofones, os árabes no norte da África onde existem muitos países que esperam um missionário. Somos o maior celeiro, porém o velho continente europeu definha espiritualmente por falta de missionários.

O nosso Brasil é considerado o maior celeiro de missionários do planeta, mas em Mali na África a proporção de obreiro é de 1 para cada 500 mil pessoas. Somos o maior celeiro de missionários porém ainda existem países no continente americano que pedem socorro. Lembremos também que pela falta de obreiros dispostos a trabalhar em território nacional, constatamos fatos constrangedores: no Nordeste a carência do Evangelho é tão grave ou ainda pior do que na Índia, mais de 80 milhões de pessoas vivem na miséria onde menos de três ou até 1% conhece Jesus. No Rio Grande do Sul o espiritismo ganha destaque onde menos de 3% da população é evangélica. Constam centenas de cidades no Brasil com menos de 1% da população ser evangélica. Ainda existem centenas de tribos indígenas sem nenhuma presença missionária.

Mas qual a carência? Recursos? Acredito que não. Material humano? Nós temos aos milhares. Pessoal capacitado? Quem sabe unidade? Até pode ser. Objetivos traçados pelas lideranças? Sentimos que falta algo para fazer tudo acontecer. Devemos orar para que o Senhor nos conceda estratégias e, dessa forma, termos como responder ao clamor do mundo. Somos o maior celeiro, porém ainda encontramos igrejas sem nenhuma responsabilidade diante de Deus em alcançar vidas perdidas neste mundo.

Dirijo-me aos que ainda não conseguiram entender a prioridade da Igreja que é anunciar o Evangelho até os confins da Terra. Onde estão os missionários? Onde estão os verdadeiros cultos de missões e as verdadeiras conferências missionárias? Onde estão as orações por Jerusalém e em favor das nações? Estão no Celeiro!

Na definição do dicionário Aurélio, o celeiro é o local onde se guarda os cereais.

Verdadeiramente os Brasil se tornou o celeiro onde estão “estocados” os obreiros, mas no atual momento não distribui as sementes (missionários) para as nações necessitadas.

Por, Paulo Locatelli.




A Prática da Evangelização

A Prática da EvangelizaçãoA obra de Jesus neste mundo sempre se caracterizou pelo ensino da Palavra de Deus. Ele nos deixou um belo, porém árduo, trabalho para realizarmos. Com o passar dos séculos, percebemos que a evangelização tornou-se algo de natureza muito mais séria do que se tem conhecimento. A Igreja remida pelo Espírito Santo tem que ter a característica de ser sempre evangelizadora.

Vemos, então, que a evangelização é um assunto de importância vital para a Igreja de Cristo. Trata-se de uma questão que define se ela está viva ou espiritualmente morta. É aquela que nos direciona para o céu prometido, tornando-nos mais espirituais, ou a sua ausência como um sinal claro de sua decadência. Todos nós deveríamos nos obrigar a estudá-la por completo. Trata-se de um assunto sério. Aqueles que partem para a evangelização sem refletir meticulosamente sobre o assunto sem a orientação divina, poderão ficar em apreensão profunda. Aqueles que desprezam esse tema apenas evidencia uma lamentável indiferença pela conservação de sua própria vida espiritual ou pela perda do que mais devemos prezar: a nossa salvação em Cristo e seu amor que nos constrange.

Jesus sempre se mostrou preocupado com assuntos referentes à propagação de seu Reino. Convido o leitor a analisar Mateus 10, e você perceberá todos os conselhos que o Mestre outorgou aos seus discípulos. Detalhes importante como se dirigir em primeiro lugar às ovelhas de Israel; curar enfermos, ressuscitar mortos e expulsar demônios; não mostrar nenhum adorno; sobre a conduta apresentada ao entrar numa cidade ou na casa de particulares, etc. Mas o que me chama mais atenção é o fator “prudência e simplicidade” (v. 16). Jesus nos ensinou que devemos buscar informações a respeito do lugar onde estaremos levando as Boas-Novas.

Informação é crucial em todas às áreas. Portanto, seja qual for o lugar, nunca vá ao trabalho evangelístico sem saber o que pode encontrar pelo caminho ou até mesmo contra você e a obra de Deus. É importante estar por dentro de tudo o que se relaciona ao lugar em si. Agindo dessa forma, os resultados serão garantidos, mesmo que evangelize 100 vezes no mesmo lugar.

Importante também é a necessidade de uma pessoa que saiba estar à frente desse trabalho. Para isso, é essencial que se peça orientação a Deus, bem como a direção certa, para que se possa saber quem é a melhor pessoa para estar à frente dessa tarefa, não como alguém que irá apenas comandar as pessoas, e sim alguém que saberá o que fazer de acordo com as situações. Esse alguém precisa apresentar testemunho positivo, mesmo porque o líder é o referencial de seus seguidores, devido ao seu comportamento, jamais pelo constrangimento.

Ainda quanto ao líder, é básico tratar seus liderados como se fossem seus próprios filhos. Se o líder quanto os demais buscarem sabedoria e conhecimento da parte do Senhor, farão a obra até mesmo nos lugares considerados os mais inóspitos pelos homens. Se todo o grupo estiver realmente preparado, saiba que divulgarão o Evangelho e estarão convictos do sucesso de sua missão.

Não devemos nos esquecer também que para evangelizar é importante adquirirmos cada vez mais conhecimento das Escrituras e também da área de atuação do evangelizador. Sejamos realistas: não deixar-se ser vencido por quaisquer argumentos significa ter conhecimento para se defender de qualquer questionamento ou argumento que interessa afrontar a verdade da Palavra de Deus. A possibilidade de você ganhar almas será algo real se você viver e manifestar o Evangelho através de suas atitudes e palavras. Porém, viver o Evangelho é mais do que isso tudo. Mesmo quem adquire conhecimento pode mostrar aos outros que sua vida diante de Deus ainda é inadequada. Agora, quem coloca em prática a Palavra de Deus e se dedica a ensiná-lo a toda a criatura, mostra que o Evangelho é abundante em sua vida. Portanto, não devemos nunca tirar a convicção de nossa mente: a vitória de ver e testemunhar alguém se rendendo a Cristo está reservada àqueles que estão dispostos a pagar o preço.

Todo evangelista se baseia na sabedoria. Um pregador competente deve também ser alguém que saiba ser flexível e escamotear muitas vezes suas verdadeiras intenções e sua real disposição de apresentar Jesus às pessoas. O apóstolo Paulo entendia isso muito bem. Ele nem sempre abordava as pessoas de uma forma direta. Ele sabia também que mesmo para falar do Evangelho, é necessário flexibilidade e aproveitar as oportunidades. Paulo afirmava ser um homem livre, que não era escravo de ninguém, mas vivia como judeu para ganhar os judeus para Cristo. Vivia como se estivesse debaixo da Lei para ganhar os que também estivessem debaixo da Lei. Vivia como os gentios para ganhar os gentios. Tornava-se fraco para ganhá-los para Cristo. O apóstolo dos gentios sabia se adaptar às situações com sabedoria e flexibilidade concedidas por Deus para da melhor forma possível, salvar alguns para o Reino de Deus (cf. 1 Coríntios 9.19-22).

A suprema característica do Evangelho é o amor de Deus e o desejo de ganhar almas sem a necessidade de discussões e debates que só causam desentendimentos entre as pessoas. Por isso, não podemos simplesmente achar que devamos ir ao campo sem planejamento. Cristo não nos ensinou isso. A Igreja Primitiva não agiu dessa forma. Lendo o livro de Atos dos Apóstolos, percebemos que, mesmo após a pregação de Pedro, com 3 mil almas se rendendo a Cristo, essas mesmas almas, antes de espalhar as Boas-Novas, procuraram perseverar na Doutrina dos Apóstolos, ou seja, aprenderam tudo o que, de fato, caracteriza a mensagem e os ensinamentos do Senhor Jesus Cristo. E não só isso, eles perseveravam também na comunhão, e no partir do pão, e nas orações, havendo temor em cada um deles. E eles tinham tudo o que possuíam em comum, vendiam suas propriedades, repartiam seus haveres entre os membros da comunidade, de modo que as necessidades eram suprimidas, perseveraram partindo o pão em casa, comendo juntos com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e (esse era o ponto que eu queria chegar) “caindo na graça de todo o povo”. Isso só me faz crer que, antes de eles saírem a espalhar a Palavra de Deus, os crentes realizaram todas essas boas obras acima descritas, ou seja, eles mostravam, com as suas atitudes, que já havia um comportamento diferente, que se assemelhava bastante ao comportamento de Jesus Cristo. Essa graça e comunhão, essa forma de agir e de pensar foi tão poderosa entre os primeiros cristãos que “todos os dias acrescentava o Senhor à Igreja aqueles que se haviam de salvar”. O Evangelho estava tão entranhado naquelas vidas que as pessoas que observavam o procedimento da comunidade, logo manifestavam o desejo de obter mais informações para somar aos que haviam de salvar-se.

Tudo o que foi escrito acima apenas comprova que, para se evangelizar, existem inúmeras formas possíveis. A sabedoria na evangelização se encontra tanto na estratégia e prudência para alcançar vidas quanto na simplicidade para atrair vidas. Os habilidosos nessa obra sabem que há a ajuda do Espírito Santo e quando se pensa que acabam os recursos, Deus oferece novos recursos.

Sabe qual o ensinamento contido para todos nós em Atos 2.42-47? Evangelistas e sábios anunciam, em primeiro lugar, com seu testemunho, em seguida, se preparam arduamente e vão evangelizar, enquanto que evangelistas derrotados acham que devem agir de qualquer maneira, sem orientação maior do Espírito Santo, decidem logo trabalhar na evangelização, mas o fazem levianamente, para depois entenderem (e se entenderem) a essência do Evangelho de Cristo. E, por isso, digo: Seja evangelista de você mesmo, depois seja dos outros. Que Deus nos abençoe!

Por, Miquéias de Lima Nascimento.




Resultados do trabalho evangelístico

Resultados do trabalho evangelísticoHá uma coisa que sempre me causa admiração sempre quando faço um estudo sobre a obra de evangelização, realizada não só pela Igreja de Atos, mas também por todos os grandes evangelistas e missionários de renome. Observei que, antigamente, os evangelistas sábios tornavam-se primeiramente pessoas cheias do Espírito Santo e de conhecimento; depois, esperavam o momento em que as pessoas dessem abertura para o Evangelho. Ser cheio do Espírito Santo e adquirir conhecimento depende de você mesmo; dar abertura para o Evangelho depende da própria pessoa.

Os sábios na evangelização procuram obter conhecimento de tudo o que puderem, mas eles não podem fazer com que as pessoas se decidam por Cristo. Alguém pode até saber como evangelizar, mas não necessariamente isso faz com que a pessoa aceite ao Senhor.

O conhecimento reside em você saber se defender de argumentos e questões que procuram negar a verdade bíblica. A possibilidade de você ganhar uma vida para Cristo reside apenas em você pregar o Evangelho com sabedoria, seja com palavras ou com a sua vida. Defender-se de argumentos e questões acontece quando você precisa mostrar que a Palavra de Deus é a inerrante verdade revelada; pregar o Evangelho acontece quando você tem a certeza de que está preparado para essa missão singular de todo servo de Deus.

Aqueles que adquirem conhecimento e sabem se defender de argumentos e questões devem agir com discrição e saber usar essa virtude e só a usar no momento adequado; aqueles que são sábios e procuram evangelizar avançam firmes e constantes até que tenha certeza de que as boas-novas foram apregoadas. Na verdade, aqueles que foram chamados para falar do Evangelho de Cristo tornam-se aptos e adquirem conhecimento o bastante, tanto para saberem responder e provar que a Bíblia é a Palavra de Deus, como também para levarem almas a aceitarem a Jesus, usando de diversas formas para alcançar esse objetivo. Ir ao campo é muito mais do que marcar com algumas pessoas para fazer um “evangelismo” semanal. É aproveitar toda e qualquer oportunidade para fazer com que as pessoas saibam o que é realmente servir a Deus e o que é verdadeiramente ser livre.

Agora, simplesmente achar que vai ganhar almas somente por ter conhecimento não significa que você é uma pessoa sábia e ungida como ninguém. Ser universalmente aclamado como um exímio pregador da Bíblia não é o auge da santificação. Até porque segurar uma Bíblia não é sinal de poder de Deus; discernir uma pessoa endemoninhada da normal não corresponde dizer que você tem visão espiritual acurada. Escutar palavras poderosas não indica nada se você não as colocar em prática.

Os evangelistas sábios de antigamente ganhavam as pessoas para Jesus, pois pregavam o Evangelho de tal maneira que aqueles que os ouviam não conseguiam negar a eficácia que as boas-novas possuíam. Infelizmente, hoje em dia, quando alguém prega o Evangelho e ganha almas, isso para muitos não traz renome ou estima alguma por ser uma pessoa sábia, nem mesmo mérito por seu valor à obra, pois os interesses de muitas instituições passaram a ser outros. O evangelista prudente alcança esses resultados sem erro algum, pois é inteiramente dependente de Deus para tudo, ou seja, qualquer coisa que ele vier a fazer assegura seu triunfo sobre o mal, a conquista de uma alma que se rendeu a Cristo.

O evangelista sábio assume uma posição diante de Deus em que ninguém o poderá derrotar com argumentos vis, e não desperdiça qualquer oportunidade de falar do Evangelho a quem quer que seja.

Evangelistas de verdade vivem o Evangelho antes de pregá-lo aos outros. Evangelistas de mentira pensam que têm Cristo e até pensam em pregar o Evangelho, mas não pensam em vivê-lo.

Aqueles que buscam ter sabedoria e conhecimento para fazer o “Ide” cultivam princípios corretos e obedecem ao que a Palavra de Deus diz. Eles têm, portanto, capacidade de criar formas diversas para que os outros entendam cada vez mais do Reino de Deus.

Agora, quanto à evangelização de um ponto de vista mais prático, os elementos que devemos levar em conta sempre que estivermos evangelizando são: 1) a noção do lugar onde estaremos evangelizando; 2) a estimativa de quantas pessoas temos para nos ajudar e do quanto de ferramentas temos para auxiliar nosso trabalho; 3) a análise minuciosa da situação para a elaboração de estratégias; 4) as comparações do conhecimento que temos e o conhecimento que as pessoas têm para estarmos sempre preparados para falar com base naquilo que é a verdade; e 5) as chances de que a pessoa, de fato, entendeu o que foi falado por nós.

Na evangelização, tudo está interligado: a noção do lugar depende de onde estamos e de quaisquer informações do mesmo; a quantidade que devemos utilizar depende do lugar onde estivermos; a análise minuciosa da situação e a estratégia a serem utilizadas depende de termos a quantidade suficiente de pessoas nos auxiliando; as comparações que fazemos entre nós e as pessoas, no que tange ao conhecimento, depende do acúmulo de conhecimentos que cada um de nós têm, tanto geral quanto especificamente; e as chances de a pessoa entender a mensagem depende da clareza da mensagem que é baseada nas informações que temos, ou seja, não adianta grande quantidade de conhecimentos se não souber passá-lo.

É somente dessa maneira que saberemos a diferença de quem está realmente preparado para evangelizar e de quem não está. Não há nenhuma outra forma possível de avaliação. Isto se dá porque o evangelista consegue fazer com que as pessoas que estão sob sua responsabilidade preguem o Evangelho da mesma forma como Cristo o pregou, o qual o fazia com sabedoria e usava de diversas maneiras para fazer as pessoas entenderem de forma simples sobre o Reino dos céus, como Ele fez com a mulher samaritana, Zaqueu, etc., bem como as diversas formas de elaboração de suas mensagens, usando parábolas, símiles, metáforas e comparações diversas.

O evangelista que usa de sabedoria respeita, acima de tudo, a decisão final da pessoa que ele estará evangelizando, além de obedecer em tudo às Santas Escrituras e adotando um modo de vida disciplinado, vivendo o Evangelho de Cristo de forma plena. É dessa forma que ele detém em suas mãos a capacidade de controlar o sucesso em tudo o que faz, pois ele tem a certeza de que, mesmo alguém não aceitando, a princípio, a Palavra pregada, esta não volta nunca vazia, pois é “poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1.16).

Por, Miquéias de Lima Nascimento.