A situação dos cristãos na Venezuela

Perseguição religiosa e luta pela sobrevivência marca cenário nacional

A crise política e econômica que assola a Venezuela tem criado um ambiente de total desigualdade não somente no âmbito social, mas tem atingido a comunidade evangélica do país caribenho. Como o regime socialista conduzido pelo presidente Nicolás Maduro tem acenado amistosamente às nações de orientação muçulmana como o Irã e Turquia, e consequentemente, demonstra simpatia ao islamismo, a comunidade evangélica tem sido hostilizada, mas também estimulada a manter-se firme em sua confissão de fé em Jesus Cristo em meio ao caos social.

O pastor venezuelano Pedro Garcia (nome alterado por motivos de segurança), morador da cidade de Mérida, foi detido pelas autoridades e falsamente acusado de traficar e vender suprimentos médicos. A Confederação de Pastores de Mérida emitiu uma declaração que explica a prisão do pastor ter acontecido no final de outubro, após o seu comparecimento na sede do Centro para Investigações Criminais Científicas para testemunhar em favor de uma mulher (membro da congregação) que também acabou sendo presa após os agentes encontrarem suprimentos médicos em seu carro.

A sua prisão aconteceu em circunstâncias nada ortodoxas: o pastor venezuelano deslocava-se para a sua casa quando a polícia realizava uma busca sem mandado. Os agentes encontraram uma pequena sacola com alguns suprimentos médicos e dentais que a igreja havia adquirido para utilizar em consultas odontológicas oferecidas sem qualquer custo aos moradores das comunidades de Mérida e demais cidades.

Mais tarde, os policiais foram a igreja do pastor Garcia com a missão de encontrar mais evidências contra o religioso. Durante a diligência, os agentes interromperam o culto, mas não encontraram nenhuma evidência que pudesse ser utilizada como prova. Os advogados do pastor explicaram durante a audiência que seu cliente foi acusado falsamente e que os procedimentos seguidos pela polícia descumpriram a lei. Apesar dos esforços dos advogados em mostrar a validade e pontos fortes dos argumentos legais, o juiz disse que o pastor Garcia deveria ser mantido preso, decisão que será apelada pela defesa.

Em outubro, aconteceu a prisão de pastores por tentarem distribuir artigos de necessidade básica. Os profissionais da saúde têm reclamado que os hospitais não possuem equipamentos básicos e medicamentos para atender a população. Mas a fim de preencher esta lacuna deixada aberta pelo governo, as igrejas tem se mobilizado a fim de prover alimento e cuidados médicos para os necessitados, principalmente os moradores das comunidades pobres.

Mas o governo socialista de Maduro não observa com bons olhos essa mobilização cristã voltada para os cidadãos, por este motivo, nem mesmo as igrejas evangélicas escapam da crise. Os problemas humanitários tem sido a razão do êxodo de crentes aos cultos nos templos. Simultaneamente, as organizações evangélicas internacionais têm oferecido ajuda aos venezuelanos com envio de medicamentos e comida ao país caribenho, mas esbarram em dificuldades impostas pelo governo de Maduro.

Por todo o planeta, as estatísticas denunciam a quantidade de refugiados e migrantes que deixaram a Venezuela para trás nos últimos anos por causa da crise que vitimou 3 milhões de pessoas. Os números foram divulgados no dia 8 de novembro pelas agências das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) e para Migrações (OIM).

Evangélica foge com filhos e missionário atende necessitados

A professora Anabel (nome alterado por motivos de segurança) teve que empreender fuga acompanhada de seus filhos por causa da perseguição movida pelo governo de Nicolás Maduro e cujos seguidores não toleram a influência dos cristãos no cenário nacional. “Eles me chamam de ‘a evangélica’ e desdenham de mim porque sou cristã. Dizem que nós, cristãos, somos enganadores e mentirosos”, desabafa Anabel que outrora atuava como professora em uma escola pública em seu país e teve que abandonar a sua casa para morar na casa dos pais com seus filhos. “Eu flagrei pessoas armadas rondando a minha casa em atitude ameaçadora. Eu precisei sair de lá. Mudei com meus filhos para a casa de meus pais, em busca de um lugar mais seguro. Eu abandonei tudo, só tive tempo de levar alguns pertences pessoais comigo”, desabafa.

Entrementes, o missionário brasileiro Elias Costa (nome alterado por motivos de segurança) juntamente com a sua família esforça-se a fim de evangelizar a comunidade indígena venezuelana e atender aos necessitados que o procuram. A esposa dele explicou que a família é mantida pela Assembleia de Deus em Pacajus (CE), conduzida pelo pastor Eliackim Rodrigues (responsável pela manutenção dos missionários), igreja ligada ao campo eclesiástico do pastor presidente José de Oliveira, na capital cearense. O casal administra uma creche com 150 crianças cujos pais estão encarcerados ou em fuga à Justiça venezuelana. “Nós oferecemos a Palavra de Deus e também alimentação às crianças, mas o nosso principal desafio neste momento é pagarmos o imóvel onde funciona a nossa creche, caso contrário os antigos donos vão requisitar o prédio para vender a outros interessados”. Os missionários afirmam que dependem exclusivamente da graça divina e do que conseguem vender do que trazem do Brasil: sucos industrializados e arroz para fazer doce e vendê-lo nas ruas e conseguir recursos. Esta é a situação de um país que sente os resultados de um sistema político e econômico nocivo e que tem feito vítimas em outros países. A Venezuela precisa das orações dos crentes de todo o mundo.

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