A grandeza da simplicidade

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A grandeza da simplicidadeEm uma sociedade contaminada pelo consumismo e subvertida na inversão de valores, é comum encontrarmos pessoas que distorcem o verdadeiro significado da simplicidade. Infelizmente, a confusão paira até mesmo dentro de nossas igrejas.

Muitos confundem a simplicidade com falta de recursos ou conformismo. Assim como a humildade independe da situação econômica de uma pessoa, a simplicidade não pode ser associada apenas pelo aspecto financeiro, ela deve ser contemplada como um verdadeiro ato de grandeza e reflexo do caráter cristão.

Ao contrário do que muitos pensam a simplicidade não diminui o prestígio social nem o nível intelectual de uma pessoa. O sentido original da palavra usada no texto bíblico, é admirável, pois mostra que na realidade; ser simples é ser sincero, é ser incapaz de dissimular, desprovido de egoísmo e singular.

Para desespero dos adeptos da doutrina da “arrogância” e felicidade dos servos de Cristo, a Bíblia nos mostra que o homem mais poderoso do universo foi revestido de uma assombrosa simplicidade: “Sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus” (Filipenses 2.6).

Ao tomar a “forma de servo fazendo-se semelhante aos homens” (Filipenses 2.7), Jesus declarou possuir o sentimento mais sublime do universo; a simplicidade. Aceitou vir ao mundo em forma humana, mesmo sendo Deus. Ele nos ensinou através de inúmeros exemplos, que; ser “grande” é estar disposto a doar-se, é fazer-se pequeno para que outros possam crescer.

Deus permitiu que Jesus entrasse no mundo de forma singela, isso levou a sociedade da época, que não difere da atual, a não perceber que o aparente começo insignificante, acabaria se transformando em um futuro glorioso. Afinal, quem poderia imaginar que o Messias nasceria em um lugar tão simples?

Por desprezar o dia das coisas pequenas (Zacarias 4.10), não somos capazes de contemplar a grandeza de cada detalhe preparado pelo Criador. O nascimento de Jesus nos mostra, que Deus pode transformar “dias pequenos” em séculos de gloria. Dias depois, Deus usou alguns homens do Oriente para adorar o rei dos judeus (Mateus 2.1), pois reconheceram a grandeza representada na pessoa de um “menino” (Mateus 2.11). Abriram seus tesouros, ofertaram dádivas dignas de serem recebidas por um rei.

A história de Davi revela outro exemplo de simplicidade transformada em honra por Deus.Quem esperaria que o filho menor de Jessé, seria ungido por Samuel para governar o povo de Israel?

O “menor” dos filhos de Jessé (1 Samuel 16.11) estava realizando o que poderia ser visto como o trabalho mais simples da casa, porém, foi através da simplicidade e dedicação de seu trabalho, que o moço ruivo de gentil aspecto (1 Samuel 16.12; 1Sm 17.42) se tornou o rei de maior prestigio em Israel.

Já o Filho de Davi, através de sua simplicidade, atraía milhares de pessoas, “de sorte que se atropelavam uns aos outros” (Lucas 12.1). A graça transmitida por suas palavras e as virtudes que saiam do interior de sua pessoa tornava qualquer momento ao seu lado em uma experiência inesquecível.

Porém, com o passar do tempo, a simplicidade de Cristo parecia não atrair a todos. Paulo alerta aos irmãos de Corinto sobre a possibilidade de se afastarem do verdadeiro Evangelho. Já que uma turba composta por falsos líderes tentava contradizer o genuíno ensino do apóstolo.

Sob a orientação divina ele declarou: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo” (2 Coríntios 11.3).

Todas as vezes que o referencial de perfeição ou modelo supremo de vida não descansar sobre o exemplo de nosso Mestre, corremos o risco de corromper nossos sentidos e abraçar falsas doutrinas. Quando isso ocorre, acabamos seguindo “outro Jesus” (2 Coríntios.11.4) que não é compatível com o Jesus apresentado nas Escrituras.

Astutamente, muitas serpentes se apresentam em forma de ministros de justiça, destilando o veneno da arrogância e afastando muitos servos de Deus da verdadeira devoção a Cristo.

Muitos são levados aos pináculos da vaidade dentro de seus próprios templos. E ao contemplar o prazer momentâneo de estar no “alto” acabam enganados pelo adversário, e preferem transformar pedras em lucro.

Ao contrário do que muitos pensam a simplicidade não diminui o prestígio social nem o nível intelectual de uma pessoa. O sentido original da palavra usada no texto bíblico é admirável, pois expande o significado de simplicidade e mostra que na realidade, ser simples é; ser sincero, incapaz de dissimular, desprovido de egoísmo e singular.

Não bastassem os vertiginosos discursos oferecidos pelos “obreiros fraudulentos” (2 Coríntios11.13) da época de Paulo, a igreja moderna tem sido exposta a perigos semelhantes. Um dilúvio de heresias tem causado estragos na vida espiritual de muitos.

É triste saber que alguns procuram colocar sobre Cristo a opulência que nunca existiu na sua Pessoa. Descontentes com a simplicidade encontrada em Jesus, os atuais “obreiros fraudulentos” buscam as mais atrativas falácias para corromper não somente os sentidos, mas, o coração do povo de Deus.

É típico dos falsos obreiros, apresentarem novidades que desprezam o ato de servir e ensinam os homens a serem servidos, contrariando o princípio Bíblico para a verdadeira grandeza: “Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal” (Mateus 20.26).

Se retirarmos a toalha dos nossos ombros jamais seremos capazes de lavar os pés de nossos irmãos, ao invés disso, ostentaremos uma postura contrária aos ensinamentos de Cristo, exigindo “honras”, protocolos e benefícios que nem mesmo o nosso Bom Mestre ousou reivindicar para si. “E qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos” (Marcos 10.44, 45).

A grandeza de Cristo sempre esteve estampada na simplicidade de sua Pessoa. É impossível pregar a grandeza de Deus sem falar da simplicidade e amor de seu Filho. A simplicidade abre portas por onde a arrogância jamais passará.

Através da simplicidade, Jesus conseguiu entrar no coração de inúmeras pessoas sem importar sua condição social, destaque político ou religioso. Era capaz de suportar as imperfeições de uma mulher adúltera e defendê-la em público, para depois levá-la a uma verdadeira transformação de vida. Aceitava dormir na casa de cobradores de impostos só para conduzi-los ao arrependimento.

Porém, o incontrolável desejo de ser reconhecido, aplaudido e respeitado, tem levado a que muitos ministérios se afastem da oportunidade única de agir e espalhar pela sociedade a essência da simplicidade de Cristo. Todas as vezes que agimos assim, acabamos recebendo outro espírito (2 Coríntios 11.4) que não provém do Alto.

O mundo precisa de Deus, e o primeiro passo na propagação do Evangelho, é exatamente o de sermos transformados e moldados pelo caráter de Cristo. Pois assim, seremos capazes de não somente transmitir informações sobre o Evangelho, mas, testemunhar que o amor e a simplicidade de Cristo ainda “nos constrangem” (2 Coríntios 5.14).

Deus abençoe.

Por, Rodrigo Faria.

One Response to A grandeza da simplicidade

  1. andrea mara gomes bras disse:

    Glória a Deus que mensagem linda

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