Aprendendo a ser ceifeiro como o Mestre

Aprendendo a ser ceifeiro como o MestreAo analisarmos o texto de Mateus 9.36-38, vemos que a obra de Deus na Terra é realmente muito grande. E isso foi constatado pelo próprio Jesus enquanto esteve entre os homens. O que talvez os observadores do seu tempo não imaginassem é que ela se tornaria cada vez maior. Quanto mais era anunciado o Evangelho, mais se chegava a conclusão de que muitas outras pessoas precisavam ouvi-lo. Tanto é que certa vez Ele mesmo vendo a multidão que o cercava teve grande compaixão deles.

É diante de tal situação que Jesus percebe a carência de obreiros aptos para a grande seara. É importante notar que a constatação de Jesus se dá em um momento em que Seu ministério estava muito restrito ao território de Jerusalém. Com a explosão do cristianismo através da Igreja Primitiva, viu-se cada vez mais a necessidade de ceifeiros para esta grande obra.

A expressão de Jesus no texto em apreço é tão atual quanto verdadeira. Apesar de muitos alegarem que estamos vivendo tempos com grande abastança de obreiros, não é o que realmente parece. De fato, a concentração de obreiros hoje no ministério é bem maior do que muitos anos atrás. Ao mesmo tempo, não dispomos de mão de obra devidamente preparada e vocacionada para atender, por exemplo, o campo missionário. Isso acontece por, pelo menos, dois fatores: Em primeiro lugar, pela apresentação de obreiros por mera conveniência e, infelizmente, isso tem deixado o ministério inchado. Temos muito em quantidade, e pouco em qualidade. Outro fator também muito relevante é a estagnação de muitas igrejas que se acomodam a condição de estabilidade financeira e nada investem na obra missionária.

Tais fatores contribuem desfavoravelmente para o crescimento do Reino de Deus. À medida que a igreja deixa de investir na obra, principalmente na pregação do Evangelho aos que estão em países remotos, ou mesmo em nosso país, deixa de cumprir com a tarefa principal designada por Jesus Cristo: a Grande Comissão (Marcos 16.15). Nossas atenções precisam se voltar mais para a obra missionária seja essa local, interestadual ou internacional.

O que aprendemos com Jesus neste texto? Aprendemos a ver Sua obra, principalmente no que diz respeito à pregação de Sua Palavra a toda criatura, com um olhar mais apurado. Jesus, o maior missionário de todos os tempos, via as multidões como campos brancos preparados para a ceifa. Ao mesmo tempo, notava que precisava de trabalhadores capazes de vislumbrar tamanha vastidão e lançar-se ao campo para colher resultados.

Cristo nos deixou o modelo único de ceifeiros para Sua seara. Imitá-lO deve ser o nosso maior objetivo, não só no aspecto missionário, mas em todas as ações. As reações de Jesus, bem como as Suas palavras neste texto, revelam a conduta que a Igreja deve ter diante das almas que carecem de salvação. Essas são atitudes que precisam ser copiadas por nós que participamos do Reino de Deus.

Compaixão pelas almas

Ninguém sentia tanta compaixão pelas pessoas como Jesus Cristo (Mateus 20.34; Mc 8.2; Lucas 7.13). Ao vislumbrar a grande multidão que o cercava percebeu claramente a necessidade espiritual de cada um. Naquele dia, Jesus viu que aquelas pessoas necessitavam de orientações espirituais e, por falta destas, andavam cansadas e desgarradas como ovelhas sem pastor. Naturalmente, é assim que vivem aqueles que estão distante de Cristo e nunca ouviram o Evangelho.

A palavra compaixão, de acordo com o dicionário bíblico Wycliffe, tem a mesma raiz da palavra grega misericórdia que denota “companheirismo em meio ao sofrimento”. Esse sentimento em relação às pessoas torna-nos sensíveis as suas necessidades e carências, fazendo-nos compartilhar de suas agruras.

Mostrar compaixão para com o outro é o mesmo que sofrer com ele ou sentir o que ele está sentido. Eis o motivo por que somos tão omissos. Será que sentimos a necessidade da alma das pessoas que carecem de Jesus? Como servos de Cristo e comissionados por Ele para pregação do Evangelho devemos ser mais compassivos para com a humanidade.

Deus espera de nós compaixão para com os que precisam de Jesus Cristo, mas às vezes simplesmente não os vemos com este olhar. Logo, torna-se impossível fazer algo em favor daquele pelo qual não sentimos nada. Um discípulo que não reage diante das centenas de pessoas que partem para eternidade sem Cristo não pode ser digno de ser chamado de discípulo. Precisamos sentir a compaixão pelos perdidos da mesma maneira como Jesus se compadeceu de nós.

Visão dimensional da seara

Ao mesmo tempo em que sentiu compaixão da grande multidão que O cercava, Jesus Cristo teve a dimensão da obra evangelística que deveria ser realizada. Seus discípulos eram poucos para um campo tão grande. Por isso, constrange-os a rogar ao Senhor da seara para que envie ceifeiros. Uma Igreja que não consegue vislumbrar a dimensão da obra missionária jamais tomará atitudes que a façam alcançar cidades, estados e países, sejam eles quais forem. Dentro das quatro paredes do templo jamais teremos a noção da grandeza do campo que está pronto para ceifa. Por isso, Ele nos ordenou a ir por todo mundo, a sair da nossa zona de conforto, a parar de esperar que almas venham até nós.

Quando não temos dimensão da obra missionária que podemos desempenhar, nos limitamos aos cultos rotineiros e a um mero evangelismo pautado apenas na entrega de folhetos em nosso bairro ou nos perímetros de nossa congregação. Jesus foi procurado por uma grande multidão, por que eles precisavam de Deus. Quando nós, como Igreja, temos a mesma visão que nosso Senhor, torna-se impossível não se constranger diante de um campo tão grande e carente. Tomemos mais uma vez as Suas palavras como fonte de inspiração: “Levantai os vossos olhos e vede as terras, que já estão brancas para ceifa” (João 4.35).

Rogai ao Deus da seara

Ao mesmo tempo em que Jesus se depara com a dimensão da obra que precisava ser feita, sente a carência de obreiros aptos para desempenhar esta tarefa. Por isso, diz aos Seus discípulos: “Rogai, pois, ao Senhor da seara, que mande ceifeiros para a sua seara” (Mateus 9.38). É exatamente neste ponto que nos resta a indagação: Estamos de fato abastecidos com ceifeiros para a seara de Deus?

O ministério, infelizmente tem se tornado alvo de muitos aproveitadores e enganadores. Há os que pensam nele apenas como uma escada para a ascensão popular e o prestigio diante de grandes multidões. No entanto, este não pode figurar como o real objetivo no Reino de Deus. Inútil nos será o ministério, se negligenciarmos a nossa missão como pregadores do Evangelho.

Eu talvez não tenha tanto jeito para com o campo, quem sabe você também compartilhe do mesmo sentimento, mas há algo que podemos fazer. Jesus nos ensinou a rogar ao Deus da seara para que envie ceifeiros. Além disso, podemos fazer muito mais, como por exemplo, contribuir para o envio de missionários aos lugares que precisam urgentemente ouvir a Palavra de Deus.

Na seara do Senhor há espaço para todos os discípulos, tanto os que plantam, como os que colhem. O que não podemos é negligenciar as almas que precisam de salvação.

Referencia

PFEIFFER, Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe, 5ª edição, Rio de Janeiro, 2009, CPAD.

Por, Edeilson Santos.

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