A importância de uma boa biblioteca

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Pastores falam sobre acervos, amor pela literatura e dão ótimas dicas

A importância de uma boa bibliotecaO conselho dado pelo apóstolo Paulo ao seu filho na fé, Timóteo, para que este persistisse em ler, assim como tantas outras orientações sobre o tema nas Escrituras, é seguido por milhões de abnegados servos de Deus pelo mundo. Muitos deles se dedicam com tanto esmero à leitura, e têm tanto apreço por livros, que suas bibliotecas possuem milhares de exemplares.

Como exemplos, aqui no Brasil, vários pastores relacionam obras nacionais e estrangeiras (incluindo as línguas hebraica, grega e latina) em suas prateleiras, seja pelo desejo de conhecer mais profundamente a cultura bíblica e o pensamento pentecostal; como também movidos pela fome de aprender e conhecer teologia, e pela vontade não só de aprender, mas também de pregar e ensinar com excelência pela unção do Espírito Santo.

Pastor José Gonçalves, comentarista de Lições Bíblicas da Casa Publicadora das Assembleias de Deus (CPAD) e líder da Assembleia de Deus em Água Branca (PI), despertou-se para a leitura e aquisição de livros a partir dos anos oitenta, nos primeiros anos de conversão. Hoje, com cerca de 7,5 mil obras, entre elas grandes clássicos da literatura mundial e clássicos da literatura judaico-cristã, José Gonçalves dedica-se também a aquisição e leitura de obras na área de línguas bíblicas, cujo número chega a 200 volumes, na esfera gramatical e léxica.

Outro ministro assembleiano brasileiro com vida dedicada à literatura é o pastor Esequias Soares. O líder da Assembleia de Deus em Jundiaí (SP) e da Comissão de Apologética Cristã da Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB), e também comentarista de Lições Bíblicas, tem mais de seis mil volumes cadastrados, sem contar as obras primárias, publicações dos grupos religiosos heterodoxos, livros e periódicos. Embora as obras estejam à disposição de toda a família, sua filha, Daniele tem uma pequena biblioteca, sua esposa Rute e o Filipe, seu filho, também têm suas coleções. “A maioria dos livros de casa ainda não foi cadastrada”, comenta pastor Esequias. “Tudo começou no dia seguinte de quando voltei para Jesus, pois eu estava afastado, em 1977, comprei uma Bíblia, uma Harpa Cristã, e o livro Esforça-te para ganhar almas, de Orlando Boyer. Inspirei-me em meu pai (inmemorian), que tinha uma pequena coleção, cujos livros, alguns, encontram-se comigo”, lembra.

Sobre a importância da CPAD na montagem de suas bibliotecas, os pastores são unânimes: a editora desempenhou e tem desempenhado um importante papel. Pastor Osiel Gomes, líder da Assembleia de Deus Campo de Tirirical em São Luís (MA), cujo acervo conta com mais de cinco mil obras, lembra-se de sua primeira coleção de escritos juntados, e de quando e como foi despertado: “A princípio, comecei lendo, estudando e juntando revistas de Escola Dominical, jornal Mensageiro da Paz e revista Seara. Eu tinha uns 12 anos. Admirava pessoas que liam muito, admirava as pessoas que faziam citações de livros, e isso despertou em mim este sentimento”.

Pastor José Gonçalves diz também que seus primeiros livros foram da editora, e sua identidade cristã foi formada a partir da produção literária da CPAD, especialmente as Lições Bíblicas. Em seus primeiros anos como amante de literatura, pastor Esequias Soares diz que inicialmente a maioria dos livros que tinha era de autoria dos escritores mais conhecidos da época. Ele destaca que “até hoje a Casa não somente publica os livros mais incentiva a apoia a busca do conhecimento bíblico e promove diversos eventos voltados para a cultura cristã”.

Os mais de 13 mil volumes da biblioteca do pastor Elienai Cabral, 1º secretário da CGADB, escritor e comentarista de Lições Bíblicas, começaram a ser captados a partir de 1974, quando ele foi para o Instituto Bíblico de Pindamonhangaba. Desta época, ele lembra: “Toda a minha base de crescimento de aprendizado foi buscar na CPAD os livros que ele podia me oferecer”. Hoje, segundo pastor Elienai, sua biblioteca é composta também por obras de outras editoras do mundo inteiro, como dos Estados Unidos, da Europa e daqui do Brasil.

Quanto aos autores internacionais e nacionais que não podem faltar em uma boa biblioteca, pastor Esequias Soares diz que “isso vai depender muito da área de atuação de cada um, como a área acadêmica, a área de liderança cristã, área da família, de comentários bíblicos, e assim por diante […] Lembrando que vale a pena o investimento em dicionários, enciclopédias e concordâncias, pois são obras de referências para consulta e precisam estar à mão”, sugere pastor Esequias. Pastor José Gonçalves, por sua vez, diz que “é bom que os leitores dosem suas práticas de leitura entre aqueles de natureza teológica e os de natureza devocional”.

Mesclando os nomes de autores internacionais e nacionais citados pelos pastores como importantes de se ter obras, entre outros, estão: A. W. Tozer, Martin Lloyd Jhones, Lawrence Olson, Stanley M. Horton, Gordon Fee, Charles Finey, Robert Menzies, Roy B. Zuck, William Menzies, Rodmans Williams, Estevam Ângelo de Souza, Alcebíades Pereira Vasconcelos, João Pereira de Andrade e Silva, Emílio Conde, Raimundo de Oliveira, Eurico Bergstén, João de Oliveira, Orlando Boyer, Antonio Gilberto, Esequias Soares, Elienai Cabral, José Gonçalves e Elinaldo Renovato.

Entre as obras pentecostais que não podem faltar na biblioteca de um cristão, os pastores listam, depois da Bíblia Sagrada [se possível, de Estudos]: Declaração de Fé das Assembleias de Deus; Manual da Escola Dominical; Batismo no Espírito Santo, Pentecostes, Depois do Pentecostes (de Donald Gee); David Wilkerson Exorta a Igreja, Heróis da Fé, Doutrinas Bíblicas na Perspectiva Pentecostal; Conhecendo as Doutrinas da Bíblia (de Myer Pearlman).

Sobre a importância de um obreiro ter uma boa biblioteca e estudar, comenta pastor Elienai Cabral: “É ponto fundamental. Ninguém cresce na Palavra e na comunicação da Palavra sem estudar. Então, para estudar ele precisa adquirir uma boa biblioteca. Não só com obras cristãs, evangélicas, mas também com obras seculares que possam contribuir, de algum modo, para melhorar, aprimorar a capacidade de falar”. Na visão do pastor Esequias Soares, “é responsabilidade de o obreiro estar preparado tanto na evangelização, no trato com os descrentes, como também na instrução do rebanho. Esse preparo não vem apenas ‘por obra e graça do Espírito Santo’, isso exige estudo pessoal e dedicação”.

Pastor Osiel Gomes também considera importante adquirir obras e estudá-las, mas, segundo ele, “o leitor não pode se deixar levar apenas pelos tratados de obras, pois a base de tudo isso, a prioridade maior que deve estar em nossas vidas é a Palavra de Deus”. “Precisamos ter cuidado para que não sejamos só homens de livros, de citações, mas que sejamos homens da Palavra. Precisamos entender que todos os livros cristãos jogam para a Bíblia, mas a Bíblia não joga para nenhum livro, porque ela é superior”, acrescenta.

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