Bancada evangélica foi decisiva no impeachment com 21% dos votos

Relator do processo de cassação de Eduardo Cunha é assembleiano; Bancada da Assembleia de Deus pode se tornar partido brevemente

Bancada evangélica foi decisiva no impeachment com 21% dos votosTambém conhecida como “Bancada da Bíblia”, como é chamada pelo Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), a Bancada Evangélica foi decisiva na votação da admissibilidade do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, mostrando o seu peso no processo político do Brasil. Dos 81 deputados federais que compõem o grupo, 74 votaram a favor do impeachment, e alguns destes até mesmo contra a decisão de seus próprios partidos, o que mostra o quanto foi decisivo. Simplesmente, a Bancada Evangélica sozinha representou cerca de 21% dos votos pró-impeachment.

Os parlamentares evangélicos fazem parte de diversos partidos, mais a maior parte deles está vinculada a partidos considerados de centro ou de direita, como são os casos do PSC e do PRB.

Todos os deputados ligados à Bancada da Assembleia de Deus votaram a favor do impeachment, como os deputados Paulo Freire (PR-SP), ex-líder da Bancada Evangélica; Ronaldo Fonseca (Pros-DF), presidente da Bancada da Assembleia de Deus; Pastor Eurico (PHS-PE) e Marcos Rogério (RO). A Bancada da Assembleia de Deus conta hoje com 24 parlamentares e é a maior dentro da Bancada Evangélica.

Bancada evangélica vota em peso pelo impeachment

Em ordem alfabética, os parlamentares evangélicos que votaram a favor do impeachment foram Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Alan Rick (PRB-AC), Altineu Côrtes (PMDB-RJ), Anderson Ferreira (PR-PE), André Abdon (PRB-AP), Antonio Bulhões (PRB-SP), Antônio Jácome (PTN-RN), Arolde de Oliveira (PSC-RJ), Aureo (SD-RJ), Bruna Furlan (PSDB-SP), Cabo Dacíolo (PTdoB-RJ), Carlos Andrade (PHS-RR), Carlos Gomes (PRB-RS), Carlos Manato (SD-ES), Celso Russomano (PRB-SP), Cesar Halum (PRB-TO), Christane Yared (PR-PR), Cleber Verde (PRB-MA), Edinho Araújo (PMDB-SP), Edmar Arruda (PSC-PR), Eduardo Bolsonaro (PSC-SP), Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Eliziane Gama (PPS-MA), Erivelton Santana (PSC-BA), Ezequiel Teixeira (PTN-RJ), Fábio Garcia (PSB-MT), Fabio Souza (PSDB-GO), Fernando Francischini (SD-PR), Francisco Floriano (DEM-RJ), Gilberto Nascimento (PSC-SP), Hissa Abrão (PDT-AM), Irmão Lázaro (PSC-BA), Jefferson Campos (PSD-SP), Jhonatan de Jesus (PRB-RR), João Caldas (SD-AL), João Campos (PRB-GO), Jorge Tadeu Mudalen (DEM-SP), José Olímpio (PP-SP), Josué Bengston (PTB-PA), Julia Marinho (PSC- -PA), Laércio Oliveira (SD-SE), LeonardoQuintão (PMDB-MG), Lincoln Portela (PR-MG), Lindomar Garçon (PMDB-RO),Marcelo Belinati (PP-PR), Márcio Marinho (PRB-BA), Marco Feliciano (PSC-SP), Marcos Rogério (DEM-RO), Marcos Soares (DEM-RJ), Max Filho (PSDB-ES), Nilton Capixaba (PTB-RO), Onyx Lorenzoni (DEM-PR), Pastor Eurico (PHS-PE), Pastor Jony (PRB-SE), Paulo Freire (PR-SP), Professor Victório Galli (PSC-MT), Roberto Alves (PRB-SP), Roberto de Lucena (PV-SP), Roberto Sales (PRB-RJ), Ronaldo Fonseca (Pros-DF), Ronaldo Martins (PRB-CE), Ronaldo Nogueira (PTB-RS), Rosangela Gomes (PRB-RJ), Sandro Alex (PPS-PR), Sérgio Reis (PRB-SP), Sérgio Vidigal (PDT-ES), Silas Câmara (PSD-AM), Sóstenes Cavalcante (PMDB-RJ), Stefano Aguiar (PSB-MG), Hidekazu Takayama (PSC-PR), Tia Eron (PRB-BA), Toninho Wandscheer (Pros-PR), Vinícius Carvalho (PRB-SP) e Washington Reis (PMDB-RJ), que é da Bancada da Assembleia de Deus e, mesmo doente, foi a Brasília dar o seu voto a favor do impeachment.

Contra o impeachment votaram Benedita da Silva (PT-RJ), Damião Feliciano (PDT-PB), George Hilton (Pros-MG), Rejane Dias (PT-PI), Sérgio Brito (PSD-BA) e Weliton Prado (PT-MG). A deputada Clarissa Garotinho (PR-RJ) não veio a Brasília votar porque estava grávida de 8 meses de seu primeiro filho.

Movimentos de rua buscam aliança com evangélicos

A importância da Bancada Evangélica para os destinos políticos do país se mostra clara também através de uma possível aliança, ainda embrionária, que estaria sendo formada logo após a votação da admissibilidade do processo de impeachment na Câmara dos Deputados. Os movimentos de rua pró-impeachment estão se reunindo com membros da Bancada Evangélica e da Bancada Ruralista na Câmara para elaborarem e apoiarem conjuntamente uma pauta para o país que seja economicamente liberal e conservadora em termos de valores. A notícia saiu no jornal Folha de São Paulo de 2 de maio e o Movimento Brasil Livre (MBL), a Bancada Ruralista (que representa os interesses da Confederação da Agricultura e Pecuária) e membros da Bancada Evangélica já tiveram sua primeira reunião conjunta em 3 de maio e, segundo divulgou a matéria, “não pretendem desfazer a união”. A pauta, segundo a própria Folha de São Paulo divulgou, tem quatro tópicos básicos: a defesa de um Estado mínimo, pautas conservadoras, reforma trabalhista e ajuste fiscal.

Se essa aliança vai para frente ou não, não sabemos, mas é mais uma amostra da importância que a Bancada Evangélica tem hoje no cenário nacional, mesmo a contragosto de boa parte da mídia, que tenta estereotipá-la e acusá-la de retrógrada devido à sua luta contra as propostas progressistas na área de valores, as quais ferem especialmente a área da família. Infelizmente, essas propostas são apoiadas por boa parte dos formadores de opinião midiáticos de hoje, que já estão chamando essa aliança de “Bancada BBB – Boi, Bala e Bíblia”. Como afirmou em entrevista à Folha de São Paulo Sílvio Fernandes, membro da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura e um dos costuradores dessa aliança, “o problema é que se estereotipa muito as coisas, chamando de ‘Bancada BBB – Boi, Bala e Bíblia’, mas tem coisas nessas bancadas que são muito maiores que as picuinhas que criam confusão lá dentro do Congresso”.

Relator da cassação de Eduardo Cunha é assembleiano

Independente das diferenças pessoais em algumas questões e das cores partidárias variadas, a Bancada Evangélica, quando o assunto envolve ataque às igrejas e aos valores judaico-cristãos, sempre tem votado, em sua esmagadora maioria, contra esses ataques, o que é uma grande virtude. Às vezes, porém, ela é alvo de fortes críticas, vindas dos próprios evangélicos e com certo fundo de razão, devido à conduta pessoal de um ou outro parlamentar, ou pela condenação pública que os membros da Bancada Evangélica se omitem de fazer às vezes em relação a algum de seus pares que é acusado de cometer algum crime. A bancada tem prezado pelo princípio da presunção de inocência. De forma geral, um colega acusado de um crime pela mídia, ou mesmo denunciado por algum crime a confiança no futuro, que matam a esperança dos mais jovens e que por suas práticas espalham medo aos brasileiros”, afirmou, em 16 de março, Marcos Rogério, que também foi o relator do processo de cassação do deputado Luiz Argôlo (SD-BA), condenado pela Operação Lava-Jato. Rogério pediu a cassação de Argôlo, aprovada por 13 votos a 4 pela Comissão de Ética em outubro do ano passado.

Partido Republicano Cristão

Desde fevereiro de 2014, por ocasião do 1º Fórum promovido pelo Conselho Político da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), liderado pelo pastor Lélis Washington Marinhos (SP), que reuniu a Bancada da Assembleia de Deus no Congresso Nacional e vários líderes da denominação e políticos assembleianos de todo o país, foi aprovado e anunciado o projeto de criação de um partido, que se chamará Partido Republicano Cristão. Hoje, faltam poucas assinaturas para que ele seja homologado pelo TSE. “A instituição religiosa Assembleia de Deus não está criando um partido. Nós, assembleianos, como cidadãos, estamos criando um partido alinhado aos nossos princípios. Já temos um Estatuto, com Programa e Regimento interno devidamente registrados em cartório e com registro em um terço dos TREs da Federação. Permitindo Deus, esperamos participar das eleições de 2018 já com candidaturas em todo território nacional. O processo de filiação só será aberto após homologação no TSE, mas os que desejam se engajar no projeto desde já podem nos procurar pelo telefone com Whatsapp (11) 98809-8599”, afirma pastor Lélis.

“Trata-se de um partido que tem o apoio dos membros da Assembleia de Deus ligados à CGADB e às lideranças das Convenções no país e da Convenção Geral, mas que não tem vínculo jurídico com a instituição religiosa. Em suas fileiras, será possível encontrar pessoas que não comungam a fé evangélica, porque qualquer cidadão pode ingressar nele, desde que concorde com o programa partidário já registrado em cartório e que será registrado no TSE. Nosso problema não é pluralidade de partidos, mas qualidade. Além de haver partidos cuja liderança encontra-se envolvida em corrupção, desejamos um partido cuja filosofia de trabalho não entre em colisão com nossas convicções. Temos um programa político forte e a adesão de mais de 20 deputados ligados à Assembleia de Deus”, enfatiza Ronaldo Fonseca, líder da Bancada da Assembleia de Deus.

Michel Temer e o boato mentiroso de satanismo

“Nem mesmo frequentei centro espírita, nem nunca participei de sessões de umbanda. Desde criança, eu cresci com uma força cristã. Sou católico” – mesmo rebatendo com essas palavras aos boatos que surgiram contra ele anos atrás de que seria satanista, e que foram revisitados com força na campanha eleitoral de 2014 – e rebatidas novamente por ele à época –, infelizmente, ainda há hoje quem acredite nesse boato absurdo envolvendo o atual presidente Michel Temer. Além de Temer, os seus assessores, cuja maioria é evangélica e o acompanha desde o início de sua carreira política, sempre negaram essa história.

Havia vários argumentos fortes em 2014 para se defender que a reeleição de Dilma não era boa para o Brasil, menos esse. A história de que o então vice Temer era satanista não passa de um boato que ganhou dimensões enormes no meio evangélico somente por causa do clima eleitoral de 2014, alimentado pelo receio – esse, sim, coerente – dos evangélicos pela reeleição de Dilma. Esse boato surgiu, mais precisamente, em março de 2009, quando começou a circular na internet um email intitulado “Satanista no poder político brasileiro”, de origem até hoje desconhecida e assinado por alguém que usava o nome da conferencista evangélica Neuza Itioka, líder do Ministério Ágape Reconciliação. Esse email afirmava que Michel Temer era satanista e que a fonte da informação seria o conferencista evangélico Daniel Mastral, que saberia disso porque seria filho de Temer. O email também falava de uma revelação de que Dilma morreria de câncer no meio do mandato para que Temer assumisse a presidência e empreendesse uma perseguição à Igreja no Brasil. Mesmo o Ministério Ágape Reconciliação tendo divulgado dias depois, em seu site oficial, que o conteúdo do email era falso, não tendo vindo nem de Neuza e nem da sua entidade, a tal revelação se espalhou como um vírus na internet e, cinco anos depois, foi ressuscitada com mais força ainda no último pleito presidencial.

Em seu canal no Youtube, o próprio Daniel Mastral, em vídeo datado de 17 de abril deste ano, negou mais uma vez – como já fizera em 2010 – que tenha afirmado ou escrito alguma vez que ele era filho de Michel Temer ou que o então vice-presidente fosse satanista. Segundo Mastral, o boato surgiu porque, em um de seus livros, de grande repercussão entre seu público e no qual apresenta uma narrativa ficcional em que procura “alertar sobre o avanço das forças das trevas na sociedade como um todo, preparando as plataformas globais para o governo do Anticristo”, um dos personagens centrais, chamado Marlon, é apresentado como um político que colocaria o Brasil sob as influencias satânicas e cujas características físicas apresentadas foram entendidas pelos leitores como muito semelhantes às de Michel Temer. A história do filho de Marlon, que se converteu do satanismo para Cristo, foi também entendida como sendo a história de conversão do próprio Daniel Mastral, que é ex-satanista. Some-se a isso a inicial “M” no nome do personagem e a suposta semelhança física entre Daniel e Temer, e o boato se espalhou. Mastral, como já dissemos, negou ainda em 2010 ser filho de Temer, mas como ele não se dedicou muito a desmentir o boato nos anos seguintes, porque, segundo ele, achava o assunto “irrelevante”, o resultado é que o boato pegou. Lembrando ainda que a própria mãe de Mastral também negou que Daniel seja filho de Temer.

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