A origem da salvação

A origem da salvaçãoO tema “a origem da salvação” é um assunto de grande relevância, pois aborda o projeto de Deus em salvar o homem da condenação eterna. No âmbito teológico, o estudante recorre à soteriologia, a doutrina da salvação; uma das matérias mais estudadas na Bíblia. Por isso, para termos uma compreensão melhor do assunto em voga, precisamos trilhar pelas páginas das Sagradas Escrituras (João 5.39), e ao fazermos isto, vamos compreender que a salvação tem origem no próprio Deus. Se não, vejamos.

A frase “Origem da Salvação” é composta de duas palavras, que nos arremetem à gênese do plano salvador de Deus: “origem”, termo que significa “ponto inicial de uma ação ou coisa que tem continuidade no tempo ou no espaço; ponto de partida; começo, procedência”; e “salvação”, termo bíblico oriundo da palavra grega soteria, que no contexto cristão significa “libertação do pecado e suas consequências espirituais e admissão à vida eterna, com bem aventuranças no Reino de Cristo” (Lucas 1.77; 19.9; João 4.42; Atos 4.12; 13.26; 16.17; João 1.16; 10.1,10; 11.11; 13.11; 2 Coríntios 1.6; 7.10; Efésios 1.13).

O escritor e teólogo Eurico Bergstén, em sua obra Introdução à Teologia Sistemática, ressalta que a salvação tem origem no próprio Deus. Pois no dia em que o nosso ancestral Adão caiu em pecado, ficando sujeito ao seu domínio, Deus prometeu que enviaria o Salvador. O texto de Gênesis alusivo a Cristo, também chamado por alguns teólogos de “Proto Evangelho”, nos assegura: “E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3.15 – ACF). No texto supracitado, o Senhor promete a vinda de Jesus Cristo, que destruiria as obras malignas, à semelhança de um homem que esmaga a cabeça de uma serpente debaixo de seus pés.

O texto profético de Gênesis 3.15 cumpriu-se na plenitude dos tempos quando Deus enviou seu Filho, nascido de mulher (Gálatas 4.4). O Novo Comentário Bíblico do Antigo Testamento, de forma assertiva, declara: “A inimizade (Hb., ‘eybah, ódio) mencionada no texto de Gênesis não se limita às serpentes; tem a ver com o inimigo de nossas almas. Daí a expressão entre a tua semente (a da serpente) e a sua semente (a da mulher)”.

Consideremos ainda que o projeto de salvação de Deus é fundamentado em seu amor imensurável. O apóstolo João destaca este pormenor em seu Evangelho: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo aquele que Nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16 – BRA). Não teríamos capacidade de mensurar o grande amor de Deus pela humanidade caída, Deus prova isto ao entregar seu filho para morrer por nós. Paulo corrobora este assunto em sua carta aos cristãos romanos: “Mas Deus prova seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.8). O amor de Deus é incondicional.

Outro elemento fundamental e indispensável no escopo da origem da salvação é a graça de Deus. Ela é o favor imerecido, que age em consonância com os atributos incomunicáveis de Deus na salvação do homem caído, é o que podemos observar no texto da carta a Tito: “Pois a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todos os homens” (Tito 2.11 – TB). Reparemos que o apóstolo dos gentios, ressalta a importância da graça no processo da salvação, destacando a sua abrangência, que se manifesta oportuna e salvadora a todos. Pois o propósito de Deus é que todos sejam salvos (1 Timóteo 2.4).

Paulo ainda usa o termo “manifestou” (Tito 2.11), palavra que no grego é epiphainô, e cujo significado é “tornar visível” ou “conhecido”. Metaforicamente, significa “ser consciente”, “ser conhecido” e “manifesto”, com respeito à graça de Deus. Destacamos ainda uma derivação da palavra epiphainô, que é a palavra epiphaneia, ou seja, uma manifestação de Cristo no passado, presente e futuro. Em outras palavras, a graça de Deus tem se manifestado desde o principio para com o homem caído, e continuará se manifestando.

Existem alguns aspectos que precisam ser experimentados e conhecidos por todo cristão que recebeu a salvação bendita. O escritor e teólogo Myer Pearlman, destaca: adoção, termo oriundo do grego huiothesia, significa literalmente o meio pelo qual uma criança é recebida numa outra família (Romanos 8.15-17; Gálatas 4.5-7); regeneração, termo originado do substantivo grego palingenesia, significa gerar de novo, dar a luz (João 3.1-8; Tito 3.5); justificação, o termo encontrado no grego é dikaioo, expressa o significado de declarar justo ou inocente (Romanos 5.1; 1 Pedro 2.24); santificação, no original do Novo Testamento é hagyasmos e significa literalmente separação (1 Tessalonicenses 5.23; Hebreus 12:14); e glorificação (Romanos 8.20,21,28-30).

Assim, podemos afirmar que a salvação tem origem em Deus e se consuma em sua plenitude com o sacrifício expiatório de Jesus na Cruz (2 Coríntios 5.19; Hebreus 9.24-26). Jesus é o único meio da salvação (Mateus 1.21; Lucas 19.10; Atos 4.11,12). Jesus é sinônimo da salvação (Lucas 2.29,30; 2Tm 2.10; João 14.6). O sacrifício de Jesus nos trouxe redenção, reconciliação, propiciação, julgamento da natureza pecaminosa, o epílogo da lei mosaica.

Devemos ser gratos a Deus por dar origem à salvação eterna. Desfrutemos das bênçãos advindas da salvação. Que possamos agradecê-lo por seu amor inexplicável, pois nos transportou do reino das trevas “para o Reino do Filho de seu amor”.

BIBLIOGRAFIA

Bíblia de Estudo Palavras-Chaves Hebraico e Grego. Rio de Janeiro: CPAD, 2011.
BERGSTÉN, Eurico. Introdução a Teologia Sistemática. Rio de Janeiro: CPAD,1999.
GRUDEM, Wayne A. Teologia sistemática Atual e Exaustiva. São Paulo: Vida Nova, 1999.
O Novo Comentário Bíblico AT com recursos adicionais. Rio de Janeiro: Central Gospel, 2010.
PEARLMAN, Myer. Conhecendo das Doutrinas da Bíblia. São Paulo: Vida, 1970.

Por, Raydfran Leite de Oliveira.

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