Perigos no lar: como vencê-los?

A essência do termo“casa” é o mesmo para lar, significa não tratar-se da edificação arquitetônica erguida com materiais de construção. É importante saber que o lar é o local onde a família é estabelecida e seus ocupantes aprendem a respeitar as características, o espaço e os bens do próximo, incluindo o compartilhamento de regras, limites, valores, princípios e etc. É um espaço de compartilhamento de informações além do descanso no final do dia.

O falecido escritor norte-americano Alvin Toffler em seu livro Choque do Futuro deixou registrada a seguinte perícope: “que a família é o problema número um da sociedade contemporânea”. Eu confesso que concordo com o pensamento do autor, por causa de um cuidadoso estudo no qual os diversos problemas em torno da economia, política, conflitos de interesse econômico entre as potências mundiais, não superam a complexidade do ambiente familiar, que inclusive chama a atenção da sociedade.

Hoje todos nós convivemos com terríveis investidas que visam tão somente desestabilizar e conduzir a família ao fracasso, em todos os aspectos. Satanás trabalha com o objetivo a contaminar e destruir o seio familiar, mas a graça de Deus é maior do que os ardis satânicos. Desejo retratar uma pálida imagem de um relatório sobre este importante assunto: foi constatado que a infidelidade atinge mais de 50% dos casais, o relacionamento homossexual tem se transformado em lugar comum na sociedade, sem falar que o índice de divórcio aumenta assustadoramente. Convivemos com o drama dos casamentos descartáveis, com a descarada permissão de nossa sociedade que aplaude tal conduta.

Vamos destacar nesse texto a passagem bíblica no Evangelho de Lucas, capítulo 15, onde o evangelista reuniu três parábolas cujo conteúdo gira em torno das perdas dos personagens evolvidos. As narrativas são caracterizadas por algo que acabou perdido e foi encontrado. Tudo indica que o Senhor Jesus preocupava-se em ensinar sobre o dever de procurar o que se perdeu. Embora o conteúdo da primeira das histórias registradas pareça simples, contudo traz uma importante mensagem para nossas vidas. A mulher da parábola não perdeu a moeda na rua, mas dentro de seu lar. Com isso, devemos constatar que as maiores perdas da vida são aquelas que acontecem dentro de casa. Para aquela mulher, a perda de uma moeda tinha um grande significado, era como perder um valor.

Vamos reforçar o argumento com outro texto: 1 Crônicas 7.23. Este é um dos textos menos lido e mais ignorado. O Espírito Santo fez questão de frisar “Depois coabitou com sua mulher, e ela concebeu, e teve um filho; e chamou-o Berias; porque ia mal na sua casa”. Que exemplo notável para ilustrar a realidade de muitas famílias, ou seja, estão muito mal.

Relacionamento familiar

A maior das ameaças à família não descansa no fato de perder objetos, mas perder seus membros. O Filho de Deus ensinou que relacionamentos são mais importantes do que bens materiais (cf Mateus 5. 22-25). O leitor deve lembrar-se de Mateus 26. 18,19 (“em tua casa celebrarei a páscoa”). Por que em tua casa? Porque a celebração da festa cristã tem início na casa; que alegria uma pessoa pode sentir na igreja se não estiver bem em casa?

De nada adianta uma vida supostamente dedicada ao Senhor se a família não ocupa lugar de destaque? Existem pessoas que consideram que a obra de Deus é primacial em sua vida, porém é grande a quantidade de obreiros que após intensa dedicação na Seara do Mestre (sem dúvida, algo louvável e que merece toda consideração), entretanto observam seus filhos longe dos apriscos do Senhor e desgostosos com os genitores e a igreja.

O segundo perigo reside na falta de bons exemplos. Não raras vezes os filhos reproduzem o que presenciaram em sua criação, naturalmente os filhos tendem a imitar a conduta do pai. São grandes as chances dos filhos repetirem seus atos.

Os especialistas afirmam que o desenvolvimento saudável da criança está ligado a três condições: disciplina, afeto e exemplo. A Palavra de Deus traz diversos exemplos da beleza do bom testemunho, mas eu vou destacar a substituição de Elias por Eliseu. O futuro profeta não pediu os bens materiais de Elias, mas buscou a “porção dobrada” do seu espírito. O discípulo tanto apreciava o poder, o caráter e a espiritualidade do seu mestre que almejou ser como ele. É muito importante os filhos admirarem o caráter dos pais de modo a imitá-los, ainda mais quando os genitores já estiverem mortos.

Uma pesquisa realizada a alguns anos atrás com as principais igrejas nos Estados Unidos revelaram um distanciamento entre o que se sabe do que se vive. Foi constatado que, dos entrevistados, apenas 32% acreditavam que a sua fé tinha alguma relação com seu comportamento ou estilo de vida, isto significa que 68% dos crentes professos não estão alinhados com o que vivem. Mas e você que lê este artigo? Está infectado juntamente com a sua família?

O que fazer para proteger a família?

Diante de tantos ataques contra a família tradicional resta perguntar: o que pode ser feito? Como vencer os demônios que não medem esforços para destruir o referencial do ser humano? Vamos destacar algumas medidas a serem adotadas.

Lute contra as influências mundanas. A Bíblia alerta sobre duas verdades em relação ao mundo. Em primeiro lugar “não ameis o mundo” (1 João 2.15) e depois “não vos conformeis com este mundo” (Romanos 12.2).

Mantenha a palavra de Deus como regra de fé e prática. É necessário o controle sobre a programação televisiva ou o conteúdo acessado na internet.

Ensine valores morais e espirituais aos seus filhos. Vamos reforçar o que foi comentado anteriormente: o lar tem que ser declarado como um altar de adoração a Deus, sendo mentorado pelos coordenadores da Escola Bíblica Dominical e dos cultos de ensino bíblico. Os especialistas da área da família explicam que no momento em que os pais conversam com os filhos sobre assuntos considerados embaraçosos, os genitores ficam mais próximos, facilitando a proteção.

Realize sempre cultos domésticos. Este recurso é considerado impopular nos dias atuais. Infelizmente, foi constatado que 90% dos lares evangélicos não realizam o culto doméstico, e a maioria dos novos convertidos nem sequer ouviram falar algo a respeito. O culto doméstico é um excelente caminho para a estabilidade do lar.

Diante dos fatos, torna-se impossível secundarizar os males que tem solapado os lares. Em 2010, uma tragédia abateu-se sobre o Japão sob a forma de um tsunami. Fazendo uma analogia, as famílias de nossa sociedade atual têm sido atingidas em todas as áreas: social, moral, emocional e espiritual. Por conseguinte, devemos viver sob a égide da Palavra de Deus, sem esquecer as sábias palavras do apóstolo João registradas em sua epístola (1 João 2.7) “o mundo passa e as suas concupiscências, mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre”.

Por, Celso Rodrigues da Silva.




Resistindo à crise familiar

Vivemos tempos de crise. Não apenas uma crise econômica e política, mas uma crise sem precedentes que coloca à prova todo o modelo social estabelecido, refletindo no comportamento e, por conseguinte, na moral dos indivíduos que formam a sociedade.

O modelo judaico-cristão de família (marido, esposa e filhos) está sofrendo constantes ataques por aqueles que o consideram retrogrado e incapaz de atender aos anseios de uma cultura cada vez mais secularizada e distante de Deus. Este modelo que durante milênios serviu como base para toda a sociedade ocidental está tendo, nas últimas décadas, que concorrer com outros modelos impostos por grupos minoritários que ganham cada vez mais espaço no pensamento contemporâneo. Mas não é somente isso. O divórcio, que era tido como escandaloso, tornou-se corriqueiro, com o seu número crescendo a cada ano que passa. O adultério, que era considerado afronta à moral e aos bons costumes da sociedade, é cada vez mais incentivado pela mídia secular através de seus folhetins e suas celebridades que traem constantemente seus cônjuges, incentivando, assim, as novas gerações.

A Igreja, que é “sal da terra e luz do mundo”, tem a obrigação de defender o modelo tradicional – homem e mulher –, vivendo um casamento monogâmico e indissolúvel, formando, assim, uma família juntamente com seus filhos, pois este foi o modelo estabelecido por Deus no momento em que criou o ser humano. Mas não basta apenas protestar e dizer que não concorda com as recentes mudanças sociais que vêm agredindo a família. Cabe à Igreja ensinar que o modelo tradicional é o certo, pois este é o único que funciona na manutenção da felicidade do ser humano enquanto ser social.

A sociedade vive uma crise de identidade. Pais e filhos não sabem mais qual é o seu papel social. As famílias cristãs devem servir de referência neste momento de incerteza e mudança. Para que isso ocorra, as Sagradas Escrituras devem servir de orientação, pois mostram como podemos ter uma vida agradável diante de Deus e dos homens. A Bíblia relata que Deus criou a família porque viu que não era bom que o homem estivesse só (Gênesis 2.18). Sendo esta criada por Deus, deve obedecer à vontade do Seu Criador, não para ser escravizada, como alguns opositores do Evangelho afirmam, mas para a sua felicidade, pois a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita (Romanos 12.2).

As Escrituras ensinam que “devem os maridos amar a sua própria mulher como a seu próprio corpo. Quem ama a sua mulher ama-se a si mesmo.” (Efésios 5.28). Uma ordem como esta é de extrema relevância em uma sociedade cujos números de violência doméstica contra a mulher aumentam a cada dia. Muitos lares seriam conservados e vidas poupadas se esta simples ordenança fosse obedecida.

Os maridos devem amar a sua esposa da mesma forma que Cristo ama a sua Igreja, com um amor sacrificial (Efésios 5.25), alimentando-a e sustentando-a como a si mesmo, da mesma forma que Cristo trata a Sua Igreja. Não agir de forma tirânica, mas “dando honra à mulher, como vaso mais fraco” (1 Pedro 3.7), pois somente assim suas orações não ficarão impedidas.

As esposas devem ser submissas aos seus maridos da mesma forma que a Igreja é submissa a Cristo (Efésios 5.22-24). O movimento feminista nega esta verdade bíblica, e infelizmente muitas mulheres cristãs estão comungando desse pensamento. Mas, se o esposo cumprir o seu papel e amar a sua esposa, não será difícil para ela se submeter a um marido amoroso, da mesma forma que para a Igreja se submeter a Cristo é motivo de alegria e satisfação. A mulher foi criada para ser ajudadora de seu marido, auxiliando-o na sua missão dada por Deus (Gênesis 2.18). Isso não a torna inferior ao seu esposo. Ambos são iguais perante Deus, criados à Sua imagem e semelhança (Gênesis 1.27), mas possuindo responsabilidades distintas. Enquanto o homem tem a responsabilidade alimentar e de sustentar sua família, tarefa esta também assumida por muitas esposas, a mulher deve edificar a sua casa. Esta tarefa é de suma importância, pois se for realizada sem sabedoria, o lar será destruído (Provérbios 14.1). O capítulo 31 do livro de Provérbios relata o comportamento da mulher considerada virtuosa. Seu agir faz com que seu marido confie totalmente nela, pois não desperdiça a sua fazenda, é generosa com os necessitados, é sábia e trabalhadora. Além de possuir todas essas qualidades, ela teme ao Senhor. Segundo a Bíblia, a mulher que se comporta desta maneira é digna de ser louvada.

O casamento deve estar pautado no amor e no respeito mútuo. Se ambos os cônjuges agirem assim, serão felizes em seu relacionamento. A felicidade conjugal produzirá pais felizes. O bom marido será um bom pai e a boa esposa será uma boa mãe. Ambos amarão seus filhos e reconhecerão neles a bênção do Senhor (Salmos 127.4), pois todo nascimento acontece com a permissão de Deus. Atualmente, grupos pró-aborto defendem a ideia da interrupção da “gravidez indesejada”, como se o embrião fosse um produto que pudesse ser descartado a qualquer momento. Eles afirmam que a vida só começa com doze semanas de gestação, e que antes disto não existe ser humano, apenas um “amontoado de células”. A Bíblia nos mostra que a vida começa na concepção e que Deus se relaciona com o embrião de forma amorosa e protetora. O salmista afirma com grande alegria que os olhos de Deus acompanharam todo o seu desenvolvimento no útero materno (cf. Salmos 139.13-16). O aborto deve ser combatido com toda veemência pelas famílias cristãs que compõem a Igreja, pois é um atentado contra a vida que pertence a Deus. A chegada dos filhos representa uma nova fase no casamento. O casal (marido e esposa) se transforma em uma família (marido, esposa e filhos), alterando toda a rotina até então praticada. Homem e mulher adquirem uma nova responsabilidade: criar seus filhos na presença de Deus, ensinando no caminho em que devem andar (Provérbios 22.6). Os pais precisam entender que os filhos não são sua propriedade, mas indivíduos em desenvolvimento físico e psicológico, que devem ser respeitados (cf Colossenses 3.21) e tratados com carinho. Os filhos, se quiserem agradar a Deus, devem honrar e obedecer a seus pais (Efésios 6.1-3), seguindo o exemplo de Jesus, que, mesmo sendo Deus, enquanto criança foi sujeito aos seus pais (Lucas 2.51).

Qual o resultado para a sociedade, se estas instruções forem seguidas? Famílias felizes e estruturadas. O salmo 128 relata a felicidade de uma família reunida à volta da mesa – algo raro nos dias atuais –, e um casamento estável e saudável. Mas o que deve ser feito para que isso aconteça? Deve-se temer ao Senhor e andar nos seus caminhos (Salmos 128.1). Em uma cultura cada vez mais secularizada e distante de Deus, não é de se estranhar o número cresceste de famílias desestruturadas e infelizes, que não veem seus sonhos se realizarem. Somente quando a família faz a vontade de Deus e anda no Seu caminho, consegue resistir à crise. Cabe à Igreja propagar a verdade do Evangelho e influenciar a sociedade à sua volta.

Por, Sérgio de Moura Sodré.




Paternidade na pós-modernidade

É inegável que estamos diante de um quadro de grandes e profundas mudanças no comportamento psicossocial e cultural na sociedade em que vivemos. Esta sociedade é chamada de pós-moderna, mas os estudiosos do comportamento psicossocial dizem que avançamos para uma sociedade hipermoderna, supramoderna, sociedade de rede ou era digital.

Esta sociedade tem uma nova maneira de pensar sobre as funções paternas. Nesta perspectiva, o pai se coloca em uma nova realidade, ou seja, deixa de ser provedor da família e passa a fazer parte do processo, isto é, ele é apenas um participante. Percebemos que o ambiente familiar está muito modificado, desestruturado nesta cultura hipermoderna. Nessa direção, o pai deixa de lado a lei paterna e foca em concessões e concepções dialéticas “filosóficas” e psicológicas. Na prática, ele terceiriza suas atribuições. Atualmente, estamos vendo a desvalorização das funções paternas no âmbito das famílias e isso tem sido muito prejudicial aos filhos (cf. Deuteronômio 6. 1-7).

Os tempos da pós-modernidade, hipermodernidade ou supramodernidade trouxeram consigo ideias e pensamentos contrários aos princípios bíblicos e cristãos, principalmente em relação à função e as atribuições paternais (cf. Provérbios 22.6); o pai já não é visto mais como importante na criação dos filhos. Diante dessa crucial mudança social, como podemos agir e reagir como pai? A priori o pai tem a mãe como parceira neste processo, ele não deve agir isoladamente, mas de comum acordo para exercer sua função paternal no âmbito de sua família, tendo boas relações no contexto geral da família, sendo exemplo para os filhos e sociedade. A mãe deve apresentar o pai aos filhos como ser construtor de amor, paz e alegria; assim a lei a autoridade e a bênção paternal serão aceitas e internalizadas pelos filhos progressivamente. É exatamente a mãe que cria um ambiente que facilita as relações entre a família. A mãe tem o papel de adjutora, ou seja, a mediadora (cf. Gênesis 2.18). O pai é a peça excepcional no desenvolvimento emocional, psíquico e espiritual dos filhos, principalmente na formação de identidade (cf. Efésios 6. 1-5). A psicologia freudiana já dizia de sua importância e relevância no desenvolvimento e na formação da personalidade infantil.

Ausência paterna

Os estudiosos da psicologia realizaram pesquisas nos últimos anos em relação ao vínculo familiar e pôde constatar que a presença paternal é muito importante para formação dos filhos. Quanto à ausência do pai, pode ser considerada uma das principais causa dos altos índices de criminalidade, conflitos, drogas, sexo desvirtuado, gravidez precoce, fraco desempenho escolar, depressão, ansiedade espiritualidade distorcida e conflituosa, e vários transtornos de personalidade, entre eles se destacam:

a) Transtorno de Conduta: a negligência paternal, abusos, disciplina sem amor e afeto, a falta de supervisão paterna, abuso por babá ou cuidadores, criminalidade parental, exposição a fatos traumáticos, e, sobretudo, a falta de gerenciamento paterna do lar são fatores que estão relacionados ao transtorno de conduta. Crianças com transtorno de conduta são egoístas, insensíveis, danifica propriedade, mente, furta, não respeita as regras e normas, não apresenta sentimento de culpa. O transtorno de conduta surge no início da infância e a puberdade; se não for tratado poderá evoluir para uma personalidade psicopática.

b) Transtorno Desafiador Opositor: pesquisas feitas por psicólogos especialistas em comportamento infanto-juvenil têm demonstrado que a negligencia paternal, pai ausente, comportamento agressivo do pai, instabilidade familiar, violência psicológica, relacionamento agressivo e desestrutura do sistema familiar tem sido causas de muitos comportamentos desafiadores em adolescentes e crianças.

c) Deformidade de Caráter: caráter e conduta não são herdados, são construídos socialmente. É no ambiente familiar que se constrói caráter. Tenho atendido muitas crianças com deformidade de caráter na clínica de psicologia. Haja vista serem oriundas de lares onde o pai não exerce a função paternal, essas crianças são agressivas, mal criadas, xingam e falam palavrões, não têm limite e não respeitam as regras. Os pais devem corrigir as fraquezas de seus filhos e ter presença marcante no seio familiar, pois sua ausência gera falência moral e espiritual para seus filhos (cf. Provérbios 13.24; 29.15).

As funções paternas nos tempos atuais

A Bíblia é o manual que orienta o comportamento cristão, por ela entendemos que as funções paternais não mudaram. O pai continua sendo o cabeça da família, o líder, o protetor. Entre as muitas funções destaco três a seguir (cf. Efésios 5.23; 1 Coríntios 11.3,9).

a) Provedor: o pai é a peça principal da família. O mundo pós-moderno não tira as responsabilidades e atribuições bíblicas do pai. O pai deve prover os meios para transformar seus filhos em pastores, médicos, engenheiros, advogados, professores, etc.. Além do mais, devem prover o sustento, o afeto, e criar um ambiente familiar agradável.

b) Modelo, guia: a presença paterna apresenta modelos estruturantes na cultura familiar cristã que normalmente são internalizados nas relações primárias do bebê com a família. O pai é o guia a ser seguido, o modelo a ser copiado. Do ponto de vista bíblico é ele quem representa toda a estrutura familiar.

c) Sacerdote: a qualidade de vida espiritual e emocional dos filhos depende muito do desenvolvimento da função sacerdotal do pai (cf. Efésios 5.23; 1 Coríntios 11.9). O pai é a autoridade constituída por Deus para exercer a função de sacerdote do lar. Essa função, Deus não deu à esposa, filhos, sogra, vizinho, sogro etc. A função é única e exclusiva do pai.

Por, Mauricio Brito.




A segurança e a felicidade da família

Nossa sociedade está experimentando nas últimas décadas uma mudança fundamental. Uma das realidades que se apresenta ao homem moderno é a intensificação dos meios de comunicação. Nunca o ser humano viu multiplicadas possibilidades de informação, interação, diversão e porque não dizer divisão, através da mídia, como nos dias de hoje. O homem tem ao alcance de seus olhos, em fração de segundos, o que acontece no mundo a sua volta. Tudo o que acontece ao redor do mundo, tomamos conhecimento quase que instantaneamente. Vivemos na era da tecnologia, na era digital, somos a geração da era atômica, das naves interespaciais, do domínio da busca dos limites do infinito, da disputa desenfreada do homem pelo poder para vencer o outro. Na ciência, o homem progrediu de tal maneira, que é possível hoje salvar vidas a beira da morte, através dos transplantes cirúrgicos de órgãos vitais para a existência humana.

Apesar de toda a positividade das inovações tecnológicas e do avanço cientifico, por outro lado, temos o grotesco aumento da criminalidade, da violência, da exploração sexual e do declínio moral da sociedade. Perdemos e muito, os valores básicos da convivência, do respeito e da ética. Essas mudanças chegaram às famílias. O lar se transformou num lugar onde se moram, mas não se encontram. Estão perto, mas distantes. A família moderna pode ser comparada a um elevador de um prédio de muitos andares, onde ninguém se olha e nem se fala apesar de estarem bem próximos uns dos outros. Os filhos já não respeitam os pais e consequentemente não seguem as tradições familiares com respeito. Os pais lutam para manter a casa, mas não tem mais dialogo, e quando porventura se encontram, não conseguem se entender. Infelizmente, vivemos num tempo de franca decadência dos mais altos valores, dentre eles, o casamento. A chamada “classe artística”, com sua constante banalização da moralidade, contribui muito para a desvalorização da instituição do casamento. É comum vermos “artistas” alardeando “casamentos” que duram de seis a oito meses, numa verdadeira violência aos princípios eternos que o casamento representa. Retratos de uma sociedade adoecida.

O que fazer?

Aprenda a amar

Entre a compreensão e o amor há um vínculo muito forte e estreito, que nunca se sabe onde começa um e termina outro. Quem ama compreende e quem compreende ama. Quem se sente compreendido, se sente amado. Quem se sente amado, se sente compreendido. Ninguém pode evoluir, crescer ou amadurecer na vida sem se sentir compreendido. Quando incompreendido, o ser humano perde a confiança em si mesmo e em Deus, perde o sentido da vida, se bloqueia em um casulo de decepções e frustrações e retrocede bruscamente.

O amor é a essência do verdadeiro relacionamento. O conceito mais revolucionário de todos os tempos é: Deus é amor! Quando alcançamos o verdadeiro significado dessa verdade, nós podemos entender o propósito divino para cada ser humano. Isto é demonstrado de duas maneiras: (1) o amor de Deus sendo revelado para nós, através da sua morte, e por conseguinte, nós sendo reconciliados nEle; (2) o amor de Deus revelado em nós, como consequência somos salvos através da sua vida (Romanos 5.10).

Quando o ser humano passa a compreender as dimensões do amor e a grandeza do mesmo, sua vida se transforma. Como escreveu La Bruyère: “Quando o amor nos visita, a amizade se despede”. É a perfeita festa dos sentimentos. O encontro do amor acontece na convergência das histórias pessoais: um vem como proposta e acha no outro uma resposta que faz o milagre do encontro que produz a alegria de dividir o mesmo chão da história (Gênesis 24.60-67). Amor não é paixão. A paixão joga o amor nos picos da intensidade e do furor, podendo até mesmo sobrepor-se à lucidez e à razão. Não é o caminho mais indicado para o casamento, porque é imediatista e simplifica tudo. Na paixão, o sexo fica sozinho e impera à sua maneira.

Muitos casamentos fracassam hoje porque são iniciados sem amor, são projetados apenas com base no sexo ou na paixão, ou mesmo em tradições familiares asfixiantes. Se o amor não for a base do casamento, tudo desmoronará. Sem amor não há casamento, há apenas um ajuntamento de corpos numa tragédia sensual.

No amor, nossa natureza é transformada: aprendemos a beleza da transformação. Experimentamos o desafio de conciliar visões diferentes (e às vezes conflitantes) da vida, numa sinfonia plena da comunhão.

Desenvolva fé e obediência

A necessidade de crer e consequentemente obedecer se torna muito importante para o sucesso do lar cristão. A Bíblia nos ensina de forma objetiva e clara que o fundamento básico do lar cristão é a aceitação irrestrita da autoridade de Cristo e a obediência a ela. Como posso obter essa fé? Aqui é que entra a obediência. A fé em desenvolvimento se aprofunda e cresce à medida que avançamos na vida cristã. Não é mero conhecimento, mas ação que se estabelece com base no conhecimento. É uma crença exercida através de vida prática, ou seja, obediência. Como disse Dietrich Bonhoeffer: “Somente aquele que crê obedece; e só quem é obediente crê realmente”.

Para termos fé e obedecer é preciso desenvolver no lar cristão um relacionamento íntimo com Deus através de práticas devocionais certas. Como parte da vida devocional os pais devem ter a palavra no coração (Deuteronômio 11.18); os pais devem ter a palavra de Deus nas mãos (Deuteronômio 11.18) e os pais devem ensinar a palavra cuidadosamente (Deuteronômio 11.19). A palavra de Deus é a regra áurea para uma vida de fé e obediência.

Desenvolva comunhão

Creio que o verdadeiro significado da oração é a abertura entre pedido e resposta (Mateus 7.7,8; Marcos 11.24; 1 João 5.15).

Oração não é apenas um movimentar dos lábios. É questão de enamoramento entre o ser humano e o Senhor. Oração é entrega, é apresentação de nossa fragilidade ao Deus da força e do amor sem limites. Oração é o grito de um pobre que precisa estar suspenso ao Senhor. A oração não é apenas uma ladainha enfadonha de pedidos de coisas que nós mesmos temos que conseguir. A oração é abandono, entrega, admiração, encantamento, pedido de socorro. Desde a nossa infância vamos tentando estabelecer com o Senhor esse diálogo amoroso. Importante que ele não se interrompa. Importante que o coração dos orantes seja humilde. Importante que essa oração não seja um mero papaguear dos lábios e aconteça apenas em alguns momentos de aflição do casal e da família.

Muitas vezes, o casal precisa ter momentos de oração a dois. Num canto da casa, no quarto. Uns momentos de silêncio, uma invocação do Espírito Santo, um trecho da Escritura, curto e denso, uns momentos de silêncio, um salmo, a entrega da vida a dois a Deus. E o casal se coloca no seio de Deus. Ou melhor dizendo: o Senhor se torna hóspede de seu relacionamento conjugal. A oração constrói uma barreira de proteção ao redor de nossas famílias.

Por, Sérgio Pereira.




O valor da compreensão no casamento

A compreensão é um dos pilares que sustentam o casamento, pois ela é a porta de entrada para uma comunicação saudável e eficaz. Não havendo compreensão entre o casal, consequentemente haverá muitos desentendimentos e conflitos. Diante disso, permita-nos perguntar: O que você pensa sobre a compreensão? Você se sente compreendido? Consegue compreender bem os anseios de seu cônjuge? Sabe o que é compreender?

Uma das definições que nos chama a atenção em relação ao termo é “conhecer a intenção, lat. comprehendere”, (FIGUEIREDO, p. 516). Foi exatamente isso que Davi fez perante o Senhor, ele pediu para que Deus sondasse seus pensamentos e intenções do coração, (Salmos 139.23).Em outras palavras, Davi estava declarando que Deus o compreendia em sua totalidade, desde seus hábitos até as mais íntimas intenções. Nos utilizando dessa exposição do salmista, podemos associar que compreender nosso cônjuge diz respeito a saber qual a intenção de suas ações, as razões pelas quais ele fez ou deixou de fazer algo, reconhecer as necessidades emocionais, físicas e psicológicas, discernir e não deduzir o que torna feliz a pessoa que amamos.

Quando Davi diz que Deus o “conhece”, está assegurando que o Senhor “observava, cuidava, e reconhecia” seu servo, (STRONG, p.1674).O mesmo se aplica a nós, se afirmamos que compreendemos a pessoa com a qual nos casamos, estamos dizendo que a conhecemos muito bem, que temos zelo para com ela e sabemos reconhecer exatamente as oscilações de sua personalidade. Essa era a relação de compreensão vista entre Deus e seu servo Davi.

Infelizmente a incompreensão tem marcado casais que veem seus casamentos se tornarem raquíticos, infelizes e sem vigor. Não bastasse isso, tem provocado também feridas e levado alguns a optarem pelo divórcio. Quando o marido ou a esposa age de maneira incompreensiva, não se importando com o outro, passa a provocar danos muitas vezes irreversíveis.

Na maioria dos casos, quem não compreende, geralmente não percebe sua falha. Só senti quem está sendo vitimado pela incompreensão e todas as vezes que expõe o que sente não é compreendido. Na verdade, a compreensão é uma mão de via dupla. Se você não se colocar no lugar do outro para perceber suas aflições, jamais o compreenderá. Como, então, você deve agir afim de se tornar um cônjuge mais compressivo e mudar suas atitudes em relação ao outro? É o que veremos nas linhas a seguir:

Primeiramente, a compreensão não envolve deduções. Quem realmente compreende, não realiza deduções, não chega com palavras ásperas já ofendendo o parceiro e suscitando a ira, (Provérbios 15.1). Segundo o dicionário Aurélio, a compreensão também envolve inteligência, (p.169). Quem julga sem compreender, não age com inteligência, mas sim com instinto, assemelhando-se aos animais irracionais. Não sei se você já vivenciou uma situação em que alguém lhe julgou erroneamente, realizou deduções do que teria acontecido antes de se apropriar dos fatos. Certamente, uma ação desse nível, representa uma completa imaturidade. Não façamos isso!

Segundo, a compreensão envolve entendimento. Não há como compreender senão houver um bom entendimento. O entendimento é a base essencial para a compreensão. Entender é apropriar-se dos fatos, já compreender é atribuir uma interpretação aos mesmos. É mais do que obrigatório conhecermos qual o tipo de temperamento, entender as fragilidades, as necessidades e as dificuldades do outro. Se não soubermos, como seremos capazes de compreender nosso cônjuge em um momento de desabafo ou uma atitude contrária à nossa vontade? De que maneira iremos compreender as tristezas, as angústias, as decepções se não entendermos os desafios e as problemáticas na vida de nosso cônjuge? Há pessoas que pelo fato de não terem a menor ideia do que está vivendo seu parceiro, erram em suas interpretações, que por sua vez acabam gerando mágoas. Saiba exatamente quem é seu parceiro, procure entender o que ele está vivenciando, quais as dificuldades, e ajude a lidar com isso. Compreenda a situação e tenha ações efetivas para o crescimento e não destruição.

Terceiro, a compreensão envolve um julgamento correto. Cristo em seu sermão do monte, nos ensinou que não devemos julgar erroneamente o próximo. (Mateus 7.3,4). De acordo com o comentário bíblico pentecostal, Jesus não está proibindo o julgamento, mas que esse “seja feito com valor, que o certo e o errado sejam identificados e que o digno e o indigno sejam discernidos. O discípulo deve ver a falta no irmão de forma que tal pessoa seja trazida a uma correção gentil e firme” (ARRINGTON, p.59).

Assim devemos proceder, não podemos julgar nosso cônjuge nos eximindo de qualquer falha, precisamos também nos avaliar, é preciso nos colocar diante do espelho, e analisar quais pontos precisamos melhorar, para depois exigir mudança de nosso parceiro(a). Mas, ao contrário do que Cristo ensinou, há muitos cônjuges com a trave em seus olhos e mesmo assim falando do argueiro do olho do outro cônjuge. Analise seu comportamento e veja como tem reagido às atitudes do outro, e abra os olhos para as possíveis mudanças de sua parte.

Quarto, a compreensão envolve altruísmo. Entendemos que a compreensão exige um julgamento prévio e correto para depois compreendermos os fatos de maneira justa. Para isso, é preciso haver um sentimento altruísta neste processo de compreensão, ou seja, antes de qualquer opinião firmada, nos coloquemos na posição do outro. Essa ação é necessária para não sermos falhos em realmente entender a situação, com esse sentimento altruísta estaremos olhando todos os lados possíveis da situação.

Entendamos que nem sempre as coisas são como parecem ser. Quando adquirimos um sentimento altruísta, somos perceptivos em entender os sentimentos presentes em nosso cônjuge. A compreensão deve ser recíproca, para isso ambos devem agir com altruísmo. Uma boa compreensão envolve saber as duas faces da moeda.

Em quinto lugar, a compreensão fortalece a relação. A compreensão tem o forte poder de fortalecer a relação. Imagine quão agradável é, quando ao chegar em sua casa, cansado após um longo e estressante dia de trabalho, a primeira coisa que seu cônjuge diz é, “meu bem, descansa que eu preparo uma boa e saborosa refeição”. Explicitamente, o ato de seu parceiro, representa uma compreensão do seu estado de cansado após um dia exaustivo e através desta ação amplia e fortalece o vínculo entre vocês. Entretanto, se ao invés, dessa postura, seu cônjuge, faz exigências, mesmo sabendo do dia estressante que você teve, estando ele mais descansado que você, fragiliza a relação e causa transtornos que tendem a se acumular ao longo da vida a dois. Fortaleça seu casamento praticando a compreensão em seu dia a dia. Compreender também é uma maneira de abrir portas para também ser compreendido. Que Deus nos ensine a cada dia a olhar para o nosso cônjuge com um olhar compreensivo e amoroso.

Bibliografia

CHAVE, Bíblia de estudo palavra, Hebraico e Grego. 2ª ed.; 2ª reimpr. Rio de Janeiro: CPAD, 2011. Texto Bíblico: Almeida Revista e Corrigida, 4ª Edição, 2009 – Sociedade Bíblica do Brasil
PENTECOSTAL, Comentário Bíblico. Novo Testamento. Vol. 02, Romanos- Apocalipse. Editora CPAD, 2012.
DICIONARIO DA BÍBLIA DE ALMEIDA, Werner Kaschel Zimmer, 2ª Edição Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil, 2005.
FIGUEIREDO, Candido. Novo Dicionário da Língua Portuguesa, 1913. http://dicionario-aberto.net/dict.pdf. Acesso em 09.08.2018.
AURÉLIO, Minidicionário da língua portuguesa. Editora, Nova Fronteira.

Por, Auricléssio da Silva.




Relacionamento avós e netos

Relacionamento avós e netosQuando Paulo escreveu a segunda carta a Timóteo, fez questão de lembrar-se de seu filho na fé e da influência espiritual que havia recebido daquelas que foram as suas principais mentoras, todavia destaca em primeira instância a sua avó Lóide, porém isto não exime os deveres maternos de sua mãe Eunice (2 Timóteo 1.5). No tocante a isso, Paulo tem como objetivo realçar a influência do amor que procede de um coração puro e de uma boa consciência equilibrada firmada numa fé verdadeira, ao qual conduziu o neto Timóteo à maturidade espiritual e ao sucesso ministerial sob orientação de seu tutor. Nesta ordem, Paulo é enfático quanto aos princípios da paternidade que são influenciados pelo bom relacionamento entre avó e neto.

Ao longo da história dos hebreus, Deus sempre prezou a referência da fé dos avós em relação aos filhos e netos, percebemos isto com maior ênfase na história dos patriarcas quando é destacado o modelo de família patriarcal. Os princípios de fé estabelecidos por esses ícones são decididos terminantemente através da adoração ao mesmo Deus, sendo assim, Abraão, Isaque e Jacó invocaram a Yahweh, dando ênfase ao legado de fé deixado por cada um deles, permitindo com que o Senhor seja reconhecido na vida deles como: O Deus de Abrão (avô); o Deus de Isaque (pai) e o Deus de Israel ou Jacó (neto).

No mundo multicultural de hoje, é um grande desafio para os avós administrar o relacionamento com os netos sem interferir nos princípios estabelecidos pelos pais. Tornar-se avô ou avó é uma fase difícil, porém maravilhosa da vida adulta. É um tempo de muitas alegrias, de prazer e oportunidades que dos pais foram omitidos por questões involuntárias, talvez ocasionadas pelas necessidades, circunstancias e/ou, em alguns casos, por inexperiência paterna que no decorrer dos anos são superados através da maturidade.

Os netos reavivam um tipo de intimidade que pode ter ficado perdido no caminho, e promovem uma riqueza de relacionamento entre as três gerações. O relacionamento entre os netos e avós tradicionais parece diferir dos modernos, hoje com a maternidade precoce os avós não aparentam mais a fisionomia envelhecida, enrugada como em tempos remotos, a imagem de avô velhinho de cabeça branca, com as mãos calejadas pelo trabalho duro e corpo marcado pelo tempo e labuta da vida deu lugar a avós com semblantes rejuvenescidos, alguns deles alcançam a posteridade ainda na segunda idade. Hoje os avós são mais saudáveis e ativos.

A mente dos netos hoje gira em torno do seguinte pensamento: “Os avós são as únicas pessoas grandes que tem tempo para nós”. Este pensamento reflete a realidade do dano social que transfere o papel paterno para os avós que criam seus netos como se fossem seus próprios filhos, tirando de ação a responsabilidade primária de sobre os ombros paternos. Sem duvida este é um tempo em que o relacionamento entre estas três gerações apresentam na mesma esfera vantagens e desvantagens, uma vez que a paternidade ocorre precocemente a posteridade é uma consequência desta realidade que tem como objetivo gerar do conflito entre as gerações estabelecidas pela sociedade moderna, fazendo que os netos vejam seus avós como pais. Em alguns casos a imaturidade de pais seguida pela carência de afeto dos avós, vai produzir atitudes possessivas sobre os netos, talvez intencionem dedicar a eles o que não puderam oferecer aos filhos. Todavia, existem circunstâncias que proporcionam situações mais confortantes para as famílias do nosso tempo, com o aumento da longevidade a convivência mais prolongada de três ou mais gerações estão levando os idosos a participarem mais ativamente da vida de seus familiares. Os avós são testemunhas da passagem do tempo e possuem a trajetória de vida contornadas pelo meio sociocultural, onde cada um de acordo com sua experiência, imprime diferentes significados à nova fase de ser avô ou avó. Esta temática carrega em si uma multiplicidade de fatores a serem refletidos. As mulheres idosas, em especial, assumem papel importante frente as novos modelos de família. A princípio ser avô ou avó é estar inserido em uma terceira geração no contexto das relações familiares. Alguns pais e mães, diante das responsabilidades referentes aos cuidados dos filhos, encontram sérias dificuldades para conciliar as atribuições profissionais pessoais e parentais, dessa forma, muitas vezes são os avós que participam afetivamente da criação dos netos para que a mãe e o pai possam desempenhar suas funções profissionais.

O texto de Provérbios 17.6 revela-nos que Salomão conhecia bem os lados entre os progenitores e rebentos, isto não exime a ideia de que a nossa geração apresenta, pais e avós que se envergonham de seus descendentes devido a escolhas e atitudes egoístas e vergonhosas que tomam. “Os filhos dos filhos são uma coroa para os idosos, e os pais são o orgulho dos seus filhos” (Provérbios 17.6); “assim como os avós se orgulham dos netos, os filhos se orgulham dos pais” (NTLH).

A ideia de Salomão neste texto é produzir alegria aos avós cujas cãs estão embranquecidas, o sentimento que deve fluir neles é de honra e justiça pelo tempo e dedicação em favor de seus filhos e netos. A relação avós e netos devem ser pautados na palavra de Deus, no equilíbrio emocional e sensatez, isso trará mais alegria e satisfação relacional. Segundo algumas pesquisas a convivência entre crianças e idosos é considerada benéfica para ambos os lados. A ciência certifica que os idosos contribuem muito com a sobrevivência dos mais novos, porque com suas experiências e conhecimentos ajudam a cuidar das novas gerações. Não é preciso muito esforço para notar como a interação entre netos e avós é positiva. Essa convivência fortalece o relacionamento entre ambos, especialmente porque os avós estão, na maioria das vezes, numa fase da vida que proporciona um aproveitamento maior dos netos que não tiveram para com os filhos como, por exemplo, levar para passear e brincar. Para os avós, isso não é uma obrigação ou forma de gastar a energias de seus netos, mas uma oportunidade prazerosa de se divertir de verdade com eles.

Segundo a psicóloga Rita Calegari, do Hospital S. Camilo (SP), alguns avós participam de forma ativa dos cuidados enquanto os pais trabalham e, nesses casos , a história tem certa diferença: “Esses avós precisam ser mais disciplinados com horários e regras, o que tira boa parte da diversão. Eles precisam de descanso e rodízio com outros familiares, em razão do desgaste natural que cuidar de crianças traz”.

Apesar da complexidade atribuída na fase da posteridade, ser avô ou avó é muito mais que uma dádiva, é uma promessa àqueles que temem ao Senhor como declara o autor na canção do salmo de número 128. “Aquele que teme ao Senhor será abençoado na sua família, pois comerás do trabalho das tuas mãos, serás feliz e próspero, a tua esposa será como a videira frutífera em tua casa e teus filhos serão como brotos de oliveira ao redor da tua mesa… e verás os filhos de teus filhos…”.

Assim como a avó Loide, os avós cristãos de nossa geração não devem abdicar do direito de ensinar a Palavra e falar do amor de Deus. Os avós cristãos devem ser portadores de uma fé genuína e transmitir aos netos as grandes verdades espirituais. Quão grande foi o empenho de Lóide para ensinar a Palavra de Deus ao neto. Nisto cumpre-se a palavra: “Educa a criança no caminho em que se deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele” (Provérbios 22.6).

Por, José Carlos dos Santos.




Educação cristã do século 21

Educação cristã do século 21Ser pai e mãe cristãos, nos dias presentes, é um desafio grande, e, ao mesmo tempo, missão gratificante, quando se analisam as funções que Deus confiou à paternidade e à maternidade. A cada dia que passa, mais difícil torna-se o relacionamento entre pais e filhos, mesmo que sejam evangélicos.

Pais no Antigo Testamento

No Antigo Testamento, eles eram de fato os sacerdotes do lar. Os pais tinham mandamento de ensinar a seus filhos. “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos, e ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te; e escreve-as unos umbrais de tua casa e nas tuas portas, para que se multipliquem os vossos dias e os dias de vossos filhos na terra que o SENHOR jurou a vossos pais dar-lhes, como os dias dos céus sobre a terra” (Deuteronômio 11.18-21). Os profetas entregavam a mensagem de Deus; os pais a aceitavam e transmitiam aos filhos. Aos 12 anos, eles passavam (e ainda passam) pela cerimônia do “Bar-Mtzvá”, quando já deveriam saber de cor os pontos mais importantes da lei. A sinagoga era templo e era escola também.

Pais no Novo Testamento

No Novo Testamento, a educação era integral. Nas poucas referências sobre o tema, vemos o exemplo da educação do menino Jesus. Diz a Bíblia: “E o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele. “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens” (Lucas 2.40, 52). Esses textos nos falam da educação espiritual (“em espírito”), no conhecimento de Deus e intelectual (“cheio e sabedoria”), no crescimento físico (“em estatura”), e no crescimento espiritual e social (“em graça para com Deus e os homens”).

Ainda que não se possa generalizar, por falta de informações, mais uma vez, na educação de Jesus, vemos que seus pais sabiam criá-lo sob sujeição ou disciplina (Lucas 2.51). Nos tempos atuais, a rebeldia na família é tão grande que muitos pais não sabem o que fazer. Os pais são exortados a ensinar os filhos. “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6.4 – grifo nosso).

A educação antiga e a moderna

1. A educação antiga. Nas décadas passadas, os pais criavam os filhos na base do autoritarismo. Tudo era feito na base de um relacionamento rígido. Eram comuns os castigos físicos, com o uso da “vara” para as falhas mais simples. Teve seu aspecto positivo, pois os filhos eram obrigados a respeitar os limites que lhes eram impostos. Havia respeito aos pais, aos mais velhos, e às normas. Os aspectos negativos dessa educação manifestavam-se tempos depois, quando os filhos tornavam-se independentes. De certa forma, essa educação contrariava a Bíblia, que manda criar os filhos sem provocá-los à ira (Efésios 6.4).

2. A educação moderna. Na educação moderna, de uns trinta ou quarenta anos passados, os psicólogos levaram os pais a não ter autoridade sobre seus filhos, para não serem repressivos. Assim, grande parte dos filhos passou a ter uma educação permissiva. Para eles, quase tudo é permitido. Os especialistas aconselham que não se deve reprimir para que os filhos não fiquem frustrados. O resultado dessa educação é uma libertinagem e uma permissividade absurda, a ponto de pais permitirem que suas filhas pratiquem sexo com os namorados em suas próprias residências. É a educação permissiva. Esse tipo de educação leva os filhos, desde crianças, a não respeitarem limites, normas e princípios. Aliás, essa educação “moderna”, em geral, não tem princípios morais, éticos, e muito menos espirituais.

A educação cristã

O que os pais cristãos devem escolher? A educação repressiva, que levou muitos filhos à frustração e ao desvio dos caminhos do Senhor? Ou a educação permissiva, que tem levado muitos à pecaminosidade, à libertinagem e à condenação espiritual? Certamente, nenhum dos dois tipos é desejável aos pais cristãos. Mas há uma terceira via, que é a da Educação Cristã. A nosso ver, é a única forma de educação que pode resultar em benefícios espirituais, morais, éticos, sociais e físicos para os pais e para os filhos. É a alternativa para evitar-se a repressão, o autoritarismo, e a permissividade, que tantos prejuízos causam à formação da família. Alguns aspectos dessa abençoada educação podem ser resumidos como se seguem. É uma síntese dos cuidados espirituais que os pais cristãos devem ter para com seus filhos. É uma educação amorosa e formativa.

1. Os filhos devem ser vistos como herança do Senhor. “Eis que os filhos são herança do SENHOR” (Salmo 127.3a). Assim, devem ser tratados com muito zelo, cuidado e amor.

2. Os filhos são prêmios de Deus. “e o fruto do ventre, o seu galardão” (Salmo 127.3b). Galardão é prêmio. Sempre os pais devem ser gratos a Deus pelo filho ou pela filha que nasceu no seu lar. São presentes, ou prêmios, vivos, que devem ser cuidados, guardados, e criados com muito amor.

3. Os pais devem ensinar a Palavra de Deus no lar. Os pais devem ser os primeiros e os mais importantes professores de seus filhos (Provérbios 22.6). “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos, e ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te; e escreve-as nos umbrais de tua casa e nas tuas portas” (Deuteronômio 11.1821). Esse princípio, da educação no AT, é válido e atual para os dias presentes, se os pais querem ver seus filhos bem formados na vida espiritual. E esse precioso ensino pode ser ministrado à família, no Culto Doméstico. A não realização desse momento de adoração, no lar, tem aberto porta para entrada da ação do diabo no meio dos lares cristãos.

4. Os filhos devem ser criados na doutrina e admoestação do Senhor. “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6.4). Os pais não devem ter medo de doutrinar, de ensinar os filhos os princípios da palavra de Deus. Ela “é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração” (Hebreus 4.12). O ensino da Bíblia é mais poderoso que castigos físicos, psicológicos, e todo o tipo de repressão desnecessária.

Com essa visão, entendemos que a saída para os pais crentes é desenvolver, em seu lar, os princípios bíblicos para a educação dos filhos. Do contrário, a deseducação formal e agressiva, nas escolas, vai levá-los para longe de Deus. Só há esperança para as novas gerações permanecerem nos caminhos do Senhor, se o lar for a continuação da igreja e a igreja a continuação do lar, de maneira inteligente, com harmonia e amor.

Por, Elinaldo Renovato de Lima e Íris de Castro Lima




Relacionamento aberto e monogamia

Relacionamento aberto e monogamiaA Bíblia ensina que o casamento é uma aliança entre um homem e uma mulher para uma união indissolúvel. Portanto, é mais que um contrato civil ou uma exigência social. Ele foi instituído para que os cônjuges se comprometessem a ser fiéis reciprocamente, na saúde, na doença, na felicidade, na adversidade.

Sobre os chamados “relacionamentos abertos”

Um relacionamento é considerado aberto quando há uma relação afetiva em que os cônjuges concordam que as relações extraconjugais não são consideradas como traição ou até mesmo infidelidade.

A palavra “aberto” é usada nesse tipo de relacionamento para representar o grau de liberdade de seus cônjuges, onde ambos aceitam outras relações com pessoas que não façam parte de seu relacionamento, sem que isso seja motivo para desentendimentos entre os dois.

Os que praticam essa forma de relacionamento vivem na “onda do ninguém é de ninguém”, apesar de viverem uma relação sólida, ficam com outras pessoas.

Esse tipo de relacionamento vem sendo propagado pela mídia e influenciado por movimentos sociais como o feminismo e o empoderamento feminino. O cristão precisa ter cuidado para não aderir ao padrão de normalidade imposto pela mídia. Nem tudo que é comum pode ser aceito como normal. O nosso padrão de normalidade é a Bíblia a Palavra de Deus. (Salmo 119. 1-9,105). Os defensores do relacionamento aberto insistem que tudo pode transcorrer normalmente se houver o consentimento mútuo. Para eles o relacionamento aberto costuma funcionar melhor quando há regras bem definidas e consentidas por ambos para evitar desentendimentos. Porém, além de permeada pela ideia dos simulacros e simulação – algo que se propõe real, ou substituto da realidade não permitindo o discernimento entre realidade e ilusão, a sociedade atual faz uma inversão de valores e estabelece um novo padrão de normalidade.

Relacionamentos abertos e a poligamia

Existe uma diferença entre o chamado relacionamento aberto e a poligamia. O relacionamento aberto (poliamor) se baseia na aceitação do amor entre três ou mais pessoas, independentemente da sua identidade sexual, ocorrendo entre mulheres, homens ou transexuais. Para os praticantes a única condição é o amor entre eles e a aceitação do relacionamento por todos. O sexo, mesmo estando presente, não é o principal da relação. Embora o relacionamento aberto e a poligamia tenham a mesma estrutura emocional e a mesma formação, ou seja, um indivíduo tem um relacionamento amoroso e sexual com várias pessoas ao mesmo tempo, a diferença está no fato da poligamia requerer um vínculo legal (ou similar) estabelecido e socialmente aceito. Já o poliamor não exige nenhum tipo de compromisso, nem tem que ser durável.

A poligamia é aceita socialmente e legalmente emmuitas culturas. Em alguns países islâmicos, por exemplo, é permitido, desde que a esposa ou esposasde umhomem deem sua aprovação para o novo membro da família. Algumas culturas tambémadotama poliandria, a união em que uma só mulher é ligada a dois ou mais maridos ao mesmo tempo.

A monogamia – visão bíblica

A monogamia é implícita na história de Adão e Eva, visto que Deus criou apenas uma esposa para Adão. A monogamia é o ideal divino. O criador instituiu o matrimonio com a união do homem e da mulher, (Gênesis 2.18-24; Mateus 19.5; 1Co 6.16).

O casamento estabelece relações permanentes, o criador indicou a permanência destas relações, fazendo com que os afetos entre marido e mulher cresçam na proporção dos anos que passam, processo natural, em condições normais. Os fins morais exigem que estas relações sejam permanentes. A fidelidade do marido e da mulher no cumprimento de seus deveres intimamente ligados em suas recíprocas relações e a criação dos filhos nos princípios da obediência e da virtude é indispensável para se atingirem os fins morais do matrimonio.

A Bíblia é explícita: “Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne” (Gênesis 2.24). Observamos o uso do singular nesta frase, ou seja, o homem deve se apegar “à sua mulher” para com ela formar uma só carne, e não “às suas mulheres”, ou seja, Deus deu a Adão uma única esposa, não várias esposas.

O que dizer então dos casos de poligamia citados na Bíblia? Muitos personagens bíblicos tiveram mais de uma mulher, e diante disto, geralmente surgem algumas questões: por que homens piedosos tiveram mais de uma mulher na Bíblia se a poligamia não é aceita por Deus? Por que Deus permitiu a poligamia? Como entender a poligamia na Bíblia?

Diante de tudo isto, a melhor maneira de tratar este assunto é entender que Deus jamais aprovou a poligamia, mas apenas tolerou e permitiu tal prática como uma medida temporária por causa da dureza do coração pecaminoso do homem. A poligamia nunca foi a intenção original de Deus para o relacionamento conjugal. Mas para entendermos a questão devemos considerar a época e a cultura em que esses homens viveram. Naquela época, numa sociedade patriarcal era praticamente impossível uma mulher solteira se auto sustentar. Elas geralmente não tinham nenhuma educação ou treino, dependiam de seus pais, irmãos e maridos para sua provisão e proteção. Mulheres solteiras eram sujeitas frequentemente à prostituição e escravidão. Por outro lado as guerras nos tempos antigos eram muito brutais, com uma taxa de mortalidade muito alta. Assim o número de mulheres excediam o número de homens. Desse modo, era comum naquela sociedade que um homem possuísse mais de uma mulher, o que não justifica o ato no presente.

Somente a morte dissolve os laços familiares (Romanos 7.2, 3) e o crime do adultério os podem dissolver (Mateus 19.9). “Não tendes lido que o Criador desde o princípio os fez homem e mulher […], e serão dois numa só carne” (Mateus 19.4,5). O matrimônio não é o elemento acidental, mas essencial da criação, ao ponto de que o próprio homem não é completo, capaz de refletir e ilustrar o seu autor, sem que ocorra entre um homem e uma mulher (Gênesis 2.26), enquanto não está formado o casal humano, Deus não está contente com a sua obra (Gênesis 2.18).

Por, Jamiel Lopes.




Falando sobre sexualidade infantil

Falando sobre sexualidade infantilA criança nasce com uma condição de vulnerabilidade psicológica por não conseguir discernir o carinho de carícia, por este motivo, ela carece de proteção dos abusos praticados no contexto social, cultural, familiar e educacional (Mateus 19.14). Atualmente, percebemos uma avalanche de medidas progressistas, inclusive por meio do Ministério de Educação e Cultura (MEC), que visam à liberação sexual incluindo a erotização infantil, inclusive com projetos de lei que autoriza a mudança de sexo ainda na infância.

Há movimentos internacionais para propagação do que eles chamam de “prazer sexual infantil”, ou seja, a legalização da pedofilia. A exploração sexual infantil está sendo desenvolvida através de filosofias urdidas por homens e mulheres desprovidos da graça de Deus, com o objetivo de prosseguir ao que os “progressistas” afirmam ser a continuação da “luta revolucionária” crida pelos filósofos marxistas que ocultam-se por trás de uma falsa pedagogia e psicologia voltados para corromper as crianças.

O desenvolvimento da sexualidade infantil

A criança nasce com o sexo definido biologicamente, mas ela está inserida em um contexto sócio familiar que exerce influência no desenvolvimento de sua sexualidade; o padrão de sexualidade é inato e biológico, porém, o comportamento sexual pode ser aprendido.

A educação sexual começa na família que é a primeira agência socializadora e formadora do comportamento sexual da criança. O comportamento sexual é desenvolvido a partir da cultura familiar, tanto a sexualidade sadia quanto a doentia tem a sua origem no contexto familiar; os valores são absorvidos junto aos familiares, isto inclui os conceitos de moralidade cristã, verdade, fé, costumes etc. A partir da cultura familiar a criança constrói a sua visão de mundo, portanto a visão que temos sobre sexualidade geralmente parte de heranças socioculturais impostas ou aprendidas no contexto familiar.

A aprendizagem do comportamento sexual começa, sobretudo na primeira infância, Sigmund Freud explicava que o processo da aprendizagem sexual começa na infância. Crianças oriundas de famílias desestruturadas têm forte tendência a ter conflitos sexuais. A partir da concepção começa as influências da aprendizagem, inicia na imaginação paterna ou materna a indagação de que sexo será a criança no vente: menino ou menina? Os pais são os referenciais nesta construção, isto significa que não poder haver inversão dos papéis.

Identidade de gênero

A identidade de gênero é a formação sexual que acontece na primeira infância. A criança forma a sua identidade sexual a partir dos modelos que lhes são apresentados; elas já devem ter as suas convicções “sou homem” ou “sou mulher”. O sexo é definido geneticamente “biológico”, o comportamento sexual é aprendido sobre tudo na primeira infância.

Neste sentido o comportamento pode ser conflitante com o sexo biológico; neste caso trata-se de um desvio de comportamento e de finalidade sexual, e todo desvio de comportamento sexual chama-se pecado. A Bíblia registra vários desvios de comportamentos sexuais (Êxodo 20.14; Deuteronômio 22.22, 27; Provérbios 7.7-23).

Papéis de gênero

Os papéis de gênero masculino ou feminino são biologicamente estabelecidos no nascimento (Gênesis 1.27,28); mas, o indivíduo pode adquirir comportamento contrário ao princípio original e bíblico; que caracteriza uma grave violação as leis de Deus (Romanos 1.26,27; 1 Coríntios 6.10-11). Se os responsáveis não tomarem cuidado, as crianças estarão sujeitas a desenvolver um comportamento diferente do biológico, configurando uma perversão, porque o correto é o biológico; a identidade sexual é uma construção de fato, mas quando os pais não acompanham o amadurecimento da criança, ela pode absorver um ensino desvirtuado que vai provocar grande prejuízo no futuro, incluindo o homossexualismo.

A sexualidade infantil vai sendo desenvolvida de acordo com as etapas da maturação sexual, ou seja, o amadurecimento biológico, psicológico e comportamental. Falar em desejo sexual para criança é uma afronta à inteligência e a Bíblia; não existe atividade sexual sem a presença de hormônios sexuais, portanto, o desejo sexual só vai ser despertado quando a criança tornar púbere, a puberdade é um indício de que a maturação sexual está em atividade e os hormônios sexuais estão em plena circulação, quando a criança deixa a fase da latência.

A macabra erotização infantil

Com o intuito de desconstruir a família monogâmica o sociólogo alemão Herbert Marcuse propôs na década de 1950 a “liberação sexual” com base na teoria freudiana da “psicosexualidade”, o sociólogo acreditava na “revolução” por meio de uma ideologia sexual liberal que consistia na liberação total dos prazeres sexuais incluso a pedofilia, bestialismo, etc. Para Marcuse todo corpo precisa ser transformado em objeto de prazer para que aconteça a revolução psicossocial, quanto a família monogâmica patriarcal, ele a classificava como um grande entrave que precisa ser destruído.

Esta filosofia macabra tem como objetivo principal a desconstrução da sexualidade infantil ao proibir todo tipo de restrição moral e ao incentivar a masturbação, sexo anal, oral e incesto, lamentavelmente percebe-se que a partir de 2004 o MEC tem incentivado trabalhar na desconstrução do sexo biológico tendo como ferramenta a educação fundamental através dos livros didáticos e incentivar temas que expõe a sexualidade adulta para criança, o que incita e insinua a erotização infantil .

Os pais precisam acompanhar de perto o processo educativo de seus filhos, haja vista a erotização infantil e a pedofilia serem instrumentos malignos que querem encucar uma psico-educação sexual nas crianças; esse processo os libertinos rotulam como “quebra de tabu”. A erotização infanto-juvenil faz parte do pacote de maldades que as ideologias políticas de esquerda chamam de marco civilizatório.

Pesquisas mostram danos irreparáveis na vida das pessoas que tiveram iniciação sexual precoce. É lamentável a atividade dos chamados movimentos sociais, partidos políticos, e principalmente a mídia que tem estimulado a erotização infantil e a prática sexual precoce. Diante de tamanhas aberrações que tem violado a dignidade infantil, torna-se imprescindível a atuação da Igreja por intermédio de sua agência educadora, isto é, Escola Bíblica Dominical e conceber um conteúdo mínimo para preservar a dignidade humana infantil, principalmente no âmbito de sua formação psicológica da educação sexual com responsabilidade e espiritualidade (1 Timóteo 3.15).

Atualmente percebe-se que as crianças estão muito expostas a estímulos sexuais que as erotizam precocemente criando a “síndrome da puberdade” a uma exposição pornográfica por meio da literatura, música, filme, e nos programas infantis da televisão. As crianças são influenciadas e muitas vezes induzidas a vivenciar a prática sexual e ao consumo da pornografia; por meio da música elas são influenciadas ao erotismo; e quanto as chamadas “políticas públicas”, com o argumento de combater as DSTs, essas iniciativas tem contribuído na erotização infantil; a distribuição de livretos e preservativos para crianças nas escolas serve com estímulo a prática sexual na infância e adolescência.

Por, Mauricio Brito.




A interatividade social e a família

A interatividade social e a famíliaCom o avanço do entretenimento e a proliferação das redes de relacionamento social, fica cada vez mais difícil não perceber o quanto as pessoas têm se rendido a esses novos métodos de entretenimentos. Com o passar dos anos e as constantes inovações, as redes sociais têm sido uma febre entre os mais variados públicos. No entanto, esses recursos que podem ser facilmente baixados em um aparelho de celular, ou acessados por qualquer computador conectado à internet, com o intuito de aproximar as pessoas, estejam elas onde estivem, inclusive de diferentes culturas e etnias, podem ser grandes armas para falência da família se não considerarmos seus riscos e não vigiarmos ao utilizá-los.

É fato que aos poucos, nos sentimos ligados a essas novidades que, querendo ou não, acabam ajudando na comunicação com os amigos, familiares e outras pessoas as quais conhecemos. Por exemplo, em vez de ligar para cada um dos colegas da faculdade para anunciar alguma mudança ou alteração nas programações, cria-se um grupo no “WhatsApp” e uma única mensagem chega a todos que precisam dessa informação. Ou, noutro caso, se você está pensando em mudar de emprego ou quer saber sobre tudo o que está acontecendo de novidade no mercado de trabalho, cursos, palestras, artigos, etc., basta conectar-se ao “Linkdin” e fazer amizades virtuais com vários profissionais da sua área ou de outras.

O Facebook é outra rede social muito usada no Brasil e no mundo. Com ela fica mais fácil se aproximar de pessoas não só aqui em nosso país, mas em muitos outros lugares. Essa rede social permite postar pensamentos, frases curtas ou longas, imagens, etc. Além disso, permite que outras pessoas curtam e compartilhem posts e façam comentários bons ou ruins.

O Instagram, assim como o Facebook, é uma rede de relacionamento social que lhe permite postar fotos e vídeos. No caso deste último, são limitados há apenas 15 segundos. Permite que você siga a alguém e seja seguido. O Twitter é uma rede de relacionamento social rápida, que permite postar informações limitadas, não ultrapassando 140 caracteres. Assim como o Instagram, as informações postadas só podem ser vistas por aqueles que lhe seguem, tendo também a opção de seguir e ser seguido.

Já o Youtube é uma rede voltada unicamente para postar vídeos. Nela, o usuário pode criar um canal e, sempre que quiser, compartilhar seus vídeos. O Youtube permite ainda comentários e o compartilhamento dos vídeos em outras redes sociais. Essa rede social tem virado o meio de vida para muitas pessoas, pois dependendo do número de visualizações os usuários passam receber repasses referentes aos vídeos. Não só essas, mas muitas outras redes de entretenimento estão disponíveis na rede mundial de computadores. Na verdade, olhando por um lado, elas têm um caráter proveitoso para os que as utilizam como suporte para estabelecer relações proveitosas e se aproximar de pessoas distantes. Por outro, podem ser um elo com o pecado e afastamento familiar.

Lembro-me que na minha infância crianças não se preocupavam muito em ter celulares, até porque esses aparelhos eram muito nobres e de difícil acesso para os menos favorecidos. Quando pude desfrutar de um aparelho, eu tinha aproximadamente 16 anos. Tudo foi muito lindo e satisfatório. Tudo era muito simples, os únicos recursos que ele me oferecia era fazer ligações e enviar mensagens de texto.

Como as coisas mudam! Os celulares ganharam em nossos dias uma série de outros recursos, fica até difícil pensar na vida sem um aparelho para fazer contanto com outros indivíduos. Eles estão cada vez mais sofisticados e evoluídos. Com apenas alguns toques você pode acessar sua conta no banco, fazer compras na internet e, claro, ter acesso a múltiplas redes sociais.

Parece que as crianças já nascem sabendo manipular esses aparelhos, basta colocar uma disposição para ver que eles podem descobrir coisas que nem nós mesmos sabíamos. E eles estão cada vez mais precoces, querem possuir modernos celulares e são facilmente envolvidos pelos jogos que estão disponíveis. No entanto, como pais, é preciso estarmos alertas quanto aos danos que isso pode trazer ao desenvolvimento intelectual e psíquico dos nossos filhos. Para tudo tem um tempo e é preciso saber discernir qual o exato momento de presentear seu filho com um aparelho de celular ou tablete, bem como impor regras para utilização destes aparelhos.

O grande problema não está nos aparelhos de celulares, tabletes ou redes sociais, mas em como as pessoas os usam. Não se pode negar que eles são interativos e que quanto mais usamos mais gostamos de usar. No entanto, ao mesmo tempo em que estabelecemos relações com diversas pessoas no ambiente virtual, evitamos cultivar relacionamentos com pessoas que convivem em um mesmo ambiente.

A família moderna está cada vez mais distante por abrir mão do velho diálogo face a face para interagir pelas redes sociais. Vejo com frequência, em épocas comemorativas de Dia das Mães, Dia dos Pais, aniversários destes entes queridos, muitas declarações e mensagens lindas, porém, nem sempre essas pessoas que estão sendo homenageadas possuem uma página nessas redes sociais e, quem sabe, o que se diz na rede nem foi dito pessoalmente. O distanciamento está tão grande que nas reuniões de família e/ou confraternizações, enquanto poucos interagem pessoalmente, boa parte ali presente está com algum aparelho de celular na mão interagindo com outros, perdendo bons momentos juntos.

Já tive a oportunidade de ver crianças que não participam integralmente das reuniões familiares ou brincadeiras com outras crianças, simplesmente por que estão envolvidas demasiadamente com seus aparelhos. Nessa atmosfera em que não se estabelece vínculos afetivos a tendência é caminhar pelo caminho da falta de comunicação. No entanto, nada substitui as pessoas. Nenhuma mensagem, por mais motivacional que seja, poderá substituir um carinho ou afago da pessoal que amamos. Nenhum comentário, por mais elogioso que seja, poderá substituir um abraço sincero e amoroso. Por mais que se ache muitos “amigos” nesses ambientes, se converse os assuntos mais variados possíveis, se distraia com alguns jogos on-line ou off-line, as pessoas ainda continuam pessoas. E, como tais, necessitam de carinho, atenção, companheirismo, abraço, etc. Isso jamais poderá ser suprido em um ambiente virtual.

Tudo é muito interativo e fenomenal no mundo on-line, no entanto algumas precauções devem ser tomadas para que o bom e velho relacionamento pessoal não seja esquecido pela família. Por isso, resolvemos sugerir algumas atitudes que você pode tomar não só em relação aos seus filhos, mas em relação a você e seu cônjuge:

1) Estabeleça limites no uso desses aparelhos. Aprenda a se policiar em relação ao acesso às redes sociais. No caso dos filhos, estabeleça horários e tempo destinado a esses entretenimentos, delegue outras atividades e cobre-as.

2) Vistorie as amizades que o seu filho tem nas redes sociais. Não seja resistente à tecnologia, acesse às redes e veja quais são as amizades de seus filhos.

3) Fiscalize os posts que seu filho publica na internet (comentários, fotos, vídeos, etc).

Resgate momentos em família. Há tantas coisas que podem ser feitas em família. Uma delas é o culto familiar. Além disso, o ato de jantar juntos, compartilhar experiências do dia, sair para comer fora, são atitudes que podem aproximar mais ainda a família.

Por, Edeilson Santos.