Obediência ao Senhor

“E Israel disse a José: ‘Como você sabe, seus irmãos estão apascentando os rebanhos perto de Siquém. Quero que você vá até lá’. ‘Sim, senhor’, respondeu ele” (Gênesis 37.13). Os irmãos de José alimentavam raiva e inveja dele (Gênesis 37.4-8). Por esse motivo, o jovem tinha motivos sobejos para questionar e até repudiar essa ordem de seu pai Jacó, mas obedeceu, saindo de Hebrom em direção a Siquém, cerca de 100 quilômetros de distância, a fim de encontrar-se com seus irmãos.

Comparemos como comportamento de outro personagem bíblico: o profeta Jonas. Quando o Senhor ordenou que se deslocasse até Nínive, ele decidiu viajar na direção contrária àquela que Deus havia determinado. José deixou seu pai, aos 17 anos, para cumprir uma ordem recebida, mesmo sabendo que não gozava da simpatia dos outros filhos de Jacó. E estes dois exemplos levaram-me a meditar sobre qual tem sido o critério que temos usado no que diz respeito ao fazer ou não fazer o bem ao próximo. Quanto a isso, muitos afirmam: “Eu gosto de quem gosta de mim”; ou: “Eu respeito quem me respeita”; “intercedo por quem é gente boa”. Qual tem sido o critério usado para se obedecer a Deus?

A obediência de José ensina a não condicionarmos a obediência àquilo que nos agrada ou beneficia. Desse modo, uma pergunta se faz necessária: você, meu caro leitor, tem obedecido a Deus conforme Ele ordenou ou você tem condicionado a sua obediência? José não disse “Se meus irmãos me tratassem melhor, eu até iria a Siquém ver como estão”; ou: “Se Siquém fosse mais perto, eu iria, mas é muito longe!”. Ele simplesmente obedeceu. É verdade que a obediência dói, pois representa renúncia, talvez humilhação (do ponto de vista humano). Cumprir as etapas da obediência pode levar-nos ao choro.

Jacó enviou José quando estava no vale de Hebrom. Mas José se perdeu quando se aproximava de Siquém (Gênesis 37.14). Destaquei este período, para que você saiba que mesmo aquele que obedece pode se perder ou ficar desorientado. Exemplo disso são os relatos nos quais ouvimos “Foi só eu começar a dar o dízimo que a situação lá em casa parece ter ficado pior”; “Foi só eu decidir me batizar em águas que meu cônjuge se tornou muito agressivo comigo” e outros relatos mais. Mas não se deixe conduzir pelo desespero e o desânimo. Suporte e continue a obedecer, porque a honra se aproxima.

“Um homem o encontrou vagueando pelos campos e lhe perguntou: ‘Que é que você está procurando?’” (Gênesis 37.15). Vale ressaltar que José era um adolescente de 17 anos. A narrativa continua: “Respondeu o homem: Eles já partiram daqui. Eu os ouvi dizer: Vamos para Dotã. Assim José foi em busca dos seus irmãos e os encontrou perto de Dotã” (v. 17). Dotã ficava a 30 quilômetros de Siquém, ou seja, José ainda teria um longo caminho pela frente. Ele poderia ter voltado, pois a ordem de seu pai era para que chegasse a Siquém. Porém, veja o que ele fez, apesar de não ter encontrado os irmãos ali. A esposa de Nabal, Abigail, deixou-nos a lição de que o dever da esposa é cuidar do marido, mesmo que ele seja um endemoninhado. A atitude dela em interceder pela vida de Nabal só reforça que não devemos condicionar nossa obediência a Deus. Sim, Abigail poderia ter dado graças a Deus quando Davi decidiu pela chacina que certamente alcançaria Nabal, mas ela percorreu outro caminho (1 Samuel 25.18-35). José poderia ter voltado para casa e dito a seu pai que ao chegar a Siquém não encontrou os irmãos. Afinal, eles o odiavam. Porém, decidiu andar mais 30 quilômetros até Dotã, onde foi severamente agredido no físico e na alma.

Nossos pastores nos ensinaram que obedecer é melhor que sacrificar (1 Samuel 15.22). Assim crendo, considere: “Ao se assentarem para comer, viram ao longe uma caravana de ismaelitas que vinha de Gileade. Seus camelos estavam carregados de especiarias, bálsamo e mirra, que eles levavam para o Egito” (Gênesis 37.25). A caravana passava por Dotã e não em Siquém. Quando obedecemos a Deus, passamos pelas etapas da provação, da dor e das prisões, todavia estas etapas nos aproximam do lugar da honra. O Senhor deseja mudar histórias, mas existe a necessidade de uma conscientização da verdade expressa nesta narrativa a respeito da vida de José. Caso ele não tivesse obedecido, o jovem não teria sido levado ao Egito. Portanto, não teria experimentado a honra de ser elevado ao cargo de primeiro-ministro do faraó. Da mesma forma que a humildade precede a honra (Provérbios 15.33), a obediência segue o mesmo princípio.

Os irmãos do jovem acreditavam que ele fazia parte do passado da vida deles, mas tratava-se apenas do começo de uma mudança radical não só na vida do rapaz vendido como escravo, mas de toda a família. Dotã era o lugar da obediência, e é para este lugar que devemos sempre nos dirigir. Para os demais filhos de Jacó, que desconheciam os planos de Deus, José seria esquecido. Contudo, “nesse meio tempo, no Egito, os midianitas venderam José a Potifar, oficial do faraó e capitão da guarda” (Gênesis 37.36). O tempo de José ainda não havia se completado. Se você atravessa momentos difíceis, simplesmente obedeça, porque a sua honra vai chegar!

“O plano pareceu bom ao faraó e a todos os seus conselheiros. Por isso o faraó lhes perguntou: ‘Será que vamos achar alguém como este homem, em quem está o espírito divino?’” (Gênesis 41.37, 38). Essa afirmação saiu da boca do próprio soberano do Egito, e faraó representa o mundo e sua influência maligna, pois o mundo jaz no maligno; logo, até pessoas sem Deus sabem que o Espírito divino está no coração de quem obedece.

“Disse, pois, o faraó a José: ‘Uma vez que Deus lhe revelou todas essas coisas, não há ninguém tão criterioso e sábio como você. Você terá o comando de meu palácio, e todo o meu povo se sujeitará às suas ordens. Somente em relação ao trono serei maior que você’. E o faraó prosseguiu: ‘Entrego a você agora o comando de toda a terra do Egito’. Em seguida o faraó tirou do dedo o seu anel de selar e o colocou no dedo de José. Mandou-o vestir linho fino e colocou uma corrente de ouro em seu pescoço. Também o fez subir em sua segunda carruagem real, e à frente os arautos iam gritando: ‘Abram caminho!’. Assim José foi colocado no comando de toda a terra do Egito. Disse ainda o faraó a José: ‘Eu sou o faraó, mas sem a tua palavra ninguém poderá levantar a mão nem o pé em todo o Egito’” (Gênesis 41.39-44). A túnica colorida que José usava quando foi agredido pelos irmãos foi substituída por linho fino. As correntes escravizadoras foram substituídas por uma corrente de ouro, e a caravana de mercadores ismaelitas foi substituída por carruagem real. Não condicione sua obediência a Deus.

Por, Jaime Soares.




O crente tem de parecer com Cristo

Parecer-se com Jesus não é uma tarefa fácil! Não existe necessidade de trajar-se da mesma maneira que Ele, mas ser semelhante “por dentro”. Mas isso é possível? Sim, porque o Espírito Santo aperfeiçoa a vida do crente a cada dia com o objetivo de que a pessoa seja realmente uma cristã – seguidora de Cristo. Mas, sobre isso, é preciso fazer algumas observações que não podemos deixar de destacar. O apóstolo Paulo, em sua Carta aos Romanos, faz diversas menções a desvios de caráter que desagradam ao Altíssimo, e dentre eles destaco a insensibilidade moral (Romanos 1. 24-32). Vejamos o que ele fala nos versículos e : “Serviram mais a criatura do que o Criador”. Nos tempos atuais, ouvimos diversas ministrações nos púlpitos, através de pregações e também dos louvores, nas quais o conteúdo beneficia mais a criatura do que o Criador. “Jesus tem que me curar”, “Jesus tem que me fazer andar sobre as águas”, “Jesus tem que me fazer passar em cima do fogo e eu não queimar”. É como se o adorador estivesse a exigir do Criador o seu bem estar. É como se o homem tivesse todos os direitos de cobrar de Deus o que ele imagina ser bom para si, quando o que interessa é a salvação do ser humano.

Observamos na passagem da cura do paralítico na cidade de Cafarnaum (Marcos 2. 1-12) que Jesus dirigiu a seguinte palavra para aquele homem: “Filho, perdoados estão os teus pecados”. A cura era importante, mas em primeiro lugar estava a salvação daquela vida. Se Jesus o tivesse curado sem perdoar-lhe os pecados, aquele homem caminharia por este mundo, mas não seria salvo. Se perderia eternamente. A prioridade na vida humana é a salvação. O Senhor nos exortou: “Buscai primeiro o Reino de Deus e sua justiça e as demais coisas serão acrescentadas” (Mateus 6.33). Jesus sabe o que os Seus queridos podem ou não possuir! Ainda que aquele paralítico não fosse curado, ele seria salvo, mas Jesus concedeu-lhe também a bênção da cura.

Existem muitos cristãos que sofrem com enfermidades e outras adversidades, mas ao adentrar o templo, quando inicia o culto ao Senhor, eles alegram-se com a presença do Pai Eterno e são cheios do Espírito Santo. Se o Arrebatamento acontecer naquele momento, esses crentes sobem juntamente com seus irmãos para estar com o Senhor para sempre. É verdade que o crente neste mundo sofre dores, privações e outras necessidades, mas quando acontecer o Arrebatamento, ele subirá com os demais cristãos. Prosseguindo com a leitura do texto de Romanos, lemos: “E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro”. Nesta passagem, vemos que não existe meio termo, é homem e mulher, mas observamos algumas comunidades por aí que agregam elementos “indefinidos”, porém o conteúdo bíblico deixa claro que não é dessa maneira, e condena essa conduta. Pode ser devido a algum desvio de comportamento, mas nós cremos que Jesus transforma o comportamento. Não adianta ser tolerante e criar comunidades a fim de acomodar situações. No Céu, não existe essa tolerância. A pessoa tem acesso às mansões celestes através da santidade recebida na pessoa de Jesus Cristo.

Por, José Wellington Costa Junior.




A transfiguração de Jesus e nossa vida

A transfiguração de Jesus aconteceu quatro meses antes de Sua crucificação. Como sempre, Ele chamava os Seus discípulos mais chegados para uma conversa em particular. Desta feita, queria mostrar algo sobrenatural aos três discípulos amados: Pedro, Tiago e João. Marcos diz, no capítulo 9, versículo2, que Jesus “tomou consigo os três discípulos”. Jesus sempre está pronto para tomar-nos para Ele. Ele é a nossa proteção (Salmos 91.1). É nosso companheiro. Em Mateus 28.20 Ele diz: “…estou convoco todos os dias…”.

Os três discípulos tinham características diferentes: Pedro era afoito, sempre tomava a frente dos demais. Valente. Seu nome significa “pedra”. Morreu crucificado de cabeça para baixo por não querer morrer como o seu Senhor. Já Tiago, morreu depois de ter falado à turba com amor, sendo lançado do pináculo do templo, e bateram-lhe como pau de lavandeiro até morrer. Por fim, João, o apóstolo do amor, foi lançado (no ano 95 A.D) numa caldeira de azeite fervente. Como isso não lhe afetou o corpo, foi desterrado para a Ilha de Patmos (onde escreveu o livro de Apocalipse).

Estando os três reunidos, levou a sós para falar-lhes coisas que não interessavam aos outros. Jesus sempre deseja fazer-nos revelações grandiosas. Moisés também teve esse privilégio, pois subiu para estar com Deus no Monte Sinai e pelo contato que teve com o Senhor, o seu rosto passou a brilhar ao ponto das pessoas não poderem olhar para ele (Êxodo 34.29-35). Bom é quando podemos estar com Deus em oração, especialmente pelas madrugadas. Eles subiram a um alto monte, possivelmente o Monte Tabor, que tinha 593 metros de altura e uma base de um quilômetro. O caminho para se chegar ao cume era muito tortuoso e cheio de pedras. Por comparação, o crente também tem que passar por caminhos escabrosos e pedras no caminho. O resultado foi contemplar a transfiguração de Jesus diante deles.

A transformação de Jesus foi metafísica. Mas o brilho não vinha da própria roupa de Jesus, como diz o versículo dois. Foi uma transformação gloriosa, isto é, uma visão futura de como seria o nosso Jesus ressurreto. Quando Jesus ressuscitou, passou a ter um corpo imortal, glorioso, incorruptível, muito embora nunca tenha se corrompido de espécie alguma. Esse corpo igual ao dEle, teremos no arrebatamento. João declarou: “Assim como Ele é, o veremos” (1 João 3.2) Ver também Apocalipse 1.13-17.

Diante daquele quadro, os seus vestidos tornaram-se resplandecentes, em extremo, brancos como a neve. A brancura dos vestidos apenas refletia o que vinha do corpo de Jesus. Os que cercavam Moisés, quando seu rosto resplandecia, tiveram que cobri-lo pelo intenso brilho que emanava de seu rosto. Foi resultado do seu contato com Deus. Não há na terra sabão em pó que possa branquear as nossas vestes de justiça, só o sangue de Jesus Cristo. A própria vida estava ali diante dos três discípulos. Nós, também meros mortais, seremos revestidos da imortalidade e seremos semelhantes a Ele na Sua vinda (1 Coríntios 15).

No monte, onde eles estavam, aconteceram três coisas inéditas: vê-se a transformação e a glória de Deus, e ouve-se a voz do Senhor. Apareceram Moisés e Elias, que falavam com Jesus. Aqui, vemos que Elias representava os profetas e Moisés a Lei. Jesus, a graça. Eram seis pessoas no monte. Todos se viam. Jesus estava transfigurado. Elias havia sido arrebatado num redemoinho (2 Reis 2.1-11). Neste texto vemos como Eliseu recebeu a bênção de não ter se afastado de Elias: “Pede-me o que queres antes que seja tomado de ti”, disse Elias para Eliseu. Se tivesse se afastado antes, teria perdido a bênção da porção dobrada do espírito de Elias.

Outra coisa a observar é que Pedro, Tiago e João conheceram a Moisés e Elias, muito embora nunca os tivessem visto. Creio eu, que isto nos mostra que não perdemos a nossa identidade no céu. Vamos nos conhecer, sem as lembranças das coisas terrenas, pois na transformação para o corpo glorioso, teremos 100% da nossa capacidade e outra dimensão de vida inimaginável.

Como participante da reunião celestial, Pedro toma a palavra, como sempre o fazia. Quis falar em nome dos demais. Tomando exemplo, quando Jesus foi preso, cortou a orelha de um dos da turba (Mateus 26.49-52). No Mar da Galileia quis andar por sobre as águas (Mateus 14.22-33). Diante de tanta glória, ficou como que abobalhado, sem saber o que dizia ou pedia, isto porque estavam assombrados e perplexos diante do que viam. “Mestre, bom é que nós estejamos aqui, e façamos três cabanas, uma parati, outra para Moisés, e outra para Elias” (Mateus 9.5,6). Tal era o estado de pureza e beleza do quadro, que não mais desejavam sair do local. Quando estamos bem petos de Jesus não temos ânimo para nos afastar dEle. É como os dois discípulos no caminho de Emaús, que sentiram seus corações arderem quando estavam com Jesus, sem saberem que era Ele (Lucas 24.13-33).

Não sabemos quanto tempo estiveram juntos, mas foi o suficiente para aguardar o Deus do Céu falar. Foi através da descida de uma nuvem que ouviram a voz de Deus dizer: “Este é meu Filho amado, a Ele ouvi.”Foi uma ordem vinda do céu. Deus estava ali presente, e Sua voz pôde ser ouvida por todos. Só devemos ouvir a Jesus, o autor e consumador de nossa fé. Só devemos ter olhos para Ele. Só devemos ter ouvidos para Ele. Só devemos ter mãos de trabalho para Ele, e pés para Ele. ”Quão formosos são os pés daqueles que anunciam as boas novas” (Isaías 52.7).

Passado o quadro, não mais viram ninguém. Os momentos que passamos na presença de Deus são celestiais, depois voltamos à realidade da vida; era preciso que Jesus e os discípulos voltassem ao trabalho duro do dia-a-dia. Ele ia rumo ao Calvário e os demais cumpririam suas tarefas de apóstolos na entrega da mensagem da Palavra de Deus, curando e ensinando ao povo.

Descidos do monte, eles depararam-se com os outros discípulos e encontraram um quadro de deformação. Foi o que viram: um jovem endemoniado e uma turba. Enquanto a glória de Deus resplandecia no cume do monte, os discípulos estavam discutindo com os escribas a respeito da expulsão dos demônios do menino, e não conseguiram fazê-lo. O Evangelho não é para ser discutido, mas anunciado aos povos e nações. O apóstolo Paulo disse: “Prega a Palavra”. Naquele momento, todos acorreram a Jesus, pois sabiam que Ele tinha a solução. Nossos problemas devem ser levados a Ele (Mateus 11.25). Eles levaram o menino a Jesus, lição que devemos aprender: levar as pessoas a Jesus, pois Ele é a solução para todos os problemas.

O pai daquela criança não tinha sossego, nem o filho desde a infância. É assim que o inimigo faz com a humanidade: “procura tirar a paz do coração dos homens.” Aquele pai implorou por compaixão, que é o último apelo da alma humana. Mas Jesus transferiu para o homem a responsabilidade de crer. Devemos nos aproximar de Deus, crendo que Ele existe, pois tudo é possível ao que crê. O pai creu e seu filho foi libertado das garras do inimigo.

Por, Nemuel Kessler.




Agradar a Deus em meio ao multicultural

“Finalmente irmãos, vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus que, assim como recebeste de nós, de que maneira devemos andar e agradar a Deus, assim andai, para que continueis a progredir” (1 Tessalonicenses 4.1).

A cidade de Tessalônica era a maior e mais importante cidade da Macedônia. Religiosamente, as seitas e filosofias tradicionais gregas, e várias religiões egípcias e de mistério, estavam bem representadas ali, além de haver ali uma comunidade de judeus. Essa grande pluralidade cultural desenvolvia diversos modos de pensar concernentes a como se portar, andar e agradar aos deuses, e, de certo modo, ficava a questão: qual ética seria a apropriada?

Ética é o conjunto fixo de leis morais pelo qual se pode avaliar a conduta humana; ou seja, a ética se manifesta no viver, e este expressa valores. Assim como no passado em Tessalônica, estamos em uma sociedade multicultural com vários tipos de ética. Dentre elas podemos destacar o antinomismo, que exclui todo tipo de norma ética objetiva; o situacionismo, onde a única norma ética é o amor; o absolutismo hierárquico ou absolutismo graduado, onde dão escala de valores normativos, tanto para pecados quanto para virtudes; e não podemos esquecer o utilitarismo.

Sem uma lei moral dada por um ser superior (Deus), tudo seria relativo. Dessa forma, ficaríamos a critério do julgamento dos homens, podendo, assim, a sociedade determinar o que é moralmente correto ou não. Segundo Norman Geisler, em seu livro Fundamentos Inabaláveis, nos seres humanos a lei não responde ao que de fato as coisas são, mas ao que os homens devem fazer; ou seja, no homem existe o fato, o que eles fazem (costume) e o que eles deviam fazer (moral). Sem essa diferenciação, “o que se deve ser” simplesmente se reduz ao que é, e a distinção entre costume e moral desaparece. Consequentemente, as ações morais não são mais matérias de ética.

Pois bem, Paulo afirma, em 1 Tessalonicenses 4.1, que apesar de todos os pensamentos e filosofias deste mundo, o modus vivendi do cristão e sua ética estão em andar e agradar a Deus segundo as Escrituras.

A Ética Cristã tem algumas coisas que a distingue das outras éticas. Primeiro, ela é revelada, ou seja, é fruto da vontade de Deus; as demais éticas são conforme os costumes. Em segundo lugar, ela é imutável; as demais são relativas e sujeitas a mudanças de acordo com a época. Terceiro: é normativa, determinando como as coisas devem ser, enquanto a ética secular é teleológica, baseada no fim que ela alcança. Quarto: a ética cristã é transcendente, vai além da esfera do homem, enquanto a secular é imanente, é de acordo com o homem e para o homem, está na sua finalidade, logo é utilitarista. Quinto: a ética cristã é deontológica, enquanto que a secular é pelo valor do ato, objetiva.

Calvino falava o terceiro uso da Lei de Deus – “teciousus legis 3º” – que é o uso da Lei como o modo de agradar a Deus e louvá-lO. Nós obedecemos não para obter salvação, mas obedecemos à Lei porque ela é o caráter de Deus. Nós obedecemos para louvá-lO e porque somos salvos. A Lei de Deus é a ética de Deus.

Em Mateus , quando Jesus ensinou questões de moralidade, Ele exaltou a interior; ou seja, a bondade não reside no ato, mas na atitude do coração por detrás do ato. Deus está interessado em desenvolver o nosso caráter internalizando os princípios morais de forma que a verdadeira medida da moralidade fica em quem somos e não no que fazemos. Jesus fala em Mateus 23.5,28: “E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens…”; “Assim, também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e iniquidade”.

Desta forma, a resposta quanto ao caminho a seguir, de como o homem pode andar e agradar a Deus em um mundo pluralista, multicultural, é: através das Sagradas Escrituras, que desmitifica todo pensamento humano que é transitório e coloca no nosso coração a Ética de Cristo.

Por, Randolfo Sousa Barroso.




Sombra da Lei e verdade do Evangelho

Meditemos no texto de Hebreus 10.1: “Porque, tendo a lei a sombra dos bens futuros e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam”.

O povo de Israel, quando liberto por Deus da escravidão do Egito, foi submetido à Lei que o Senhor impôs para que obedecesse estritamente sob pena de castigo e até morte.

Essa Lei de Deus abrangia todas as ações do homem, desde a higiene até as ordenanças religiosas. A Lei também serviu de exemplo, de retidão, de justiça para a nação de Israel, povo escolhido de Deus para ser testemunha a todas as nações. Até hoje, lá estão em meio a 320 milhões de muçulmanos odiosos, que os querem ver varridos do mapa, mas a verdade de Deus permanece e a Sua promessa a Abraão está se cumprindo.

A Lei Mosaica aplicada a Israel servia também para as futuras gerações gentílicas no mundo. Como Deus disse a Abraão: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12.3). O povo hebreu não obedeceu plenamente a Lei entregue a Moisés no Monte Sinai, mas rebelou-se contra Deus e a Sua Palavra. Então Deus, usando o seu profeta Jeremias, disse: “Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei um concerto novo com a casa de Israel e com a casa de Judá. Não conforme o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito, porquanto eles invalidaram o meu concerto, apesar de eu os haver desposado, diz o SENHOR. Mas este é o concerto que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o SENHOR: porei a minha lei no seu interior e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo” (Jeremias 31.31-33).

Deus estava dizendo que uma nova Lei seria estabelecida. Não a Lei que eles receberam no Monte Sinai, uma Lei imposta de fora para dentro, isto é, que consistia em mandamentos. Mas uma Lei que seria de dentro para fora, isto é, do coração para a ação. Então, essa Lei não seria só para Israel, mas também para todos os que abrissem o seu coração para Deus. O Senhor usou o profeta Isaías dizendo: “Fui buscado pelos que não perguntavam por mim; fui achado por aqueles que me não buscavam; a um povo que se não chamava do meu nome eu disse: Eis-me aqui” (Isaías 65.1). Aí, entramos nós, os gentios que não tínhamos direito aos privilégios divinos de perdão e de comunhão com o Deus que criou os céus e a terra.

O apóstolo Paulo nos abriu o leque dessa compreensão e nos fez entender a porta dessa graça quando escreveu: “Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas. Portanto, lembrai-vos de que vós, noutro tempo, éreis gentios na carne e chamados incircuncisão pelos que, na carne, se chamam circuncisão feita pela mão dos homens; que, naquele tempo, estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel e estranhos aos concertos da promessa, não tendo esperança e sem Deus no mundo. Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto. Porque ele é a nossa paz, o qual de ambos os povos fez um; e, derribando a parede de separação que estava no meio, na sua carne, desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, e, pela cruz, reconciliar ambos com Deus em um corpo, matando com ela as inimizades. E, vindo, ele evangelizou a paz a vós que estáveis longe e aos que estavam perto; porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito. Assim que já não sois estrangeiros, nem forasteiros, mas concidadãos dos Santos e da família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; no qual todo o edifício, bem-ajustado, cresce para templo santo no Senhor, no qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus no Espírito” (Efésios 2.10-22).

Então, a história, a trajetória, as leis e mandamentos para Israel serviu para nós, os gentios, não de doutrina e mandamentos, mas de condução. Como explicou o apóstolo Paulo: “De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que, pela fé, fôssemos justificados. Mas, depois que a fé veio, já não estamos debaixo de aio [condutor ou pedagogo]. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, então, sois descendência de Abraão e herdeiros conforme a promessa” (Gálatas 3.24-29). De sorte que somos o Israel de Deus fundamentados na Lei do Espírito (Romanos 8.2) e na doutrina dos apóstolos (Atos 2.42).

Por, José Edson de Souza.




Lições dos profetas para os dias de hoje

O presente artigo tem por finalidade fazer uma breve reflexão sobre o Movimento Profético no contexto do Antigo Testamento, abordando questões referentes à sua importância política e religiosa e dos profetas para uma espiritualidade capaz de dialogar com a vida, em oposição ao Movimento Monárquico, que em sua hegemonia se corrompeu, trazendo uma triste experiência na caminhada do povo escolhido, onde a maioria dos reis fez o povo se distanciar do projeto de Deus, rendendo-se à idolatria, gerando dor, angústia, desigualdade, opressão, violência, dominação e exploração, tornando-se comum as expressões negativas sobre seus feitos, como relatam as Escrituras:

“Assim fez Salomão o que era mau aos olhos do SENHOR e não perseverou em seguir ao SENHOR, como Davi, seu pai” (1 Reis 11.6); “E fez Onri o que era mal aos olhos do SENHOR; e fez pior do que todos quantos foram antes dele” (1 Reis 16.25); “E fez o que era mau aos olhos do SENHOR e andou no caminho de Jeroboão e no seu pecado com que tinha feito pecar a Israel” (1 Reis 15.34); “E fez o que era mal aos olhos do SENHOR, como fizera Manassés, seu pai” (2 Reis 21.20).

É importante relatar que os profetas (heb. nabi`) são encontrados em vários momentos da história de Israel e da Igreja, inclusive nos dias atuais, porém o momento de maior expressão é o período conhecido como Movimento Profético, que surge paralelamente à monarquia, denunciando os abusos e desvios cometidos pelos reis, pela elite monárquica e por todos que a eles se associaram, ficando evidente em vários textos.

“E sucedeu que, vendo Acabe a Elias, disse-lhe Acabe: És tu o perturbador de Israel? Então, disse ele: Eu não tenho perturbado a Israel, mas tu e a casa de teu pai, porque deixastes os mandamentos do SENHOR e seguistes os baalins” (1 Reis 18.17,18);

“Então, Amazias, o sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: Amós tem conspirado contra ti, no meio da casa de Israel; a terra não poderá sofrer todas as suas palavras. Porque assim diz Amós: Jeroboão morrerá à espada, e Israel certamente será levado para fora da sua terra em cativeiro” (Amós 7.10,11);

“Ouvi isto, ó sacerdotes, e escutai, ó casa de Israel, e escutai, ó casa do rei, porque a vós pertence este juízo, visto que fostes um laço para Mispa e rede estendida sobre o Tabor” (Oséias 5.1);

“Ai dos que decretam leis injustas e dos escrivães que escrevem perversidades, para prejudicarem os pobres em juízo, e para arrebatarem o direito dos aflitos do meu povo, e para despojarem as viúvas, e para roubarem os órfãos!” (Isaías 10.1,2).

Os profetas, portanto, eram o avesso da sociedade monárquica corrompida. Boa parte da classe sacerdotal fora cooptada pela monarquia corrompida, mas os verdadeiros profetas mantinham-se firmes no seu compromisso com Deus e com o objetivo de restaurar a verdadeira religião proposta por Javé, baseada no amor, na justiça, na irmandade, no socorro aos que mais necessitavam e no combate à idolatria crescente. Eles erguiam as suas vozes em favor da justiça, da igualdade, contra a opressão, a violência e a injustiça, chamando a monarquia às suas responsabilidades e o povo ao arrependimento.

“Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos e cessai de fazer mal. Aprendei a fazer o bem; praticai o que é reto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas” (Isaías 1.16,17). “Se voltares, ó Israel, diz o SENHOR, volta para mim; e se tirares as tuas abominações de diante de mim, não andarás mais vagueando” (Jeremias 4.1);

“Esquadrinhemos os nossos caminhos, experimentemo-los e voltemos para o SENHOR” (Lamentações 3.40).

“E se omeu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra” (2 Crônicas 7.14).

Assim como os conhecemos, os profetas estão aí para iluminar, para interpelar, corrigir rotas e apontar caminhos. O perigo é querer silenciá-los de uma maneira ou de outra. Profetas calados são sinal de corrupção, pois assim diz a Palavra: “Não havendo profecia, o povo se corrompe” (Provérbios 29.18a).

A importância do Movimento Profético nas Escrituras é clara: os profetas apontam caminhos em meio à crise, consolam os que estão feridos e injustiçados, dão vozes aos pequenos e oprimidos e trazem a vontade de Deus para o povo. Muitos são a personificação da própria mensagem, pregavam com a autoridade de quem vive o que prega, estavam entre o povo, conhecedores dos choros, das angústias e dilemas do povo escolhido por Deus.

O estudo dos profetas pode “oxigenar” a vida da igreja, em momentos de crise e de relativização da mensagem. Ao reler o Movimento Profético, somos convidados a cultivar os mesmos valores vividos e pregados por estes homens do passado, que não se dobraram diante do discurso hegemônico da monarquia corrompida de seus dias, mas mantiveram-se firmes nos valores da Palavra de Deus, apregoando-a em todo tempo, a despeito de qualquer oposição e perseguição.

Ao olhar a conjuntura política, social e religiosa de nosso tempo, percebemos com clareza que precisamos de uma Igreja que cultive algumas das características encontradas no Movimento Profético. Os valores em nossa sociedade estão invertidos; a mensagem do Evangelho se encontra altamente ameaçada; em muitos círculos ditos cristãos “reinam” o sincretismo, o mercantilismo da “fé” e o materialismo. Nestes, o evangelho se resumiu a um punhado de conselhos para simplesmente viver de forma egoísta o aqui e o agora, sem nenhum laço profundo de comunhão com Deus ou com o próximo. O “deus” desta geração se parece muito mais como “Gênio da Lâmpada de Aladim”, pronto a realizar desejos cada vez mais mesquinhos e individualistas.

Em contraponto, o Deus dos profetas sempre esteve interessado na comunhão do Seu povo, na quebra da idolatria, na renúncia de uma vida egoísta para uma vida onde a comunhão plena e o amor mútuo e desinteressado sejam partilhados.

O Movimento Profético é de fundamental importância para a análise da espiritualidade vivida pelos personagens do Antigo Testamento e também do Novo Testamento. Jesus, inclusive, foi identificado como um profeta por preservar algumas características desse movimento. “E a multidão dizia: Este é Jesus, o Profeta de Nazaré da Galileia” (Mateus 21.11). A ação histórica dos profetas em meio ao povo pode e deve inspirar a práxis cristã do presente, a fim de termos uma igreja capaz de transformar a sociedade por onde passar, assim como os profetas o fizeram na conjuntura histórica relatada no Antigo Testamento.

É tempo de dar palavra à Palavra de Deus. É tempo de dar a palavra aos profetas. De verdade, com fé, com docilidade interior, com abertura à conversão, com fidelidade, com militância. É tempo de crer que o nosso Deus fala pela boca e pela prática dos profetas.

O grande desafio é atualizar hoje a mensagem e a vida dos profetas para revolucionar um “cristianismo” roto que prefere se encastelar ou mais uma vez se “monarquizar”, preferindo a pompa dos “palácios” ao invés do chão empoeirado onde jazem os oprimidos e marginalizados que precisam ser resgatados pelo poder da Palavra de Deus.

Por, Carlos Alexandre Ribeiro Dorte.




Crise de sentimentos

Uma das características marcantes do fim dos tempos é a crise de sentimentos. Jesus falou do esfriamento do amor: “E por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará” (Mateus 24.12). Paulo falou da falta de afeição natural (Romanos 1.30; 2 Timóteo 3.3). Tiago tratou da inveja, do sentimento faccioso (Tiago 3.14) e da maledicência (4.11). Pedro combateu a malícia, o engano, os fingimentos, a inveja e todas as murmurações (1 Pedro 2.1) e, por outro lado, exortou a que os irmãos tivessem “ardente amor uns para com os outros” (1 Pedro 4.8). João já é conhecido como o apóstolo do amor. Ele foi direto ao dizer que “aquele que diz que está na luz e aborrece a seu irmão até agora está em trevas” (1 João 2.9). A mensagem de João sobre o amor foi tão enfática que, depois de trazer o exemplo de Caim, disse: “Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos; quem não ama a seu irmão permanece na morte” (1 João 3.14). E o amor do qual o apóstolo fala é forte ao ponto de nos levar adar a vida pelos irmãos: “Conhecemos a caridade nisto: que ele [Jesus] deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos” (1 João 3.16).

Esse “dar a vida pelos irmãos” não é a mesma entrega em sacrifício feita por Jesus, mas um viver dedicado aos irmãos que, em certas circunstâncias, pode, sim, levar alguém a dar a própria vida por amor aos outros. Que o digam os cristãos que vivem nos lugares onde são fortes as perseguições contra a Igreja de Cristo. Quanto a todos nós, no mínimo é um “dar a vida” diariamente para servir a Cristo e à Sua Igreja.

Nesses tempos presentes há uma crise de sentimentos causada tanto pelas características da própria era como por uma interpretação diferente dos textos bíblicos, que leva o cristão a pensar que ter fé é sinônimo de não sofrer, quando Jesus anunciou com muita clareza a sujeição às aflições (João 16.33). Por um lado, o modus vivendi atual já conspira por um esfriamento do amor e a uma perda geral de vínculos sadios e profundos, trocados por sentimentos superficiais, sem profundidade. “Líquidos”, como dizia o filósofo Zygmunt Bauman.

Nosso viver diário está marcado por costumes modernos que nos afastam uns dos outros, tornando plásticos e interesseiros nossos relacionamentos. Muitas vezes sustentamos certa expressão de apreço em nome do social ou politicamente correto, mas sem uma raiz profunda de amor, de afeto, de empatia, de misericórdia. Um sentimento que não se converte em nada prático. Mesmo no ambiente da igreja isso já começa a ser nítido. A mesma correria que temos no dia-a-dia e os mesmos instrumentos de relacionamento que usamos lá fora estão nos afetando diretamente no seio da comunidade cristã. Aliás, o que seria hoje esse “seio”, esse lugar de vínculo profundo, de troca de sentimentos fraternos, de caridade, de compartilhamento de alegrias e de tristezas?

O crescimento numérico das igrejas (que é uma bênção!) também pode afetar diretamente a qualidade de nossa comunhão se não tivermos cuidado, pois a estrutura do ambiente do culto e a própria liturgia são alteradas de forma a poder atender às multidões. Enquanto isso, fora desse ambiente, nosso estilo de vida dificilmente nos permite comungar, cultivar sentimentos profundos através da prática de uma vida dedicada uns aos outros. Ou seja: a crisenos afeta dentro e fora da igreja.

Assim, corremos de um lado para o outro, temos pouco tempo uns para com os outros na nossa própria casa e vamos à igreja para, quase que de forma industrial, ser atendidos nas nossas necessidades espirituais mais latentes. Se não tivermos cuidado, viveremos nas igrejas o sistema drive-thru, que é alimentado justamente pelo clima de correria, pela pressa constante, o que encontra eco no interesse do comércio em vender rápido e dar logo um tchau para o cliente.

Isso tudo pode ser visto também em outro fator preocupante, que é a necessidade de estar sempre promovendo eventos, o que revela que a vida com um da igreja está ficando sem graça. Isso mesmo! Ao invés de ser uma grande vantagem ter uma igreja cheia de programações, isso pode estar escondendo uma dura realidade: sem novidades, o povo não tem o que compartilhar. É como viajar com alguém por longas horas em um veículo sem ter o que conversar. Fala-se do clima, do preço do combustível, das condições da estrada, do automóvel, mas a viagem vai ficando longa e falta um assunto de maior profundidade. Os conversantes não nutrem nenhum sentimento profundo um pelo outro. Não há o que compartilhar, além de trivialidades. Ora, se dentro de nossas casas isso já é um grande risco que corremos, o que dizer no âmbito das igrejas?

Assim como os viajantes, por falta de assunto, terão que levantar o volume do rádio para ouvir música ou alguma notícia, a igreja terá de ter uma agenda cheia para manter o público empolgado e presente em cada ocasião.

Evidente que não se deve cogitar de uma igreja que nunca realiza nada diferente de sua vida comum, distinto de seu cotidiano básico de cultos. Mas, o outro extremo também não! As celebrações são importantíssimas, mas como resultado de um tempo de comunhão profunda. Por isso são chamadas de celebrações: serão o ápice de todo um tempo de compartilhamento.

Nos tempos da Igreja Primitiva, os crentes tinham seu tempo no templo e nas casas (Atos 2.42,46). Nosso grande desafio é, em tempos tão modernos (ou pós-modernos), encontrar um ponto de equilíbrio: não vamos querer viver como os menonitas ou os amish, mas também não sejamos ingênuos a ponto de não entender as graves distorções que um mau uso das tecnologias causam no comportamento e, via de consequência, nos relacionamentos, indo desaguar na crise de sentimentos que ora vivenciamos.

Por, Silas Queiroz.




Vida e glórias ao Senhor

Em Efésios 4.17,18, lemos: “E digo isto e testifico no Senhor, para que não andeis mais como andam também os outros gentios, na vaidade do seu sentido, entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus, pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração”.

Através dos versículos acima expostos, vemos que a restauração da vida do homem só é possível através de sua entrega ao Senhor Jesus. Só assim o Espírito Santo terá liberdade para restaurá-lo. Quando aceitamos Jesus, nós nos entregamos totalmente a Ele, dizendo-lhe que não seremos crentes apenas na aparência, mas seremos crentes, antes de tudo, em nosso coração.

O ser crente, o adorar a Deus, não é um impulso que vem de fora para dentro, mas é algo que vem de dentro para fora. Quando Jesus está em você, quando o Espírito Santo está em você, você é impulsionado a glorificar o nome dEle, a obedecer a Palavra dEle, a obedecer tudo aquilo que Ele designar. Quando o Espírito Santo está em nós, glorificamos a Deus de dentro para fora. Não precisa ninguém falar “Glorifique a Deus aí! Levante a mão e glorifique a Deus!”. Não, não precisa, porque o crente que sente a presença de Deus glorifica ao Senhor espontaneamente. Ele adora espontaneamente. Às vezes, até pelo hábito, costumamos dizer quando pregamos: “Glorifique a Deus! Abra o teu coração exaltado. Porque Ele é o Criador dos céus e da terra. Ele é o nosso Criador. Somos criaturas Suas. Eu glorifico a Deus, não simplesmente pelo ar que eu respiro ou pelo pão que eu como, mas o glorifico, acima de tudo, porque Ele é o meu Salvador, o meu Senhor. Glorifico não apenas com os meus lábios, mas também com a minha vida. Temos motivos para glorificá-lO, por não estarmos mais condenados ao Inferno, pois estamos nEle. Vamos viver nos céus com Ele. Eu O glorifico, pois Ele enviou Seu Filho para dar Sua vida em sacrifício da minha vida. Eu, que não valho nada, que sou pecador, que sou limitado em minhas ações, mas o Espírito Santo está em mim, pois Jesus me salvou. É por isso que eu O glorifico, porque Ele tem poder para salvar e me salvou.

Recebemos orientações do Senhor a respeito de servirmos a Ele e glorificarmos o Seu nome, mas Ele respeita nosso livre arbítrio. Ele não obriga ninguém a ser crente. O Espírito Santo não obriga ninguém a ser santo. Não, não há forçação nenhuma. Aliás, o Espírito Santo é muito educado. Há pessoas que entram em nossa casa sem pedir licença, mas, em Apocalipse 3.20, lemos: “Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e com ele cearei, e ele, comigo”. Jesus, falando à igreja de Laudicéia, aquela igreja morna, aquela igreja que tanto fazia glorificar a Deus como não… Era uma igreja que parece ter perdido a sua motivação de servir ao Senhor.

No texto bíblico, é como se o Senhor estivesse dizendo: “Eu quero entrar em tua vida, eu quero restaurar a tua vida, eu quero abençoar a tua vida, curar as tuas enfermidades, fazer prosperar o teu caminho, realizar os sonhos do teu coração, mas abra-o e permita que Eu tome conta dele”. Se você se decidir, verá o quanto é bom poder contar com Jesus na sua ceia, na sua festa.

Por, José Wellington Costa Junior.




A ação do homem e a reação de Deus

Ao estudarmos sobre os atributos de Deus, descobrimos que Ele está além e acima de toda força, poder ou autoridade. Ele jamais recebe ordens, e tudo o que faz é resultado de Sua própria vontade. Para nossa alegria, apesar de possuir a soberania absoluta em tudo que faz, Deus permite que o ser humano conheça Sua vontade, mesmo sem entendê-la por completo.

Encontramos muitos relatos na Bíblia de homens e mulheres que conseguiram mover o coração de Deus e provocar a reação do Senhor em seu favor. É maravilhoso saber que, mesmo sendo poderoso e soberano, Deus interage com a coroa de Sua criação por meio da fé.

A posição de “filhos de Deus” que conquistamos através do sacrifício de Cristo permite o nosso acesso e interação com o Pai. Essa interação traz inúmeros benefícios, além de outorgar-nos o privilegio de pedir tudo o que necessitamos a fim de sermos socorrido por Ele.

“Até agora, nada pedistes em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria se cumpra” (João 16.24).

Não há limites para as petições humanas, porém, somos alertados a pedirmos sabiamente (Tiago 4.3) e estarmos conscientes que Deus age de acordo com a Sua infinita vontade. A Bíblia diz: “E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve” (1 João 5.14).

Não há como afirmar que todas as orações serão respondidas no tempo ou forma que nós imaginamos ou pedimos, mas, de uma coisa estou certo, a Bíblia revela que Deus reage quando a fé humana entra em ação.

Ele não se surpreende com a eloquência de nossas palavras, mas, se há algo que faz com que Deus se levante e atue em nosso favor é quando usamos de forma sincera a nossa fé. A fé, quando acompanhada de uma atitude correta, se converte em um poderoso instrumento.

Sabemos que sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11.6). Ao chegarmos a Ele, devemos adotar uma atitude de confiança, a fim de sermos ouvidos (Hebreus 4.16).

A fé determina nossas ações, logo, nossas ações provocam a reação divina trazendo consigo milagres e maravilhas. O grande dilema para muitos de nós é saber a hora certa de agir e de esperar. Na maioria das vezes, acabamos agindo quando deveríamos esperar e esperamos muito quando já devíamos ter agido. Agir no tempo certo provoca milagres, agir no tempo incorreto provoca perdas.

Abraão tentou agir antes do tempo determinado por Deus e acabou gerando um filho que dias depois teve de ser enviado para longe de sua casa. Moisés tentou agir no tempo que devia esperar e lhe custou quarenta anos fugindo dos egípcios, além de ceifar a vida de um homem que enterrou na areia.

O irmão do filho pródigo esperou muitos anos para descobrir que poderia ter agido como “filho” dentro da casa de seu pai. Já o filho pródigo acelerou a possessão de sua herança e acabou desperdiçando tudo.

Rute agiu sabiamente diante de Boaz e isso lhe ajudou a receber não somente sua proteção, mas a cobertura espiritual do Deus de Israel. “O Senhor galardoe o teu feito, e seja cumprido o teu galardão do Senhor, Deus de Israel, sob cujas asas te vieste abrigar” (Rute 2.12).

Sua atitude agradou os olhos de Boaz que não tardou em tomar decisões que beneficiaram a moabita que provou conhecer com suas ações o que muitos israelitas só conseguiam mostrar com palavras.

Por outro lado, Elias demonstrou conhecer poder da fé em ação, desafiou sozinho os profetas de Baal e ainda molhou o altar do sacrifício e tudo o que havia em redor, para não encontrarem escusas naturais para o sobrenatural que Deus estava por fazer.

Deus se alegra quando realmente acreditamos que Ele é capaz de fazer abundantemente além do que pedimos ou pensamos (Efésios 3.20). Salomão mostrou um interesse profundo em adquirir sabedoria para governar o povo de Israel e isso provocou em Deus o desejo de concedê-lo até mesmo o que não havia pedido.

Davi expressou conhecer o refugio de Deus no Salmo 32.7 e o resultado foi a resposta imediata de Deus no verso 8 prometendo ensinar e guiar o servo de Deus no melhor caminho a seguir depois que havia pecado contra o Senhor. Nossa decisão de fazer do Senhor o nosso socorro, o lugar de nosso descanso é a fonte para gozar de uma vida abençoada e guiada pelos conselhos de Deus.

O Salmo 91 é outro exemplo da reação de Deus em resposta a fé humana, expressada na confiança e certeza que Deus sempre estará por perto daqueles que nEle confiam. O salmista expressa que habitar no esconderijo do Altíssimo garante o descanso sob a sombra do Onipotente.

“Aquele que habita” mostra a decisão de permanecer em todas as circunstancias sob a proteção do Altíssimo que oferece a sombra de suas asas como descanso. “Direi do Senhor: Ele é o meu Deus, o meu refúgio” (Salmos 91.2).

Notemos que os principais elementos usados pelo salmista para provocar a reação de Deus foram:

– A distancia que ele se encontrava de Deus. Habitar no Esconderijo do Altíssimo exigia intimidade com o Senhor. A oração é o mapa que direciona os filhos de Deus a encontrarem a presença do Onipotente.

– O que o salmista pensava e dizia sobre Deus. Notemos que as declarações feitas pelo salmista no verso 2 mostrava o rico conhecimento que ele possuía sobre os atributos do Deus de Israel.

No Novo testamento há inúmeros exemplos de como Deus reage ao ser tocado pela fé humana. A mulher do fluxo de sangue agiu na hora certa, se levantou e aproximou-se de Jesus, não podia esperar outra oportunidade, talvez não resistisse nenhum dia mais; ela sabia que o momento era aquele. A fé nasceu em seu coração e vencendo todas as barreiras tocou nas vestes do Senhor.

Sua fé em ação provocou a reação do Mestre. Devido a sua decisão de sair de casa após ouvir falar que Jesus passaria por onde morava, ela foi curada. Talvez Jesus jamais tocasse a porta de sua casa, mas ela não esperou, usou a fé e foi curada.

A mulher cananéia, cujo relato está registrado em Mateus 15, deixou o Senhor maravilhado ao agir com fé e humildade. Mesmo sendo desafiada pela palavra de Jesus sobre a importância de alimentar primeiramente os “filhos”, deixa claro que a fé tem o poder de alterar até mesmo respostas de oração.

O centurião romano provocou a reação do Mestre ao demonstrar submissão e reconhecer que estava diante de um ser com maior autoridade. A palavra foi enviada e o servo que estava enfermo foi curado. Uma vez mais Deus reagiu à fé humana.

Quatro homens desceram pelo telhado o amigo que jamais conseguiria aproximar-se de Jesus, imediatamente a ação daqueles homens provocou a reação do Senhor que viu a intenção de ajudar ao homem e o final da historia resultou em milagre.

É sempre assim, quando usamos a atitude certa com a dose de fé necessária, o milagre é certo. Algumas vezes seremos ajudados por amigos, familiares e irmãos a provocar a reação de Deus como o exemplo do paralitico que foi descido pelo telhado.

Haverá momentos que em meio a dores, medo e impossibilidades, seremos desafiados a usar a fé e provocar a reação de Deus como fez a mulher do fluxo de sangue, sem ajuda, sem forças, rastejando sobre o pó de suas misérias.

O cego de Jericó não importou-se ao ser intimidado e continuou a clamar pelo Filho de Davi. Sua ação provocou a reação do Senhor (Marcos 10.46-52).

Por isso, em qualquer situação, devemos usar a fé, acompanhada de submissão a Palavra de Deus, reconhecendo seu poder e habitando sempre no abrigo de sua morada. Pois a um coração contrito Ele jamais desprezará (Salmos 51.17).

Por, Rodrigo Faria.




Quem quer ser um missionário?

Era 2009, ano que estreava em nosso país o filme de Simon Beaufoy e Danny Boyle intitulado “Quem quer ser um milionário?”. Adaptação cinematográfica do livro Q & A, do indiano Vikas Swarup, o filme contava a história do jovem indiano Jamal Malik, da cidade de Mumbai, que depois de sofrer várias peripécias, se torna milionário em um único dia ao participar de um famoso programa da televisão indiana, numa história que trouxe grande comoção aos espectadores por todo o mundo! O filme foi recorde de bilheteria no Brasil e em vários países e recebeu dez indicações e oito prêmios Oscar.

É comum vermos em nosso país, pessoas em busca da tão sonhada mudança repentina de status financeiro. O “investimento” em jogos e a persistência em participar de programas de reality shows é algo que aumenta a cada dia em nosso país; pessoas que comprometem tempo, dinheiro e colocam em risco a própria integridade (no caso dos realities) para ajuntarem tesouros nesta terra onde a assertiva bíblica nos afirma que “os ladrões minam e roubam e a ferrugem os consome” (Mateus 6.19). Há pressa e desespero em acumular riquezas terrenas!

Quanto a nós, cristãos, não deve ser assim. Há uma agência melhor para investirmos: na agência do reino dos céus! Fundo inexpugnável onde os ladrões não roubam e a traça não consome.

Quem investe no reino dos céus tem como prêmio final a coroa da vida e inteiro galardão (2 João 1.8).

Quem quer ser um missionário? Quem ousaria investir seu tempo, seu dinheiro e a colocar em risco sua própria integridade por Missões? Pois o mesmo pode sofrer duras perseguições e até mesmo correr o risco de agressões, na missão de investir na salvação de almas.

Quem quer ser um missionário? Quem ousaria sair de cena para entrar no anonimato e comover os espectadores celestiais (Hebreus 12.1)? Em tempos céleres e hedonistas, quem ousaria dedicar-se pacientemente à obra e vontade de Deus, abrir mão de posições para provar literalmente na pele o verdadeiro sentido de ser servo (Salmos 126.6; Isaías 55.7)? Percebemos que a cada dia diminuem as fileiras dos investidores em Missões; faltam aqueles que desejam orar por Missões, investir em Missões e até mesmo ir para o campo missionário! Mas há uma voz do Espírito que ainda ecoa no meio da Igreja: Quem irá pregar aos perdidos? Quem enviará os pregadores (Romanos 10.14,15 )? Quem os sustentará?

Jamal Malik, o famoso jovem dos vinte milhões de rupias, prendeu a atenção de milhões de espectadores; assim também os céus estão com os olhos fitos em nós. É indiscutível a urgência da obra missionária e é dispensável qualquer tipo de argumento para abster-se da ordenança da Grande Comissão (Marcos 16.15).

Cristo nos salvou e convoca a todos os salvos para serem Seus imitadores: instrumentos de salvação! Nada será tão glorioso quanto contemplarmos nos paços celestiais as almas salvas pelo poder do Evangelho, e recebermos a recompensa divina pela obediência dispensada à voz do Senhor que hoje e sempre nos convida: ”Quem há de ir por nós?” (Isaías 6.8).

Por, Antônio Adson Rodrigues.